"O que é de verdade ninguém mais hoje liga: isso é coisa da antiga" - Ney Lopes e Wilson Moreira

Elsa (Frozen) ♥

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

"Um Natal Anos 90" ("A 90's Christmas"), filme de 2024

Cartaz do filme "Um Natal Anos 90" da Hallmark. 


Hoje faltam 100 dias para o Natal e com isso eu falo do filme "Um Natal Anos 90" ("A 90's Christmas", Hallmark Channel / Reel One Entertainment, 2024). Um filme pra quem ama e sente saudades dos natais dos anos 90.

"A 90's Christmas" (no Brasil, "Um Natal Anos 90" e, em Portugal, "Natal de 99... Outra Vez!") é um filme de comédia romântica lançado em 2024 e produzido pela rede Hallmark Channel, um canal de televisão por assinatura dos Estados Unidos que transmite programação para o público familiar, com foco em filmes românticos, séries originais e eventos sazonais. Um canal de filmes realmente saudáveis, para toda a família.

Cartaz português do filme "Um Natal Anos 90" que ganhou o título de "Natal de 99... Outra Vez!"


Sinopse

A advogada viciada em trabalho Lucy Miller (Eva Bourne) está comemorando sua promoção sozinha na véspera de Natal, quando uma misteriosa experiência de carona a transporta de volta a dezembro de 1999. Revivendo o feriado com sua mãe Tina (Kate Drummond), irmã musicista Alexa (Alex Hook) que namora sua colega de banda Britney _que não é a Spears é claro que na época estava em ascensão à fama pelo seu primeiro hit "... Baby One More Time" (de Max Martin,  1998)_, mas tem medo de assumir a homossexualidade pela reação contrária da famíla e melhor amiga Nadine (Jenny Raven) - sem falar em sua paixão pelo ensino médio Matt (Chandler Massey). Lucy tem uma segunda chance de entender onde seus relacionamentos deram errado. E cada vez que toca repentinamente "12 Days of Christmas" (tradicional), uma canção natalina que Lucy assume que detesta, um parágrafo da carta de contrato de promoção da empresa de advocacia da qual ela tinha acabado de ser sócia, única coisa de 2024 que ela levou consigo para dezembro de 1999, se apaga por ela tentar mudar o passado.


Alguns detalhes noventistas

Assim que acorda do seu primeiro sono de volta ao dezembro de 1999, Lucy ouve sua música preferida na adolescência, a linda "Kiss Me" (de Matt Slocum, 1997) da banda de rock americana Sixpence None The Richer (cujo nome em português significa "Seis Centavos Não Deixam Ninguém Mais Rico"). No YouTube, na versão dublada, só dá pra ouvir o primeiro acorde da música e, depois, a canção é eliminada, deixando apenas os diálogos com uma qualidade sonora péssima. Sem falar que existem outras cenas com trilha sonora excluída, restando diálogos em qualidade sonora diferente do resto do filme e com uma razão em comum: direitos autorais das músicas executadas "sem permissão" no YouTube. Que chato!

Lucy recebia o apelido do seu quase namorado Matt de Lagosta (Lobster) não porque ficou "queimada de sol no acampamento aos 12 anos" como ela acreditava, e sim por referência à filosofia da lagosta dita pela personagem Phoebe Buffay (Lisa Kudrow) no 14° episódio da 2ª temporada de "Friends" (Warner Bros. Television, 1994-2004), a série preferida do rapaz. A famosa teoria da lagosta na série significa que duas pessoas são almas gêmeas destinadas a ficar juntas para sempre. Daí que Matt, acreditando que Lucy seria sua alma gêmea, lhe deu esse apelido, já que ela não gostava de ser chamada de Mambo após ter se apresentado com um dos maiores hits de 1999, o "Mambo No. 5 (A Little Bit Of...)" (de Lou Bega e Zippy Davids. 1999 / sample: "Mambo No. 5", de Dámaso Pérez Prado, 1949) do cantor alemão Lou Bega.

Em uma reunião de Natal em família, todos sentados no sofá da sala, Lucy, vinda do ano de 2024, estranha que nenhum deles esteja usando um celular naquele momento e a irmã Alexa não entendeu o que Lucy quis dizer e logo foi buscar seu Game Boy  (ゲームボーイ / Gēmu Bōi), um console portátil (ou mini-game, como aqui no Brasil a gente chamava) da Nintendo para se distrair. Sem falar que, nesse momento em família, a avó fala da sua preocupação com o bug do milênio, o assunto daquela época que, no fim, não houve falha alguma de programação em computadores de poucos privilegiados.



Trailer do filme "Um Natal Anos 90"


domingo, 13 de setembro de 2026

"Máquinas" (1977) - Peninha

 Canção de 1977 serve de reflexão sobre o uso do IA nos dias de hoje.

Capa do LP "Sonhos" (Phonogram/ hoje Universal Music) do cantor e compositor Peninha 

Pra quem não sabe, Peninha, nome artístico de Aroldo Alves Sobrinho, é cantor e compositor paulista que fez várias canções gravadas por Fábio Júnior, Daniel _inclusive na época em que este fazia dupla com João Paulo (1960-1997), Alexandre Pires, Rick & Renner, Roberta Miranda, Paulinho Moska, José Augusto, Renata Arruda, entre outros. Inclusive a música "Sozinho" (1996) eternizada na voz de Sandra de Sá e, em seguida, de Caetano Veloso é dele. 

Peninha gravou seu primeiro compacto simples pela RCA Victor (hoje Sony Music) em 1972 com as músicas "Grilos" (de Peninha e Totó) e "Preciso Ajudar Meu Pessoal", mas seu primeiro sucesso foi cinco anos mais tarde, em 1977, com "Sonhos" (de Peninha), incluído na trilha da telenovela "Sem Lenço, Sem Documento" (Rede Globo, 1977) e com arranjo do maestro Hugo Bellard. O LP que leva o nome da música lançado pela Phonogram / hoje Universal Music vendeu milhares de cópias. Outros dois sucessos desse mesmo álbum foram "Que Pena" (de Peninha e Roberto Livi) que esteve na trilha sonora da novela "O Astro" (Rede Globo, 1977-1978) e "Máquinas". E é desta música que vou falar aqui.

"Máquinas" tem a melodia do próprio Peninha e a letra é uma adaptação musical do poema "Fábrica de Neuróticos" de Neimar de Barros (1943-2012). Neimar de Barros foi um produtor de televisão, escritor e o maior pregador leigo católico do Brasil nas décadas de 1970 e 1980. Trabalhou na equipe de produção do Programa Silvio Santos (1930-2024) e criou programas de grande audiência no início dos anos 1970, como "Cidade contra Cidade" e "Boa Noite Cinderela".

Uma canção pra lá de profética. Quase 50 anos mais tarde, a letra de "Máquinas" faz todo o sentido. Amizades pessoais sendo trocadas por amizades virtuais ("os pais distantes dos filhos, os filhos distantes dos pais"), inteligência artificial que, se por um lado facilita a vida de uns, de outro seria uma ameaça ao emprego de outros... ("máquina não pede aumento, não reclama, nem se atreve / não atende telefone / máquina não sente fome") As máquinas _e a inteligência artificial do século 21_ são úteis, eficientes e multifuncionais, sim, mas elas são essencialmente frias e desprovidas de emoção ("umas fazem bi-bi, outras fazem tic-toc / umas fazem ron-ron, outras fazem plic-ploc"). Os dubladores por exemplo que o digam que protestaram contra dublagens de séries e filmes com IA que felizmente não vingou, já que as vozes virtuais não são boas intérpretes ("máquina não dá sorrisos / não chora nem sente dor"). Afinal, para ser dublador não basta ter uma linda voz. É obrigatório também ser ator. "A música é uma reflexão sobre o equilíbrio necessário entre o uso da tecnologia e a preservação da humanidade, lembrando-nos de que, apesar de todas as suas vantagens, as máquinas não podem substituir o calor e a complexidade das relações humanas." (Letras.mus.br). Como diria uma música do Roberto Carlos: "não sou contra o progresso, mas apelo pro bom senso".

Em 1981, o cantor católico Antônio Cardoso regravou "Máquinas" para o seu segundo e ótimo álbum "Histórias da Gente" (Edições Paulinas Discos / hoje Paulinas-COMEP, 1981).



Máquinas
Música de Peninha
Letra: adaptação do poema "Fábrica de Neuróticos" de Neimar de Barros
Interpretada por Peninha
℗1977 Discos Polydor / Companhia Brasileira de Discos Phonogram (hoje Universal Music Brasil)

Morando em minha casa 
E também na sua
Voando lá no céu, 
Rodando aí na rua
Um monte de máquinas frias,
São cérebros, pernas e mãos
E às vezes colocam algemas
Nas doces vontades do seu coração.

Os pais distantes dos filhos
Os filhos distantes dos pais
As máquinas fazem de tudo, 
Só não fazem paz, 
aaaa uou uou

Umas fazem bi-bi
Outras fazem tic-toc
Umas fazem ron-ron
Outras fazem plic-ploc

Umas fazem bi-bi
Outras fazem tic-toc
Umas fazem ron-ron
Outras fazem plic-ploc

Temos máquinas de vida longa
Temos máquinas de vida breve
Só que máquina não pede aumento
Não reclama nem se atreve

Não atende telefone
Máquina não sente fome
Muitas vezes mecaniza
O coração do próprio homem

Máquina não dá sorrisos
Não chora nem sente dor
Máquina não bate papo
Nem precisa de amor, 
aaaa uou uou

Umas fazem bi-bi
Outras fazem tic-toc
Umas fazem ron-ron
outras fazem plic-ploc

Umas fazem bi-bi
Outras fazem tic-toc
Umas fazem ron-ron
Outras fazem plic-ploc

Festa de Lançamento do "Clube do Samba" (Fantástico, 1979)

"Meninos da Mangueira" - Ataulpho Jr. e Diogo Nogueira no programa "Samba da Gamboa" na TV Brasil