"O que é de verdade ninguém mais hoje liga: isso é coisa da antiga" - Ney Lopes e Wilson Moreira

Elsa (Frozen) ♥

domingo, 19 de julho de 2026

"Preta Gil, pelo olhar das marcas do trauma infantil", por Laine Valgas

 

A pequena Preta Gil com o pai, Gilberto Gil, e a artista adulta. (Fotos: reprodução do site da revista Rolling Stone Brasil / Instagram)


Amanhã faz um ano da morte da cantora e atriz Preta Gil (1974-2025) em decorrência de complicações de um câncer colorretal (câncer no intestino). A cantora lutava contra a doença desde janeiro de 2023. No dia seguinte da morte da cantora, a jornalista catarinense Laine Valgas, por quem eu tenho admiração, publicou em sua página no Instagram (@lainevalgas) um texto interessante cujo conteúdo foi algo que me marcou e que tenho prazer de reproduzir aqui. Leia:


PRETA, PELO OLHAR DAS MARCAS DO TRAUMA INFANTIL... 

"Preta, me dê licença pra falar de um lado da sua história - e das consequências dele, que precisa parar de "passar batido"... 

Da menina que, ainda pequena, voltou ao Rio falando com sotaque baiano - e foi ridicularizada por isso. Da mulher que ouviu, a vida toda, termos como “gorda, feia, diferente, preta demais”. E que precisou aprender a se amar em um mundo que a rejeitava só por existir do jeito que era. 💔 

🧠 A ciência mostra que traumas emocionais - como racismo, bullying, exclusão, vergonha repetida - não desaparecem com o tempo. Eles se transformam em hipervigilância constante, inflamação crônica, doenças autoimunes, alterações intestinais. É a alma pedindo socorro pela pele, pela digestão, pelo sistema imune. 

➡️ O famoso estudo das Experiências Adversas na Infância (ACE Study) mostra que situações como humilhação, abandono, racismo, violência verbal ou emocional aumentam o risco de doenças graves na vida adulta - como câncer, doenças autoimunes, depressão, obesidade, diabetes, problemas cardíacos e intestinais. 

➡️ Já a neuropsicoimunologia e a Neurociência do Trauma confirmam: o estresse emocional crônico desregula nosso sistema nervoso, enfraquece a imunidade e nos torna vulneráveis a doenças que a medicina muitas vezes trata só com remédio - sem ouvir a história. 

E se a gente começasse a escutar melhor essas histórias? ❤️ 

A de Preta, a sua, a minha. A de todas as crianças que foram rejeitadas antes mesmo de nascer. A de todos os corpos que ainda carregam a dor de não terem sido aceitos como são. 

💬 Falar sobre isso não é acusar ninguém.

É honrar a nossa trajetória.

É entender que saúde emocional também é saúde física.

E que não existe cura sem escuta. 

✨ Preta, que sua força siga nos ensinando.

E que a sua história siga curando tantas outras. 🤍


Texto de Laine Valgas, publicado em 21 de julho de 2025 / Instagram 


LAINE VALGAS

Possui graduação em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (1994) e pós-graduação em Neurociências, Psicologia Positiva e Mindfulness pela PUC/PR (2022). Tem experiência na área de Educação Emocional, Mental, Inteligência Emocional, Oratória e Comunicação - é Palestrante e professora de pós-graduação na área de Coaching e Comunicação e Neurociências e Coaching. É âncora, repórter e editora do Jornal do Almoço (Florianópolis) da NSC TV (afiliada catarinense da Rede Globo)

https://www.escavador.com/sobre/561042523/laine-valgas

"Por Enquanto" - Cássia Eller (1990)

Da autoria de Renato Russo, a música também pode ser refletida como a sensação de eliminação da Copa do Mundo

Capa do primeiro  LP da Cássia Eller de 1990

Em pleno último dia da Copa do Mundo 2026 em que a derrota da seleção brasileira (inclusive pela Noruega) foi previsível e a partida final é totalmente hablado en español (Espanha X Argentina), eu ainda lembro como se fosse ontem: em 1998, no dia da final da Copa do Mundo na França em que a Seleção Brasileira perdeu para os donos da casa, o programa dominical "Fantástico" da Rede Globo começou com as imagens do jogo do dia, intercaladas com as da copa anterior em que o Brasil foi tetracampeão, tendo como o pano de fundo a música "Por Enquanto" (de Renato Russo) na regravação de 1990 da cantora Cássia Eller (1962-2001), cujo sentido da letra foi convertido para o sentimento daquele dia triste no futebol brasileiro (e, em contrapartida, alegre para os franceses).

"Por Enquanto" foi originalmente composta durante a produção do álbum de estreia (EMI-Odeon, hoje Universal Music, 1985) do grupo Legião Urbana, sendo a única faixa a ser escrita para o álbum que leva o nome da banda, já que as demais tinham sido prontas ou estavam em processo de produção. A faixa surgiu quando Renato Russo (1960-1996) estava mexendo com os teclados do estúdio para achar uma base que ele gostasse até que acidentalmente criou o instrumental da música. 


Capa do primeiro LP do Legião Urbana de 1985


A letra retrata o que aconteceu com a banda durante a gravação deste primeiro álbum: quando foram para o Rio de Janeiro para gravar o disco, os brasilienses eram jovens e sonhadores, mas, ao encerrar o trabalho, já eram adultos. "Estamos indo de volta para casa" retrata o fim da gravação e o retorno dos músicos, cada um para sua casa, depois de uma rotina cansativa que a banda teve ao longo daqueles meses. (Site Rockstage) A canção combina com a ideia de colocá-la como a última faixa do LP. Na Copa do Mundo também é assim: cada seleção volta para o seu país e cada jogador pro seu clube futebolístico nacional ou estrangeiro. Cada vitória que se conquista é como se a gente fosse eterna campeã, sem pensar se na próxima competição existe a possibilidade de não repetir o êxito ("se lembra quando a gente chegou um dia acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o 'pra sempre' sempre acaba").

No sentido mais romântico, "Por Enquanto" fala de um jovem casal que, a princípio, se deixa levar pela profunda paixão, trocando juras de amor, crendo que o amor um pelo outro é eterno, até que, com o tempo, o amor se desgasta. 

 


Quanto à releitura da Cássia Eller, a música foi gravada originalmente pela cantora em uma fita demo mandada para gravadora PolyGram (hoje Universal Music), que por fim a contratou. Logo, a gravação foi lançada em seu álbum de estreia de 1990 que leva o nome da cantora. A faixa em que Cássia começa cantando "I've Got a Feeling" (de John Lennon e Paul McCartney, 1970) dos Beatles se tornou o primeiro sucesso da cantora e o único sucesso daquele álbum. A canção atingiu a posição número 1 nas paradas da Rádio 89 FM. Mas foi na versão acústica feita em 2001 para o álbum "Acústico MTV: Cássia Eller" (Universal Music) que "Por Enqiuanto" foi mais popularizada.




"Por Enquanto"
Escrita por Renato Russo

*Na gravação do Legião Urbana: ℗ 1985 EMI-Odeon, Fonográfica Industrial e Eletrônica Ltda. (hoje Universal Music Brasil)

*Na gravação da Cássia Eller: ℗1990 Discos Philips / PolyGram do Brasil (hoje Universal Music Brasil)

Mudaram as estações
E nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente

Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o pra sempre sempre acaba

Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém, só penso em você
E aí então estamos bem

Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa

domingo, 12 de julho de 2026

Relembrando a adolescência #28 - Os 30 anos de "Spice", o primeiro álbum das Spice Girls



"Esse clima é contagiante, sinta, contagie-se com ele!"
Uma das frases do encarte do álbum "Spice" (Universal Music, 1996) das Spice Girls


Neste quadro em que relembro a minha adolescência, eu falo sobre a minha girl group preferida: as inglesas Spice Girls, grupo formado em 1994 por Melanie Brown "Mel B" ("Scary Spice"), Melanie Chisholm "Mel C" ("Sporty Spice"), Emma Bunton ("Baby Spice") que substituiu definitivamente a Michelle Stephenson, Geri Halliwell ("Ginger Spice") e Victoria Beckham ("Posh Spice") em razão de seu álbum de estreia, "Spice" (EMI Music, hoje Universal Music, 1996) que completa 30 anos! As garotas foram reunidas pela Heart Management após audições visando a criação de um grupo feminino, que a princípio se chamaria Touch, para competir com as boy bands britânicas como Take That e East 17, populares na época. Após deixarem a Heart em março de 1995 devido à sua frustração com a falta de vontade da empresa em ouvir suas visões e ideias, o grupo contratou Simon Fuller como empresário e mentor e posteriormente assinaram com a Virgin Records. Elas começaram a encontrar-se com produtores, músicos e outros executivos da indústria e, entre eles, estavam os compositores Tim Hawes, Richard Stannard e Matthew Rowe. Tim Hawes trabalhou com o grupo e observou a evolução em suas habilidades de dança e escrita. Juntos, eles compuseram uma música chamada "Sugar and Spice", que serviu como a inspiração para a mudança de nome da banda, que foi trocado de Touch para Spice. Eventualmente, o nome foi mudado novamente para Spice Girls, já que um rapper já estava usando o nome Spice. Durante o verão daquele ano, o grupo fez turnê em Londres e Los Angeles (Estados Unidos da América) com Fuller. Lançaram seu primeiro single, "Wannabe" (de Spice Girls, Richard Stannard e Matt Rowe), que alcançou o topo das paradas em mais de trinta países, incluindo os Estados Unidos, tornando-as "fenômenos globais". O álbum "Spice" – que extraiu outras canções de sucesso como "Say You'll Be There" (de Spice Girls, Jon B. e Eliot Kennedy), "2 Become 1" (de Spice Girls, Richard Stannard e Matt Rowe), "Who Do You Think You Are" (de Spice Girls, Andy Watkins e Paul Wilson) e "Mama" (de Spice Girls, Richard Stannard e Matt Rowe) – vendeu mais de 23 milhões de cópias em todo o mundo (algumas estimativas históricas apontam para a marca de 30 milhões de unidades), fazendo dele o mais comprado de todos os tempos, na categoria de grupo formado só por mulheres. No Brasil, o álbum conquistou o disco de platina duplo segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (hoje Pro-Música Brasil) (Wikipédia em inglês). 




O disco lançado em 19 de setembro de 1996 no Japão e em 4 de novembro do mesmo ano no Reino Unido possui uma sonoridade inspirada por gêneros como dance-pop, teen pop e pop, incluindo interpolações com estilos como dance, R&B, bubblegum pop e hip hop. É fortemente considerado um trabalho que marcou o início do teen pop na indústria musical. Em termos líricos e conceituais, o projeto é centrado na ideia do empodeiramento feminino, embora algumas canções tratem de desejos pela fama, amor materno e de questões sociais como a contracepção. As gravações do disco ocorreram durante um ano, entre setembro de 1995 e setembro de 1996, nos estúdios Olympic Studios, com a produção de Absolute, Andy Bradfield, Matt Rowe e Richard Stannard.

Capa do single "2 Become 1". Esta foi a primeira foto que eu vi das Spice Girls na Revista Atrevida se eu não estou errada da edição de janeiro de 1997. Na época elas já estavam emplacando com "Wannabe" aqui no Brasil. 


A seguir, análise simples de faixa a faixa do meu álbum preferido "de las Chicas Picantes"* Desde as músicas até o encarte colorido e alegre. Risos [*referência ao filme "O Mundo das Spice Girls" ("Spiceworld", Columbia Pictures 1997)]


Ensaio de fotos para o álbum "Spice". A de baixo serviu para o berço do CD.


"Spice"
Spice Girls
℗ 1996 Virgin Records / EMI Music, Elelctric and Musical Industries (hoje Universal Music Group)

1. "Wannabe"
Escrita por Spice Girls, Richard Stannard e Matt Rowe
Produzida por Richard Stannard e Matt Rowe

Enquanto diversas canções no disco "Spice" precisaram de dois ou três dias para serem gravadas, a emblemática "Wannabe" foi gravada em menos de uma hora. O vídeo musical correspondente foi dirigido por Jhoan Camitz e filmado em abril de 1996 no Midland Grand Hotel, situado em Londres. Em sua letra, as cantoras expressam a preferência pela amizade feminina diante dos relacionamentos amorosos com outros rapazes: "Se você quer ser o meu namorado / Tem que se dar bem com as minhas amigas / Fazer durar para sempre / A amizade nunca acaba".


2. "Say You'll Be There"
Escrita por Spice Girls, Jon B. e Eliot Kennedy
Participação especial de Judd Lander (solo de harmônica)
Produzida por Absolute (Paul Wilson e Andy Watkins)

O segundo single, "Say You'll Be There", é também sua segunda faixa do disco. Liricamente, é sobre o direito da garota em expressar o que quer e como quer vivenciar uma relação amorosa, e ter a liberdade de finalizar o relacionamento quando ela sente que não há uma entrega. A música tem a participação de Judd Lander no solo de gaita, o mesmo que participou em "Karma Chameleon" (de Boy George, Jon Moss, Mikey Craig, Roy Hay e Phil Pickett, 1983) do grupo Culture Club. O videoclipe da música foi inspirado nos filmes "Faster, Pussycat! Kill! Kill!" (RM Films International, 1965) e "Pulp Fiction: Tempo de Violência" ("Pulp Fiction", Miramax Films, 1994). 


3. "2 Become 1"
Escrita por Spice Girls, Richard Stannard e Matt Rowe
Produzida por Richard Stannard e Matt Rowe e Andy Bradfield

"2 Become 1" é uma balada romântica com vocais suaves, doces e agradáveis. A música, de título sugestivo, narra o encontro de um casal e sua primeira noite de amor. 
A música foi inspirada pelo "relacionamento especial" que se desenvolveu entre Geri Halliwell e Matt Rowe, um dos autores e produtores da faixa. O grupo gravou uma versão em espanhol da música, escrita por elas, Rowe, Stannard e N. Maño, intitulada "2 Become 1 (Spanish Version)", embora o título seja traduzido vagamente na letra da música para "Seremos Uno Los Dos". A versão em espanhol foi lançada como a décima primeira faixa do álbum de estreia na América Latina, África do Sul, em uma reedição especial do álbum na Espanha e como uma das faixas do "2 Become 1" em maxi-single no EUA.
Uma curiosidade: Duas versões diferentes da música, cada uma com letras diferentes, foram gravadas: na versão do álbum, o segundo verso da segunda parte, "Any deal that we endeavor / Boys and girls feel good together" ("Qualquer acordo em que nos dedicamos / Meninos e meninas se sentem bem juntos"), foi alterado na versão single para: "Once again if we endeavour / Love will bring us back together" ("Se nos dedicarmos mais uma vez / o amor nos reunirá novamente"). Victoria Beckham canta na versão single, enquanto Geri Halliwell canta na versão do álbum, depois que Halliwell confessou que teve dificuldade em cantar essa nota em particular. A versão single aparece no clipe e, no palco, as meninas sempre cantaram esta versão, antes e depois da saída de Ginger Spice.


4. "Love Thing"
Escrita por Spice Girls, Eliot Kennedy e Cary Bayliss
Produzida por Absolute (Paul Wilson e Andy Watkins) e Andy Bradfield

"Love Thing" é a quarta faixa. Ela se concentra em abordar relacionamentos e, logo após muitas decepções, as meninas não querem mais saber "desse negócio de amor". 


5. "Last Time Lover"
Escrita por Spice Girls, Andy Watkins e Paul Wilson
Produzida por Absolute (Paul Wilson e Andy Watkins) 

"Last Time Lover" foi originalmente chamada de "First Time Lover" e fala sobre a perda de virgindade, mas foi descartada e mudada para uma canção cheia de provocações, onde o sexo é a questão principal.


Fotos do encarte do CD.


6. "Mama"
Escrita por Spice Girls, Richard Stannard e Matt Rowe
Produzida por Richard Stannard e Matt Rowe

"Spice" segue com "Mama". É uma canção em que as Spice Girls prestam uma homenagem tanto às suas próprias mães, quanto a todas as mães e retrata os conflitos bastante comuns de filhos durante a adolescência com as mães, quando a proteção materna em alguns momentos é incompreendida, mas que só mais tarde, quando esses filhos chegam à maturidade, suas mães passam a ser mais valorizadas e mais amadas. O videoclipe de "Mama" apresentou o grupo cantando para um público de crianças e suas próprias mães.


7. "Who Do You Think You Are"
Escrita por Spice Girls, Andy Watkins e Paul Wilson
Produzida por Absolute (Paul Wilson e Andy Watkins) 

A sétima faixa, "Who Do You Think You Are", é sobre a vida presunçosa de um superstar e como alguém pode ficar preso no mundo da fama. A inspiração para esta canção veio de algumas das pessoas que o grupo conheceu na indústria da música.


8. "Something Kinda Funny"
Escrita por Spice Girls, Andy Watkins e Paul Wilson
Produzida por Absolute (Paul Wilson e Andy Watkins) 

"Something Kinda Funny" é sobre a "diversão" que o grupo experimentou juntas, e como foi o destino que juntaram umas às outras.


9. "Naked"
Escrita por Spice Girls, Andy Watkins e Paul Wilson
Produzida por Absolute (Paul Wilson e Andy Watkins) 

"Naked", trata da vulnerabilidade e do passo das meninas se tornarem mulheres e como esse processo tornou o grupo mais forte, algo que estavam experimentando naquele momento. 


10. "If U Can't Dance"
Escrita por Spice Girls, Richard Stannard e Matt Rowe
Samples
*"The Humpty Dance" (de Shock G e George Clinton, 1990) do grupo Digital Underground
*"It's Just Begun" (de Gerry Thomas, Jimmy Castor e John Pruitt, 1972) de Jimmy Castor Bunch
Produzida por Richard Stannard e Matt Rowe

A última faixa do álbum, a dançante "If U Can not Dance", trata de ideias preconcebidas sobre as pessoas e como às vezes elas são totalmente diferentes do que aparecem.



Músicos

Matt Rowe – teclados, programação (faixas 1, 3, 6, 10)
Richard Stannard – teclados, programação (faixas 1, 3, 6, 10); vocais de apoio (faixa 10)
Absolute – instrumentos (faixa 2, 4, 5, 7–9)
Judd Lander – harmônica (faixa 2)
Pete Davis – programação adicional (faixa 3)
Paul Waller – programação adicional (faixas 3, 4)
Statik – programação adicional (faixas 3, 5)
Greg Lester – guitarra (faixa 3), guitarra rítmica (faixa 6)
Craig Armstrong – arranjo de cordas (faixa 3)
Isobel Griffiths – arranjo de cordas (faixa 3)
Perry Montague-Mason – arranjo de cordas (faixa 3)
Dave Way – programação adicional (faixa 5)
Eric Gooden – vocais de apoio (faixa 5)
Tony Ward – violoncelo (faixa 6)
Jackie Drew – violino (faixa 6)
Mark Beswick – arranjo vocais (faixa 6)
Mary Pearce – vocais de apoio (faixa 7)


Produção

Richard Stannard – produção (faixas 1, 3, 6, 10)
Matt Rowe – produção (faixas 1, 3, 6, 10)
Mark "Spike" Stent – mixagem (faixas 1, 2)
Adrian Bushby – engenharia de gravação (faixas 1, 3, 6, 10)
Patrick McGovern – engenharia de gravação (faixas 1, 3, 6, 10)
Absolute – produção musical (faixas 2, 4, 5, 7–9); mixagem (faixas 6, 9)
Jeremy Wheatley – engenharia de gravação (faixas 2, 4, 7, 8)
Adam Brown – engenharia de gravação (faixas 2, 4, 5, 7–9)
Andy Bradfield – engenharia de gravação, mixagem (faixas 3, 4)
Dave Way – mixagem (faixas 5–8, 10)
Al Stone – engenharia de gravação (faixas 5, 9); mixagem (faixa 9)
Geoff Pesche – masterização em Townhouse Studios, Londres


Arte de capa

Kunihiro Takuma – fotografia





Pérolas da MPB resgatadas pela propaganda do OpenAI do ChatGPT - "Uma Vida" - Dom Salvador & Abolição


A OpenAI, empresa de inteligência artificial do ChatGPT, resgata outro clássico da música popular brasileira para a sua campanha: "Uma Vida" (de Arnoldo Medeiros e Dom Salvador, 1971) do músico Dom Salvador, que atualmente mora nos Estados Unidos, com a banda Abolição. A música que está no elogiado LP "Som, Sangue e Raça" (CBS / hoje Sony Music, 1971), o único de Dom Salvador com o grupo, está na propaganda do ChatGPT com o tema do "salão de beleza". O álbum fortemente influenciado no samba, funk, jazz e soul foi relançado em CD em 2001 pela Sony Music, sob o resgate de Charles Gavin, ex-bsterista dos Titãs.






Dom Salvador em entrevista à jornalista Cibele Tenório em abril desse ano no programa Festa do Disco na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. 


"Uma Vida"
Escrita por Arnoldo Medeiros e Dom Salvador
Interpretada po Dom Salvador & Abolição
℗ 1971 Discos CBS, Columbia Broadcasting System (hoje Sony Music Entertainment Brasil)

Ficha Técnica:
Dom Salvador: Piano
Carlos Darcy: Trompete, Flugel
José Carlos: Guitarra
Luiz Carlos "Batera": Bateria, Vocal
Mariá: Vocal
Nelsinho: Percussão, Vocal
Oberdan Magalhães: Sax alto, Flauta
Rubão Sabino: Baixo
Serginho do Trombone: Trombone
Ian Guest - Direção Artística

Letra:

"Uma vida, uma vida não é nada
se não tem nenhum amor.
Um sorriso não é um riso,
um sorriso não é preciso
se não tem amor!
Uma casa é tão fria
apenas, apenas uma moradia
sem amor
Eu persigo o meu destino
Meu futuro do inseguro
levando sempre, sempre
a minha dor!
Não descanso, não, eu não desisto,
eu insisto! Eu insisto procurando o amor!"

Alegria! Alegria!
É manhã de um novo dia!
Alegria! Alegria!
É manhã de um novo dia!
Alegria! Alegria!
É manhã de um novo dia!

Vou andar onde o amor levar
vou descobrir a vida
vou construir meu lar
eu vou sair de mim
eu quero me encontrar
sei que vou ser feliz
meu dia chegará!

Alegria! Alegria!
É manhã de um novo dia!
Alegria! Alegria!
É manhã de um novo dia!
Alegria! Alegria!
É manhã de um novo dia!
Alegria! Alegria!
É manhã de um novo dia!


Pérolas da MPB resgatadas pela propaganda do OpenAI do ChatGPT - "Linha do Horizonte" (1975) - Azymuth


A música "Linha do Horizonte" (de Paraná/João Américo Gomes e Paulo Sérgio Valle, 1975), um dos grandes sucessos da banda carioca Azymuth, é mais uma a ser resgatada para a propaganda do OpenAI, empresa de inteligência artificial, do ChatGPT com o tema do "campeonato de futebol de botão do avô"


 


 A banda de diversas influências foi formada em 1973 por três conhecidos músicos de estúdio que acompanharam diversos artistas de sucesso da música popular brasileira na década de 1970: José Roberto Bertrami (1946-2012) (teclado), Alex Malheiros (baixo) e Ivan Conti (1946-2023) (bateria). "Linha do Horizonte" integrou a trilha sonora da novela "Cuca Legal" (1975) da Rede Globo e apresentou o trio ao grande público, tanto no Brasil quanto no exterior, tirando-o do anonimato de músicos de estúdio que acompanharam grandes cantores como Raul Seixas (1945-1989), Elis Regina (1945-1982), Rita Lee (1947-2023), Odair José, Hyldon, entre outros. A canção nasceu de um convite do João Araújo (1935-2013), então executivo da Som Livre e pai de Cazuza (1958-1990) para a trilha da novela da Globo. Gravada para o álbum de estreia do Azymuth, a música tem a participação especial de Márcio Lott na voz principal, algo pouco comum em um grupo conhecido principalmente por suas composições instrumentais. Márcio Lott foi integrante do grupo vocal Quarteto forma e faz coro em várias gravações de álbuns de grandes nomes da MPB.

O cantor Márcio Lott



Fonte: 
*Página MPB Bossa / Instagram

*Discogs
https://www.discogs.com/pt_BR/release/552483-Azim%C3%BCth-Azim%C3%BCth?srsltid=AfmBOop4iUKHTrvl6zCpbyhoXNaWPr8guaPkkvdxVPVLJIvbmIff8ZcY


Capa do álbum de estreia da banda Azymuth lançado pela Som Livre em 1975.


"Linha do Horizonte"
Escrita por João Américo Gomes "Paraná" e Paulo Sérgio Valle
Interpretada por Azymuth
Voz principal: Márcio Lott
℗ 1975 Som Livre / SIGLA, Sistema Globo de Gravações Audiovisuais / Sony Music Entertainment Brasil

É eu vou pro ar no azul mais lindo eu vou morar
Eu quero um lugar que não tenha dono qualquer lugar

Eu quero encontrar a rosa dos ventos e me guiar
Eu quero virar pássaro de prata e só voar

É aqui onde estou essa é minha estrada por onde eu vou
E quando eu cansar na linha do horizonte eu vou pousar

Na, na, na, na
Na, na, na, na






domingo, 21 de junho de 2026

"Quem Vai Quem Vem" de Cátia de França é mais uma preciosidade musical resgatada pelo OpenAI do ChatGPT

 


A OpenIA do ChatGPT brasileiro está de parabéns em selecionar as músicas para as suas propagandas. Depois de "Será Que Eu Pus Um Grilo Na Sua Cabeça?" (de Guilherme Lamounier e Tibério Gaspar, 1973) de Guilherme Lamounier (1950-2018) (clique aqui), a bola da vez é "Quem Vai Quem Vem" (de Cátia de França, 1979) da cantora, compositora e multi-instrumentista paraibana Cátia de França. 


Propaganda do ChatGPT 

 


Gravada para o seu primeiro álbum de carreira, "20 Palavras Ao Redor do Sol" (CBS / hoje Sony Music, 1979), "Quem Vai Quem Vem" é uma das faixas do disco inspiradas em obras de João Cabral de Melo Neto (1920-1999) e retrata um "sertão falido - bem masculino, como ela mesmo canta - a espera uma chuva feminina." (G1 / Paraíba)
O álbum "20 Palavras ao Redor do Sol" teve participação de Zé Ramalho - na direção musical, mas também em arranjos e violas, sem falar que Cátia tinha sido convidada para tocar percussão e sanfona no disco de 1978 (da faixa "Avôhai", 1976) do Zé Ramalho lançado pela CBS / Sony Music - Dominguinhos (1941-2013) e Sivuca (1930-2006) nas sanfonas, além de Amelinha e Elba Ramalho nos vocais. Também contou com Lulu Santos na guitarra elétrica e Bezerra da Silva (1927-2005) no berimbau.


Capa do álbum "20 Palavras ao Redor do Sol" (1979) da Cátia de França


Quem é Cátia de França

Cátia de França, cujo nome de batismo é Catarina Maria de França Carneiro , é uma cantora, compositora, multi-instrumentista e escritora brasileira. Sua música tem como fonte a literatura, fazendo referências à obra de Guimarães Rosa (1908-1967), José Lins do Rego (1901-1957), Manoel de Barros (1916-2014), além de João Cabral de Melo Neto, mas que também é definida pela mesma como "popular mundial", por incluir referências que vão desde os nordestinos Luiz Gonzaga (1912-1989) e Jackson do Pandeiro (1919-1982), até Elvis Presley (1935-1977), Beatles e o mineiro Clube da Esquina.

Em 2023, foi uma das dez personalidades do cenário artístico brasileiro, homenageadas com o Prêmio Milú Villela - Itaú Cultural 35 Anos. Foi indicada ao Grammy Latino em 2024 na categoria Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa, com "No Rastro de Catarina" (Tuim Discos).


"Quem Vai Quem Vem" 
Escrita e interpretada por Cátia de França
Inspirada em João Cabral de Melo Neto
℗ 1979 Epic Records / Discos CBS, Columbia Broadcasting System (hoje Sony Music Entertainment Brasil)
https://www.letras.mus.br/catia-de-franca/quem-vai-quem-vem/significado.html

Lá em Trapuá
Estrada de Nazaré
Um pouquinho adiantado de Tracunhaém
Quem vai quem vem
Vai olhar para as crianças
Cruzamento tão estranho
Caniço com pé de cana
Corra e não atrapalhe
Ou te dão logo sumiço.

Casebres 'tão caindo
Na porta vejo uma muié
Saco vazio mas que se tem de pé
Nas calçadas sonolentos
No cochilo e cusparada
Quem vai quem vem
É o avô, a bisavó
Na distância é como gente
É carne, é osso
Feito do mesmo barro
Me seguro e não me entalo
No embalo da embolada
Se é branco se é preto
De perto é amarelo
Quem vai, quem vem.

Chuva feminina
Num sertão bem masculino
Voa no ar
A profissão é liberá
Me refiro ao urubu
Nas brenhas dessa chapada
Onde o sol é um fuzil
Pipoco é um estrondo
Se você não me acredita
Acaba levando um tombo
No raso da catarina
O que vejo é nossa sina
Enxergo a caatinga
Branco hospital.
 

"Será Que Eu Pus Um Grilo Na Sua Cabeça?", música de Guilherme Lamounier, é resgatada pela propaganda brasileira do OpenAI para popularizar o ChatGPT


O cantor e compositor Guilherme Lamounier (1950-2018)


Para popularizar o ChatGPT no Brasil, em plena época de Copa do Mundo, a OpenAI* apostou no futebol em sua primeira campanha de mídia no país (Revista Oeste, 18 de maio de 2026). E, como o tema da campanha, foi resgatado um dos sucessos do cantor e compositor carioca Guilherme Lamounier (1950-2018), o "Será Que Eu Pus Um Grilo Na Sua Cabeça?" (de Guilherme Lamounier e Tibério Gaspar), gravado em 1973 para o álbum autointitulado lançado pela Discos Continental (hoje Warner Music). A música já foi regravada pelo grupo Kid Abelha para o álbum "Pega Vida" (Universal Music, 2005). A letra é um convite para aproveitar o presente e dar valor às coisas simples. "O refrão incentiva a entrega ao momento e ao sentimento, sugerindo que, em vez de alimentar dúvidas ou inseguranças (os 'grilos' do título), o melhor é viver e amar com leveza e espontaneidade." (Letras.mus.br)


*OpenAI é empresa e laboratório de pesquisa de inteligência artificial (IA) norte-americana que consiste na organização sem fins lucrativos. Fundada em 2015, ela ganhou notoriedade mundial ao lançar o ChatGPT e hoje é uma das principais forças no desenvolvimento de IA generativa no mundo.




Capa do LP "Guilherme Lamounier" , 1973




"Será Que Eu Pus Um Grilo Na Sua Cabeça?"
Escrita por Guilherme Lamounier e Tibério Gaspar
Interpretada por Guilherme Lamounier
℗ 1973 Discos Continental (hoje Warner Music Brasil)


Galo canta é de manhã
Nuvens espalhadas feito algodão
e a terra cheira como bala de hortelã

Abro meu coração
Solto meus cabelos livres no ar
e não quero mais saber

Quero é dividir o meu amor com você
Quero é dividir o meu amor com você

Olhe dentro dessa manhã
Olhe a natureza solta no chão
Veja aquele esquilo entre nozes e avelãs

Curte essa canção
Solta o pensamento livre no ar
e não queira mais saber

Venha dividir o amor que há em você
Venha dividir o amor que há em você


segunda-feira, 15 de junho de 2026

"A Mágica do Natal" ("Merry Magic Christmas", 2023)

 O filme natalino canadense que houve até "Evidências" na dublagem brasileira!


A 193 dias para o Natal, eu falo de um filme canadense televisivo que confesso que eu adorei: no Brasil, se chama "A Mágica do Natal" ("Merry Magic Christmas, Reel One Entertainment / Champlain Media / CMW Winter Productions, 2023), um longa-metragem de romance natalino estrelado por Patricia Isaac, Andrew Dunbar e Corey Woods. Adoro filmes de Natal! Assisto-lhes o ano todo pra matar saudades da época.


Patricia Isaac como a consultora financeira Beth Mckay


Sinopse

Beth McKay (Patricia Isaac), uma experiente consultora financeira, é recrutada por sua irmã Kat (Aadila Dosani), membro da diretoria de uma companhia de teatro local infantil sem fins lucrativos, para examinar suas finanças em declínio. Empenhada em ajudar a companhia que influenciou muito o crescimento de sua sobrinha Riley (Mela Pietropaolo), Beth assume a tarefa. No entanto, ela se depara com um obstáculo na forma de Nate Matthews (Andrew Dunbar), o imaginativo, porém financeiramente alheio, diretor criativo da companhia. Beth se esforça para fazer com que Nate perceba a gravidade de sua situação fiscal, enfatizando a necessidade de esforços colaborativos para salvar o futuro da empresa. Quando o Natal se aproxima, no jantar em um restaurante chinês com a amiga Coley (Corey Woods) que acredita imensamente em numerologia e astrologia, pegou o tradicional biscoito da sorte com o bilhete que contem uma mensagem em forma de poema: "Aquele sonho que há tempos quer que seja real / pode se realizar com uma mágica de natal. / Então faça um pedido para o universo. / O desejo do seu coração está no verso". No outro lado do bilhete está escrito o número 624* e a partir daí começa a ver o número recorrentemente, desde o despertador que aciona às 6h24 ao resultado dos cálculos financeiros.  Dizem-lhe que é um sinal de um anjo de Natal para realizar o seu desejo, levando-a a descobrir o amor. Essa narrativa se desenvolve como uma história de perspectivas conflitantes, misturando pragmatismo financeiro com paixão artística. Um filme recomendado para aqueles que apreciam histórias de superação por meio de trabalho em equipe e compreensão.

Nate Matthews (Andrew Dunbar) e Beth McKay (Patricia Isaac)


*Segundo um dos resultados do Google na visão geral criada por IA,  O número 624 é um chamado para buscar o equilíbrio entre o mundo material e o crescimento espiritual. Na numerologia angelical, ele indica que você deve ter fé na sua jornada, confiar nos seus talentos e manter a harmonia em seu lar e ambiente de trabalho. Quem é fã dos personagens Lilo & Stitch da Disney e viu um dos episódios da série animada, sabe que, pelo fato da namoradinha do Stitch (a "Stitch rosa") ser chamada de Experimento 624, ela ganhou o nome de Angel (na versão brasileira, Anjinha), apesar de transformar criaturas boas em malignas com seu canto hipnotizante. A Anjinha aparece no 37º episódio da primeira temporada da série.

O anjo do Natal de Beth.

Tá curioso? O filme dublado está disponível gratuitamente no YouTube no canal Romance Channel Brasil. Uma pena que cortaram créditos finais. Vale a pena! Clique no link seguinte.

https://youtu.be/7Ifq_NwIgME?si=70cFWYLp4f1J74kg


A música "Evidências" na dublagem brasileira

Essa é uma das milhares de provas de que a dublagem brasileira é show de bola até mesmo no improviso. Para a minha frustração, eu não consegui informações sobre a dublagem de "A Mágica do Natal", o motivo pelo qual eu não coloquei os créditos de dubladores, ao contrário de outras postagens minhas sobre filmes. Na cena em que Beth e Nate tiveram a ideia de fazer um coral de Natal de porta em porta para arrecadar dinheiro pra tirar o teatro infantil do aperto, Nate incentiva Beth a se juntar ao coro, mas ela admite que nunca cantou na vida por não ter talento para isso, e seu futuro namorado lhe perguntou incrédulo se ela nunca cantou nem "Evidências" (de José Augusto e Paulo Sérgio Valle, 1989 / clique aqui para ver a minha postagem da música). No fim foi engraçado esse improviso brasileiro. Mais um motivo para amar esse filme. Risos. "53:44 [da linha do tempo do filme] kkkkkk 'Evidências', amei que colocaram referências brasileiras na dublagem", disse uma internauta nos comentários.





Fontes:
*Peliplat (Portugal)
https://www.peliplat.com/pt/library/movie/pp43970854/merry-magic-christmas

*Internet Media Database (IMDb)
https://www.imdb.com/pt/title/tt28668784/

A história por trás de "Evidências", gravada por Chitãozinho & Xororó que virou um hino brasileiro


Verdade seja dita: aprendi a gostar da música "Evidências" (de Paulo Sérgio Valle e José Augusto, 1989) por causa das profissionais do CTEA que diagnosticaram autismo em mim e também gostam dela. "Evidências" foi gravada primeiramente por Leonardo Sullivan, irmão de Michael Sullivan, em 1989 para o seu álbum "Veneno, Mel e Sabor" (Continental, hoje Warner Music), com lançamento apenas regional, mas foi graças à famosa regravação de Chitãozinho & Xororó para o álbum "Cowboy do Asfalto" (PolyGram, hoje Universal Music, 1990) (capa na foto acima) que foi um sucesso nacional no ano seguinte. Sem falar que eu já tinha ouvido a música na gravação de Sullivan na rádio, pela antiga Litoral FM (92,9 MHz) que tocava sertanejo a maior parte do dia, que hoje opera como Band FM filial Itajaí (SC).

*VEJA TAMBÉM: a minha postagem sobre "A Mágica do Natal" ("Merry Magic Christmas", 2023), o filme natalino canadense. Clique para ver o que tem a ver com "Evidências".
A canção foi composta pelo cantor José Augusto e por Paulo Sérgio Valle, irmão do também músico Marcos Valle. Foi gravada pela primeira vez em maio de 1989, por Leonardo Sullivan, que a lançou em junho do mesmo ano em seu disco "Veneno, Mel e Sabor". Esta gravação teve lançamento apenas regional, não tendo sido bem sucedida nacionalmente.

A princípio, "Evidências" tinha sido descartada por uma gravadora. "Mostrei a música e as pessoas ouviram e disseram: 'Essa música não é muito boa'. Eu fiquei tão sem graça, porque acreditava em 'Evidências'. Aquilo ali foi um balde de água fria, uma decepção. Nesse dia estava presente o Michael Sullivan, que me disse: 'Posso levar essa música para gravar com meu irmão?'. Eu disse: 'Pode'. Era o Leonardo Sullivan", disse José Augusto em uma entrevista à GloboNews em 2019 que uniu o cantor e o parceiro Paulo Sergio Valle pela primeira vez para falar da música que na época completou 30 anos. "Foi uma canção que bateu na gente de uma forma muito direta, e a impressão foi a melhor possível", disse Leonardo Sullivan.


Leonardo Sullivan, o primeiro intérprete de "Evidências"


Capa do LP "Veneno, Mel e Sabor" de Leonardo Sullivan


José Augusto e Paulo Sérgio Valle já tinham colaborado com Chitãozinho e Xororó ao oferecer-lhes a canção "Página Virada" (1989), sucesso do álbum "Os Meninos do Brasil" (PolyGram / hoje Universal Music) de 1989. Então, em 1990, ele enviou à dupla uma fita cassete com algumas canções novas, entre elas "Evidências" e um cover em português da canção "Bridge Over Troubled Water" (de Paul Simon, 1970) da dupla norte-americana Simon & Garfunkel. Chitãozinho e Xororó lembram de terem gostado muito da canção, tanto que, ao chegar ao estúdio para gravar o novo disco, em outubro de 1990, "Evidências" teria sido a primeira canção que eles mostraram ao maestro e arranjador Julinho Teixeira para ser gravada.

E qual seria o segredo desse fenômeno chamado "Evidências"? "Acho que 'Evidências' não tem segredo. É um fenômeno, não sei explicar o que aconteceu com essa música. É uma coisa extraordinária", afirma Paulo Sérgio Valle à GloboNews. "Já não é mais nossa, né? É do Brasil essa música,  é do mundo, né?", conclui José Augusto na mesma entrevista.


José Augusto e Paulo Sérgio Valle em 2019, para a GloboNews


E não é exagero. "Evidências" já foi gravada em espanhol _ pela cantora mexicana Ana Gabriel que também foi autora da adaptação ao idioma para o seu álbum "Silueta" (Sony Music, 1992) trabalhado também no Brasil nos estúdios Som Livre e produzido por Max Pierre, e relida pela Lucero, a eterna "Chispita" (Las Estrellas / Televisa, 1982-1983), para o álbum "Aquí Estoy" (Universal Music, 2014) e resgatada para o disco "Brasileira" (Universal Music, 2017)_, ganhou versões em italiano, em francês e em japonês. Teve até uma versão instrumental do Ray Conniff (1916-2002) para o álbum " 'S Country" (Abril Music, 1999) em que o arranjador norte-americano faz releituras de músicas sertanejas brasileiras.

É só ouvir os primeiros acordes que o povo se empolga. "Evidências" virou fenômeno em karaokês e bares, foi executada na saída de um show de rock da banda americana Foo Fighters e até na Rússia, durante a Copa do Mundo em 2018.  Vamos cantar que a festa tá formada! Taca, ou melhor, toca "Evidências" aí!

Fontes
*GloboNews / G1
https://g1.globo.com/globonews/noticia/2019/05/31/sucesso-evidencias-faz-30-anos-conheca-a-historia-por-tras-da-musica.ghtml



"Evidências"
Escrita por Paulo Sérgio Kostenbader Valle e José Augusto Cougil
© 1989 Editora Irmãos Vitale

*Na gravação de Leonardo Sullivan: 
℗ 1989 GEL, Gravações Elétricas S.A/ Discos Continental (hoje Warner Music Brasil)
*Na gravação de Chitãozinho & Xororó: 
℗ 1990 Discos Philips / PolyGram do Brasil (hoje Universal Music Brasil)

Quando eu digo que deixei de te amar
É porque eu te amo
Quando eu digo que não quero mais você
É porque eu te quero
Eu tenho medo de te dar meu coração
E confessar que eu estou em tuas mãos
Mas não posso imaginar
O que vai ser de mim
Se eu te perder um dia

Eu me afasto e me defendo de você
Mas depois me entrego
Faço tipo, falo coisas que eu não sou
Mas depois eu nego
Mas a verdade
É que eu sou louco por você
E tenho medo de pensar em te perder
Eu preciso aceitar que não dá mais
Pra separar as nossas vidas

E nessa loucura de dizer que não te quero
Vou negando as aparências
Disfarçando as evidências
Mas pra que viver fingindo
Se eu não posso enganar meu coração
Eu sei que te amo

Chega de mentiras
De negar o meu desejo
Eu te quero mais que tudo
Eu preciso do seu beijo
Eu entrego a minha vida
Pra você fazer o que quiser de mim
Só quero ouvir você dizer que sim

Diz que é verdade, que tem saudade
Que ainda você pensa muito em mim
Diz que é verdade, que tem saudade
Que ainda você quer viver pra mim





domingo, 7 de junho de 2026

Bruna Volpi - "Cala a Boca Já Morreu"


Paulista de Campinas, Bruna Volpi começou sua carreira aos 8 anos de idade no Conservatório Carlos Gomes de Campinas. É cantora, atriz e educadora vocal.

Lançado no dia 11 de março do ano passado, o samba "Cala a Boca Já Morreu" tem a letra da própria sambista e melodia por ninguém menos que Rildo Hora (sim, foi através dele que comecei a acompanhar a carreira da Bruna! Risos). A letra critica as imposições atemporais sobre o que uma mulher pode ou não pode fazer.

Ao site Correio Popular, Bruna Volpi revelou que a música nasceu no momento em que ela se preparava para dormir, quando sua mente começou a receber cenas e lembranças de infância: "Sempre fui fora da curva, sem me encaixar naqueles papéis de gênero impostos pela sociedade.(...) Era tão comum eu escutar—e ainda escuto—que não pode fazer tal coisa porque é menina, ou por ser mulher, que eu fui relembrando e em cinco minutos tinha escrito uma letra. No dia seguinte mandei para o Rildo avaliar e logo ele me retornou com a melodia, foi assim, tudo muito rápido, uma enorme sintonia e logo fizemos a gravação, com orientações dele para a produção"

Sem falar que Bruna, uma das defensoras do samba, recebeu mensagens de mulheres que se identificaram e se emocionaram com a letra. E eu também me identifiquei e emocionei, da mesma forma com o discurso da Gloria, personagem da atriz America Ferrera no filme "Barbie" (Warner Bros. Pictures, 2023), que trata do mesmo assunto. Aperte o play!


*Fonte: Correio Popular
https://correio.rac.com.br/entretenimento/novo-samba-de-bruna-volpi-e-um-manifesto-feminino-1.1639274


"Cala a Boca Já Morreu" 
Música de Rildo Hora
Letra de Bruna Volpi
Interpretada po Bruna Volpi
℗ 2025 Bruna Volpi

Menina não pode brincar de carrinho
Menina não pode falar palavrão
Menina não pode brincar de soquinho
Menina não pode ser levada não

São coisas assim que eu ouvia na infância
E que me faziam ficar a pensar
“Será que isso tudo faz sentido?
Só por ser menina tenho que aceitar?

Mocinha não pode sentar de perna aberta
Mocinha não pode sair sem se arrumar
Mocinha não pode se mostrar muito esperta
Mocinha não pode não se pentear

Na adolescência me deram mais regras
E eu ficava confusa a me questionar
Por que é que devo seguir essa cartilha?
Me deixa ser livre, deixa eu respirar

A mulher não pode querer ser solteira
A mulher não pode mãe não querer ser
A mulher não pode ter uma carreira
A mulher não pode nem envelhecer

Mais regras vieram e eu já tô cansada
De não poder ser nada do que eu planejei
Me diga então o que é que a mulher pode
Pq de “não pode” eu já me cansei

Mas eu to aqui pra ir contra o sistema
Ninguém vai dizer o q devo fazer
Se me contrariar vai arrumar problema
Não mexa com osso que é duro de roer

Ser mulher não me impede de nada
Quem manda na minha vida sou eu
Sou decidida, determinada
E o “cala a boca” pra mim já morreu



Grupo Os Meninos de Deus - "Aperte... Não Sacuda" (álbum de 1974)


A partir dos meus 12 anos de idade, eu assistia muito ao Video Show, na época apresentado por Miguel Falabella e com a locução de Cissa Guimarães e, em um dos episódios do programa, provavelmente em 1995, foi exibida a compilação das apresentações dos artistas mais tocados do ano de 1975, duas décadas antes, no saudoso programa musical Globo de Ouro. Dentre esses artistas, um grupo de jovens bem curioso que cantava uma música gospel com uma levada de black music americana bem empolgante. Para mim, talvez pelo fato de não ter sido comum no meu tempo, soava estranho uma música religiosa que não seja cantada por artistas midiáticos como Roberto Carlos entrar nas paradas de sucessos, isso até surgir o Padre Marcelo Rossi em 1998, apesar de que eu já ouvia Padre Zezinho em uma emissora de rádio AM daqui de Itajaí, especialmente a sua música mais pedida pelos seus ouvintes em 1996, a "Oração Pela Família" (de Padre Zezinho, scj.) lançada 6 anos antes, em 1990, em seu álbum "Sol Nascente, Sol Poente" (Paulinas / COMEP, 1990). E mais de trinta anos depois, graças ao bendito YouTube, revi esse episódio do Video Show que eu até já tinha esquecido (clique aqui). Procurei pela música em questão pelo famoso site de vídeos e, sorte minha, consegui ouvi-la na íntegra: era "Aleluia (Te Amamos, Jesus)" (de Darío Julio Gianella Castañé "Manasés",1974) do grupo Os Meninos de Deus, uma das mais tocadas do Brasil entre 1974 e 1975 que tem aquela levada dos musicais "Hair" e "Jesus Cristo Superstar" (sem falar que eu não consigo ouvir esta música sentada. Me empolga um monte!). Também ouvi o resto do primeiro álbum do grupo, "Aperte... Não Sacuda" lançado pela Phonogram (hoje Universal Music) através do selo Polyfar. O LP é repleto de músicas cristãs com em ritmo de black music, rock psicodélico e folk rock, muitas delas versões de comunidades estrangeiras d'Os Meninos de Deus. 

Vídeo abaixo: a famosa música "Aleluia (Te Amamos, Jesus)"

 

 

Porém, quem ouve este álbum de músicas bem saudáveis de louvor a Deus cantadas por jovens nem imagina que, por trás disso tudo, existe uma controvérsia pra lá de cabeluda: o grupo musical Os Meninos de Deus veio do movimento religioso americano do mesmo nome (Children Of God) que hoje é chamado "Família Internacional" criado por David Berg (1919-1994) no auge da cultura hippie, no final da década de 1960. O movimento se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil, daí que nasceu o grupo musical que gravou alguns LP's, e se apresentou em estádios e programas de TV como Sílvio Santos (1930-2024), Bozo e Globo de Ouro. O tal movimento religioso evangelizava misturando cristianismo com sexo e amor livre, o que fez com que se envolvesse em escândalos e problemas com a polícia. Uma reportagem do Fantástico de 1977 que o diga! (clique aqui para ver o vídeo no Globoplay).

O conjunto musical é formado por integrantes brasileiros e estrangeiros (o que justifica o sotaque de alguns deles nas gravações): Paulo Galvão, o Aminadab (violão/vocal), Jeroboam (piano elétrico), Luiz Claudio Ramos dos Santos, o Isaías (guitarra), Obed (baixo), Miguel (violino), Alael (bateria) e Daniel Gentileza (vocal). Sem falar também no compositor e guitarrista argentino Darío Julio Gianella Castañé (1955-2020), o Manasés. Enfim, o grupo musical Os Meninos de Deus era uma espécie de versão gospel das antigas do Now United de hoje. Risos. O primeiro álbum contou com a produção do renomado pernambucano Fernando Adour (1947-2019), que era um dos membros da Jovem Guarda e fazia inúmeras versões para português ao cantor espanhol Julio Iglesias.

Uma das músicas desse álbum eu já tinha conhecido em outras gravações é "Senhor, Fazei De Mim (Um Instrumento De Tua Paz)" (de Darío Julio Gianella Castañé "Manasés"), inspirada na Oração de São Francisco (Giovanni di Pietro di Bernardone, 1181 ou 1182 - 1226)  que já ganhou releituras de Astúlio Nunes para o seu compacto simples de 1982 lançado pela Paulinas / COMEP e do Padre Marcelo Rossi para o álbum "Canções Para um Novo Milênio" (PolyGram / hoje Universal Music) em 2000.

Capa do CD "Canções Para um Novo Milênio" do Padre Marcelo Rossi. 


Capa do compacto simples de Astúlio Nunes lançado em 1982


Também tem a música "'Cê Tem Que Ser Um Menino" (de Paulo Galvão "Aminadab"), versão de "Redeviens Un Bébé" (de Yvan Biard, 1973) da comunidade francesa (Les Enfants de Dieu), baseada no Evangelho de Mateus 18, 1-3.

O sacerdote Padre Fábio (não o de Melo, e sim Padre Fábio dos Santos, também conhecido como Padre Fábio Potiguar) fez releitura de 3 músicas d'Os Meninos de Deus para o ótimo álbum "Nosso Coração Está em Deus" (MZA Música, 1999), gravado ao vivo em Natal (capital de Rio Grande do Norte) e produzido por ninguém menos que Marco Mazzola, que são "'Cê Tem Que Ser Um Menino" ("Redeviens Un Bébé"),  "Senhor, Fazei De Mim (Um Instrumento De Tua Paz)" e "Aleluia (Te Amamos, Jesus)".

Capa do CD "Nosso Coração Está em Deus" do Padre Fábio dos Santos (ou Padre Fábio Potiguar) com três regravações das músicas d'Os Meninos de Deus


FONTES:
*Revista Trip


Aperte o play e aumente o volume, irmãos e irmãs! (Simplesmente amei.)



"Aperte... Não Sacuda"
Os Meninos de Deus
℗ 1974 Polyfar / Companhia Brasileira de Discos Phonogram (hoje Universal Music Brasil)

Produzido e dirigido por Fernando Adour 
Coprodução: Aderbal Guimarães
Arranjo: Isaías (Ely Arcoverde, Luiz Claudio Ramos e Miguel Cidra)
Editado por Joaquim Figueira
Gravado e mixado por Luigi Hoffer


1 - "Senhor, Fazei De Mim (Um Instrumento De Tua Paz)"
Escrita por Manasés (Darío Julio Gianella Castañé)



2- "A Luz" 
Escrita por Ely Arcoverde, Luiz Claudio Ramos dos Santos (Isaías) e Miguel Cidra



3- "Aprendam Que Podem Ser Livres"  
Escrita por Aminadab (Paulo Galvão)



4- "A Voz de Amor" 
Escrita por  Manasés (Darío Julio Gianella Castañé)



5- "No Mires Atrás" 
Escrita por Ruth (Patrice Joy Totten)



6- "'Cê Tem Que Ser Um Menino" 
("Redeviens Un Bébé") 
Escrita por Yvan Biard, 1973
Versão de Aminadab (Paulo Galvão) 



7- "Aleluia (Te Amamos, Jesus)" 
Escrita por  Manasés (Darío Julio Gianella Castañé)



8- "Estou Feliz" 
Escrita por Manasés (Darío Julio Gianella Castañé)



9- "Como Esquecê-lo" 
Escrita por Jeroboam (Edward Lee Greene)



10- "É Melhor Tentar E Falhar" 
Escrita por Aminadab (Paulo Galvão)



11- "Que É Que Fez Jesus?" 
Escrita por Aminadab (Paulo Galvão)



12- "Obrigado Senhor" 
Escrita por Aminadab (Paulo Galvão)

Festa de Lançamento do "Clube do Samba" (Fantástico, 1979)

"Meninos da Mangueira" - Ataulpho Jr. e Diogo Nogueira no programa "Samba da Gamboa" na TV Brasil