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domingo, 13 de setembro de 2026

"Máquinas" (1977) - Peninha

 Canção de 1977 serve de reflexão sobre o uso do IA nos dias de hoje.

Capa do LP "Sonhos" (Phonogram/ hoje Universal Music) do cantor e compositor Peninha 

Pra quem não sabe, Peninha, nome artístico de Aroldo Alves Sobrinho, é cantor e compositor paulista que fez várias canções gravadas por Fábio Júnior, Daniel _inclusive na época em que este fazia dupla com João Paulo (1960-1997), Alexandre Pires, Rick & Renner, Roberta Miranda, Paulinho Moska, José Augusto, Renata Arruda, entre outros. Inclusive a música "Sozinho" (1996) eternizada na voz de Sandra de Sá e, em seguida, de Caetano Veloso é dele. 

Peninha gravou seu primeiro compacto simples pela RCA Victor (hoje Sony Music) em 1972 com as músicas "Grilos" e "Preciso Ajudar Meu Pessoal", mas seu primeiro sucesso foi cinco anos mais tarde, em 1977, com "Sonhos" (de Peninha), incluído na trilha da telenovela "Sem Lenço, Sem Documento" (Rede Globo, 1977) e com arranjo do maestro Hugo Bellard. O LP que leva o nome da música lançado pela Phonogram / hoje Universal Music vendeu milhares de cópias. Outros dois sucessos desse mesmo álbum foram "Que Pena" (de Peninha e Roberto Livi) que esteve na trilha sonora da novela "O Astro" (Rede Globo, 1977-1978) e "Máquinas". E é desta música que vou falar aqui.

"Máquinas" tem a melodia do próprio Peninha e a letra é uma adaptação musical do poema "Fábrica de Neuróticos" de Neimar de Barros (1943-2012). Neimar de Barros foi um produtor de televisão, escritor e o maior pregador leigo católico do Brasil nas décadas de 1970 e 1980. Trabalhou na equipe de produção do Programa Silvio Santos (1930-2024) e criou programas de grande audiência no início dos anos 1970, como "Cidade contra Cidade" e "Boa Noite Cinderela".

Uma canção pra lá de profética. Quase 50 anos mais tarde, a letra de "Máquinas" faz todo o sentido. Amizades pessoais sendo trocadas por amizades virtuais ("os pais distantes dos filhos, os filhos distantes dos pais"), inteligência artificial que, se por um lado facilita a vida de uns, de outro seria uma ameaça ao emprego de outros... ("máquina não pede aumento, não reclama, nem se atreve / não atende telefone / máquina não sente fome") As máquinas _e a inteligência artificial do século 21_ são úteis, eficientes e multifuncionais, sim, mas elas são essencialmente frias e desprovidas de emoção ("umas fazem bi-bi, outras fazem tic-toc / umas fazem ron-ron, outras fazem plic-ploc"). Os dubladores por exemplo que o digam que protestaram contra dublagens de séries e filmes com IA que felizmente não vingou, já que as vozes virtuais não são bons intérpretes ("máquina não dá sorrisos / não chora nem sente dor"). Afinal, para ser dublador não basta ter uma linda voz. É obrigatório também ser ator. "A música é uma reflexão sobre o equilíbrio necessário entre o uso da tecnologia e a preservação da humanidade, lembrando-nos de que, apesar de todas as suas vantagens, as máquinas não podem substituir o calor e a complexidade das relações humanas." (Letras.mus.br). Como diria uma música do Roberto Carlos: "não sou contra o progresso, mas apelo pro bom senso".

Em 1981, o cantor católico Antônio Cardoso regravou "Máquinas" para o seu segundo e ótimo álbum "Histórias da Gente" (Edições Paulinas Discos / hoje Paulinas COMEP, 1981).



Máquinas
Música de Peninha
Letra: adaptação do poema "Fábrica de Neuróticos" de Neimar de Barros
Interpretada por Peninha
℗1977 Discos Polydor / Companhia Brasileira de Discos Phonogram (hoje Universal Music Brasil)

Morando em minha casa 
E também na sua
Voando lá no céu, 
Rodando aí na rua
Um monte de máquinas frias,
São cérebros, pernas e mãos
E às vezes colocam algemas
Nas doces vontades do seu coração.

Os pais distantes dos filhos
Os filhos distantes dos pais
As máquinas fazem de tudo, 
Só não fazem paz, 
aaaa uou uou

Umas fazem bi-bi
Outras fazem tic-toc
Umas fazem ron-ron
Outras fazem plic-ploc

Umas fazem bi-bi
Outras fazem tic-toc
Umas fazem ron-ron
Outras fazem plic-ploc

Temos máquinas de vida longa
Temos máquinas de vida breve
Só que máquina não pede aumento
Não reclama nem se atreve

Não atende telefone
Máquina não sente fome
Muitas vezes mecaniza
O coração do próprio homem

Máquina não dá sorrisos
Não chora nem sente dor
Máquina não bate papo
Nem precisa de amor, 
aaaa uou uou

Umas fazem bi-bi
Outras fazem tic-toc
Umas fazem ron-ron
outras fazem plic-ploc

Umas fazem bi-bi
Outras fazem tic-toc
Umas fazem ron-ron
Outras fazem plic-ploc

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