"O que é de verdade ninguém mais hoje liga: isso é coisa da antiga" - Ney Lopes e Wilson Moreira

Elsa (Frozen) ♥

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domingo, 1 de março de 2026

A Mattel lançou a Barbie autista

 


No dia 12 de janeiro a Mattel lançou mais uma Barbie com deficiência, desta vez... AUTISTA! A Barbie Autista é lançada em parceria com a organização ASAN (Autistic Self-Advocacy Network / Rede de Autodefesa Autista). Se a ideia foi agradável para um grupo de autistas, para o outro, em contraponto, é uma afronta, disparate (fora da realidade) e glamourização, pois consideram o novo modelo de Barbie com deficiência um reforço de estereótipo de autista, como se todos com o transtorno fossem iguais, além de induzir o povo a ignorar a realidade do autismo nível 3, popularmente conhecido como o nível severo.
Querelas à parte, a boneca reflete algumas experiências com as quais algumas pessoas no espectro autista podem se identificar. Essas características incluem:

*Articulação nos cotovelos e pulsos, permitindo movimentos repetitivos;

*Olhar deslocado, refletindo como alguns membros da comunidade podem evitar o contato visual direto

*Um fidget spinner, usado por algumas pessoas como uma válvula de escape sensorial que pode ajudar a reduzir o estresse e melhorar o foco;

*Um fone de ouvido, usado por autistas para cancelar o ruído e, assim, reduzir a sobrecarga sensorial;

*Um tablet de CAA (Comunicação Aumentativa e Alternativa), usado por autistas para auxiliar na comunicação, no caso dos autistas não-verbais;

*Roupa de textura confortável que minimiza o contato do tecido com a pele, além de sapato baixo.

Conforme algumas fontes, a previsão é de que as tiragens brasileiras da boneca chegue ao mercado em julho de 2026.

Eu particularmente fiquei empolgada com a novidade, é um modelo de Barbie que eu, autista nível 2, esperava há anos desde que criaram a Barbie em cadeira de rodas, síndrome de Down, etc. E o que é melhor: além de eu me identificar com algumas características apresentadas (com exceção ao tablet), ela é da minha cor, mais ou menos do meu tom de pele. Tenho quase 44 anos (farei no dia 12 desse mês de março), mas eu adoraria tê-la, pois amo bonecas até hoje. 


PROPAGANDA 

A Mattel publicou o vídeo de divulgação da Barbie autista com as suas garotas propagadas Madison Marilla, colecionadora de Barbies e participante da edição americana da série de reality show "Amor no Espectro" ("Love On The Spectrum", Netflix, 2022-presente), a designer de moda Aarushi Pratape a garotinha Mikko e sua mãe Precious Hillé, todas elas autistas.




Boneca Barbie com autismo e a sua embalagem.









Fontes: 
G1

domingo, 21 de abril de 2024

"Barbie" (filme de 2023)




"Barbie" (Warner Bros. Pictures) com seu mundo cor de rosa foi uma das maiores estreias do ano de 2023 e o mais aguardado junto ao vencedor do Oscar ® "Oppenheimer" (Universal Pictures). Eu admito que é um dos filmes que tenho prazer de ver umas mil vezes e entendi o seu conceito de criticar (e com razão) a futilidade e o mundo da fantasia que a personagem tanto defende e promove depois que eu assisti a dois vídeos de humor no YouTube intitulados "Barbie sendo insuportável por quase 11 minutos seguidos" (clique aqui. E bota insuportável nisso!) e "Ken sendo dramático por 5 minutos" (clique aqui) que sequenciam as cenas da série de animação baseada na boneca criada por Ruth Handler (1916-2002) que demonstram o comportamento de cada personagem. Porém, apesar de se tratar de uma figura destinada ao público infantil e ao contrário da produção de animação da Arc Production em parceria com a Mattel Studios (a empresa da Barbie) de entre os anos 2012 e 2015, a live-action dirigida pela Greta Gerwig e estrelada por Margot Robbie que também produz o longa não é um filme feito para crianças (a classificação indicativa é 12 anos). Sem falar que as minhas personagens preferidas desse filme são a Barbie Estranha (Kate McKinnon), Sasha (Ariana Greenblatt) e a sua mãe latina Gloria, vivida por America Ferrera, atriz nascida nos Estados Unidos, filha de pais hondurenhos e eterna versão americana de "Betty, A Feia" ("Ugly Betty", American Broadcasting Company, 2006-2010) exibida no Brasil pelo SBT em 2008. Amei o uso da música "Spice Up Your Life" (de Spice Girls, Matt Rowe e Richard Stannard, 1997) das Spice Girls, minha girl group preferida, para apresentação da Barbie Estranha. Muito além do cenário encantador da Barbielândia e de várias curiosidades e easter eggs (ovos de Páscoa), o que mais me chama a atenção no filme é a abordagem sobre a crise existencial, a pressão insalubre de manter as aparências e a intolerância às diferenças. 
Nomeado um dos dez melhores filmes de 2023 pela National Board of Review e pelo American Film Institute, "Barbie" ganhou várias honrarias, incluindo oito indicações ao Oscar , entre elas "Melhor Filme" (sinceramente eu não concordo com essa indicação), "Melhor Ator Coadjuvante" para Ryan Gosling (Ken) e "Melhor Atriz Coadjuvante" para America Ferrera e venceu como Melhor Canção Original pela linda "What Was I Made For?" gravada por Billie Eilish. "Barbie" também ganhou dois prêmios Globo de Ouro, o de Realização Cinematográfica e de Bilheteria e Melhor Canção Original por "What Was I Made For?".

®OSCAR é a marca registrada e marca de serviço da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.



Para a Barbie (Margot Robbie), vida de plástico é fantástica.


Sinopse 

A Barbie Estereotipada / Stereotypical Barbie (Margot Robbie / dublada por Flávia Saddy) e uma grande variedade de colegas Barbies residem na Barbielândia/Barbieland, uma sociedade matriarcal onde todas as mulheres são autoconfiantes, autossuficientes e bem-sucedidas. Enquanto suas contrapartes Ken passam seus dias em atividades recreativas na praia, as Barbies ocupam todos os cargos importantes, como médicas, advogadas e políticas. O Ken Praiano / Beach Ken (Ryan Gosling / dublado por Manolo Rey), namorado de Barbie, só fica feliz quando está com Barbie e busca um relacionamento mais próximo, mas Barbie o rejeita em favor da independência e das amizades femininas.

Durante uma festa de dança, Barbie de repente se preocupa com a mortalidade e isso faz com que, no dia seguinte, ela descobre que não consegue mais completar sua rotina habitual, que seus pés ficaram chatos e suas pernas têm celulite. Barbie Estranha/Weird Barbie (Kate McKinnon/dublada por Angélica Borges), uma pária sábia, mas desfigurada por uma menina (mais a seguir vocês saberão quem), diz à Barbie Estereotipada que para curar sua "doença" ela deve viajar para o Mundo Real e encontrar a criança brincando com ela. Em seu caminho para o Mundo Real, Barbie encontra Ken escondido em seu conversível e relutantemente permite que ele se junte a ela.


"Você pode voltar pra sua vida normal e esquecer tudo o que aconteceu ou saber a verdade sobre o universo" - Barbie Estranha (Kate McKinnon), a melhor Barbie do filme.


Chegando a Venice Beach em Los Angeles, Califórnia, a dupla causa várias travessuras e é presa, alarmando o CEO da Mattel (Will Ferrell / dublado por Ricardo Juarez) que ordena sua captura. Barbie rastreia sua dona, uma adolescente chamada Sasha (Ariana Greenblatt / dublada por Mariana Dondi), que a critica por encorajar padrões de beleza irrealistas e incentivar ao consumismo desenfreado e a chama de bimbo* (em tradução livre, burra e, na dublagem brasileira, piriguete. Muito boa essa adaptação, hehe!) e fascista. Perturbada, Barbie descobre que Gloria (America Ferrera / dublada por Carina Eiras), funcionária da Mattel e mãe de Sasha, é a catalisadora de sua crise existencial (vale também ressaltar que foi ela a tal garotinha que desgastou uma das bonecas Barbie na sua infância, convertendo-a em uma Barbie Estranha). Gloria começou a brincar com os brinquedos de Sasha enquanto experimentava sua própria crise de identidade, transferindo inadvertidamente suas preocupações para a Barbie. Gloria e Sasha resgatam Barbie do CEO da Mattel e seus subordinados, e as três viajam juntas para a Barbielândia.

*Bimbo, segundo o Wikipédia, é uma gíria para uma mulher convencionalmente atraente, sexualizada, ingênua e sem inteligência. Em 1997, a banda dinamarquesa Aqua usou a palavra bimbo em seu grande sucesso "Barbie Girl" ("Eu sou uma garota bimbo loira".) para classificar a boneca homônima como uma sexy estúpida que vive no mundo da fantasia. "Barbie Girl" foi observada pela Mattel no conflito legal contra Aqua e sua gravadora pela representação da popular boneca Barbie.

Sasha (Ariana Greenblatt) e Gloria (America Ferrera)


Enquanto isso, Ken aprende sobre o sistema patriarcal no Mundo Real e se sente importante e aceito pela primeira vez. Voltando à Barbielândia, ele convence os outros Kens a assumirem o controle e as Barbies são subjugadas a papéis submissos, como empregadas domésticas, donas de casa e namoradas agradáveis. Barbie chega e tenta convencer Ken e as Barbies a voltarem a ser como eram, mas é rejeitada. Além disso, Ken se apodera da Casa dos Sonhos da Barbie / Barbie Dreamhouse e a batiza com nome de Mojo Dojo Casa House do Ken. A combinação inusitada das palavras levam Gloria e Sasha a questionarem ao Ken o motivo da repetição dos termos, já que eles significam a mesma coisa. Porém ele consegue convencê-las de que Mojo Dojo Casa House do Ken é o nome incrível de falar.

Olha a bandeira do nosso Brasil aí, gente! Essa é da cena de uma das traquinagens de Barbie (Margot Robbie) e Ken (Ryan Gosling) no Mundo Real, ou melhor, em Venice Beach, California. 


Uma das cenas mais emocionantes do filme

A Barbie, fora da sua bolha chata e cheia de superficialidades onde "todo dia é o melhor dos dias" e já no Mundo Real, sentada no ponto de ônibus, enquanto rastreia a menina que brincou com ela e a transformou em uma Barbie com crise de identidade, descobre o verdadeiro sentido da vida, chora pela primeira vez, se depara com uma idosa ao seu lado (Ann Roth, vencedora duas vezes do Oscar de Melhor figurino / dublada por Carmen Sheila) e lhe diz: "você é tão linda". E a idosa lhe responde: "eu sei disso!". Ambas riem uma para outra.

É, Barbie. Parafraseando a música do Skank: "ô pacata cidadã, te chamei a atenção, não foi à toa, não. C'est fini la utopia!"


CURIOSIDADES:

*A cena inicial do filme é uma referência clara ao clássico "2001 - Uma Odisseia no Espaço" ("2001: A Space Odyssey", Metro-Goldwin-Mayer Pictures, 1968). Das imagens filmadas estrelando Margot Robbie como a primeira Barbie criada em 1959 até a trilha sonora com a famosa música "Also Sprach Zarathustra, Op. 30" ("Thus Spake Zarathustra", 1896) de Richard Strauss (1864-1949), tudo ficou semelhante. 
*Greta Gerwig se inspirou em mais de 30 longas para a produção. O pensamento repentino da Barbie durante a festa sobre a morte por exemplo veio do filme "All That Jazz - O Show Deve Continuar" ("All That Jazz", 20th Century Fox e Columbia Pictures, 1979) que alega que o óbito seria a única realidade pra quem só vive de fantasias. (clique aqui para ver a postagem sobre o filme)
*As personagens Sasha e suas colegas de escola foram inspiradas nas bonecas Bratz, as rivais da Barbie.




*As Barbies e os Kens guardados na casa da Barbie Estranha existiram no mercado na vida real, mas foram retirados de linha em pouco tempo por motivos morais ou materiais. Um dos modelos controversos é o cão Trainer, o animal de estimação da Barbie que se alimenta para depois defecar para sua dona colher as fezes. Eca!
*Sobre a frase "é como se eu estivesse em um sonho em que realmente investi na versão de Zack Snyder da 'Liga da Justiça' (2021)" dita pela Barbie Escritora / Writer Barbie (Alexandra Shipp / dublada por Flávia Fontenelle) assim que ela se desperta da lavagem cerebral feita pelos Kens e descreve esse momento como acordar de um sonho em que estava obcecada com a tal versão: relata a treta que tanto a produção quanto o lançamento do filme de super-heróis (pela própria Warner!) foram acompanhados de polêmicas envolvendo o elenco, o diretor e o estúdio – além do comportamento tóxico dos fãs na internet!
* O close nas mãos de Ruth Handler (Rhea Perlman / dublada por Isabela Quadros), personagem baseada na criadora da Barbie, e da própria boneca na cena final é uma intertextualidade no detalhe nas mãos de Deus e de Adão na famosa pintura "A Criação de Adão" ("Creazione di Adamo", 1508-1512) de Michelangelo (1475-1564). A própria Margot Robbie disse que a cena é o seu easter egg preferido.



*Ainda falando na cena, a conversão da boneca de plástico Barbie em mulher de carne e osso Barbara Handler (o mesmo nome da filha da Ruth que influenciou na criação da personagem) foi inspirada no clássico literário "As Aventuras de Pinóquio" ("Le Avventure di Pinocchio / Storia di un Burattino", 1883) que ganhou uma famosa versão cimenatográfica de animação da Disney em 1940 em que o protagonista, graças à fada azul, deixa de ser um boneco de madeira pra virar um menino de verdade. Repare que a Ruth Handler está vestida de azul! E a ideia do vestido amarelo-creme sem curvas na Barbie para deixá-la mais modesta é genial.
*O final do filme com uma montagem de cena de várias mulheres comuns em momentos felizes é uma sequência de vídeos reais de integrantes da equipe do filme e suas famílias.
*Ryan Piers Williams que faz o marido da Gloria é o marido da própria America Ferrera na vida real.
*A dubladora brasileira Flávia Saddy que dublou a Barbie em várias animações também dubla a Margot Robbie em live-action da personagem.

Flávia Saddy, dubladora da Barbie no Brasil.


VAMOS FALAR DE MÚSICA?

"Barbie: The Album" foi a trilha sonora do filme lançada pela Atlantic Records, selo da Warner Music, em formatos digitais e físicos (LP e CD). O álbum foi produzido por Mark Ronson, Kevin Weaver e Brandon Davis. No Brasil, "Barbie: The Album" está disponível apenas na mídia digital.


Capa usada para a versão digital e a edição limitada de LP em cor azul, aquele que aparece no filme na cena da noite da dança.


Capa usada para os formatos CD e LP.


O filme começa com a bonitinha "Pink" (de Andrew Wyatt, Eric Frederic, Mark Ronson e Melissa "Lizzo" Jefferson) da cantora Lizzo. O arranjo dela inspirado em "All Night Long (All Night)" (1983) escrita e gravada por Lionel Richie (opa, já gostei da música!) é bem típico de propaganda de bonecas Barbie e se encaixa perfeitamente com o colorido da cena e a rotina alegre e fantástica da loirinha a qual a letra narra. Posteriormente, uma semana após a estreia do filme, foi lançada a sua versão alternativa, "Pink (Bad Day)", executada no momento em que a protagonista tem sua rotina encantada quebrada após a preocupação abrupta com a mortalidade.
Mas o primeiro single do álbum lançado foi "Dance The Night" (de Dua Lipa, Andrew Wyatt, Mark Ronson e Caroline Ailin) cantada por Dua Lipa que também participa do filme como a Barbie Sereia / Mermaid Barbie (dublada pela cantora Vic Brow). Adoro essa ideia disco com violinos e violoncello na música. "A letra sugere que, apesar dos desafios emocionais, a protagonista escolhe manter-se firme e continuar a 'dançar', ou seja, a viver intensamente sem deixar que as dificuldades afetem sua aparência ou seu espírito (...) As referências a 'diamantes sob os olhos' e 'nenhum cabelo fora do lugar' simbolizam a capacidade de manter a compostura e a beleza, mesmo quando se está passando por momentos difíceis, como um coração partido ou um mundo que está desmoronando. A repetição do verso 'I could dance' ('eu poderia dançar') reforça a ideia de que, independentemente do que aconteça, ela tem a força para continuar." (Letras.mus.br). Uma música perfeita para a famosa cena da festa em que a protagonista deixa escapar a frase "vocês já pensaram em morrer?" e diz em seguida que é "morrer de vontade de dançar" pra cessar imediatamente o clima de silêncio e desconforto nos festeiros causado pela pergunta. Risos. 

VÍDEO: "Vocês já pensaram na morte?" em 13 idiomas, incluindo o português do Brasil.




"Barbie World" (de Onika "Nicki Minaj" Maraj, Isis "Ice Spice" Gaston, Ephrem Louis Lopez Jr., Johnny Pederson e Karsten Dahlgaard, 2023), a música de apresentação de elenco e produção que antecede os créditos finais gravada pelas rappers Nicki Minaj e Ice Spice (gentilmente cedidas pela Universal Music) inclui o sample da eurodance "Barbie Girl" (de Søren Rasted, Claus Norreen, René Dif e Lene Nystrøm, 1997) do grupo Aqua (gentilmente cedido pela Universal Music) (clique aqui para ver a postagem do hit dos anos 1990). 
Uma das minhas preferidas é a contagiante "Speed Drive" (de Charlotte "Charli XCX" Aitchison e Easyfun) da cantora britânica Charli XCX executada na cena em que Barbie foge dos funcionários da Mattel. "Speed Drive" contem citações das músicas "Mickey" (de Mike Chapman e Nicholas Chinn, 1981) gravada originalmente pela cantora e coreógrafa Toni Basil e "Cobrastyle" (de Klas Åhlund, Joakim Åhlund, Patrick Arve, Ewart Brown, Fabian Torsson, Troy Rami, Paul Rota, David Parker e Sylvia Robinson, 2004) da banda sueca Teddybears com a participação do jamaicano Mad Cobrarelida, que foi relida em 2007 pela cantora também sueca Robyn.

Porém os dois carros-chefes musicais são:
"I'm Just Ken" (de Andrew Wyatt e Mark Ronson) cantada por Ryan Gosling, o Ken. A música fala sobre a sensação de rejeição do personagem e sua fase da crise existencial, a mesma pela qual a Barbie passa. Mas também percebe-se que tem a ver com o Ken da versão animada pra crianças citada no início deste post. O arranjo é espetacular, é uma espécie de "Bohemian Rhapsody" (de Freddie Mercury, 1975) do Queen reduzido para menos de 4 minutos de duração. Tanto que gerou várias indicações e venceu algumas delas, como Grammy Awards de Melhor Canção em Mídia Visual e Prêmio Globo de Ouro de Melhor Canção Original. "I'm Just Ken" também concorreu ao Oscar de Melhor Canção Original, mas perdeu para a sua concorrente do mesmo filme, "What Was I Made For?". Por outro lado sua apresentação na noite do Oscar com a participação do guitarrista Slash dos Guns N' Roses levantou a plateia. 

 


 Por falar em "What Was I Made For?", a música da autoria dos irmãos Billie Eilish e Phineas O'Connell e interpretação da própria Billie Eilish (gentilmente cedida pela Universal Music) retrata as dúvidas da Barbie em sua fase mais frágil. A cantora americana multipremiada "é conhecida por suas letras profundas e emotivas e, nesta música, ela expressa sua dificuldade de compreender e expressar suas emoções. A música também aborda a pressão de manter as aparências, como mostrado no verso 'I'm sad again, don't tell my boyfriend' ('eu estou triste de novo, não conte ao meu namorado')" (letras.mus.br). Uma obra tão criativa que venceu o Oscar de Melhor Canção Original e Grammy de Canção do Ano e Melhor Canção Composta Para a Mídia Visual, entre outros prêmios. O videoclipe com elementos vintage é ótimo. Nele, Billie Eilish que também o dirige retrata uma jovem com uma roupa inspirada na Barbie que se senta em uma mesa solitária e começa a brincar com um punhado de roupas do tamanho de bonecas, que são réplicas dos trajes mais famosos usados por Eilish. Chuvas e ventos derrubam repetidamente as roupas até que a mulher finalmente junta as peças e sai da sala. 
Lá no final dos créditos finais do filme, é executada a bela versão orquestrada em compasso de valsa de "What Was I Made For?" com menos de 1 minuto de duração. 


    

"What Was I Made For" (créditos finais)




As músicas "Push" (de Rob Thomas e Matt Serletic, 1996), a preferida do Ken cantada por Ryan Gosling e "Closer To Fine" (de Emily Saliers e Amy Ray, 1989), a favorita da Barbie interpretada pela dupla Brandi Carlile e Catherine Carlile, pelo fato de serem releituras da banda Matchbox Twenty e do duo Indigo Girls respectivamente, foram incluídas como faixas bônus em "Barbie: The Album - Edição Melhor Fim de Semana de Todos" / "Barbie: The Album - Best Weekend Ever Edition"

FONTES:
*Wikipédia

*Dublapédia

*40 DETALHES QUE VOCÊ PERDEU EM BARBIE (FILME 2023) - I AM JUST KEN, ALLAN, MIDGE, RUTH HANDLER... (canal Good Nerd / YouTube)

*TODOS os DETALHES que você PERDEU em BARBIE (Easter eggs + Análise) (canal Sessão Nerd / YouTube)

*TechTudo:

*TecMundo:

domingo, 30 de julho de 2023

Relembrando a adolescência #19 - a história por trás da música "Barbie Girl" do Aqua

A vocalista norueguesa Lene Nystrøm como a Barbie

Eu lembro que eu era adolescente quando a eurodance "Barbie Girl" do grupo Aqua tocava nas rádios e eu sempre a ouvia no meu microsystem da Aiwa que eu ganhei dos meus 15 anos naquele mesmo 1997, mesmo que eu não entendesse o que a letra queria dizer. Hoje a música voltou a todo vapor graças à estreia do filme "Barbie" (Warner Bros. Pictures, 2023) que vem batendo recorde impressionante de bilheteria em tempos em que o streaming é a maior opção para assistir a filmes e séries. A canção porém é uma crítica sobre o mundo fútil e plastificado da boneca mais famosa do mundo e alguns versos dela geraram tanto incômodo na Mattel, a empresa fabricante da Barbie que virou caso jurídico!

"Barbie Girl" foi o grande sucesso do grupo dinamarquês-norueguês Aqua lançado em abril de 1997 como o terceiro single do primeiro álbum de estúdio do quarteto, "Aquarium" (Universal Music, 1997). A música foi escrita por Søren Rasted, Claus Norreen, René Dif e Lene Nystrøm, os integrantes, e foi produzida por Rasted, Norreen e a dupla Johnny Jam & Delgado. Tanto na gravação da música quanto no videoclipe, os vocalistas Lene Nystrøm e René Dif interpretam Barbie e Ken, respectivamente.

"Barbie Girl" foi inspirada num momento que Søren Rasted foi a uma exposição sobre a cultura kitsch na Dinamarca que apresentava bonecas Barbies. Ou seja, "Barbie Girl" não é uma música bobinha e muito menos infantil, e sim uma crítica ácida à futilidade, à sexualidade exagerada, ao corpo irreal do brinquedo, aos padrões de beleza e ao mundo de ilusão que a boneca endossou. Não satisfeitos, em tom de deboche, os integrantes do grupo transformam a Barbie numa espécie de marionete para relacionamentos abusivos. Porém, quem não gostou nada dessa brincadeira foi a Mattel, empresa-dona da Barbie que, em setembro de 1997, apenas meses depois de o hit estourar, entrou com um processo na Califórnia, Estados Unidos, contra a MCA Records, selo do grupo Aqua pertencente à Universal Music, pelo uso indevido do nome da boneca e sexualização do brinquedo. A MCA não deixou barato e também processou a Mattel por difamação após a fabricante da boneca compará-la a um "ladrão de banco". A gravadora também alegou em sua defesa que "Barbie Girl" era apenas uma paródia criada com o intuito de divertir e lembrou na nota de rodapé do CD "Aquarium" que Mattel não participou da criação da música: "A canção 'Barbie Girl' é um comentário social e não foi criada ou aprovada pelos responsáveis pela boneca". Daí que veio o nome Mattel, Inc. X MCA Records, Inc. para a guerra judicial. A batalha durou até 2002 e os dois lados perderam. O juiz Alex Kozinski entendeu que "Barbie Girl" se tratava mesmo de uma simples paródia  e estava protegida sob a definição de liberdade de expressão da Primeira Emenda da Constituição Americana. Kozinski também indeferiu o processo de difamação movido pela MCA e finalizou sua sentença com a seguinte frase: "as duas partes recebem a recomendação de relaxar". A Mattel ignorou a recomendação do juiz, tentou entrar com recurso na Suprema Corte dos Estados Unidos, mas teve o pedido negado. 
Foi só em 2009 que a Mattel resolveu fazer as pazes com "Barbie Girl" fazendo a propaganda da boneca com a versão modificada e mais apropriada da letra, lançando até as Barbies com os corpos mais realistas. 
Em abril de 2022, Ulrich Møller-Jørgensen, empresário de Lene Nystrøm, a Barbie da música, confirmou à Variety que "Barbie Girl" não seria utilizada no filme estrelado pela Margot Robbie e se negou a dizer o motivo. O portal acredita que o motivo seja desgaste do processo judicial. Ainda assim, Nystrøm afirma para o mesmo portal que acredita que o hit faça o público relembrar da banda: "Eu entendo totalmente por que eles não vão usá-la, mas vai nos dar bastante atenção, não importa o que aconteça". E funcionou, graças ao sucesso do filme. Afinal, a Barbie da música e 1997 não faria jus nenhum à história da protagonista no filme de Greta Gerwig. Porém, para a trilha sonora do filme, foi incluída a música  "Barbie World" (de Onika "Nicki Minaj" Maraj, Isis "Ice Spice" Gaston, Ephrem Louis Lopez Jr., Johnny Pederson e Karsten Dahlgaard, 2023) gravada pelas rappers Nicki Minaj e Ice Spice que contem o sample do refrão da eurodance "Barbie Girl".

P.S.: essa semana vi o filme da Barbie no cinema do Itajaí Shopping e gostei.


Capa do single "Barbie Girl" do Aqua.

Fontes:
*Igor Miranda

*Pipocando Música

*Wikipédia (inglês e português)





"Barbie Girl"
escrita por Søren Rasted, Claus Norreen, René Dif e Lene Nystrøm
interpretada por Aqua
℗ 1997 MCA Records / Universal Music Group
Tradução e análise dos versos: Letras. Mus.Br

(Hi, Barbie!)
(Oi, Barbie!)
(Hi, Ken!)
(Oi, Ken!)
(You wanna go for a ride?)
(Quer dar uma volta?)
(Sure, Ken!)
(Claro, Ken!)
(Jump in!)
(Entra aí!)

I'm a Barbie Girl in a Barbie World
Eu sou como uma Barbie vivendo no mundo da Barbie
Life in plastic*, it's fantastic
A vida de plástico é fantástica
You can brush my hair, undress me everywhere
Você pode escovar meus cabelos, me despir em qualquer lugar
Imagination, life is your creation
Use a imaginação, a vida é sua criação

(*Nesse verso, plastic tem um duplo sentido: o primeiro é o plástico propriamente dito, material químico utilizado para produzir as bonecas Mattel; porém, também pode ser entendido como plásticas, ou seja, os procedimentos estéticos populares entre as mulheres.)

(Come on, Barbie, let's go party!)
(Vamos, Barbie, vamos festejar!)

I'm a Barbie Girl in a Barbie World
Eu sou como uma Barbie vivendo no mundo da Barbie
Life in plastic, it's fantastic
A vida de plástico é fantástica
You can brush my hair, undress me everywhere
Você pode escovar meus cabelos, me despir em qualquer lugar
Imagination, life is your creation
Use a imaginação, a vida é sua criação

I'm a blond bimbo** girl in a fantasy world
Eu sou uma loirinha bobinha num mundo de fantasia
Dress me up, make it tight, I'm your dolly
Me vista, aperte bem, eu sou sua bonequinha
You're my doll, rock'n'roll, feel the glamouring in pink
Você é minha boneca, rock'n'roll, sinta o glamour em cor-de-rosa
Kiss me here, touch me there, hanky-panky***
Me beija aqui, me toca ali, vamos dar uns amassos

(**Bimbo é um termo pejorativo usado para descrever mulheres que se dedicam apenas a ter uma aparência lida socialmente como ideal e vivem em prol da validação masculina.)
(***Hanky-panky refere-se a comportamentos moralmente errados, principalmente envolvendo atividades sexuais ou dinheiro.)

You can touch, you can play
Você pode tocar, você pode brincar
If you say I'm always yours (uh, oh)
Se você disser que sempre serei sua**** (uh, oh)

(****A condicional "se você disser que sempre serei sua" também reflete a ironia frequentemente utilizada ao longo da música. Nesse contexto, é importante ressaltar que esse trecho não representa os verdadeiros desejos das mulheres, mas sim como o pensamento machista as enxerga.)

I'm a Barbie Girl in a Barbie World
Eu sou como uma Barbie vivendo no mundo da Barbie
Life in plastic, it's fantastic
A vida de plástico é fantástica
You can brush my hair, undress me everywhere
Você pode escovar meus cabelos, me despir em qualquer lugar
Imagination, life is your creation
Use a imaginação, a vida é sua criação

Come on Barbie, let's go party!
Vamos, Barbie, vamos festejar!
Ah, ah, ah, yeah
Ah, ah, ah, sim!
Come on Barbie, let's go party!
Vamos, Barbie, vamos festejar!
Uh, oh, uh, oh
Come on Barbie, let's go party!
Vamos, Barbie, vamos festejar!
Ah, ah, ah, yeah
Ah, ah, ah, sim!
Come on Barbie, let's go party!
Vamos, Barbie, vamos festejar!
Uh, oh, uh, oh

Make me walk, make me talk, do whatever you please
Me faça caminhar, me faça falar, faça o que bem entender
I can act like a star, I can beg on my knees
Posso agir como uma estrela, posso implorar de joelhos
Come jump in, bimbo friend, let us do it again
Entre aqui, amiga bobinha, vamos fazer isso de novo
Hit the town, fool around, let's go party
Vamos para a cidade, curtir, vamos festejar

You can touch, you can play
Você pode tocar, você pode brincar
If you say I'm always yours 
Se você disser que sempre serei sua
You can touch, you can play
Você pode tocar, você pode brincar
If you say I'm always yours 
Se você disser que sempre serei sua 

Come on Barbie, let's go party!
Vamos, Barbie, vamos festejar!
Ah, ah, ah, yeah
Ah, ah, ah, sim!
Come on Barbie, let's go party!
Vamos, Barbie, vamos festejar!
Uh, oh, uh, oh
Come on Barbie, let's go party!
Vamos, Barbie, vamos festejar!
Ah, ah, ah, yeah
Ah, ah, ah, sim!
Come on Barbie, let's go party!
Vamos, Barbie, vamos festejar!
Uh, oh, uh, oh

I'm a Barbie Girl in a Barbie World
Eu sou como uma Barbie vivendo no mundo da Barbie
Life in plastic, it's fantastic
A vida de plástico é fantástica
You can brush my hair, undress me everywhere
Você pode escovar meus cabelos, me despir em qualquer lugar
Imagination, life is your creation
Use a imaginação, a vida é sua criação

I'm a Barbie Girl in a Barbie World
Eu sou como uma Barbie vivendo no mundo da Barbie
Life in plastic, it's fantastic
A vida de plástico é fantástica
You can brush my hair, undress me everywhere
Você pode escovar meus cabelos, me despir em qualquer lugar
Imagination, life is your creation
Use a imaginação, a vida é sua criação

Come on Barbie, let's go party!
Vamos, Barbie, vamos festejar!
Ah, ah, ah, yeah
Ah, ah, ah, sim!
Come on Barbie, let's go party!
Vamos, Barbie, vamos festejar!
Uh, oh, uh, oh
Come on Barbie, let's go party!
Vamos, Barbie, vamos festejar!
Ah, ah, ah, yeah
Ah, ah, ah, sim!
Come on Barbie, let's go party!
Vamos, Barbie, vamos festejar!
Uh, oh, uh, oh

(Oh, I'm having so much fun!)
(Ah, eu estou me divertindo tanto!)
(Well, Barbie)
(É, Barbie)
(We're just gettin' started)
(Estamos só começando)
(Oh, I love you, Ken!)
(Ah, eu te amo, Ken!)

Festa de Lançamento do "Clube do Samba" (Fantástico, 1979)

"Meninos da Mangueira" - Ataulpho Jr. e Diogo Nogueira no programa "Samba da Gamboa" na TV Brasil