Portela

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segunda-feira, 24 de junho de 2013

O Vozeirão Incrível de Noriel Vilela



Eu nunca tinha ouvido falar no cantor Noriel Rosa (Rio de Janeiro, ? - 1974) até ouvir a canção "Só o Ôme" na reeleitura do Zeca Pagodinho em seu mais recente álbum, "30 Anos - Vida Que Segue" (Universal Music, 2013), no qual Zeca comemora seus 30 anos de carreira regravando grandes clássicos do samba. Aí, encantada com o arranjo empolgante da música, procurei pelas suas informações no meu amigo Google pra ver quem era o intérprete original, até que encontrei uma singela biografia do Noriel Vilela no Wikipédia e alguns videos seus de áudio postado por colecionadores de relíquias musicais no YouTube. Conclusão: fiquei maravilhada com seu vozeirão balançado de timbre baixo profundo, já que eu gosto muito de cantores com esse timbre considerado mais grave e mais pesado da voz masculina.
Noriel Vilela era integrante do grupo vocal de samba Cantores de Ébano durante a década de 1960. Em 1968, lançou o seu único álbum solo, "Eis O 'Ome' " pela extinta Copacabana Discos. O LP "é uma sucessão de faixas de sambalanço com forte tempero afro, não apenas na sonoridade, como também na temática, voltada para a umbanda" (Wikipédia). Além da música "Só O Ôme" (da autoria de Edenal Rodriges), um dos grandes sucessos do cantor foi a canção "Dezesseis Toneladas" (que não está no álbum), versão de um clássico norte-americano do pop-country-folk dos anos 1940, "Sixteen Tons", de Ernie Ford e Merle Travis, que foi gravado primeiramente pelo próprio Travis e, posteriormente, pelo cantor Tennessee Ernie Ford e pelo grupo vocal The Platters.
Noriel morreu em 1974 devido a uma reação alérgica à anestesia de seu dentista. Seu nome é sempre lembrado entre os admiradores do sambalanço e é facilmente encontrado nas redes de compartilhamento de arquivos da internet.
Nos anos 1990, o acervo de gravações da Copacabana Discos foi transferido para a EMI Music e, na década seguinte, através da sua série "100 Anos", a EMI relançou em CD o álbum "Eis o 'Ôme' " de Noriel Vilela, remasterizado pelo Charles Gavin, baterista dos Titãs e colecionador assíduo de discos de vinil.



"Dezesseis Toneladas"



http://www.youtube.com/watch?v=Beo_jHowU-I


"Só o Ôme" 



http://www.youtube.com/watch?v=am8NvEuEyb0


"Só o Ôme" (versão recente de Zeca Pagodinho)



http://www.youtube.com/watch?v=y2TqjxyXAvU






sábado, 1 de junho de 2013

Ignorância e Falta de Educação São as Marcas de Uma Geração de Adolescentes

Esse texto eu li do blog "Sulinha Cidad3", da minha amiga Sueli Vicente Ortega de São Paulo. Não pensei duas vezes e copiei, porque este texto me interessou de verdade. Quem é gente decente e gosta de música de qualidade vai concordar com cada palavra e cada vírgula dessa matéria.


"Ignorância e Falta de Educação São as Marcas de Uma Geração de Adolescentes"
( http://sulinhacidad3.blogspot.com.br/2013/05/ignorancia-e-falta-de-educacao-sao-as.html )

Caso você não o conheça, vou apresentá-lo. André Mehmari é um dos maiores pianistas do Brasil atualmente, um músico/arranjador/compositor/multiinstrumentista que tem como principal qualidade, além de sua técnica primorosa, o trânsito fácil e livre que consegue estabelecer entre os universos da música erudita e da música popular brasileira e o jazz. Ele chegou a vencer um Prêmio Visa de MPB Instrumental e vários concursos de composição erudita, já tocou ao lado de grandes cantoras como Ná Ozzetti e Mônica Salmaso, e tem seis discos lançados, todos excelentes. Você pode assistir abaixo dois exemplos desta competência instrumental:

Video: "Berimbau" (de Baden Powell e Vinícius de Moraes) piano solo by André Mehmari



http://youtu.be/ONCBXPoCSBo


Video: "Chega de Saudade" (de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes) solo by André Mehmari



http://youtu.be/Jl8TwGuVGGQ


Bem, feitas as apresentações, vamos ao motivo que me levou a escrever a respeito dele hoje, mais precisamente, a uma terrível experiência pela qual ele passou e que dá bem a medida dos tempos em que vivemos hoje. Peço permissão para colocar abaixo o texto que ele escreveu em sua página no Facebook. Leia com atenção, por favor...

“Há uns dias participei como convidado especial de um projeto musical educacional, para jovens de escolas públicas, de 10 a 12 anos, aqui perto de São Paulo. Levaram uma ótima banda, fizeram um roteiro bem bolado e caprichado com atores de primeira, e na segunda parte, a pedido da produção, entrei no palco, feliz da vida para falar de (Ernesto) Nazareth e anunciar as canções que se seguiriam.
Ao som de berros e injustificáveis vaias irracionais, ouvi toda sorte de grosseria: ‘sai daí, filho da puta!’ ‘Vai tomar no ...!’, Vai se f....!’
Fiquei um tanto cabisbaixo, mas segui quase firme. Com muito orgulho, falei um pouco desta música. Acompanhado por um supermúsico amigo - o percussionista e compositor Caito Marcondes -, toquei desconcentrado e ainda estupefato uma suíte de maxixes ‘nazarethianos’ abraçando uma ária de opera. É, eu queria falar para eles desta coisa bonita da Musica, de não ter fronteiras, a não ser na cabeça de medíocres e preconceituosos.
Mas a fronteira ali estava tão antes de qualquer pensamento, de qualquer diálogo. Tudo tão aquém de qualquer desenvolvimento, que abaixei a cabeça e levei mecanicamente a apresentação até o final, acreditando que se tocasse para um único par de ouvidos férteis naquela plateia de 600 jovens pessoas já teria valido meu esforço, minha confiança na vida.
Sei bem que educação é sempre desafio e que o Brasil encontra-se muito longe de ter estrutura e pessoal adequado.
Meu apelo aqui fica para os pais, que acreditam que a educação de um filho se dá na escola. Ela se dá principalmente em casa, neste nível fundamental da formação do caráter de um ser humano. Não coloquem filhos no mundo se não estão aptos e dispostos a dar uma formação cuidadosa e apaixonada a estes novos seres.
E estou farto deste discurso politicamente ‘soft-new-age-correto’ e praticamente inefetivo, de aceitar tudo e botar panos quentes em tudo que um jovem faz e diz. Acredito que ele tem consciência de seus atos e cabe aos mais experientes apontar problemas, olhar esta turma como nossos semelhantes que, em poucos anos, estarão ocupando importantes cargos e funções.
Educação é invariavelmente feita com amor e dedicação e estas são responsabilidades primordiais dos pais, depois da escola e da experiência. De qualquer maneira agradeço a oportunidade de tocar para aqueles jovens, mesmo tendo sofrido agressões que me ofenderam. Sei que aqueles que ouviram saberão me agradecer no futuro. E estarei plenamente recompensado e tranquilo!”


Quem acompanha o que escrevo neste honrado espaço sabe bem o que penso a respeito desta molecada nos dias atuais. Para quem não sabe, vou repetir numa boa: salvo raríssimas exceções, toda uma geração de adolescentes brasileiros se transformou em uma manada de asnos!
É isto mesmo o que você acabou de ler. Sem tintas douradas ou palavras suaves. A realidade nua e crua é exatamente esta. Quem é pai ou mãe sabe exatamente o que quero dizer. Nos dias atuais, professores se transformaram em seres com nervos em frangalhos, com o espírito esgotado e abalado por terem que lidar com pequenos bucéfalos, precocemente empurrados para a vala da ignorância por causa do meio em que vivem, seja a família, os amigos e até mesmo a própria escola.
Meninos e meninas são capazes de sugar o bom humor de quem quer que seja, tão rapidamente quanto as palavras ásperas, os gritos e a violência verbal que emanam de suas bocas sujas e cérebros já necrosados. Conversando com professores, a opinião é unânime: sala de aula é hoje um lugar onde reina a insanidade. Capacidade de cognição e momentos de sensibilidade por parte destes adolescentes é visto como um autêntico milagre de natureza divina.
E quero deixar claro: isto não tem nada a ver com classe social e poder aquisitivo! Há uma horda de adolescentes cretinos milionários, ricos, pobres e miseráveis. A burrice e a falta de educação não fazem distinção.
O que aconteceu com o talentoso pianista André Mehmari em um teatro municipal de Campinas, mais precisamente no bairro da Vila Industrial, é sintomático da total falta de educação e bons modos de toda uma geração. Basta dar uma olhada no meu perfil do Twitter para ver a quantidade de ofensas pesadas – e que se multiplicam como moscas – toda vez que escrevo a respeito de ídolos musicais desta garotada sem cérebro. Palavrões cabeludíssimos escritos por meninas que sequer tiveram a sua primeira menstruação e meninos que nem conhecem o significado do termo “punheta”. Dá vontade de fazer vasectomia no dia seguinte...
Infelizmente, a escola não é mais capaz de propiciar aquela camada de civilização que complementava a educação familiar. Basta ver a quantidade de vídeos que inundam o You Tube com cenas de violência contra professores, colegas de classe e funcionários para sacar que toda uma geração de jovens já encara o seu semelhante como um rival, um adversário a ser derrotado de qualquer maneira, nem que seja preciso ir armado para as aulas. O fato de nenhum destes pequeninos monstros não reconhecer a autoridade no ambiente escolar é o retrato inequívoco da falta de autoridade dentro de casa. Não reconhecer isto é negar a existência de qualquer parâmetro de civilidade.
E há outro problema, tão sério quanto este: a superficialidade imediatista que vê sendo imposta a todos nós diariamente pelos meios de comunicação. Em um País que teoricamente prima pela “diversidade”, cada vez mais somos esbofeteados por estratégias de marketing desenfreadas, que tentam nos obrigar a tomar a cerveja “X”, vestir a roupa “Y” e comprar o carro “Z” para que ninguém se sinta... diferente! É o fim da picada!
Precisamos acabar com este papo de que “povo não gosta de cultura e arte”, que vem nivelando a programação das emissoras de TV e rádio a níveis abaixo do rasteiro. Temos que acabar com esta conversa de que “tudo é arte”, disseminada por pseudointelectuais de padaria, que defendem a ideia de que as classes menos favorecidas intelectualmente produzam a sua própria “cultura” e deixem de olhar para o passado ou para outras vertentes de informação e conhecimento. Para estes palhaços com pinta de sociólogos da PUC, tudo bem que isto resulte nos “Naldos”, “Lek Leks” e “quadradinhos de oito” da vida, pois é “cultura de um povo”. Cultura uma ova!
Ah, o nome do tal projeto do qual André participava chama-se Ouvir Para Crescer. Que ironia nauseante, não?


De: Verdades e Mentiras
Para: sulinha3@ig.com.br

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Festa de Lançamento do "Clube do Samba" (Fantástico, 1979)

"Meninos da Mangueira" - Ataulpho Jr. e Diogo Nogueira no programa "Samba da Gamboa" na TV Brasil