"O que é de verdade ninguém mais hoje liga: isso é coisa da antiga" - Ney Lopes e Wilson Moreira

Elsa (Frozen) ♥

segunda-feira, 15 de junho de 2026

"A Mágica do Natal" ("Merry Magic Christmas", 2023)

 O filme natalino canadense que houve até "Evidências" na dublagem brasileira!


A 193 dias para o Natal, eu falo de um filme canadense televisivo que confesso que eu adorei: no Brasil, se chama "A Mágica do Natal" ("Merry Magic Christmas, Reel One Entertainment / Champlain Media / CMW Winter Productions, 2023), um longa-metragem de romance natalino estrelado por Patricia Isaac, Andrew Dunbar e Corey Woods. Adoro filmes de Natal! Assisto-lhes o ano todo pra matar saudades da época.


Patricia Isaac como a consultora financeira Beth Mckay


Sinopse

Beth McKay (Patricia Isaac), uma experiente consultora financeira, é recrutada por sua irmã Kat (Aadila Dosani), membro da diretoria de uma companhia de teatro local infantil sem fins lucrativos, para examinar suas finanças em declínio. Empenhada em ajudar a companhia que influenciou muito o crescimento de sua sobrinha Riley (Mela Pietropaolo), Beth assume a tarefa. No entanto, ela se depara com um obstáculo na forma de Nate Matthews (Andrew Dunbar), o imaginativo, porém financeiramente alheio, diretor criativo da companhia. Beth se esforça para fazer com que Nate perceba a gravidade de sua situação fiscal, enfatizando a necessidade de esforços colaborativos para salvar o futuro da empresa. Quando o Natal se aproxima, no jantar em um restaurante chinês com a amiga Coley (Corey Woods) que acredita imensamente em numerologia e astrologia, pegou o tradicional biscoito da sorte com o bilhete que contem uma mensagem em forma de poema: "Aquele sonho que há tempos quer que seja real / pode se realizar com uma mágica de natal. / Então faça um pedido para o universo. / O desejo do seu coração está no verso". No outro lado do bilhete está escrito o número 624* e a partir daí começa a ver o número recorrentemente, desde o despertador que aciona às 6h24 ao resultado dos cálculos financeiros.  Dizem-lhe que é um sinal de um anjo de Natal para realizar o seu desejo, levando-a a descobrir o amor. Essa narrativa se desenvolve como uma história de perspectivas conflitantes, misturando pragmatismo financeiro com paixão artística. Um filme recomendado para aqueles que apreciam histórias de superação por meio de trabalho em equipe e compreensão.

Nate Matthews (Andrew Dunbar) e Beth McKay (Patricia Isaac)


*Segundo um dos resultados do Google na visão geral criada por IA,  O número 624 é um chamado para buscar o equilíbrio entre o mundo material e o crescimento espiritual. Na numerologia angelical, ele indica que você deve ter fé na sua jornada, confiar nos seus talentos e manter a harmonia em seu lar e ambiente de trabalho. Quem é fã dos personagens Lilo & Stitch da Disney e viu um dos episódios da série animada, sabe que, pelo fato da namoradinha do Stitch (a "Stitch rosa") ser chamada de Experimento 624, ela ganhou o nome de Angel (na versão brasileira, Anjinha), apesar de transformar criaturas boas em malignas com seu canto hipnotizante. A Anjinha aparece no 37º episódio da primeira temporada da série.

O anjo do Natal de Beth.

Tá curioso? O filme dublado está disponível gratuitamente no YouTube no canal Romance Channel Brasil. Uma pena que cortaram créditos finais. Vale a pena! Clique no link seguinte.

https://youtu.be/7Ifq_NwIgME?si=70cFWYLp4f1J74kg


A música "Evidências" na dublagem brasileira

Essa é uma das milhares de provas de que a dublagem brasileira é show de bola até mesmo no improviso. Para a minha frustração, eu não consegui informações sobre a dublagem de "A Mágica do Natal", o motivo pelo qual eu não coloquei os créditos de dubladores, ao contrário de outras postagens minhas sobre filmes. Na cena em que Beth e Nate tiveram a ideia de fazer um coral de Natal de porta em porta para arrecadar dinheiro pra tirar o teatro infantil do aperto, Nate incentiva Beth a se juntar ao coro, mas ela admite que nunca cantou na vida por não ter talento para isso, e seu futuro namorado lhe perguntou incrédulo se ela nunca cantou nem "Evidências" (de José Augusto e Paulo Sérgio Valle, 1989 / clique aqui para ver a minha postagem da música). No fim foi engraçado esse improviso brasileiro. Mais um motivo para amar esse filme. Risos. "53:44 [da linha do tempo do filme] kkkkkk 'Evidências', amei que colocaram referências brasileiras na dublagem", disse uma internauta nos comentários.





Fontes:
*Peliplat (Portugal)
https://www.peliplat.com/pt/library/movie/pp43970854/merry-magic-christmas

*Internet Media Database (IMDb)
https://www.imdb.com/pt/title/tt28668784/

A história por trás de "Evidências", gravada por Chitãozinho & Xororó que virou um hino brasileiro


Verdade seja dita: aprendi a gostar da música "Evidências" (de Paulo Sérgio Valle e José Augusto, 1989) por causa das profissionais do CTEA que diagnosticaram autismo em mim e também gostam dela. "Evidências" foi gravada primeiramente por Leonardo Sullivan, irmão de Michael Sullivan, em 1989 para o seu álbum "Veneno, Mel e Sabor" (Continental, hoje Warner Music), com lançamento apenas regional, mas foi graças à famosa regravação de Chitãozinho & Xororó para o álbum "Cowboy do Asfalto" (PolyGram, hoje Universal Music, 1990) (capa na foto acima) que foi um sucesso nacional no ano seguinte. Sem falar que eu já tinha ouvido a música na gravação de Sullivan na rádio, pela antiga Litoral FM (92,9 MHz) que tocava sertanejo a maior parte do dia, que hoje opera como Band FM filial Itajaí (SC).

A canção foi composta pelo cantor José Augusto e por Paulo Sérgio Valle, irmão do também músico Marcos Valle. Foi gravada pela primeira vez em maio de 1989, por Leonardo Sullivan, que a lançou em junho do mesmo ano em seu disco "Veneno, Mel e Sabor". Esta gravação teve lançamento apenas regional, não tendo sido bem sucedida nacionalmente.

A princípio, "Evidências" tinha sido descartada por uma gravadora. "Mostrei a música e as pessoas ouviram e disseram: 'Essa música não é muito boa'. Eu fiquei tão sem graça, porque acreditava em 'Evidências'. Aquilo ali foi um balde de água fria, uma decepção. Nesse dia estava presente o Michael Sullivan, que me disse: 'Posso levar essa música para gravar com meu irmão?'. Eu disse: 'Pode'. Era o Leonardo Sullivan", disse José Augusto em uma entrevista à GloboNews em 2019 que uniu o cantor e o parceiro Paulo Sergio Valle pela primeira vez para falar da música que na época completou 30 anos. "Foi uma canção que bateu na gente de uma forma muito direta, e a impressão foi a melhor possível", disse Leonardo Sullivan.


Leonardo Sullivan, o primeiro intérprete de "Evidências"


Capa do LP "Veneno, Mel e Sabor" de Leonardo Sullivan


José Augusto e Paulo Sérgio Valle já tinham colaborado com Chitãozinho e Xororó ao oferecer-lhes a canção "Página Virada" (1989), sucesso do álbum "Os Meninos do Brasil" (PolyGram / hoje Universal Music) de 1989. Então, em 1990, ele enviou à dupla uma fita cassete com algumas canções novas, entre elas "Evidências" e um cover em português da canção "Bridge Over Troubled Water" (de Paul Simon, 1970) da dupla norte-americana Simon & Garfunkel. Chitãozinho e Xororó lembram de terem gostado muito da canção, tanto que, ao chegar ao estúdio para gravar o novo disco, em outubro de 1990, "Evidências" teria sido a primeira canção que eles mostraram ao maestro e arranjador Julinho Teixeira para ser gravada.

E qual seria o segredo desse fenômeno chamado "Evidências"? "Acho que 'Evidências' não tem segredo. É um fenômeno, não sei explicar o que aconteceu com essa música. É uma coisa extraordinária", afirma Paulo Sérgio Valle à GloboNews. "Já não é mais nossa, né? É do Brasil essa música,  é do mundo, né?", conclui José Augusto na mesma entrevista.


José Augusto e Paulo Sérgio Valle em 2019, para a GloboNews


E não é exagero. "Evidências" já foi gravada em espanhol _ pela cantora mexicana Ana Gabriel que também foi autora da adaptação ao idioma para o seu álbum "Silueta" (Sony Music, 1992) trabalhado também no Brasil nos estúdios Som Livre e produzido por Max Pierre, e relida pela Lucero, a eterna "Chispita" (Las Estrellas / Televisa, 1982-1983), para o álbum "Aquí Estoy" (Universal Music, 2014) e resgatada para o disco "Brasileira" (Universal Music, 2017)_, ganhou versões em italiano, em francês e em japonês. Teve até uma versão instrumental do Ray Conniff (1916-2002) para o álbum " 'S Country" (Abril Music, 1999) em que o arranjador norte-americano faz releituras de músicas sertanejas brasileiras.

É só ouvir os primeiros acordes que o povo se empolga. "Evidências" virou fenômeno em karaokês e bares, foi executada na saída de um show de rock da banda americana Foo Fighters e até na Rússia, durante a Copa do Mundo em 2018.  Vamos cantar que a festa tá formada! Taca, ou melhor, toca "Evidências" aí!

Fontes
*GloboNews / G1
https://g1.globo.com/globonews/noticia/2019/05/31/sucesso-evidencias-faz-30-anos-conheca-a-historia-por-tras-da-musica.ghtml



"Evidências"
Escrita por Paulo Sérgio Kostenbader Valle e José Augusto Cougil
© 1989 Editora Irmãos Vitale

*Na gravação de Leonardo Sullivan: 
℗ 1989 GEL, Gravações Elétricas S.A/ Discos Continental (hoje Warner Music Brasil)
*Na gravação de Chitãozinho & Xororó: 
℗ 1990 Discos Philips / PolyGram do Brasil (hoje Universal Music Brasil)

Quando eu digo que deixei de te amar
É porque eu te amo
Quando eu digo que não quero mais você
É porque eu te quero
Eu tenho medo de te dar meu coração
E confessar que eu estou em tuas mãos
Mas não posso imaginar
O que vai ser de mim
Se eu te perder um dia

Eu me afasto e me defendo de você
Mas depois me entrego
Faço tipo, falo coisas que eu não sou
Mas depois eu nego
Mas a verdade
É que eu sou louco por você
E tenho medo de pensar em te perder
Eu preciso aceitar que não dá mais
Pra separar as nossas vidas

E nessa loucura de dizer que não te quero
Vou negando as aparências
Disfarçando as evidências
Mas pra que viver fingindo
Se eu não posso enganar meu coração
Eu sei que te amo

Chega de mentiras
De negar o meu desejo
Eu te quero mais que tudo
Eu preciso do seu beijo
Eu entrego a minha vida
Pra você fazer o que quiser de mim
Só quero ouvir você dizer que sim

Diz que é verdade, que tem saudade
Que ainda você pensa muito em mim
Diz que é verdade, que tem saudade
Que ainda você quer viver pra mim





domingo, 7 de junho de 2026

Bruna Volpi - "Cala a Boca Já Morreu"


Paulista de Campinas, Bruna Volpi começou sua carreira aos 8 anos de idade no Conservatório Carlos Gomes de Campinas. É cantora, atriz e educadora vocal.

Lançado no dia 11 de março do ano passado, o samba "Cala a Boca Já Morreu" tem a letra da própria sambista e melodia por ninguém menos que Rildo Hora (sim, foi através dele que comecei a acompanhar a carreira da Bruna! Risos). A letra critica as imposições atemporais sobre o que uma mulher pode ou não pode fazer.

Ao site Correio Popular, Bruna Volpi revelou que a música nasceu no momento em que ela se preparava para dormir, quando sua mente começou a receber cenas e lembranças de infância: "Sempre fui fora da curva, sem me encaixar naqueles papéis de gênero impostos pela sociedade.(...) Era tão comum eu escutar—e ainda escuto—que não pode fazer tal coisa porque é menina, ou por ser mulher, que eu fui relembrando e em cinco minutos tinha escrito uma letra. No dia seguinte mandei para o Rildo avaliar e logo ele me retornou com a melodia, foi assim, tudo muito rápido, uma enorme sintonia e logo fizemos a gravação, com orientações dele para a produção"

Sem falar que Bruna, uma das defensoras do samba, recebeu mensagens de mulheres que se identificaram e se emocionaram com a letra. E eu também me identifiquei e emocionei, da mesma forma com o discurso da Gloria, personagem da atriz America Ferrera no filme "Barbie" (Warner Bros. Pictures, 2023), que trata do mesmo assunto. Aperte o play!


*Fonte: Correio Popular
https://correio.rac.com.br/entretenimento/novo-samba-de-bruna-volpi-e-um-manifesto-feminino-1.1639274


"Cala a Boca Já Morreu" 
Música de Rildo Hora
Letra de Bruna Volpi
Interpretada po Bruna Volpi
℗ 2025 Bruna Volpi

Menina não pode brincar de carrinho
Menina não pode falar palavrão
Menina não pode brincar de soquinho
Menina não pode ser levada não

São coisas assim que eu ouvia na infância
E que me faziam ficar a pensar
“Será que isso tudo faz sentido?
Só por ser menina tenho que aceitar?

Mocinha não pode sentar de perna aberta
Mocinha não pode sair sem se arrumar
Mocinha não pode se mostrar muito esperta
Mocinha não pode não se pentear

Na adolescência me deram mais regras
E eu ficava confusa a me questionar
Por que é que devo seguir essa cartilha?
Me deixa ser livre, deixa eu respirar

A mulher não pode querer ser solteira
A mulher não pode mãe não querer ser
A mulher não pode ter uma carreira
A mulher não pode nem envelhecer

Mais regras vieram e eu já tô cansada
De não poder ser nada do que eu planejei
Me diga então o que é que a mulher pode
Pq de “não pode” eu já me cansei

Mas eu to aqui pra ir contra o sistema
Ninguém vai dizer o q devo fazer
Se me contrariar vai arrumar problema
Não mexa com osso que é duro de roer

Ser mulher não me impede de nada
Quem manda na minha vida sou eu
Sou decidida, determinada
E o “cala a boca” pra mim já morreu



Grupo Os Meninos de Deus - "Aperte... Não Sacuda" (álbum de 1974)


A partir dos meus 12 anos de idade, eu assistia muito ao Video Show, na época apresentado por Miguel Falabella e com a locução de Cissa Guimarães e, em um dos episódios do programa, provavelmente em 1995, foi exibida a compilação das apresentações dos artistas mais tocados do ano de 1975, duas décadas antes, no saudoso programa musical Globo de Ouro. Dentre esses artistas, um grupo de jovens bem curioso que cantava uma música gospel com uma levada de black music americana bem empolgante. Para mim, talvez pelo fato de não ter sido comum no meu tempo, soava estranho uma música religiosa que não seja cantada por artistas midiáticos como Roberto Carlos entrar nas paradas de sucessos, isso até surgir o Padre Marcelo Rossi em 1998, apesar de que eu já ouvia Padre Zezinho em uma emissora de rádio AM daqui de Itajaí, especialmente a sua música mais pedida pelos seus ouvintes em 1996, a "Oração Pela Família" (de Padre Zezinho, scj.) lançada 6 anos antes, em 1990, em seu álbum "Sol Nascente, Sol Poente" (Paulinas / COMEP, 1990). E mais de trinta anos depois, graças ao bendito YouTube, revi esse episódio do Video Show que eu até já tinha esquecido (clique aqui). Procurei pela música em questão pelo famoso site de vídeos e, sorte minha, consegui ouvi-la na íntegra: era "Aleluia (Te Amamos, Jesus)" (de Darío Julio Gianella Castañé "Manasés",1974) do grupo Os Meninos de Deus, uma das mais tocadas do Brasil entre 1974 e 1975 que tem aquela levada dos musicais "Hair" e "Jesus Cristo Superstar" (sem falar que eu não consigo ouvir esta música sentada. Me empolga um monte!). Também ouvi o resto do primeiro álbum do grupo, "Aperte... Não Sacuda" lançado pela Phonogram (hoje Universal Music) através do selo Polyfar. O LP é repleto de músicas cristãs com em ritmo de black music, rock psicodélico e folk rock, muitas delas versões de comunidades estrangeiras d'Os Meninos de Deus. 

Vídeo abaixo: a famosa música "Aleluia (Te Amamos, Jesus)"

 

 

Porém, quem ouve este álbum de músicas bem saudáveis de louvor a Deus cantadas por jovens nem imagina que, por trás disso tudo, existe uma controvérsia pra lá de cabeluda: o grupo musical Os Meninos de Deus veio do movimento religioso americano do mesmo nome (Children Of God) que hoje é chamado "Família Internacional" criado por David Berg (1919-1994) no auge da cultura hippie, no final da década de 1960. O movimento se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil, daí que nasceu o grupo musical que gravou alguns LP's, e se apresentou em estádios e programas de TV como Sílvio Santos (1930-2024), Bozo e Globo de Ouro. O tal movimento religioso evangelizava misturando cristianismo com sexo e amor livre, o que fez com que se envolvesse em escândalos e problemas com a polícia. Uma reportagem do Fantástico de 1977 que o diga! (clique aqui para ver o vídeo no Globoplay).

O conjunto musical é formado por integrantes brasileiros e estrangeiros (o que justifica o sotaque de alguns deles nas gravações): Paulo Galvão, o Aminadab (violão/vocal), Jeroboam (piano elétrico), Luiz Claudio Ramos dos Santos, o Isaías (guitarra), Obed (baixo), Miguel (violino), Alael (bateria) e Daniel Gentileza (vocal). Sem falar também no compositor e guitarrista argentino Darío Julio Gianella Castañé (1955-2020), o Manasés. Enfim, o grupo musical Os Meninos de Deus era uma espécie de versão gospel das antigas do Now United de hoje. Risos. O primeiro álbum contou com a produção do renomado pernambucano Fernando Adour (1947-2019), que era um dos membros da Jovem Guarda e fazia inúmeras versões para português ao cantor espanhol Julio Iglesias.

Uma das músicas desse álbum eu já tinha conhecido em outras gravações é "Senhor, Fazei De Mim (Um Instrumento De Tua Paz)" (de Darío Julio Gianella Castañé "Manasés"), inspirada na Oração de São Francisco (Giovanni di Pietro di Bernardone, 1181 ou 1182 - 1226)  que já ganhou releituras de Astúlio Nunes para o seu compacto simples de 1982 lançado pela Paulinas / COMEP e do Padre Marcelo Rossi para o álbum "Canções Para um Novo Milênio" (PolyGram / hoje Universal Music) em 2000.

Capa do CD "Canções Para um Novo Milênio" do Padre Marcelo Rossi. 


Capa do compacto simples de Astúlio Nunes lançado em 1982


Também tem a música "'Cê Tem Que Ser Um Menino" (de Paulo Galvão "Aminadab"), versão de "Redeviens Un Bébé" (de Yvan Biard, 1973) da comunidade francesa (Les Enfants de Dieu), baseada no Evangelho de Mateus 18, 1-3.

O sacerdote Padre Fábio (não o de Melo, e sim Padre Fábio dos Santos, também conhecido como Padre Fábio Potiguar) fez releitura de 3 músicas d'Os Meninos de Deus para o ótimo álbum "Nosso Coração Está em Deus" (MZA Música, 1999), gravado ao vivo em Natal (capital de Rio Grande do Norte) e produzido por ninguém menos que Marco Mazzola, que são "'Cê Tem Que Ser Um Menino" ("Redeviens Un Bébé"),  "Senhor, Fazei De Mim (Um Instrumento De Tua Paz)" e "Aleluia (Te Amamos, Jesus)".

Capa do CD "Nosso Coração Está em Deus" do Padre Fábio dos Santos (ou Padre Fábio Potiguar) com três regravações das músicas d'Os Meninos de Deus


FONTES:
*Revista Trip


Aperte o play e aumente o volume, irmãos e irmãs! (Simplesmente amei.)



"Aperte... Não Sacuda"
Os Meninos de Deus
℗ 1974 Polyfar / Companhia Brasileira de Discos Phonogram (hoje Universal Music Brasil)

Produzido e dirigido por Fernando Adour 
Coprodução: Aderbal Guimarães
Arranjo: Isaías (Ely Arcoverde, Luiz Claudio Ramos e Miguel Cidra)
Editado por Joaquim Figueira
Gravado e mixado por Luigi Hoffer


1 - "Senhor, Fazei De Mim (Um Instrumento De Tua Paz)"
Escrita por Manasés (Darío Julio Gianella Castañé)



2- "A Luz" 
Escrita por Ely Arcoverde, Luiz Claudio Ramos dos Santos (Isaías) e Miguel Cidra



3- "Aprendam Que Podem Ser Livres"  
Escrita por Aminadab (Paulo Galvão)



4- "A Voz de Amor" 
Escrita por  Manasés (Darío Julio Gianella Castañé)



5- "No Mires Atrás" 
Escrita por Ruth (Patrice Joy Totten)



6- "'Cê Tem Que Ser Um Menino" 
("Redeviens Un Bébé") 
Escrita por Yvan Biard, 1973
Versão de Aminadab (Paulo Galvão) 



7- "Aleluia (Te Amamos, Jesus)" 
Escrita por  Manasés (Darío Julio Gianella Castañé)



8- "Estou Feliz" 
Escrita por Manasés (Darío Julio Gianella Castañé)



9- "Como Esquecê-lo" 
Escrita por Jeroboam (Edward Lee Greene)



10- "É Melhor Tentar E Falhar" 
Escrita por Aminadab (Paulo Galvão)



11- "Que É Que Fez Jesus?" 
Escrita por Aminadab (Paulo Galvão)



12- "Obrigado Senhor" 
Escrita por Aminadab (Paulo Galvão)

segunda-feira, 25 de maio de 2026

"Bandeira do Divino" (1978) - Ivan Lins

 

Capa do LP "Nos Dias de Hoje" (EMI - Odeon, hoje Universal Music, 1978) de Ivan Lins


Hoje, dia 25 de maio é o dia da Memória da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja*, uma data móvel celebrada anualmente pela Igreja Católica na segunda-feira seguinte ao Domingo de Pentecostes. Sempre no Tempo Pascal até o dia de Pentecostes (João 20.19-23), domingo seguinte ao de Ascensão do Senhor (Mateus 28,16-20) e último dia do tempo litúrgico, existe a passagem da Bandeira do Divino em casas, com fiéis cantando "Bandeira do Divino" (de Ivan Lins e Vítor Martins, 1978) do cantor Ivan Lins, uma das músicas mais bonitas dele na minha opinião. A canção faz parte do sétimo álbum do artista, "Nos Dias de Hoje" (EMI - Odeon, hoje Universal Music, 1978).

*A data foi instituída pelo Papa Francisco (Jorge Mario Bergoglio, 1936-2025) em 2018 para celebrar o papel maternal de Maria junto aos apóstolos e a toda a humanidade.

A seguir, interpretação da música copiada da visão geral criada por IA na busca por "'Bandeira do Divino' Ivan Lins" no Google respondendo a pergunta do significado da letra:

A música "Bandeira do Divino", composta por Ivan Lins e Vitor Martins em 1978, é uma homenagem à tradicional Festa do Divino Espírito Santo. Seu significado vai além do aspecto religioso, representando um símbolo de esperança, solidariedade e resistência. Ela retrata o costume em que devotos percorrem as ruas levando o estandarte sagrado de porta em porta para abençoar os lares e arrecadar donativos.

Composta durante a Ditadura Militar no Brasil (1º de abril de 1964 - 15 de março de 1985), "Bandeira do Divino" utiliza a celebração de união comunitária e acolhimento como uma metáfora para pedir por tempos melhores e liberdade. A letra destaca valores cristãos e humanitários essenciais, como compaixão e fraternidade, evidenciados no trecho "dando água a quem tem sede, dando pão a quem tem fome".


"Bandeira do Divino", composta em 1978, foi a canção com que Ivan Lins convenceu seu pai de que tinha talento para ser músico profissional. "Ele queria que eu fosse químico. Depois de certos anos, quando compus essa música e gravei, foi que ele falou: 'Agora sim. Agora você é o cara' ".

Ivan Lins, no programa "Conversa Com Bial" em agosto de 2025




"Bandeira do Divino"
Escrita por Ivan Lins e Vítor Martins
Interpretada por Ivan Lins
℗ 1978 EMI-Odeon, Fonográfica Industrial e Eletrônica Ltda. (hoje Universal Music Brasil)

Produzido por Mariozinho Rocha
Arranjadores: Gilson Peranzzetta, João Cortez, Fred Barbosa e Fredera

Adolpho Pissarenko : Violino
Frederick Stephany : Viola de Arco
Arlindo Figueiredo Penteado : Viola de Arco
Regininha : Coro
Márcio Lott : Coro
Lucinha Lins : Coro
Zé Luiz Mazziotti : Coro
João Daltro de Almeida : Violino
João Cortez : Bateria
André Charles Guetta : Violino
Ivan Lins : Piano
Salvador Piersanti : Violino
Gilson Peranzzetta : Piano Elétrico
Fred Barbosa : Baixo Elétrico
Alfredo Vidal : Violino
José Alves da Silva : Violino
Walter Hack : Violino
Giancarlo Pareschi : Violino
Aizik Meilach Geller : Violino
Carlos Eduardo Hack : Violino
Paschoal Perrota : Violino
José Dias de Lana : Violino
Nelson de Macedo : Viola de Arco
Alceu de Almeida Reis : Violoncelo
Márcio Eymard Mallard : Violoncelo
Murilo Loures : Viola de Arco
Jaques Morelenbaum : Violoncelo
Fredera (Frederico Mendonça de Oliveira) : Viola 12 Cordas

Fonte da ficha técnica: Discos do Brasil

LETRA:

Os devotos do Divino
Vão abrir sua morada
Pra bandeira do Menino
Ser bem-vinda, ser louvada, ai, ai

Os devotos do divino
Vão abrir sua morada
Pra bandeira do Menino
Ser bem-vinda, ser louvada, ai, ai

Deus vos salve esse devoto
Pela esmola em vosso nome
Dando água a quem tem sede
Dando pão a quem tem fome, ai, ai

Deus vos salve esse devoto
Pela esmola em vosso nome
Dando água a quem tem sede
Dando pão a quem tem fome, ai, ai

A bandeira acredita
Que a semente seja tanta
Que essa mesa seja farta
Que essa casa seja santa, ai, ai

A bandeira acredita
Que a semente seja tanta
Que essa mesa seja farta
Que essa casa seja santa, ai, ai

Que o perdão seja sagrado
Que a fé seja infinita
Que o homem seja livre
Que a justiça sobreviva, ai, ai

Que o perdão seja sagrado
Que a fé seja infinita
Que o homem seja livre
Que a justiça sobreviva, ai, ai

Assim como os três reis magos
Que seguiram a estrela-guia
A bandeira segue em frente
Atrás de melhores dias, ai, ai

Assim como os três reis magos
Que seguiram a estrela-guia
A bandeira segue em frente
Atrás de melhores dias, ai, ai

No estandarte vai escrito
Que Ele voltará de novo
E o Rei será bendito
Ele nascerá do povo, ai, ai

No estandarte vai escrito
Que Ele voltará de novo
E o Rei será bendito
Ele nascerá do povo, ai, ai


domingo, 24 de maio de 2026

"Essa É A Milena", o tema da mais nova personagem da Turma da Mônica

 

Logo após os personagens principais da Turma da Mônica ganharem seus temas musicais escritos pelo próprio criador Maurício de Sousa em parceria com maestro Odmar Amaral "Gaó" Gurgel (1909-1992) e Wilma Camargo (1928-2011) em 1971, agora é a vez da personagem Milena criada em 2017, quando apareceu pela primeira vez em um evento, foi introduzida oficialmente nos gibis da Turma da Mônica em janeiro de 2019 e se tornou a primeira menina negra elevada à protagonista da série. 
Uma das principais características de Milena é que ela é bem curiosa. E eu também em relação ao universo musical e, aproveitando esse papo, revelo também quem está por trás do tema da menininha mais esperta da Turma: lançada em 2024, "Essa É A Milena" tem a melodia da autoria do músico Marcelo Souza, que dirige o departamento de som da Turma da Mônica participando afetivamente também na área de criação, produção e direção musical e dublagem, inclusive foi responsável por dublar o Zé Vampir e o Penadinho (também personagens da Turma) em sua série em 3D (AIC), e a letra é de Mauro Sousa, o filho do Maurício de Sousa que inspirou o personagem Nimbus. E a intérprete é a atriz e cantora Lívia Graciano, a própria dubladora da Milena.

Lívia Graciano, a dona da voz da Milena.



"Essa É a Milena"
Escrita por Mauro Takeda de Sousa e Marcelo Souza
Interpretada por Turma da Mônica [voz principal: Lívia Graciano (Milena)]
℗ 2024 Mauricio de Sousa Produções

Eu sou a Milena e agora eu vou me apresentar (essa é a Milena)
Essa sou eu, muito prazer, cheguei chegando pra fazer um show bem lindo pra você
(É a Milena, pode crer, chegou chegando, com carisma e a alegria de viver)

Sou curiosa, sempre atrás de uma resposta
(Essa é a Milena)
Esperta em resolver qualquer questão
É a dona da razão

Quer sempre aprender bem mais
E não se satisfaz
Cheia de emoções
Sonhos e paixões
E com a minha gatinha Mostarda tudo fica ainda muito mais legal

Essa sou eu, muito prazer, cheguei chegando pra fazer um show bem lindo pra você
(É a Milena, pode crer, chegou chegando com carisma e a alegria de viver)

É a Milena, pode crer
Chegou pra ficar
Cheia de amor pra dar

É a Milena, pode crer
Cheguei, posei, amei
E agora, todo mundo assim

Essa é a Milena, uh
Essa é a Milena, ah (yeah, yeah, yeah)
Essa é a Milena (cheguei assim)
Essa é a Milena
Essa é a Milena, uh, ah, ah (yeah)

M-I-L-E-N-A
Milena (cheguei)


Não é só uma simples foto! A parceria Karinah e Rildo Hora

Foto: página Rildo Hora / Instagram (@rildo.hora_rh)

Aproveitando que estou à toa para postar essas fotos que pra mim valem ouro: a minha quase conterrânea Karinah ao lado de ninguém menos que Rildo Hora. Conclusão: meus dois ídolos em uma foto. Ela foi tirada durante uma festa de aniversário da cantora paranaense radicada em Santa Catarina que houve no dia 19 de maio. Entre vários convidados ilustres como Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Murilo Rosa e Joanna, estava, é claro, o Rildo Hora que já trabalhou com a Karinah em 2016 na gravação da música "Pérola Negra" (de Luiz Melodia, 1971) em dueto com Luiz Melodia (1951-2017) (clique aqui pra ver a postagem) e no ano passado no álbum "Meu Samba" (Universal Music) (clique aqui). Simplesmente amei. Felicidades e sucesso neste seu novo ciclo, Karinah!



Foto: Página Karinah Oficial / Facebook (@karinahoficial)

Bonecas das Spice Girls da marca Funko Pop é a novidade para o aniversário dos 30 anos do grupo

 


Segundo o Portal Pop Line, a Melanie B, a Scary Spice, negou que haveria planos para a turnê comemorativa dos 30 anos das Spice Girls, minha girl group preferida. Porém, ao invés dos shows, o grupo optou por outra forma de comemoração: o vínculo com a marca Funko em parceria com a Bravado (divisão da Universal Music Group que detém os direitos da discografia do quinteto desde a extinção da EMI Music) para lançar uma coleção de bonecos POP! inspirados nelas. 

A nova linha traz versões de Baby Spice (Emma Bunton), Ginger Spice (Geri Halliwell), Posh Spice (Victoria Beckham), Scary Spice (Melanie Brown / Melanie B) e Sporty Spice (Melanie Chisholm / Melanie C), todas recriadas com os figurinos icônicos do clipe de "Wannabe" (de Spice Girls, Matt Rowe e Richard Stannard, 1996). O lançamento está previsto para 8 de julho. O problema é quanto custa cada uma dessa aí...

Fonte: Portal Pop Line:

https://portalpopline.com.br/sem-turne-spice-girls-novidade-aniversario-30-anos/

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Relembrando a adolescência #27 - Wander Pires - "Celular", em memória de Noca da Portela (1932-2026)



Neste domingo, dia 17, o Brasil perdeu o Noca da Portela, nome artístico do cantor e compositor mineiro Oswaldo Alves Pereira (12 de dezembro de 1932 – 17 de maio de 2026) por conta de pneumonia e outras complicações decorrentes da internação em hospital para tratar infecção urinária. Nascido em Leopoldina, interior de Minas Gerais, Noca se mudou para o Rio de Janeiro aos 5 anos. Foi compositor de 500 sambas, como "Virada" (com Gilson "Gilper" Pereira, 1981), "Caciqueando" (1983), ambas gravadas por Beth Carvalho (1946-2019), "É Preciso Muito Amor" (com Tião de Miracema, 1979) gravada por Chico da Silva e regravada por Zeca Pagodinho e Dudu Nobre e "Vendaval da Vida" (com Delcio Carvalho, 1982) gravada por Alcione. Noca da Portela venceu sete vezes a disputa de samba-enredo da escola que carregou em seu nome artístico, entre elas, "Gosto Que Me Enrosco" (com Colombo e Gelson, 1995).

Nesta postagem, eu relembro um samba da autoria do Noca em parceria com Toninho Nascimento e Tranka lançado em 1994 e gravado por Wander Pires que eu ouvia sempre no programa Xuxa Hits no qual o intérprete de várias escolas de samba carioca (na época, Mocidade Independente de Padre Miguel) e primo do Andrezinho do Grupo Molejo se apresentava esporadicamente. A música se chama "Celular" marcada pelo refrão: "se você sentir saudade, liga pro meu celular / liga pro meu celular / não deixa a saudade imperar", da época em que o aparelho era um tijolinho que só fazia ligação e privilégio para pouquíssimos quando querem fazer uma ligação urgente sem precisar correr pro telefone público _ vulgo "orelhão". O hit é do álbum de estreia autointitulado de Wander Pires lançado pela PolyGram (hoje Universal Music) e foi incluído no álbum de compilações "Samba & Pagode Volume 4" lançado pela Som Livre (hoje selo subsidiário da Sony Music). Contou com a participação de Alceu Maia no cavaquinho, Jamil Joanes no baixo e produção de Jorge Cardoso.

Capa do álbum de estreia de Wander Pires



Capa do single "Celular" de Wander Pires


"Celular"
Escrita por Noca da Portela, Toninho Nacimento e Tranka, 1994)
Interpretada por Wander Pires
℗ 1994 Discos Polydor / PolyGram do Brasil (hoje Universal Music Brasil)

Se você sentir saudade,
liga pro meu celular
liga pro meu celular
não deixa a saudade imperar

Se você sentir saudade,
liga pro meu celular
liga pro meu celular
não deixa a saudade imperar

O amor é tão sublime
e abençoa o coração
chega até ser um crime
reprimir uma paixão

E um fim neste regime
diz ser dona da razão
a saudade se redime
numa simples ligação

Quem ja levou surra de amor, não briga
diz um alô e por favor, me liga
quem ja levou surra de amor não briga
diz um alô e por favor me liga

Se você sentir saudade,
liga pro meu celular
liga pro meu celular
não deixa a saudade imperar

Se você sentir saudade,
liga pro meu celular
liga pro meu celular
não deixa a saudade imperar

Fontes:



domingo, 17 de maio de 2026

Quem é Paulinho da Costa, o artista brasileiro a receber uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood ?


Let's hear it for Paulinho da Costa!!!!


Michael Jackson (1958-2009) admitia que ele é o seu percussionista preferido. A consagração do percussionista Paulinho da Costa com uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood (Hollywood Walk of Fame) ocorrida nesta quarta-feira (13 de maio) é um marco para a música brasileira no exterior. Embora Carmen Miranda  (1909-1955) que era portuguesa já brilha no asfalto mais famoso do mundo, Paulinho detém agora um título de o primeiro brasileiro nato a receber a honraria.




Saiba quem é Paulinho da Costa

Nascido e criado no bairro do Irajá, no Rio de Janeiro, Paulo Roberto da Costa é um dos percussionistas mais gravados e requisitados da história da música mundial. Começou sua carreira em rodas de samba e na escola de samba Portela antes de se mudar para os Estados Unidos na década de 1970. Foi a convite do pianista Sérgio Mendes (1941-2024) que ele viajou para a terra do Tio Sam. Sua primeira gravação foi em 1975 na música "Love Machine" (de Warren Moore e William Griffin) do grupo The Miracles.
Radicado em Los Angeles, ele fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a receber uma estrela na prestigiada Calçada da Fama de Hollywood.
Sua trajetória é marcada por grandes marcos e colaborações globais. Seu currículo lendário é a sua presença em alguns dos maiores álbuns da música pop e R&B, incluindo "Thriller" (CBS, hoje Sony Music, 1982) de Michael Jackson, "True Blue" (Warner Music, 1986) de Madonna e "Let's Talk About Love" (Sony Music, 1997) de Celine Dion.
Seu talento rítmico pode ser ouvido em faixas de lendas como Earth, Wind & Fire, Elton John, Lionel Richie, Queen e Sérgio Mendes, além de trilhas sonoras de grandes sucessos do cinema, como "Os Embalos de Sábado à Noite" ("Saturday Night Fever", Paramount Pictures, 1977), "Dirty Dancing" (Vestron Pictures, 1987), "Purple Rain" (Warner Bros. Pictures, 1984) e "Jurassic Park" (Universal Pictures e Amblin Entertainment, 1993). Em 2015, participou do especial de Roberto Carlos tocando percussão na música "Se Você Pensa" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968). A Netflix acabou de lançar o documentário "The Groove Under The Groove - Os Sons de Paulinho da Costa".


Paulinho da Costa em seu retorno à Portela na Marquês de Sapucaí em 2015


O diretor Boninho, Paulinho da Costa, Roberto Carlos e o relações públicas Rodrigo Dias no ensaio para as gravações do especial de fim de ano do rei da MPB em 2015.



Palmas para o Paulinho da Costa, nosso orgulho brasileiro, porque ele merece!!!


Trailers do documentário "The Groove Under The Groove - Os Sons de Paulinho da Costa".



"Tamanco no Samba (Samba Blin)" gravada por Cauby Peixoto é resgatada para a propaganda da Brahma Chopp para a Copa da Mundo 2026

 



"A Brahma lançou o movimento 'Tá Liberado Acreditar' para incentivar os brasileiros a voltarem a acreditar no Hexa durante a Copa do Mundo 2026. A campanha traz um filme emocionante com participações de Carlo Ancelotti e Ronaldo Nazário (Ronaldinho), misturando nostalgia, paixão pelo futebol e momentos históricos da Seleção Brasileira. Criada pela Africa Creative, a ação aposta no lado emocional da torcida brasileira para transformar a desconfiança em apoio durante o torneio."
Publicitários Criativos / YouTube
https://www.youtube.com/watch?v=4LFKJCLMIao

Se por um lado eu engrosso a lista dos que ignoram a Copa e não acredita que vai ser dHEXA vez (risos), do outro, entro na lista dos que gostaram da propaganda da empresa de bebidas exibida durante o intervalo do penúltimo capítulo da novela "Três Graças" (2025-2026). Porém, o que mais me chamou a atenção foi o tema empolgante e fenomenal para a campanha: a música "Tamanco no Samba (Samba Blin)" da autoria do meu conterrâneo Orlandivo (1937-2017) e Helton Menezes e gravada por Cauby Peixoto (1931-2016) em 1963 para o seu álbum "Tudo Lembra Você" lançado pela RCA Victor / hoje Sony Music. É impressão minha, mas parece que a introdução executada por metais do tema para o personagem "Augustus Gloop" (música de Danny Elfman e letra de Roald Dahl e versão em português para o Brasil de Félix Ferrà) da versão de 2005 do filme "A Fantástica Fábrica de Chocolate" ("Charlie and the Chocolate Factory", Warner Bros. Pictures) é igual a essa gravação do Cauby. Ouça na íntegra!


domingo, 10 de maio de 2026

"A Música dos Seus Programas Favoritos de TV" (Som Livre, 1974)

 


Esta terça-feira, dia 5 de maio, morreu o diretor e produtor musical Guto Graça Mello (29 de abril de 1948 - 5 de maio de 2026), vítima de parada cardiorrespiratória, segundo os familiares (G1). Um dos principais nomes da música na televisão brasileira, Guto produziu trilhas de novelas marcantes da Globo e é autor de sucessos como o tema de abertura do "Fantástico". Também produziu mais de 500 discos da MPB, inclusive o primeiro LP da Xuxa na Som Livre em 1986. Em memória de Guto Graça Mello, eu relembro um LP que eu tinha descoberto há alguns anos no YouTube e admito que me encantei com ele, "A Música dos Seus Programas Favoritos de TV" (Som Livre, 1974). O álbum reúne alguns temas de abertura de programas da Rede Globo, inclusive o dominical "Fantástico" (1973).
Segundo o livro "Som Livre - A Biografia do Ouvido Brasileiro" (Globo Livros / Editora Globo, 2024) de Hugo Sukman, Guto, que havia morado nos Estados Unidos, a mando de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, foi para Nova York assistir aos musicais da Broadway para se inspirar neles para compor o tema de abertura do Fantástico, já que o conceito da abertura é ter um pouco do glamour desses musicais. Guto foi, mas não conseguiu fazer a música-tema do programa. De volta ao Brasil, a canção só foi feita no dia do nascimento de sua primeira filha, dentro da maternidade, depois de entrar com o violão e deixá-lo embaixo do leito do hospital e foi com o violão, sem a letra, que Guto conseguiu fazer a melodia. Quando mostrou a música ao Boni, este se emocionou, mas lhe advertiu: "é essa atmosfera mágica mesmo, isso daí, segue, mas de repente precisamos dessa beleza com algo mais vivo". 
"De todos os musicais a que fui assistir em Nova York, o 'Pippin' (dirigido e coreografado por Bob Fosse, 1927-1987) me impressionou muito, falei para o Boni que era a melhor leitura de modernidade para aquele momento. Influenciado pelo 'Pippin' terminei a música do Fantástico; a música, de alguma forma, do nascimento da filha", emocionou-se o Guto. A letra ("olhe bem, preste atenção / nada na mão, nesta também...") foi feita pelo Boni, a produção foi de Aloysio de Oliveira (1914-1995) e a cantora solo da primeira estrofe na estreia do programa em 1973 era ninguém menos que Vanusa (1947-2020).

O músico Guto Graça Mello. 


"A Grande Família" (1972) que muita gente só conhece na regravação de Dudu Nobre sob o arranjo de Rildo Hora para a versão de 2001 da série homônima foi escrita e cantada pela dupla Tom & Dito (1945-2024) para a primeira versão da série. Em seguida, a mais empolgante do LP, "Comunicação" (de Guido de Morais e Haroldo Barbosa, 1973) foi o tema para o humorístico "Satiricon" (1973-1975) estrelado por Agildo Ribeiro (1932-2018), Jô Soares (1938-2022) e Paulo Silvino (1939-2017). Os irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle em parceria com Nelson Motta aparecem em dose tripla neste disco: são compositores das músicas "Alegria da Vida" (1972), do programa infantil Vila Sésamo (1972-1977), "Cinto de Inutilidades" do também infantil "Globo Cor Especial" (1973-1983), e o clássico e atemporal tema de fim de ano "Um Novo Tempo" (1971). Ainda falando em programas destinados à criançada, tem a singela "Globinho" (de Waltel Branco e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, 1972) do programa do mesmo nome que foi ao ar entre 1972 e 1982 e "Shazam (Hey Shazam)" (de Antônio Carlos, Jocafi e Ildázio Tavares, 1972) que na verdade é um tributo ao super-herói que a princípio era conhecido como Capitão Marvel (apesar de ser da criação da DC Comics), foi regravado como tema para "Shazan, Xerife e Cia" (1972-1974) que é um spin-off da novela "O Primeiro Amor" (1972) em razão do sucesso da dupla de seus personagens vivida por Paulo José (1937-2021), o Shazan, e Flávio Migliaccio (1934-2020), o Xerife. Os intérpretes da releitura foram o pianista Osmar Milito (1941-2024) acompanhado pelo conjunto vocal Quarteto Forma integrado pelos jovens niteroienses Marcio Proença (1943-2017), futuro grande compositor, Eduardo Lages (sim, ele, mesmo, o maestro de Roberto Carlos), Flávio Faria e Ana Manhães. O que eu acho estranho é que, na faixa "Um Novo Tempo", no LP foi creditada como Trama como intérpretes da música, enquanto no compacto simples lançado em 1971 do qual a gravação foi tirada foi creditada como Elenco da Rede Globo (clique aqui para ver a postagem sobre "Um Novo Tempo"). E, no livro "Som Livre - A Biografia do Ouvido Brasileiro", um trecho dizia que Osmar Milito participou de várias trilhas sonoras de novelas da Globo na primeira metade dos anos 1970 "sempre ao lado de Quarteto Forma", dentre elas, está a novela "Carinhoso" (1973-1974) na faixa "As Moça" (de Antônio Carlos e Jocafi). Eu tenho esse LP de "Carinhoso" e nele foi creditado como Trama como companhia ao Osmar Milito, o que tudo indica que Trama e Quarteto Forma sejam os mesmíssimos integrantes. 
Caso Especial (1971), o programa de série que trazia uma coletânea de histórias produzidas especialmente para a televisão, teve seu tema de arranjo triunfal feito pelo seu coautor, o maestro Chiquinho de Moraes (1937-2023).
O humorístico Chico City (1973-1980) abre o lado B do disco com "Isso é Muito Bom" da autoria de Chico Anysio (1931-2012), o próprio apresentador do programa, e Arnaud Rodrigues (1942-2010), que também participava do sitcom, que foi gravada pela dupla de irmãs Kris (grafada no LP como "Cris"), nome artístico de Maritza Fabiani, & Cristina (clique aqui para ver a postagem sobre a música).
O tema do Jornal Nacional que desde 1969 está no ar é um trecho de uma das músicas instrumentais da trilha sonora do filme de comédia dramática "Acontece Cada Coisa" ("The Happening", Columbia Pictures, 1967) composta pelo Frank de Vol (1911-1999) que fez temas para vários filmes e séries.


Vale lembrar: desde 2022, a Som Livre vem sendo adquirida pela Sony Music Entertainment do Brasil. A venda foi aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão regulador da concorrência, em 4 de novembro de 2021 e concluída em 4 de março de 2022. Mesmo com a compra, a marca Som Livre ainda existirá durante mais alguns anos e se tornará um centro criativo independente dentro da Sony Music.

Logo antigo da Rede Globo 


"A Música dos Seus Programas Favoritos de TV" 
Vários artistas 
℗ 1974 Som Livre / SIGLA, Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda / Sony Music Entertainment Brasil


Lado A:

1. "Fantástico"
Escrita pot Guto Graça Mello e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, 1973
Interpetada por Coral Som Livre

2. "A Grande Família"
Escrita e interpretada por Tom & Dito, 1972

3. "Comunicação" (programa: Satiricon)
Escrita por Guido de Morais e Haroldo Barbosa, 1973
Interpretada por Coral Som Livre

4. "Alegria da Vida" (programa: Vila Sésamo)
Escrita por Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Nelson Motta, 1972
Interpretada por Coral Som Livre

5. "Globinho"
Escrita por Waltel Branco e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, 1972
Interpretada por Coral Som Livre

6. "Caso Especial"
Escrita por Chiquinho de Moraes e Emiliano Costa Neto, 1971
Executada por Orquestra Som Livre


Lado B:

1. "Isso é Muito Bom" (programa: Chico City)
Escrita por Chico Anysio e Arnaud Rodrigues, 1973
Interpretada por Kris & Cristina (artistas exclusivas da RCA Victor / hoje Sony Music)

2. "Cinto de Inutilidades" (programa: Globo Cor Especial)
Escrita por Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Nelson Motta, 1972
Interpretada por Orquestra e Coro Som Livre

3. "The Fuzz" [do filme "Acontece Cada Coisa" ("The Happening", Columbia Pictures, 1967)] (programa: Jornal Nacional)
Escrita por Frank de Vol 
Executada por Orquestra Som Livre

4. "Shazam (Hey Shazam)" (programa: Shazan, Xerife e Cia)
Escrita por Antônio Carlos, Jocafi e Ildázio Tavares, 1972
Interpretada por Osmar Milito e Quarteto Forma (artistas exclusivos da Odeon / hoje Universal Music)

5. "Um Novo Tempo" (Mensagem de Natal da Rede Globo)
Escrita por Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Nelson Motta, 1972
Interpretada por Trama e Elenco da Rede Globo

Festa de Lançamento do "Clube do Samba" (Fantástico, 1979)

"Meninos da Mangueira" - Ataulpho Jr. e Diogo Nogueira no programa "Samba da Gamboa" na TV Brasil