"O que é de verdade ninguém mais hoje liga: isso é coisa da antiga" - Ney Lopes e Wilson Moreira

Elsa (Frozen) ♥

domingo, 5 de fevereiro de 2023

"Quando Fui Ferido, Vi Tudo Mudar"


Mais uma análise evangélica do Frei Gustavo Medella da música "Meu Mundo E Nada Mais" (1976) de Guilherme Arantes.


QUANDO FUI FERIDO, VI TUDO
MUDAR

O verso da canção "Meu mundo e nada mais", de Guilherme Arantes, faz alusão a um momento crucial na vida do ser humano, uma ruptura que o transforma a partir de dentro. Na linguagem religiosa, tal episódio poderia ser associado a um "divisor de águas" que marca o processo de conversão. Para São Francisco de Assis (Giovanni di Pietro di Bernardone, 1181 ou 1182 - 1226), por exemplo, o encontro com o leproso mudou radicalmente sua percepção de mundo. Por causa do amor a Cristo, Francisco se tornou capaz de abraçar aquela figura que até então lhe provocava aversão. Assim, o que lhe parecia amargo, tornou-se para ele "doçura de corpo e alma" (Testamento de São Francisco). Benditas as feridas que nos fazem crescer e mudar para melhor.

Frei Gustavo W. Medella, OFM
gmedella@franciscanos.org.br

Verso da página do dia 15 de janeiro de 2023 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes

Para ver a primeira análise da mesma música, acesse:



Livro "Viver É A Melhor Opção" de André Trigueiro

 



Em uma sessão espírita, após comentar que sabia o que se passava na cabeça de um suicida, um espírito incorporado em uma amiga médium o surpreendeu questionando se ele tinha certeza disso, lhe fez várias perguntas sobre o autoextermínio, mas o adepto do espiritismo respondeu não a todas elas. Então este espírito assertivamente chegou a conclusão de que ele não sabia nada. E a partir dali esse mesmo espírito que era de um amigo se comunicava com frequência com ele em cada sessão sobre o assunto. Foi inspirado nesse diálogo que André Trigueiro, jornalista da TV Globo, escritor e palestrante foi buscar informações sobre a suicidologia expostas neste livro lançado em 2015, "Viver É A Melhor Opção" (Editora Correio Fraterno) que eu ganhei de uma amiga no meu aniversário de 2019 e que eu li se eu não estou errada umas três vezes. Atualmente André Trigueiro mantem o seu canal no YouTube onde ele transmite suas lives de palestras e entrevistas que abordam jornalismo, espiritualidade e sustentabilidade, entre elas, uma playlist inspirada no livro, inclusive a introdução dessa postagem foi inspirada em um desses vídeos que eu incorporei aqui.

"Há momentos na vida em que muitos de nós perdemos a coragem de seguir em frente. Essa situação é mais frequente do que se imagina. Em casos extremos, o desânimo, a melancolia ou a depressão podem precipitar a ideia do suicídio, um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. O silêncio em torno do assunto – um abominável tabu – só agrava a situação. A própria Organização Mundial da Saúde vem defendendo a comunicação aberta e responsável como medida eficaz de prevenção. É sabido que a informação cumpre uma função estratégica na prevenção dos mais variados tipos de males e doenças. Isso também vale para o suicídio. Uma das descobertas mais importantes – e desconhecidas – da ciência médica dá conta de que o suicídio é prevenível em 90% dos casos, por estar associado a psicopatologias diagnosticáveis e tratáveis. Este livro foi escrito com uma única convicção: as informações reunidas nele podem salvar vidas. Não se enquadra, porém, na categoria 'autoajuda'. Pelo contrário, mostra o que podemos fazer pelos outros, ou seja, pelas pessoas que estão ao nosso redor atravessando uma etapa tão difícil da existência." 

Texto da primeira orelha (ou aba) do livro "Viver É A Melhor Opção"



"Baseado em estudos recentes da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde, aponta a importância da prevenção ao suicídio em todos os setores da sociedade. Trabalhando a prevenção através da informação, enfoca o valor da vida, além de abordar os fundamentos do espiritismo, como a pluralidade de existências, a lei de causa e efeito e a realidade da vida após a morte. Alguns outros temas em destaque: depressão, uso de armas, o papel da mídia e drogas." - Amazon (https://www.amazon.com.br/Viver-Melhor-Op%C3%A7%C3%A3o-Andr%C3%A9-Trigueiro/dp/8598563854)


Se você passa por problemas de saúde mental e precisa de ajuda, ligue para o CVV, Centro de Valorização da Vida. O número é 188 e o serviço é gratuito e disponível 24 horas.

domingo, 22 de janeiro de 2023

Baú de Curiosidades #02 - Gabriela Rivero em "Fiebre Del 2"

 



No final dos anos 1970, o mundo fervia com a discothèque. Era a época dos "Embalos de Sábado à Noite" ("Saturday Night Fever", Paramount Pictures, 1977), filme estrelado por John Travolta, e, no Brasil, da novela "Dancin' Days" (Rede Globo, 1978-1979). No México não foi diferente: aos sábados, das 20 às 22 horas entre os anos de 1978 e 1981, foi ao ar na Rede Televisa, a Globo mexicana, o programa "Fiebre Del 2". Apresentado por Fito Giron e Chela Braniff, o programa todo destinado ao público jovem era um concurso de dança em que competiam  homens e mulheres solo e casais, tudo em ritmo de discothèque, a tendência musical da época. Dentre os competidores estavam o ator Guillermo Capetillo, famoso no Brasil pela novela "Rosa Selvagem" ("Rosa Salvaje", Canal de las Estrellas / Televisa, 1987-1988) e ninguém menos que a atriz Gabriela Rivero que, na década seguinte, seria conhecida como a dócil Profesora Ximena (no Brasil, Professora Helena) na novela "Carrossel" ("Carrusel", Canal de las Estrellas / Televisa, 1989-1990) exibida nas telinhas brasileiras entre 1991 e 1992 pelo SBT. Neste vídeo abaixo, Gaby Rivero, na época aos 15 anos na temporada de 1979, vestido uma blusa roxa e calça jeans, dava um show de dança ao som de "Makin' It" (de Dino Fekaris e Fredie Perren, 1978) do cantor David Naughton, tema do sitcom americano homônimo que foi ao ar pela American Broadcasting Company (ABC).


Fontes:
Página "Inolvidables Recuerdos" - Facebook


Baú de Curiosidades #01 - Gabriela Melim


Antes de formar com os seus irmãos Rodrigo e Diogo o trio  folk pop Melim, uma das bandas que eu adoro particularmente como também cujas músicas adoro cantarolar no chuveiro e no karaokê, Gabriela, que nasceu quase dois anos depois que os irmãos gêmeos, começou sua carreira como artista solo aos 15 anos de idade cantando samba, enquanto Diogo e Rodrigo tocavam juntos em bares. Gabriela Melim lançou em 2013 o álbum "Tipo Brasileiro" (Boulevax Music) tendo como produtor o consagrado compositor Carlos Colla (5 de agosto de 1944 - 13 de janeiro de 2023) que infelizmente acabou de nos deixar. O projeto contou com outras participações de peso: Marcelo D2, João Donato, Rildo Hora na gaita (na faixa "Vai Embora, Tristeza") e seu filho Misael da Hora no teclado. Além de suas canções autorais como "Pimenta", "Cuidado Pra Não Dormir Demais" e "Peça Felicidade", Gabriela Melim faz releitura das músicas "Vai Embora Tristeza" (de Arlindo Cruz, Gegê do Cavaco e Julinho Santos, 2012) que já foi gravada por Arlindo Cruz e Karinah, "Sambou, Sambou" (de João Donato e João Melo, 1962) com a participação de João Donato e "Estardalhaço" (de Lisyas E. Oliveira e José Edmundo Guedes, 1975) gravada originalmente pelo cantor, compositor e multi-instrumentista Bebeto Castilho. As músicas do primeiro álbum solo de Gabriela Melim podem ser ouvidas  sua página no Youtube, no site do Instituto Memorial Música Brasileira (IMMuB) e no SoundCloud da própria cantora.






"Tipo Brasileiro"
Gabriela Melim
℗ 2013 Boulevax Musuc

FICHA TÉCNICA: 

Produzido por Boulevax Music Brasil
Direção Geral: Carlos Colla; Direção Executiva: Giselle de Paula; Direção Musical e Arranjos: Leandro Barros

MÚSICOS: Camilo Mariano (Bateria); Nene Brown, André Siqueira, Fabio Miudinho (Percussão); Humpry Scott (Contrabaixo); Misael da Hora, Valério Behir (Teclados); Márcio Hulk (Cavaco); Leandro Barros (Guitarra e violão 6 cordas); Carlinhos Sete Cordas (Violão 7 cordas); Sergio Galvão, Jesiel, Seabra, Bira Trombone, Lamir Teixeira, Márcio André (Sopros)  

Participações Especiais: Rildo Hora-Gaita (faixa 4); Marcelo D2-Voz (faixa 5); João Donato - Piano e Voz (faixa 9).

Gravação: Estúdio 3 por Léo Guimarães e Estúdio 94 por Guilherme Tettamanti (faixas 7 e 8); Mixagem: Ricardo Palmeira; Masterização: Ricardo Garcia; Direção de Arte: Giselle de Paula

Fotografia e projeto gráfico: Schumacher

FAIXAS:

1 Malandro (Káliman Chiappini)
2  Pimenta (Gabriela Melim)
3  Sim Senhora (Sérgio Kahó/Carlos Colla)
4  Vai Embora Tristeza (Arlindo Cruz/Gegê do Cavaco/Julinho Santos)
Participação: Rildo Hora (gaita)
5  Tipo Brasileiro (Alexandre Leão/Manuca Almeida/Sofia Laura/Carlos Colla)
Participação: Marcelo D2
Música Incidental: BR2 (Marcelo D2/Sain)
6  Figa de Osso (Káliman Chiappini/Carlos Colla)
7  Peça Felicidade (Gabriela Melim)
8 Cuidado Pra Não Dormir Demais (Gabriela Melim)
9  Sambou, Sambou (João Donato/João Mello)
Participação: João Donato
10  Na Lapa (Káliman Chiappini/Carlos Colla)
11 Cristo Redentor (Frank Daiello/Carlos Colla)
12 Como Diz o Poeta (Juninho Peralva)
13  Desassossego (Gilberto Gomes/Diógenes Tiê)
14  Estardalhaço (Lisyas E. Oliveira/José Edmundo Guedes)

domingo, 8 de janeiro de 2023

O Evangelho e a MPB #06 - "O Cio da Terra" - Milton Nascimento e Chico Buarque

Capa do compacto simples "Milton & Chico" (Philips / Phonogram - hoje Universal Music, 1977) no qual está o sucesso "O Cio da Terra".


"O Cio da Terra"
(de Chico Buarque e Milton Nascimento, 1977)

"O Cio da Terra". Apenas três estrofes, sem refrão, dão forma a esta obra-prima da MPB, composta por Milton Nascimento e Chico Buarque. Retrata a relação fecunda e íntima entre o ser humano e a natureza num ciclo virtuoso que se renova e gera vida. Fecundidade que produz o trigo e este, por sua vez, o pão. Jesus, ao apresentar o Reino de Deus, muitas vezes lança mão de figuras da natureza, como o solo, as plantas, os frutos e as sementes. O desejo do Mestre é revelar que toda a criação é fruto do mesmo plano de amor que nasce no coração de Deus. O cristão é chamado a deixar-se trabalhar pela graça de Deus e também fazer a sua parte para fecundar o solo do mundo com seu testemunho de partilha, respeito, compaixão e amor.

Frei Gustavo Wayand Medella, OFM gmedella@gmail.com

Verso da página do dia 27 de dezembro de 2022 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes



quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

A linda campanha de Natal d' O Boticário 2022


"A guerra acabou, se você quiser!". Assim diziam John Lennon (1940-1980) e Yoko Ono no outdoor simplista do lançamento do single natalino antiguerra "Happy Xmas (War Is Over)" (1971) da autoria do polêmico casal como forma de protesto contra a Guerra do Vietnã.

E no momento em que o Brasil vive em guerra retumbante por razões políticas, um fato muito triste, a empresa de perfumes e cosméticos O Boticário lança uma campanha de Natal lembrando aos espectadores que, ao invés de insistir naquilo que nos separa, independentemente do motivo, se aderir naquilo que nos une: o amor

A ideia da propaganda d' O Boticário foi inspirada na pesquisa realizada neste ano pela DOJO e KOGA intitulada "Brasil de Bolhas" que revela que nós brasileiros estamos deixando de conversar por variadas razões. Dos dois mil entrevistados em todo o país, 58,9% das pessoas afirmaram que tentam constantemente convencer os outros a respeito do que acreditam, o que reflete a divisão de pessoas e rompimento de amizades e relações. 
O filme idealizado pela AlmapBBDO mostra situações do cotidiano atravessadas por rupturas entre pessoas que se amam e são (ou eram) amigas até debaixo d'água, mas que, em meio a brigas e discussões, se distanciam e, no auge da desavença, uma fenda se abre entre os recém-rivais. Porém, com a rachadura profunda, o "climão" dá lugar ao reencontro, reconciliação entre pessoas queridas através do ato de amor e respeito ao som da releitura de "One Love" (de Bob Marley e Curtis Mayfield, 1965) da banda jamaicana The Wailers que com o tempo passou a se chamar Bob Marley (1945-1981) & The Wailers em razão do seu mais ilustre vocalista.

A campanha d' O Boticário estreou em TV aberta no domingo, 27 de novembro, com produção da Delicatessen, direção de cena de Pedro Becker e direção executiva de Luciana Mattar.

"Onde isso vai parar se a gente não parar com isso?"

O Evangelho e a MPB #05 - "Maria, Maria" - Milton Nascimento

Capa do álbum duplo "Maria Maria" lançado em 1976 e inédito até 2003 quando foi lançado em CD.


"Maria, Maria"
(de Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976*)

"Maria, Maria". A célebre canção de Milton Nascimento e Fernando Brant (1946-2015) retrata a força de uma mulher simples, anônima e batalhadora. Apresenta sua valentia diante das dificuldades e a maturidade de quem aprendeu a superar obstáculos e adquiriu uma "estranha mania de ter fé na vida". Maria é aquela que mistura "dor e alegria". Dor e alegria que convivem na alma de Maria, Mãe de Jesus, a quem o povo aprendeu a venerar como Nossa Senhora das Dores e também das Alegrias. Nos mistérios do terço, muitas Marias aprendem a contemplar os episódios alegres e doloridos daquela mulher simples, batalhadora e anônima com quem aprenderam a se identificar. "Doravante todas as gerações me chamarão
bem-aventurada" (Lc 1,48b).

Texto de Frei Gustavo Wayand Medella, OFM
gmedella@gmail.com

Verso da página do dia 16 de novembro de 2022 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes

*"Maria, Maria" foi composta para o espetáculo homônimo da estreia do Grupo Corpo de 1976 e tinha roteiro de Fernando Brant, música de Milton Nascimento e coreografia do argentino Oscar Araiz. Inicialmente não havia letra, apenas vocalizes em cima da melodia criada por Milton. Dois anos depois, em 1978, o clássico dos compositores mineiros com a letra foi lançada oficialmente  no disco "Clube da Esquina 2" (EMI-Odeon, hoje Universal Music).

Fontes:
Goma Gringa

Veja Rio

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

E se o Natal fosse contado pela MPB? (página Oficina de Nazaré)

 


Um vídeo interessantíssimo da página católica Oficina de Nazaré (@oficina.de.nazare - Instagram) monitorado por Matheus Cedric e por teólogo Felipe Koller. O conto de Natal narrado por grandes canções da MPB. Recebi pelo WhatsApp e me apaixonei!


MÚSICAS EM ORDEM DE EXECUÇÃO:

*"Maria, Maria" (de Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976) - Milton Nascimento
*"Anunciação" (de Alceu Valença, 1983) - Alceu Valença
*"Força Estranha" (de Caetano Veloso, 1978) - Gal Costa (1945-2022)
*"José" ("Joseph", de Georges Moustaki, 1969, e versão de Nara Leão, 1970) - Rita Lee
*"Nos Barracos da Cidade (Barracos)" (de Gilberto Gil e Liminha, 1985) - Gilberto Gil
*"Nascer" (de Isadora Canto, 2017) - Isadora Canto
*"O Que É, O Que É" (de Gonzaguinha, 1982) - Gonzaguinha (1945-1991)
*"A Festa do Santo Reis" (de Márcio Leonardo, 1971) - Tim Maia (1942-1998)

domingo, 18 de dezembro de 2022

Canções de Natal também podem ser tristes

 


Chegou a época do Natal em que muitos de nós nos sentimos felizes por nos deixar levar pelas belas decorações, clima de inocência, reunião de amigos e familiares e celebrações religiosas (e, no meu caso, pelos especiais do meu muso Roberto Carlos também. Risos). Porém, nesta época nem tudo são luzes. Seja por qual for o motivo, a angústia e a tristeza nos pesam por dentro e esse sentimento no período das festas é bem mais comum do que se imagina. Algumas músicas natalinas mais populares retratam essa realidade. Vamos a elas!

Aqui no meu blog eu fiz uma postagem (clique aqui) sobre a canção "Boas Festas" (1933) (aquela do "anoiteceu / o sino gemeu / e a gente ficou / feliz a rezar") que muitos cantam sem ao menos saber do que ela se trata. "Boas Festas" mostra como eram os natais do próprio compositor Assis Valente (1911-1958) e dos brasileiros mais necessitados financeiramente, uma situação bem atemporal. Ela retrata que nem todos têm o privilégio do consumismo e realização dos seus sonhos, resultando em angústia e frustração em pessoas menos favorecidas: "eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel / bem assim felicidade eu pensei que fosse uma brincadeira de papel / já faz tempo que eu pedi, mas o meu Papai Noel não vem / Com certeza já morreu ou então felicidade é brinquedo que não tem".
Ainda falando em desigualdade social, o rei Roberto Carlos lembra as famílias carentes e sem mesa farta na música cristã "Meu Menino Jesus" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1998), na qual ele canta: "te peço, Menino Jesus, ponha na mesa de alguém / o que esse alguém sempre quis e não tem / felicidade também".
A canção natalina americana "The Little Boy That Santa Claus Forgot" (de Michael Carr, Tommie Connor e Jimmy Leach, 1937) gravada primeiramente por Vera Lynn (1917-2020) e eternizada na voz de Nat King Cole (1919-1965) descreve um garotinho esquecido pelo Papai Noel, como o próprio título diz. Enquanto outras crianças se divertem com seus brinquedos novos, o que faz com que ele sinta inveja delas, o menino está triste e solitário e, no final, a letra revela que o menino não tem pai (acredita-se que o pai morreu), dando a impressão de que este seria o verdadeiro motivo pelo qual ninguém havia comprado um brinquedo para ele. Uma música semelhante até no título é a brasileiríssima "Papai Noel Esqueceu" (de Herivelto Martins e David Nasser, 1956) interpretada lindamente por Ângela Maria (1929-2018), a eterna Rainha do Rádio e lady "Babalú" (de Margarita Lecuona, 1939) em dueto com João Dias (1927-1996).
"Sofrências" de Natal? Também existem. E na levada do samba-canção, um dos meus estilos musicais preferidos, que são "Amargo Presente" da autoria de Cartola (1908-1980) lançada postumamente em 1983 pela Beth Carvalho (1946-2019) e "Meu Natal" (1961) de Lupicínio Rodrigues (1914-1974) gravada por Jamelão (1913-2008), esta que fala de um homem que ao longo de sua vida teve muita sorte, mas que esta sorte foi rompida depois que o destino o separou de seu grande amor. E ele, inconformado, conclui: "sabe o que o Papai Noel me trouxe este ano? / Foi um cesto, foi um cesto / com tristeza e desengano".
"Please Come Home for Christmas" (de Charles Brown e Gene Redd, 1960) do cantor, compositor e pianista Charles Brown (1922-1999) que foi regravada por Kelly Clarkson, CeeLo Green e bandas Bon Jovi, Eagles e Hanson fala de alguém solitário que se entristece por não ter ninguém para lhe desejar boas festas e anseia para que uma pessoa em especial passe o Natal com ele em casa.
Dando sequência à solidão natalina, outra postagem que eu fiz aqui (clique aqui) é sobre a canção "Santa, Can't You Hear Me?" (de Aben Eubanks e Kelly Clarkson, 2021) da cantora Kelly Clarkson em dueto com Ariana Grande. Ela fala sobre uma moça que rejeita presentes materiais e pede ao Papai Noel alguém para amar, mas esse alguém não chega.
 

A música que eu citarei a seguir não é nada natalina, mas que, a meu ver, merecia ser lembrada na época graças ao conteúdo da letra. "Azul da Cor do Mar" (1970) do Tim Maia (1942-1998) com a participação de ninguém menos que Rildo Hora no solo de gaita (own, que lindo! Risos) é uma história sobre alguém que vê os outros que, ao contrário dele, têm uma vida próspera e sonhos concretizados, uma situação semelhante à das músicas "Boas Festas" e "The Little Boy That Santa Claus Forgot", mas ele, embora profundamente triste e frustrado, se conforma com a realidade: "ah, se o mundo inteiro me pudesse ouvir / tenho muito pra contar e dizer que aprendi / que na vida a gente tem que entender / que um nasce pra sofrer / enquanto o outro ri". Em seguida, aconselha aos que estão na mesma melancolia a cumprir suas missões que são "achar razão para viver" e ter "um motivo pra sonhar'', ou seja, como uma mensagem de Natal, mesmo que nada aconteça como nós queremos tanto e por mais tristeza que a vida traga, deixar que Jesus Cristo, a razão certa e maior do Natal, nasça em nossos corações.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Nos deixou o Monsenhor Jonas Abib

 

"Deixa tuas redes, deixa teu lar.
Deixa teus campos, deixa por mim.
Meu operário eu te farei, 
irmão e amigo eu te serei.
Eis-me Senhor, tudo deixei 
por Ti, Senhor."
("Senhor, Meu Amigo", de Jonas Abib, 1977)



Morreu na noite desta segunda-feira, 12 de dezembro, o monsenhor Jonas Abib,sdb (21 de dezembro de 1936-12 de dezembro de 2022), fundador da Comunidade Canção Nova 9 dias antes de ele completar 86 anos e um dia após o Hosana Brasil, evento anual religioso da comunidade católica.
De acordo com a Canção Nova, a causa da morte foi insuficiência respiratória por broncoaspiração e disfagia motora.
Jonas Abib havia deixado o hospital na última quinta-feira, dia 8 de dezembro, após ficar um mês internado para tratamento de uma pneumonia. O religioso também seguia desde 2021 um tratamento quimioterápico de um mieloma (tipo de câncer).

Jonas Abib nasceu no dia 21 de dezembro de 1936 em Elias Fausto (SP) e seus pais eram Sérgio Abib, de ascendência libanesa, e Josefa Pacheco. Ordenado sacerdote em 1964, passou a se dedicar no trabalho de evangelização de jovens.
Em 1971, Padre Jonas conheceu a Renovação Carismática Católica (RCC) que marcou sua vida e ministério. Sua vida também é marcada pela música. É compositor de várias músicas e também é cantor católico, sendo um dos pioneiros da música católica popular do Brasil além do seu amigo, Padre Zezinho. Sete anos depois, em 1978, fundou a Comunidade Canção Nova, com a missão de evangelizar pelos meios de comunicação social.
Em 2004, juntamente a Comunidade Canção Nova, inaugurou o Centro de Evangelização Dom João Hipólito de Moraes, um local para mais de 80 mil pessoas. Jonas Abib também era presidente da Fundação João Paulo II e membro do Conselho da Renovação Carismática Católica do Brasil, além de outras funções. O título de monsenhor foi concedido ao religioso pelo Papa Bento XVI em 17 de outubro de 2007 a pedido do bispo da diocese de Lorena (SP), Dom Benedito Beni Santos. Esse título é dado pelo Papa a padres que se destacam por relevantes serviços prestados à Igreja e ao povo de Deus em suas dioceses. Em 3 de novembro de 2008 a Canção Nova alcançou o Reconhecimento Pontifício, recebendo aprovação dos seus estatutos junto a Santa Sé.
Jonas Abib lançou dezenas de livros e, como cantor e compositor, 4 álbuns pela gravadora Paulinas-COMEP e 17 pela Gravadora Canção Nova.



VÍDEOS: Padre Jonas Abib apresentando o primeiro programa católico da TV brasileira, o "Anunciamos Jesus", produzido pela Associação do Senhor Jesus (do Padre Eduardo Dougherty) que foi ao ar no dia 4 de junho de 1983. Começava neste momento uma nova forma de Evangelização, foi a semente da TV Canção Nova inaugurada 6 anos depois, em 1989.

 

 


 VÍDEO: Jonas Abib (na época Padre Jonas Abib) no Programa do Jô na Rede Globo em junho de 2004

 



                                   

Descanse na paz de Deus, Jonas Abib.




O pequeno Jonas Abib


Jonas Abib em 1964 quando foi ordenado sacerdote


FONTES:
*Wikipédia

*Site G1:




quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Casas José Araújo (Recife, Pernambuco, 1978)



                             
Propaganda da Casas José Araújo

Quem é de Recife, Pernambuco, e tem mais de 50 anos de idade deve se lembrar dessa propaganda das Casas José Araújo. Pra quem não é de lá e não sabe, é uma loja de tecidos, decoração, cama, mesa e banho bastante popular na capital pernambucana e existente desde 1890, ou seja, há 132 anos. Antigamente a loja presenteava aos clientes pernambucanos suas propagandas inesquecíveis conforme cada época do ano. Entre elas, esta do dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição (8 de dezembro) em 1978. O jingle que me cativou com o coro acapella bem característico de procissão católica foi criado pelo renomado publicitário Carol Fernandes de Aguiar e Silva (27 de junho de 1936 - 8 de maio de 2016) da Itayti Publicidade.




O  publicitário Carol Fernandes de Aguiar e Silva 


Nossa Senhora da Imaculada Conceição

A Imaculada Conceição é, segundo o dogma católico, a concepção da Virgem Maria sem mancha (em latim, macula) do pecado original. O dogma diz que, desde o primeiro instante de sua existência, a Virgem Maria foi preservada por Deus da falta de graça santificante que aflige a humanidade, sendo portanto cheia de graça divina. A Igreja Católica também professa que a Virgem Maria viveu uma vida completamente livre de pecado.
A festa da Imaculada Conceição, comemorada em 8 de dezembro, foi inscrita no calendário litúrgico pelo Papa Sisto IV (Francesco della Rovere, 1414-1484), em 28 de fevereiro de 1477. Atualmente, a solenidade da Imaculada Conceição de Maria (8 de Dezembro) é festa de guarda em toda a Igreja Católica, exceto em certas dioceses ou países onde, com a prévia aprovação da Santa Sé, a sua celebração foi suprimida ou transferida para um domingo. Festa de guarda significa que todos os fiéis católicos devem obrigatoriamente participar na missa, como se fosse um domingo.
A Imaculada Conceição da Virgem Maria foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX (Giovanni Maria Mastai-Ferretti, 1792-1878) em sua bula "Ineffabilis Deus" ("Deus Inefável" em latim) em 8 de dezembro de 1854. A Igreja Católica considera que o dogma é apoiado pela Bíblia (por exemplo, Maria sendo cumprimentada pelo Anjo Gabriel como "cheia de graça"), bem como pelos escritos dos Padres da Igreja, como Irineu de Lyon (por volta do ano de 130-202) e Ambrósio de Milão (por volta do ano de 340-397). Uma vez que Jesus Cristo (nascimento: 7–2 a.C. – morte: 30–33 d.C.*) tornou-se encarnado no ventre da Virgem Maria, era necessário que ela estivesse completamente livre de pecado para poder gerar seu Filho.


"A Virgem Maria abriu a porta do mundo para o Advento do Deus redentor, na carne da humanidade. Ela é, por excelência, a primeira escolhida na ordem da Redenção. O dogma da Imaculada Conceição proclama que Maria foi a primeira a ser redimida pelo Filho que ia gerar."
Comunidade Shalom



*John Paul Meier (1942-2022) afirma que o ano de nascimento de Jesus é cerca de 7/6 a.C. Por outro lado, Karl Rahner (1904-1984) afirma que o consenso entre historiadores é cerca de 4 a.C. Ed Parish Sanders (1937-2022) é favorável a 4 a.C. e aponta o consenso geral para essa data. Jack Finegan (1908-2000) aponta como provável cerca de 3/2 a.C., em função de tradições do cristianismo primitivo. E a maior parte dos historiadores estima que Jesus foi crucificado entre os anos 30 e 33 d.C.


Letra do jingle das Casas José Araújo / dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição:

Senhora da Conceição
Minha Mãe, Minha Rainha 
Dai-me a vossa proteção
Minha querida madrinha. 
Vela acesa, subo o morro 
Pra pagar minha promessa 
Vou vestir azul e branco 
Pra pagar eu tenho pressa. 
As Casas Zé Araújo 
fazem essa louvação 
*Wikipédia

*Comunidade Shalom

sábado, 3 de dezembro de 2022

Erasmo Carlos (1941-2022)

 


Mais um choque na Música Brasileira depois de Gal Costa (26 de setembro de 1945 - 9 de novembro de 2022) e Rolando Boldrin (22 de outubro de 1936 - 9 de novembro de 2022). Ainda não caiu a ficha para mim que sou fã. Bem no dia de Santa Cecília, a Padroeira dos Músicos, morreu o "Tremendão" Erasmo Carlos (5 de junho de 1941 - 22 de novembro de 2022) que havia acabado de vencer o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa com "O Futuro Pertence a... Jovem Guarda" (2022) lançado pela Som Livre. Neste projeto, o cantor e compositor faz uma releitura das músicas da época da Jovem Guarda que foram gravadas pelos seus colegas do gênero musical. Erasmo Esteves, seu nome de batismo, teve tempo de celebrar o prêmio, mas não teve tempo de gravar o álbum de músicas inéditas que já planejara fazer com Marcus Preto.


"Carlos", "Tremendão" e Gigante Gentil"

"Erasmo Carlos", portanto, não passava de um nome artístico em homenagem aos parceiros que estiveram com ele no início da carreira: Roberto Carlos e Carlos Imperial (1936-1992). Outros apelidos que o acompanharam durante a sua carreira eram Tremendão e Gigante Gentil. Durante a fase da Jovem Guarda, programa de TV da década de 1960 do qual Erasmo participou com Roberto Carlos e Wanderléa, recebeu o apelido de "Tremendão". Segundo ele, o apelido vem da sua marca de roupa "O Tremendão", criada naquela época com o sucesso do programa da TV Record que virou movimento juvenil. E quanto ao "Gigante Gentil", foi o apelido dado a Erasmo pela Lúcia Turnbull, cantora, guitarrista paulista e ex-parceira de Rita Lee, em razão da sua altura, 1,93m.


Homenagem de Roberto Carlos

Neste trecho do programa dominical "Fantástico" (27 de novembro de 2022) postado por Fabiano Cavalcante (@FabianoCavalcante / YouTube) Roberto Carlos, visivelmente abatido, deu o depoimento sobre seu amigo e parceiro da música de longas datas. 

 


Que Deus receba Erasmo Carlos com muito amor.


Erasmo Carlos antes da fama

Homenagem da Turma da Mônica ao Erasmo Carlos. No desenho, com os personagens juvenis Rolo e Tina 


Fontes:
*GShow

*Mauro Ferreira - Pop & Arte (G1)



*G1 - Notícias do Rio de Janeiro

Festa de Lançamento do "Clube do Samba" (Fantástico, 1979)

"Meninos da Mangueira" - Ataulpho Jr. e Diogo Nogueira no programa "Samba da Gamboa" na TV Brasil