Portela

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Vamos comemorar que a campeã voltou! Portela!!! #PortelaCampeã
"O que é de verdade ninguém mais hoje liga: isso é coisa da antiga" - Ney Lopes e Wilson Moreira

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Elsa (Frozen) ♥

terça-feira, 17 de abril de 2018

"Bodas de Ouro" (1997) - Em memória de Dona Ivone Lara (1921-2018)



Hoje o samba alvoreceu triste. Nesta noite do dia 16 de abril morreu por insuficiência cardiorrespiratória a cantora e compositora Dona Ivone Lara, a Primeira Dama do Samba e a Rainha do Samba. Yvonne da Silva Lara foi a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores de escola de samba com "Os Cinco Bailes da História do Rio" (1965) junto ao Silas de Oliveira (1916-1972) e Bacalhau para a Império Serrano, sua escola de coração, onde começou sua carreira artística em 1947. Só em 1970 que gravou seu primeiro disco (que na verdade era coletivo), "Sambão 70" (Copacabana, hoje subsidiária da Universal Music). Escrevia sambas e, simultaneamente, formada em enfermagem e serviço social com especialização em terapia ocupacional, trabalhou em hospitais psiquiátricos até se aposentar dessa área em 1977, a partir de quando passou a dedicar-se inteiramente na música. Em uma reportagem do Jornal O Folha em 1998 (clique aqui), a artista justificava a demora para gravar um disco: "É que eu trabalhava como enfermeira formada, funcionária pública. Não queria compromisso com contrato, com a vida artística. Só no Carnaval ficava mais em evidência".
Em 1997, Dona Ivone Lara havia lançado um belo álbum comemorativo dos seus 50 anos de carreira, o "Bodas de Ouro" pela Sony Music. Foi o primeiro lançado na era do CD da discografia da cantora e compositora. Nesta obra-prima produzida pelo Rildo Hora, Dona Ivone canta em parceria com vários artistas, como Gilberto Gil, Djavan (um dos belos duetos do álbum, "Sonho Meu"), Martinho da Vila, Zeca Pagodinho e Ataulpho Jr (1943-2017). 

BODAS DE OURO
Dona Ivone Lara
(P) 1997 Columbia Records / Sony Music Entertainment Brasil
Clique no link seguinte para ouvir o CD na íntegra:
https://www.youtube.com/watch?v=x5Z09mDBeIk

1 Samba de roda pra Salvador (Não chora meu bem) 
Participação especial de Gilberto Gil (gentilmente cedido pela Warner Music)
Escrita por Ivone Lara

2 Alguém me avisou
Participação especial de Araketu
Escrita por Ivone Lara

3 Não chora neném
Participação especial de Martinho da Vila
(Ivone Lara)

4 Sonho meu
Participação especial de Djavan
Escrita por Ivone Lara e Délcio Carvalho

5 Candeeiro da vovó 
Participação especial de Danilo Caymmi (gentilmente cedido pela EMI Music / hoje Universal Music)
Escrita por Ivone Lara e Délcio Carvalho
MÚSICA INCIDENTAL: "Oração da Mãe Menininha" (escrita por Dorival Caymmi)

6 Mas quem disse que eu te esqueço 
Participação especial de Zeca Pagodinho (gentilmente cedido pela PolyGram/ hoje Universal Music)
Escrita por Ivone Lara e Hermínio Bello de Carvalho

7 Acreditar 
Participação especial de Adryana Ribeiro
Escrita por Ivone Lara e Délcio Carvalho

8 Sorriso negro
Participação especial de Isabel Filardis e Toni Garrido
Escrita por Jorge Portela, Adilson Barbado e Jair de Carvalho)

9 Força da imaginação
Participação especial de Beth Carvalho (gentilmente cedido pela PolyGram/ hoje Universal Music)
Escrita por Caetano Veloso

10 Enredo do meu samba - Participação especial de Almir Guineto (gentilmente cedido pela RGE)
Escrita por Ivone Lara e Jorge Aragão
Mel da boca
Escrita por David Correa

11 O samba não pode parar - Participação especial de Ataulpho Alves Jr.
Escrita por Paulo George, Dilce Coutinho e Fabrício do Império
Leva meu samba
Escrita por Ataulfo Alves
Na cadência do samba
Escrita por Ataulfo Alves, Paulo Geta e Matilde Alves

12 Alvorecer 
Participação especial de Netinho de Paula (Negritude Jr.) (gentilmente cedido pela EMI Music/ hoje Universal Music)
Escrita por Ivone Lara e Délcio Carvalho

13 Bodas de ouro 
Escrita por Ivone Lara e Paulo César Pinheiro

sexta-feira, 30 de março de 2018

Clássicos da Música Católica 02 - "Antes da Morte e Ressurreição de Jesus" (canto de comunhão)

Postagem de Sexta-feira Santa



Quando eu fazia catequese, ainda criança, eu e os outros catequizandos cantávamos muito esta música no período pascal como canto de comunhão. Recentemente eu me lembrei desta música através de uma cena do documentário da Maria Bethânia em que muitos fiéis cantavam durante uma procissão exibida no longa sobre a cantora.
"Antes da Morte e Ressurreição de Jesus" é um canto de comunhão cuja letra foi feita por Dom Carlos Alberto Navarro (30 de outubro de 1931  — 2 de fevereiro de 2003) e do músico cearense Waldeci Farias (in memorian) na parte melódica. Mais informações sobre Waldeci Farias, acesse:
http://www.trofeulouvemos.com/homenagem-postuma-do-trofeu-louvemos/



1. Antes da morte e ressurreição de Jesus, Ele, na Ceia, quis se entregar: deu-se em comida e bebida pra nos salvar.

[Refrão]
E quando amanhecer, o dia eterno, a plena visão,
Ressurgiremos por crer, nesta vida escondida no pão.

2. Para lembrarmos a morte, a cruz do Senhor, nós repetimos, como Ele fez: gestos, palavras, até que volte outra vez.

3. Este banquete alimenta o amor dos irmãos, e nos prepara a glória do céu: Ele é a força na caminhada pra Deus.

4. Eis o Pão vivo mandado a nós por Deus Pai! Quem o recebe, não morrerá: no último dia vai ressurgir, viverá.

5. Cristo está vivo, ressuscitou para nós! Esta verdade vai anunciar, a toda terra, com alegria a cantar.

Clássicos da Música Católica 01 - "Te Amarei, Senhor"

Postagem de Sexta-Feira Santa 




Quem é católico sente que pelo menos uma música executada na missa marca sua vida. Muitas delas marcou a minha e uma é da qual eu falarei agora: "Te Amarei, Senhor" (1997). Na minha adolescência, mesmo contra a vontade (além de ser a fase da "aborrecência", eu tinha tamanha dificuldade de aprender o sentido das coisas. Se eu já tinha dificuldade de aprendizado na escola, o que justifica o meu desempenho não muito bom nos estudos, imagine ao tentar entender as leituras e o Evangelho...), eu e meu irmão fomos levados pelos nossos pais à igreja do bairro onde moramos e a capela cantava muito essa música. Eu lembro que na noite da Sexta-Feira da Paixão de 1999, no dia 2 de abril (como eu lembro? Eu não lembro, procurei pelo calendário do ano no Google 😆), nós quatro,eu aos 17 anos, fomos para ver a encenação da Paixão de Cristo no Estádio Marcílio Dias daqui de Itajaí (naquela década todo ano havia encenação da Sexta-Feira Santa aqui na minha cidade) e uma banda carismática abria a encenação que era feita no campo e os espectadores ficavam na arquibancada. No repertório desta banda incluía a canção "Te Amarei, Senhor".Um momento engraçado daquela noite é que, enquanto a música estava sendo cantada pelo grupo, uns jovens atrás da gente certamente da minha idade faziam palhaçadas, uma delas era imitar as vozes em falsete da turma dos Teletubbies, uma série infantil anglo-americana que no Brasil era exibida nas manhãs da TV Globo e que era a sensação na época entre as crianças de até 6 anos (eu confesso que eu adorava). E eu cobria a minha boca com as mãos  e abaixava um pouco a cabeça para ninguém perceber que eu estava rindo das mocinhas e rapazes atrás.
"Te Amarei, Senhor" foi gravada originalmente por Antônio Kater Filho, teólogo, escritor e compositor (este que foi o professor do Padre Marcelo Rossi) e Maria do Rosário, cantora católica e apresentadora do programa "Brasil Cristão" que vai ao ar todas as terças-feiras às 20:30h na Rede Século 21. Este registro está no CD "Louvemos o Senhor Volume 9" (ouvi no Spotify e é realmente lindo) lançado pela gravadora Paulinas/COMEP em 1997. Eu não estou certa de quem escreveu a música. A internet diz que foi o Padre Zezinho. Um site em slideshare de cifras de cantos para missa diz que é do Frei Luiz Turra. Enquanto está dúvida a respeito do autor não se esclarece, a letra reflete como é essencial a presença de Jesus Cristo em nossa vida e faz com que fizéssemos uma autoanálise de como reagiríamos com o convite de Deus-Filho. Preciso dizer mais?
Recentemente a música foi regravada pela banda Santhuário com a participação da Irmã Kelly Patrícia. (clique aqui)

Fontes:
Revista Istoé - "O Marqueteiro dos Católicos" (Sobre Antônio Kater Filho)
https://istoe.com.br/3780_O+MARQUETEIRO+DOS+CATOLICOS+/

Slideshare - "Livro de Cantos da Congregação"
https://pt.slideshare.net/antoniarosacorrea/livro-de-cantos-da-congregao

Vídeo: gravação original de "Te Amarei, Senhor" (1997)

Me chamaste para caminhar na vida contigo,
Decidi para sempre segui-te, não voltar atrás. 
Me puseste uma brasa no peito e uma flecha na alma, 
é difícil agora viver sem lembrar-me de ti. 

[Refrão]
Te amarei, Senhor.
Te amarei, Senhor 
Eu só encontro a paz e a alegria bem perto de ti (2x) 

Eu pensei muitas vezes parar e não dar nem resposta. 
Eu pensei na fuga esconder-me, ir longe de ti, 
Mas tua força venceu e ao final eu fiquei seduzido. 
É difícil agora viver sem saudades de ti. 

[Refrão]

Ó Jesus, não me deixes jamais caminhar solitário, 
Pois conheces a minha fraqueza e o meu coração. 
Vem ensina-me a viver a vida na tua presença, 
No amor dos irmãos, na alegria, na paz, na união



ATUALIZADO NO DIA 6 DE ABRIL DE 2018
Eu fui ensaiar na casa de uma amiga para a missa e ao procurar por cantos em livros de músicas católicas vi que em um desses livros, o do "Deus Conosco", identificava os compositores de cada canção. Procurei por "Te Amarei, Senhor"(erroneamente intitulado como "Me Chamaste Para Caminhar") e finalmente descobri que o autor na verdade era ALFRED MERCIECA (no livro foi grafado com "Alfred Mercica")

domingo, 18 de março de 2018

O documentário "Vem" de Mallu Magalhães


Lançado no dia 6 novembro do ano passado, o documentário "Vem" da cantora Mallu Magalhães é sobre a turnê de seu mais recente álbum que leva o nome do curta-metragem de 18 minutos de duração. "Vem" já está disponível com canal oficial da cantora no YouTube em parceria com a Vevo.
O filme mostra os bastidores do show e os poemas inéditos da cantora, compositora e instrumentista paulistana. Sem falar na trilha sonora composta pela própria Mallu. Veja!




sábado, 10 de março de 2018

Irmã Cristina Scuccia lança o single "Felice"




Adivinhe quem está de volta? Sim, a Irmã Cristina Scuccia, ou Suor Cristina Scuccia. A freira-cantora que venceu o The Voice Itália em 2014 divulga o seu mais novo single, "Felice", autoria de Andrea Bonomo e  Gianluigi Fazio e produção de Elvezio Fortunato (Velvet Music, site italiano). O álbum homônimo será lançado pela Universal Music a partir do dia 23 de março. Ainda ontem, 9 de março, já foi lançado o videoclipe. Veja e fique feliz!


"Um Novo Dia" - Movimento Samba São Paulo

Rildo Hora e Patrícia Hora também participaram do projeto


Há um mês (10 de fevereiro), o Movimento Samba São Paulo lançou o clipe da música-tema do projeto. A música chama-se "Um novo dia" da autoria de Denílson Miller e conta com a participação de vários artistas do Movimento, entre eles o maestro Rildo Hora e Patrícia Hora.
Mais informações no site: 
www.movimentosambasaopaulo.com.br
 





Ficha técnica tirada a partir da descrição do vídeo:

Movimento Samba São Paulo - "Um Novo dia"
Autor: Denílson Miller 
ISRC: BXM6P1700002 
Gravadora Miller Produções 

Há de brilhar, um novo dia há de brilhar 
o alvorecer algo de novo há de trazer
além do céu e mar, alem do céu voar 
pra ir buscar um renascer
pra um dia ver algo de novo acontecer
e refazer toda história desse lugar
da vida se fartar e só o amor levar
juntos caminhar, até chegar

Há de brilhar em cada olhar a esperança
o futuro sempre está na força de uma criança
que vai crescer se transformar
realizar, fazer valer um novo dia

Há um movimento a se espalhar pela cidade
vamos a luta pra mostrar o elo de uma amizade
um canção, um só coração
que vai pulsar, vai despertar um novo dia

o samba vai estar em cada esquina, em cada bar
um brinde a fazer, a alegria de viver
o verso e a poesia, o som em harmonia
e que a batucada traga a madrugada
e assim valeu mais uma noite a se encantar
um filho teu um dia há de se lembrar
do samba em oração, de ver brotar do chão ver florescer e anunciar 

[refrão]

Ficha Técnica: 
Arranjo e regência: Denílson Miller 
Bateria: Jorge Gomes
Surdo: Gordinho
Percussão geral: Koka Pereira e Yvison Pessoa
Cuíca: Daniel da Cuíca
Baixo: Batman
Cavaco: Alceu Maia
Violão de 7: Diego 7 Cordas
Violão de 6, Violino e Viola: Maestro Denílson Miller
Violino: Luis Amato
Cello: Adriana Holtz
Clarinete: Marcos Gomes
Flauta e Piccolo: Marco Cancello
Trompete: Elisson Gomes
Sax Tenor: Vagner Luiz
Trombone: Samuel Marques
Coro: Brau de Souza, Carlos Fernandes, Miller, Cris Bosch e Cristina Teixeira

Gravado, mixado e masterizado no estúdio da Miller Produções Artísticas Produzido por Denílson Miller 
Co-produção: Brau de Souza 


Divulgada a primeira chamada da novela "As Aventuras de Poliana"

Sophia Valverde será a protagonista


Esta semana o SBT divulgou a primeira chamada de estreia da novela "As Aventuras de Poliana" que substituirá "Carinha de Anjo". Segundo os rumores, "As Aventuras de Poliana", da autoria de Iris Abravanel, deve estrear em maio. No elenco, estão a atriz-mirim Sophia Valverde (no papel de Poliana), Larissa Manoela, Myrian Rios (depois de 16 anos afastada da TV), Dalton Vigh e Milena Toscano.

Chamada de estreia:





Making- of da chamada de estreia:

domingo, 4 de março de 2018

"Dalida" (filme cinebiográfico de 2016)



"Eu que escolhi tudo na minha vida, eu também quero escolher minha morte.
Há aqueles que querem morrer em um dia chuvoso e outros em pleno dia ensolarado
Há aqueles que querem morrer sozinhos na cama
Tranquilos em pelo sono
Eu quero morrer no palco
Em frente dos projetores
Sim, eu quero morrer no palco
O coração aberto a todas as cores
Morrer sem qualquer dor na última apresentação
Eu quero morrer em cena, cantando até o fim."

Tradução do trecho da música "Mourir Sur Scène" ("Morrer no Palco") (de Michel Jouveaux e Jeff Barnel, 1983) gravada por Dalida (clique aqui para ouvir a música no YouTube)



Eu sempre havia ouvido falar na cantora ítalo-egípcia Dalida (1933-1987), como também conheço poucas de suas músicas e sua vida trágica. Mas recentemente tomei conhecimento sobre a existência do filme "Dalida" (Pathé Films, 2016), uma cinebiografia sobre uma artista poliglota que tinha tudo para dar certo e eu confesso que chorei feito bebê ao assistir ao longa. Dona de uma voz grave suave, Dalida era uma mulher cheia de valores que tinha sua vida marcada por vitórias, decepções amorosas, depressão e distúrbios alimentares _o filme retrata tudo isso_ até suicidar-se em 3 de maio de 1987 aos 54 anos em Paris ingerindo uma overdose de barbitúricos. "Dalida" foi dirigido pela cineasta Lisa Azuelos com a colaboração de Orlando (Bruno Gigliotti), irmão de Dalida, e protagonizado pela atriz e modelo italiana Sveva Alviti que teve que aprender francês para o papel e foi escolhida para o filme entre 250 candidatas. O idioma materno de Dalida era o italiano, apesar de ter aprendido o árabe egípcio e também o francês enquanto crescia no Cairo. Ela aprimoraria o seu francês na fase adulta, após se estabelecer em Paris em 1954, tornando-se em seguida fluente em inglês e aprendendo também conversações básicas em alemão e espanhol, além de possuir certa facilidade em cumprimentar seus fãs do Japão utilizando japonês básico. No filme, os idiomas são principalmente italiano e francês , mas também há um pouco de inglês e árabe. "Dalida" entrou em cartaz no ano passado, 2017, nos cinemas europeus. No Brasil, foi exibido em outubro do mesmo ano em quatro sessões no Festival do Rio, no Rio de Janeiro, dentro da mostra Panorama do Cinema Mundial (Coluna de Bruno Astuto, site Revista Época).


Sveva Alviti no papel de Dalida

Orlando, irmão de Dalida, e Sveva Alviti




Seu nome é Yolanda

 Dalida (1933-1987) na década de 1970

Dalida em 1961



Yolanda Christina Gigliotti, filha de pais italianos, nasceu em 17 de janeiro de 1933 em Shoubra, um distrito da cidade do Cairo, no Egito. Seu pai era violinista de ópera e desde menina passou a receber lições de música. A bela Yolanda foi eleita a Miss Egito em 1954 aos 21 anos, em seguida apareceu  em alguns filmes no Egito creditada inicialmente apenas como Yolanda e depois como Dalila, uma alusão à personagem bíblica que seduziu e traiu o juiz Sansão, e mudou-se para a França, onde deu início a sua respeitável carreira musical. Apesar do seu talento e beleza, a carreira no cinema não foi satisfatória, então aceitou cantar em vários idiomas, inclusive italiano e francês, em cabarés, teatros e casas de shows. Se inscreveu para um programa de calouros para jovens cantores promovido por Bruno Coquatrix (1910-1979) no famoso teatro Olympia em Paris. A interpretação da cantora encantou Coquatrix que logo a apresentou ao Eddie Barclay (1921-2005), produtor musical e fundador da gravadora Barclay e Lucien Morisse (1929-1970), produtor artístico do popular Radio Europe 1 e da Barclay e o que seria o marido de Dalida. Barclay  e Morisse desempenhariam papel fundamental na carreira da artista e aconselharam a cantora a adotar um novo nome artístico, Dalida, que para eles soaria melhor.
Em 1957 Dalida lançou seu primeiro álbum pela Barclay Records (hoje selo subsidiário da Universal Music), "Son Nom Est Dalida" (em português, "Seu Nome é Dalida") com o sucesso "Bambino" (música original de Giuseppe Fanciulli e Nicola "Nisa" Salerno e adaptação para o francês de Jacques Larue), versão da música napolitana "Guaglione". "Bambino" seria o grande sucesso da cantora, ficando 46 semanas nas paradas Top 10 da França, representando uma das maiores vendagens de discos na história francesa, e por suas vendas (que ultrapassaram as 300.000 cópias) Dalida recebeu seu primeiro disco de ouro. Em toda a sua carreira, Dalida vendeu mais de 170 milhões de cópias, ganhou 55 Discos de Ouro e foi a primeira cantora no mundo a receber um Disco de Diamante, em 1980. Gravou mais de 500 músicas em francês, 200 das quais foram traduzidas para o italiano e 200 para outras línguas.  Se aderiu a vários gêneros musicais, como chanson, folk, pop árabe e até disco na década de 1970, uma fase que, na cinebiografia intensamente triste sobre a cantora, é retratado como um alívio dançante e empolgante. No auge de seus problemas sentimentais cantava músicas com letras profundamente melancólicos e liberais que soam pessoais, como a releitura de "Je Suis Malade" (de Serge Lama e Alice Dona, 1973), isto é, "eu estou doente", e "Il Venait d'avoir 18 Ans" (de Pascal Sevran, Serge Lebrail, pseudônimo de Simone Gaffie, e Pascal Auriat, 1974), ou seja, "ele havia acabado de fazer 18 anos", que alude a um romance secreto que Dalida, no auge da fama aos 34 anos, tinha com um estudante italiano que na verdade tinha 22 anos, isto depois que ela havia tentado se matar depois do suicídio de seu namorado, o cantor italiano Luigi Tenco (1938-1967).


Pour Ne Pas Vivre Seul
(Para não viver só)

Dalida teve em sua vida três homens suicidas, sendo que o único que suicidou-se durante o relacionamento foi o cantor Luigi Tenco, e se sentia cada vez mais sozinha e pesarosa por passar sua vida inteira dedicada a sua carreira e a homens que ela acreditava serem o ideal a cada relacionamento, além do fato de não ter podido exercer a maternidade. Lucien Morrise, o primeiro marido da cantora, suicidou-se em 1970 e Richard Chanfray, em 1983.
Dalida e seu produtor Lucien Morrise, casado e pai, iniciam um romance. Lucien prometeu a Dalida que iria se divorciar da esposa para ficar com ela, mas isso demorou vários anos e conseguiu. Os dois se casaram em 1961. Viciado em trabalho, Lucien não tinha tempo para a esposa e esta sentia-se abandonada e se apaixonou por um outro rapaz em uma festa. Dalida e Lucien se divorciaram amigavelmente em 1964. O novo namorado começou a chatear-se com a ausência de Dalida devido aos compromissos profissionais da cantora e os dois terminaram.
Dalida em seguida namorou o talentoso e perturbado cantor e compositor italiano Luigi Tenco (1938-1967). Os dois iriam defender no Festival de San Remo de 1967 a canção profeticamente intitulada "Ciao Amore Ciao" ("tchau, amor, tchau") a qual Luigi Tenco havia trabalhado por cinco anos no estilo musical daquele tempo. Mesmo sem entendê-la, muitos brasileiros e até eu mesma interpretamos a música como uma despedida de um casal, mas na verdade, fala de uma decisão dos italianos de deixarem o país em razão das guerras e da recessão econômica. Decepcionado com a rejeição do público ao "Ciao, Amore, Ciao" que foi desclassificada, Tenco saiu do evento sem ao menos comparecer ao jantar pós-apresentações dos artistas. Depois da festa, Dalida foi ao hotel onde o namorado chateado foi hospedado e o encontrou morto no chão de seu quarto. Luigi Tenco suicidou-se naquela noite com tiro na orelha como forma de protesto contra a decisão dos jurados e não porque estava cansado de viver. Abalada, Dalida entrou em depressão e, um mês depois, em Paris, tentou o suicídio ingerindo remédios no mesmo quarto de hotel onde ela e Tenco se hospedaram antes do Festival San Remo.
Em 1973, o novo parceiro de Dalida foi Richard Chanfray (1940-1983), um alquimista com problemas psicológicos que dizia ter poderes paranormais como ressuscitar animais mortos e transformar metal comum em ouro e alegava ter 17 mil anos de idade e ser a reencarnação do misterioso Conde de Saint Germain (1696-1784). No começo os dois viveram um romance tórrido, mas depois de um certo tempo, Richard se revelou um homem agressivo, machista e insuportável. As brigas se tornam frequentes e Dalida tenta se separar dele, mas mudava de ideia sempre que ele fazia cenas de arrependimento e sentimentalismo tão intensas a ponto de ela ter compaixão e lhe conceder novas chances. Isso até 1981, quando Dalida finalmente decidiu romper o relacionamento.

Je suis Malade
(Eu Estou Doente)

Durante 31 anos de sucesso, Dalida tinha um incrível dom de transmitir alegria, carisma e otimismo, mas por dentro estava ferida profunda e sentimentalmente. Ela tinha de depressão e sofria de bulimia. Na infância, aos 3 anos, contraiu uma infecção nos olhos que a cegou por pouco tempo e a deixou estrábica. Era vítima de bullying de suas colegas de escola por usar óculos devido ao problema na visão e perdeu seu pai aos 12. Ela mesma revelou que aos 16 anos decidiu descartar seus óculos, se convencer de que era bonita e se vingou ao ser eleita a Miss Egito aos 21, sua primeira grande volta por cima. Após anos de buscas através da leitura sobre filosofia e psicologia e da religião e misticismo a fim de preencher o vazio que a jogara em profunda solidão em virtude de abandonos afetivos e juras não cumpridas, Dalida  suicidou-se aos 54 anos de idade no dia 3 de maio de 1987
Antes de morrer, havia deixado uma carta a seu irmão Orlando e outra ao seu companheiro François Naudy, além de uma nota de suicídio ao seus fãs com a frase: "me perdoem, a vida se tornou insuportável para mim".

Fontes:
https://www.letras.com.br/biografia/dalida
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dalida

"Dalida" (trailer de Portugal legendado em português)

Músicas executadas no trailer interpretadas por Dalida (em ordem de execução):

"Besame Mucho"("Embrasse-Moi")
Música de Consuelo Velasquez
Adaptação para o francês de Pascal Sevran e Serge Lebrail
(P) 1976 Orlando International Shows / Universal Music Group

"Je Suis Malade"
Escrita por Serge Lama e Alice Dona
(P) 1973 Orlando International Shows / Universal Music Group


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

"Piaf - Um Hino Ao Amor" ("La Môme", 2007)



O que dizer sobre o filme "Piaf - Um Hino Ao Amor" ("La Môme", Légende Films, 2007), a cinebiografia sobre a cantora Édith Piaf (1915-1963)? Maravilhoso! Uma obra-prima que fez com que a atriz francesa Marion Cotillard no papel da inesquecível cantora recebesse vários prêmios de melhor atriz, inclusive o Oscar.
Piaf era considerada "a voz da França" e, dentre os clássicos eternizados por ela estão "Non, Je Ne Regrette Rien" (de Charles Dumont e Michel Vaucaire, 1960) e "La Vie En Rose (de Édith Piaf, Louis Guglielmi "Louiguy" e Marguerite Monnot, 1947). Mas a sua vida não era nada "cor-de-rosa": sua infância era de abandono, teve decepções amorosas e fugia dessas e outras dores na base do alcoolismo e das drogas. Nos últimos anos de sua vida, ela lutava pela sua sobrevivência e, embora os médicos recomendassem para que ela encerrasse sua carreira devido à sua saúde extremamente frágil, para Édith, deixar de cantar era como deixar de viver.
Assistam ao filme. Recomendo!

Édith Piaf (1915-1963)

Edith Giovanna Gassion viveu seus primeiros anos de vida na extrema pobreza. Sua mãe, Annetta Giovanna Maillard (1895–1945), trabalhava como cantora em um café. Louis-Alphonse Gassion (1881–1944), o pai de Édith, era acrobata de rua com um passado no teatro. Os pais de Edith abandonaram-na cedo, e ela viveu por um curto período de tempo com sua avó materna, Emma (Aïcha) Saïd ben Mohammed (1876–1930), que deixava-a em uma saleta e não cuidava da sua higiene. Antes de se alistar na armada francesa em 1916 para lutar na Primeira Guerra Mundial, o pai de Édith levou-a para sua mãe. Esta era dona de um bordel em Bernay, na Normandia, onde Édith foi criada por prostitutas. Dos 3 aos 7 anos de idade fica cega, recuperando-se milagrosamente depois de uma oração no túmulo de Santa Teresa de Lisieux, conhecida popularmente como Santa Teresinha. Devido a esse episódio, Édith conservou devoção a Santa Teresinha por toda sua vida.
Em 1922, o pai de Édith levou-a para acompanhá-la enquanto trabalhava em pequenos circos itinerantes. Em 1929, aos 14 anos, enquanto seu pai apresentava performances acrobáticas nas ruas de toda a França, Édith finalmente chamou a atenção do público, revelando seu dom de cantar.
Em 1935, Édith foi descoberta cantando nas ruas com uma amiga sua por Louis Leplée (1883-1936), dono de um cabaré em Paris. Foi ele quem a iniciou na vida artística e a batizou de "la Môme Piaf", uma expressão francesa que significa "pequeno pardal" ou "pardalzinho", pois ela tinha uma estatura baixa (1,42 metro), como também pela sua voz ter sido comparada ao canto da ave.  Foi depois de uma dessas apresentações que Piaf conheceu o compositor Raymond Asso (1901-1968) e a compositora Marguerite Monnot (1903-1961), que se tornou sua parceira e grande e fiel amiga por toda sua vida.
A vida é recompensada com o sucesso internacional. Fama, dinheiro, amizades, amores, mas também a constante vigilância da opinião pública e sofrimento, como o abuso de álcool e morfina no auge do sucesso em razão da morte por acidente aéreo de seu amante, o boxeador Marcel Cerdan (1916-1949), quem a cantora conheceu em Nova York e por quem ela se apaixonava profundamente. Este momento de depressão inspirou a clássica "L'hymne à l'amour" (letra de Édith Piaf e música de Marguerite Monnot, 1950).
Piaf morreu em 10 de outubro de 1963 aos 47 anos em consequência de uma hemorragia interna, em coma . Anos de abuso de álcool, exorbitantes quantidades de medicamentos, inicialmente para dores artríticas e, mais tarde, insônia, tiveram um severo impacto em sua saúde.  

Fontes: Wikipédia
Adoro Cinema



A atriz francesa Marion Cotillard recebeu o Oscar de melhor atriz pela sua atuação como a inesquecível cantora Édith Piaf

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Leo Russo divulgou "Que Tiro É Esse?" em seu canal no YouTube



Há mais de uma semana (sexta-feira, 16 de fevereiro) Leo Russo divulgou em seu canal no YouTube "Canto do Leo" o samba "Que Tiro É Esse?" da autoria dele em parceria com Luis Pimentel. A canção foi inspirada em um triste incidente que matou um garçom que trabalhava no Bar do Pinto, no bairro Tijuca do Rio de Janeiro com um tiro de fuzil que atingiu o peito do profissional por conta de confronto entre policiais e bandidos que aconteceu no sábado de pré-carnaval, 27 de janeiro. Detalhe: Leo passou pela mesma esquina minutos antes da tragédia, saindo de um bloco de carnaval.
O título da música é uma alusão ao funk "Que Tiro Foi Esse?" (de Fábio dos Santos Francisco "DJ Batata" e Pitter Correa, 2017) da Jojo Todynho, nome artístico da cantora carioca Jordana Gleise de Jesus Menezes. A música do sambista fala do medo e da indignação dos moradores do Rio por conviverem em meio à violência desenfreada na cidade.

"Nosso Rio não pode sangrar" - Leo Russo

Ah, e se inscreva para o canal do Leo Russo no YouTube (link seguinte). É bem legal! 👍
https://www.youtube.com/channel/UC655sFda97PZkzYcPxl2rgg


Que tiro é esse? 
Escrita por Leo Russo e Luis Pimentel

Que tiro é esse?
Que tira o sossego da gente
Que acerta quem vai pro batente
Que erra de rumo e de raio

Que praga é essa?
Que estanca a alegria da rua
Que não é nem minha, nem sua
E não se sabe de onde partiu

Que fogo é esse?
Que brilha onde não é chamado
Que queima esse chão já queimado
E escurece o meu carnaval

Que inferno é esse?
Com chamas que chegam daí
Tirem esse tiro daqui
Carreguem esse escudo do mal

Devolvam a minha alegria
Devolvam o meu laraiá laiá
Meu samba e a poesia
Meu Rio não pode sangrar

Eu peço paz noite e dia
Canto pra lá e pra cá
Esse canto de agonia
As águas hão de carregar







Festa de Lançamento do "Clube do Samba" (Fantástico, 1979)

"Meninos da Mangueira" - Ataulpho Jr. e Diogo Nogueira no programa "Samba da Gamboa" na TV Brasil