Meu nome é Jeane Martins, a Jê (com jota!).Sou de Itajaí,Santa Catarina e autista (e apaixonada pela Portela, a rainha do carnaval do Rio de Janeiro) :D -
@jeaneportelense
Galã dos anos 1980, Denis Derkian trabalhou em várias novelas, filmes e peças de teatro.
Denis Derkian no papel de Jesus Cristo na minissérie "A Última Semana"
Quem assistiu às minisséries "A Última Semana" e "Ele Vive" na Rede Século 21 se emocionou com o protagonista Jesus Cristo vivido pelo talentoso ator Denis Derkian. Mas aí a gente se pergunta: por onde anda o intérprete do Messias nas produções da Associação do Senhor Jesus?
Denis Derquiaskian nasceu no dia 7 de fevereiro de 1957 em Curitiba, capital do Paraná. Começou a trabalhar no cinema no filme "Noite Em Chamas" (UCB, União Cinematográfica Brasileira, 1978) dirigido pelo cineasta português Jean Garret (1946-1996).
O ator no auge da sua carreira
Na televisão, estreou na novela "João Baiano, o Bom Brasileiro" na TV Tupi em 1978. Ainda na Tupi, esteve nas novelas "Aritana", também em 1978, e "Dinheiro Vivo"(1979-1980). Seu primeiro trabalho na Rede Globo foi na novela "As Três Marias" (1980). Nos anos 1980, participou do humorístico "Viva o Gordo" (Rede Globo) e de muitas novelas, como "Ciranda de Pedra" (Rede Globo, 1981), "Destino" (SBT, 1982), "Voltei pra Você" (Rede Globo, 1983-1984), "Roda de Fogo" (Rede Globo, 1986-1987), a primeira versão de "Sinhá Moça" (Rede Globo, 1986), "Fera Radical" (Rede Globo, 1988) e "O Salvador da Pátria" (Rede Globo, 1989). Na época das pornochanchadas, esteve em filmes como "A Noite dos Imorais" (UCB, União Cinematográfica Brasileira, 1978), "Histórias Que Nossas Babás Não Contavam" (Cinedistri, 1979), uma paródia humorística adulta do conto da "Branca de Neve" ("Schneewittchen", 1812) na qual Derkian fez papel do Príncipe e "Ariella" (Condor Filmes, 1980). Participou também do filme "Fuscão Preto" (1983) estrelado também pelo cantor Almir Rogério e Xuxa Meneghel, antes de ser famosa como apresentadora infantil.
Na década seguinte participou das três produções da instituição católica Associação do Senhor Jesus exibidas em 1996 pela CNT: as minisséries "Irmã Catarina" protagonizada pela Myrian Rios e as premiadas "A Última Semana" e a sua sequência "Ele Vive" nas quais ele fazia o papel de Jesus Cristo. Esteve nas novelas "Sangue do Meu Sangue" (SBT, 1995-1996), "Estrela de Fogo" (Rede Record, 1998-1999), "Tiro e Queda" (Rede Record, 1999-2000), "Amor e Ódio" (SBT, 2001-2002), "Direito de Nascer" (SBT, 2001), "Pequena Travessa" (SBT, 2002-2003), "Duas Caras" (Rede Globo, 2007-2008), "Malhação" (Rede Globo, 2010-2011) e "Insensato Coração" (Rede Globo, 2011). Sua última participação na TV foi em "Supletivo do Céu" na TV Aparecida, uma série humorística católica no estilo "Escolinha do Professor Raimundo". Nesta produção ele fez o papel do Coronel Leoclides Tupinambá.
Denis Derkian e o amigo Padre Eduardo Dougherty, criador da Associação do Senhor Jesus, em julho de 2021
No teatro, esteve em "As Mãos de Eurídice", "O Vison Voador", "Trair e Coçar é só Começar", "Proposta Indecente", "O Advogado de Deus", entre outras.
Por onde anda Denis Derkian
Denis Derkian mora em Mairiporã, na Grande São Paulo. Em 2020, sofreu sérios problemas de saúde após retirar um melanoma cutâneo da panturrilha, onde passou 15 dias internado no hospital, nove dias na UTI e outros seis dias internado por conta de uma bactéria que contraiu e acabou afetando os pulmões. Sem dinheiro para pagar o hospital acumulando uma dívida de mais de cem mil reais, amigos e vizinhos fizeram uma vaquinha solidária. Com a pandemia, o restaurante que era sua fonte de renda se viu fechado e para sobreviver, entregou marmitas.
Porém, como diz o ditado, depois da tempestade é que vem a bonança. Denis Derkian está no filme "O Braço Direito" disponível nas plataformas de streaming e, com a trégua da pandemia, seu restaurante foi reaberto. E a gente aqui feliz por isso e desejando tudo de bom pra ele.
Veja também: a postagem sobre as minisséries "A Última Semana" e "Ele Vive" da Associação do Senhor Jesus
A famosa cena do desmascaramento do filme "Cantando na Chuva" ("Singin' In The Rain", Metro-Goldwyn-Mayer, 1952). Na foto, a atriz Jean Hagen (1923-1977) como Lina Lamont dublando a voz de Kathy Selden, personagem de Debbie Reynolds (1932-2016)
Hoje eu vou falar de um dos gêneros musicais que eu particularmente amo de paixão desde os 11 anos de idade, a eurodance/italodance, produzida entre os anos de 1993 e 1999, o período da minha adolescência. Só de ouvir essas músicas já me lembro do primeiro aparelho de som com CD na nossa casa, do meu primeiro passeio a Florianópolis com meus pais e salivo salgadinhos da Elma Chips, especialmente Fandangos, leite com achocolatado em pó, aquele chocolate bicolor da Turma da Mônica... (Acho que eu vou chorar. Risos) Você que viveu essa época já reparou que em quase todos os projetos do gênero são representadas por "cantoras" sempre bonitas e esbeltas? Parece estranho isso, né? Pois é. Já que naquela época não havia redes sociais na internet ou nenhum Padre Quevedo (1930-2019) ou Mister M do universo musical para desvendar esse mistério, o que restava para nós fieis fãs e ouvintes era acreditar no que vimos em videoclipes e apresentações em TV. Porém houve alguns casos em que a verdade foi involuntariamente revelada em pouco tempo de sucesso, como o do duo alemão Milli Vanilli ("do mesmo produtor de Boney M!" Entendedores entenderão. Risos), o projeto belga Technotronic, o americano C+C Music Factory e o italiano Black Box. São as tais farsas da dance music mundial, ou seja, a ideia de usar gatões e gatinhas _alguns deles que nunca cantaram na vida_ para dublarem vozes potentes de cantores de estúdio e olha que nessa época os exemplos não foram poucos. Lá no final da postagem explicarei por quê. Vale lembrar que esta postagem não tem intenção de julgar ou algo parecido, e sim de informar coisas que nem eu sabia. E também fazer relembrar momentos bons que não voltam nunca mais, né, por que não?
Randy Bush
A modelo e cantora Patrizia Cavaliere
Emanuela Berti, a cantora italiana de Florença, conhecida artisticamente como Emy Berti. Você pode nunca ter ouvido falar nesse nome nem nos anos 1990 (e estar se perguntando "e dai?"), mas já ouviu a sua voz nessa década. Ela é a verdadeira RANDY BUSH, projeto no qual foi representado nos palcos e nas capas dos singles pela modelo e cantora italiana Patrizia Cavaliere que não cantava nenhuma música do projeto criado por Nilo Nicolosi (que também foi produtor de Gloria Gaynor, Novecento e Tom Hooker). Conhecido pelas músicas com batidas de techno reggaesampleadas do grupo sueco Ace Of Base, "Randy Bush" fez bastante sucesso especificamente no Brasil em 1995 com as regravações das músicas "Foreign Affair" (de Maggie Reilly e Mike Oldfield, 1983) do músico Mike Oldfield com a participação da cantora Maggie Reilly, "Sounds Like a Melody" (de Marian Gold, Bernhard Lloyd e Frank Mertens, 1984) do grupo Alphaville, "I Love To Love" (de Jack Robinson e James Bolden, 1976) da Tina Charles e a inédita "Elevation" (de Wilko, 1995). Na vinda ao Brasil, Randy Bush, ou melhor, Patrizia Cavaliere se apresentou nos programas Xuxa Hits (Rede Globo) e Raul Gil (TV Record) em algumas vezes ao lado do namorado Daniel Emilio. Patrizia já foi rosto de outros projetos italianos de dance music anglófono, como Trisha (antes de Randy Bush, no início dos anos 1990) e, a partir de 1997, Leslie Parrish cuja verdadeira voz de ambos os projetos é de Clara Moroni_que também foi voz da música "You Belong To Me" (de Alessandro Gilardi, Riccardo Romanini e Walter Cremonini, 1995) do projeto Antares_, porém sua primeira relação com a música foi no grupo Las Mama Chicho, um grupo formado por lindas mulheres com roupas minúsculas. Durante a era Leslie Parrish, Patrizia Cavaliere não pôde vir ao Brasil, afinal ela era o rosto conhecido no país por ser a Randy Bush, ainda mais que os timbres vocais não são nem de perto parecidos e foi aí que a divulgação do projeto se resumiu em apresentações apenas no Japão. Mas Emy Berti não foi a única voz de Randy Bush. Sandy Chambers (sim, a cantora britânica de outros projetos italodance! Mais pra frente falarei um pouco dela) também trabalhou na empreitada de Nilo Nicolosi na regravação de "Giddyap a Gogo" (de Ad Visser, 1982) da dupla indonésia-holandesa Ad Visser & Daniël Sahuleka. Em 2018, Patrizia Cavallieri voltou ao Brasil se apresentando em um programa na TV Difusora (filiada do SBT no Maranhão) com nome de Randy Bush, é claro. Nos shows atuais, ela faz dublagem parcial com a sua própria voz (sim, ela canta também!). "Parcial", porque em algumas músicas ela dubla e em outras ela solta a voz de verdade.
O Fourteen 14 foi um projeto italiano da eurodance liderado pela ex-DJ e "vocalista" Sabrina Perugini (foto acima). O projeto recebeu o nome de seu número da sorte, 14 e foi produzido por Claudio Malatesti, Gianluca Vivaldi e Riccardo Salani. Sabrina Perugini iniciou sua carreira na indústria da música como DJ profissional em casas noturnas da Itália. Em seguida, Sabrina conheceu Claudio Mingardi que trabalhou com Roberto Zanetti, conhecido artisticamente como Robyx. Em sua vinda ao Brasil, Sabrina Perugini, representando o projeto Fourteen 14, se apresentou nos programas Xuxa Hits da Rede Globo e Raul Gil ("vem aí, Forte Forte!" Risos) na TV Record. É que a gravadora Spotlight Records trouxe ao Brasil, em agosto de 1995, os artistas Lorenz D, Black 4 White, Martine e Fourteen 14, todos de uma vez para uma turnê de 20 shows pelas cidades do país, inclusive Blumenau (SC). Porém, a verdadeira dona da voz de Fourteen 14 era a cantora Alexia, nome artístico de Alessia Aquilani (fácil de reconhecer, não é?), nos singles mais sucedidos "Don't Leave Me" (de Claudio Malatesti, Gianluca Vivaldi e Riccardo Salani, 1994), "Goodbye" (de Gwen Aantti e Roberto Zanetti, 1995) e, para o projeto Due, também representado pela Sabrina na mesma turnê de 1995, a regravação de "Under The Same Sun" (de Klaus Meine, Mark Hudson e Scott Fairbairn, 1993) da banda alemã Scorpions. Alexia na época era parceira do Ice Mc e ambos vieram ao Brasil para se apresentarem no Domingão do Faustão no mesmo agosto de 1995. Curiosamente, o Brasil foi o país fora da Itália onde Fourteen 14 (dentre alguns outros projetos italodance) fez mais sucesso.
Fun Factory é um grupo de eurodance da Alemanha formada em 1993, originalmente composto pela cantora turca Balja (nome real - Balca Tözün), pelo rapper alemão Steve (nome real - Stephan Browarezyk), pelo rapper americano Rod D. (nome real - Rodney Hardison) e Smooth T (nome real - Toni Cottura, que inaugurou o selo Booya Family no qual ele foi produtor de algumas músicas dos grupos 'N Sync e Backstreet Boys). Dessa fábrica de diversão saíram grandes sucessos como "Take Your Chance" (de Bülent Aris, Rainer Kesselbauer, Toni Cottura e Rodney Hardison, 1994), "Celebration" (de Bülent Aris e Toni Cottura, 1995), "Close To You" (de Bülent Aris, Rainer Kesselbauer e Toni Cottura, 1994), "I Wanna B With U" (de Toni Cottura, Rodney Hardison e Zoltan Bender, 1995), "Don't Go Away" (de Bülent Aris, Toni Cottura e Rodney Hardison, 1995) e uma adaptação de "Do Wah Diddy Diddy" (de Jeff Barry e Ellie Greenwich, 1963) do grupo The Exciters, mas que ficou mundialmente famosa na regravação de 1964 da banda inglesa Manfred Mann. Porém, antes do lançamento do terceiro single do Fun Factory, "Close To You", a cantora Balca Tözün (ou Balja) foi substituída pela Marie-Annet Mey, uma animadora e modelo de Paris, França, devido ao fato de a turca ser menor de idade e não poder acompanhar o grupo nas turnês, já que ela ainda estudava no colégio. Como ainda estava sob contrato, Balja tinha que continuar cantando para o Fun Factory e a sua voz nos palcos e nos videoclipes foi dublada pela Marie-Annet que também aparecia na capa dos álbuns e dos singles do grupo. Sem falar que, nos créditos dos álbuns de Fun Factory, a artista francesa fez questão de agradecer à Balja por ter emprestado sua voz a ela. Balja também foi dona da voz das músicas "In My Dreams" (de Bülent Aris e Toni Cottura, 1994) produzida pelo Cottura no projeto Darkness (detalhe: Marie-Annet aparece no videoclipe da música dublando a Balja) e "Don't Stop The Music" (de Ariel Piaggi e Toni Cottura, 1994) do projeto 2 Raff.
Balca Tözün, ou simplesmente Balja, a voz feminina do Fun Factory
Quem foi jovem nos anos 1990 que nunca dançou ao som das músicas "Up 'N Away" (de Kai Matthiesen e George Jones, 1994), "I Give You My Heart" (de Kai Matthiesen, Delroy Rennals e Robin Masters), "Coco Jamboo" (de Kai Matthiesen, Delroy Rennalls e Rainer Gaffrey, 1996) e da regravação de "Gonna Get Along Without Ya Now" (de Milton Kellem, 1952)? O grupo alemão Mr. President que passou por várias formações foi integrado no auge do sucesso pelo rapper britânico Delroy Rennalls, conhecido como Layzee Dee, e pelas alemãs Judith Hinkelmann, a loira atendida como T-Seven e a ruiva Daniela Haak, a Lady Danii. Inclusive eu fiz uma postagem sobre a música "Coco Jamboo" (clique aqui). Contudo, Layzee Dee, o bendito fruto entre as mulheres, foi o único do trio que usou sua própria voz. A cantora Anne Smith (hoje Anne Schröder) emprestava sua voz à ruiva Lady Danii, inclusive no projeto solo desta. Já a loirinha T-Seven, que já havia posado nua para a revista Playboy com a colega Lady Danii, dublava a voz da cantora alemã Caren Miller. Assim como a Annerley Gordon, de quem eu falarei a seguir, Caren Miller é uma multitalentosa no backstage da dance music: além de cantora de estúdio, ela é compositora e produtora musical. As próprias Lady Danii e T-Seven até que cantam (inclusive a segunda faz shows acústicos), mas suas vozes não lembram nada o Mr. President. Embora Caren Miller preferisse o anonimato, ela é a voz principal e conhecidíssima do projeto. O motivo dessa escolha, na minha opinião, é compreensível: em uma entrevista, Caren revelou que se sentiria bastante desconfortável ao seguir a típica rotina ultra insana de cantores famosos, viajando de um lado pro outro do mundo. Ou seja, enquanto os integrantes faziam shows aqui e acolá, Caren Miller ficava no estúdio lucrando com os direitos da música, gravando, compondo e produzindo. Mr. President, inclusive, já esteve no Brasil em 1996, no auge do sucesso, se apresentando em programas de TV, como o Domingo Legal do SBT. Sem falar que já naquela época uma revista havia exposto a farsa do grupo, porém os produtores foram a uma rádio lá da Alemanha e tentaram tapar o sol com a peneira dizendo que as vozes eram mudadas com programas de computador, filtros, pedais vocais, etc. Ah, tá. Risos.
A cantora multitalentosa Caren Miller, a voz da T-Seven
A cantora e compositora Anne Schröder que emprestou sua voz à Lady Danii
Vídeo abaixo: Caren Miller, a voz do Mr. President
"Dee dee na na na..." É Whigfield, minha gente! Projeto italodance liderado pela dinamarquesa Sannie Carlson e criado por Alfredo "Larry" Pignagnoli é superlembrado pelo seu primeiro single "Saturday Night" (de Larry Pignagnoli e Davide Riva) que foi lançado em 1992, mas foi só dois anos depois que virou o tema de verão europeu e fez sucesso no Brasil. Em seguida, veio um hit atrás do outro, como "Another Day" (de Larry Pignagnoli, Davide Riva, Annerley Gordon e Ray Dorset, 1994), "Think Of You" (de Larry Pignagnoli, Davide Riva e Annerley Gordon, 1995), "Sexy Eyes", o techno reggae "Big Time" (ambos de Davide Riva, Larry Pignagnoli, Annerley Gordon e Paul Sears, 1995) e a balada "Close To You" (de Annerley Gordon, Larry Pignagnoli e Davide Riva), uma das mais belas músicas românticas lançadas em 1995. Sannie Carlson, porém, era apenas a frontgirl do projeto, já que a verdadeira dona da voz marcante e de timbre cristalino de Whigfield é a britânica Annerley Gordon, também conhecida como Ann Lee. Multitalentosa, Annerley Gordon é cantora, compositora e produtora musical no universo italodance, inclusive ela foi um dos coautores do hit "The Rhythm of The Night" (1993) do projeto Corona. Emprestou sua linda voz a vários projetos, como TH Express na música "I'm On Your Side" (de Annerley Gordon, Fabio Serra, Mauro Farina e Stefano Colombo, 1994) e Ally & Jo na regravação dance de "The Lion Sleeps Tonight" (de Solomon Linda, Hugo Peretti, Luigi Creatore, George David Weiss e Albert Stanton, 1961). Em sua carreira solo, em 1999, Ann Lee lançou a música "2 Times" (de Larry Pignagnoli, Daniela Galli, Paul Sears e Annerley Gordon) que fez muito sucesso até no Brasil. E quanto à Sannie Carlson, ela só passou a cantar de verdade a partir da década de 2010.
Annerley Gordon, ou simplesmente, Ann Lee.
Vídeo abaixo: Videoclipe de "Two Times" da Ann Lee (Annerley Gordon), a verdadeira Whigfield.
A linda e simpática cantora Olga Souza no programa "The Noite com Danilo Gentili" do SBT
Um produtor italiano Francesco Bontempi viu em um bar da Itália uma brasileira chamada Olga Maria de Souza cantando "Garota de Ipanema" (de Vinícius de Moraes e Tom Jobim, 1962) e descobriu o potencial dessa sempre carismática cantora carioca. Daí a chamou para representar o seu projeto italodance Corona cuja música "The Rhythm Of The Night" (de Peter Wilfred Glenister, Michael Patrick Gaffey, Giorgio Spagna, Annerley Gordon e Francesco Bontempi, 1993) foi sucesso pelos quatro cantos do mundo. Mas percebia-se que depois de "The Rhythm of The Night" as coisas ficavam bem estranhas, ou seja, a voz nas músicas posteriores de Corona estava bem diferente da do primeiro hit. É que a Olga, embora seja cantora de verdade, nunca havia gravado uma música sequer no projeto italiano. A verdadeira cantora de "The Rhythm Of The Night" é a Jenny B, nome artístico da italiana Giovanna Bersola, uma das vozes mais marcantes da dance music made in Italy. Em seguida veio a britânica Sandy Chambers emprestar sua voz ao projeto nas músicas "I Don't Wanna Be a Star" (de Francesco Bontempi, Antonia Bottari e Ivana Spagna, 1995) e nas regravações de "Baby Baby" (de Francesco Bontempi e Antonia Bottari, 1991), " I Gotta Be Dancin' " (de Malcolm Anthony, 1977) e "Try Me Out" (de Frencesco Bontempi, Giorgio Spagna e Annerley Gordon, 1991). De alguns anos pra cá, Olga de Souza passou a usar sua própria voz em shows ao vivo.
Além de Corona, Jenny B. participou como cantora em outros projetos da dance music, como Playahitty no qual gravou "The Summer Is Magic" (de Emanuele Asti e Stefano Carrara, 1994) e "1,2,3! (Train With Me)" (de Emanuele Asti, Stefano Carrara e Francesco Pini, 1995), Nevada com "Take Me To Heaven" (de Giordano Trivellato, Giuliano Sacchetto e Roberto Signorelli, 1994) e Red Velvet com "Lady Don't Cry" (de Giorgio Spagna, 1994). Já a Sandy Chambers participou de inúmeros projetos como Jinny (representado no videoclipe e na capa do single pela modelo Carryl Varley) em "Wanna Be With You" (de Alessandro Gilardi, Claudio Varola, Riccardo Romanini e Walter Cremonini, 1995), Netzwerk com a regravação de "Send Me An Angel" (David Sterry e Richard Zatorski, 1983), Baby Roots com "Gimme Some" (de Harry Wayne Casey e Richard Finch, 1975) gravada originalmente por Jimmy "Bo" Horne, Sasha em "I Want My Freedom" (de Morris Capaldi e Sandy Chambers, 1995) e Sandy (projeto que leva o nome da própria cantora que por fim o representa) com "Bad Boy" (de Roberto "Robyx" Zanetti e Sandy Chambers, 1995). Jenny B e Sandy Chambers também participaram do projeto JK (representado pela modelo polonesa Marta Simlat). Nele a primeira gravou os sucessos "You Make Me Feel Good" (1992) e "You And I" (1994) (ambas da autoria de Larry Pignagnoli e Davide Riva) e a segunda o sucesso "My Radio" (de Annerley Gordon, Davide Riva e Paul Sears, 1995). Eu já fiz uma postagem aqui sobre o projeto JK cuja farsa foi desmascarada pelo pequeno deslize da Marta Simlat em um show. (clique aqui).
E é ai que a gente se pergunta: Por que os produtores não deixavam as garotas que assumiam a frente dos seus projetos cantarem? Afinal, Olga Souza, T-Seven e Sannie Carlson cantam tão bem, não é?
Que tiro foi esse que tá um arraso?
Capa do single "The Rhythm Of The Night" (DWA, Dance World Attack, 1993) do projeto Corona.
A resposta que é uma informação pra lá de interessante eu peguei do Daniel Tévez, do canal Coisa de Velho (YouTube) no vídeo sobre Whigfield (clique aqui). O processo é simples e genial: os produtores selecionavam algumas cantoras, gravavam muitas músicas com elas e as lançavam em curto período de tempo. Quando uma dessas músicas fazia sucesso estrondoso, corriam pra colocar uma pessoa de fisionomia mais atraente para o público jovem no palco, um rosto para representar o projeto. Enquanto no sistema comum se lançava uma música de um cantor e se esperava pra ver se daria certo, na eurodance/italodance lançavam dez, quinze músicas com uma mesma cantora e uma dessas músicas sempre fazia sucesso. É como se estivesse atirando pra todos os lados e um desses tiros acertasse o alvo. Tanto que a maioria desses projetos tem o primeiro single lançado com capas com imagens aleatórias, sem nenhum rosto de modelo, ator/atriz ou cantor/cantora, como este do "The Rhythm Of The Night" do Corona na foto acima.
Elifas Andreato: suas artes eram música para os olhos
Morreu no dia 29 de março (terça-feira) o artista plástico Elifas Andreato, aos 76 anos, vítima de complicações após o infarto. A informação foi confirmada pelo seu irmão, o ator Elias Andreato, através de sua página nas redes sociais.
Elifas Andreato é paranaense de Rolândia. Nasceu no dia 22 de janeiro de 1946 e, no início da década de 1960, se mudou para São Paulo onde começou a trabalhar com ilustrações que fizeram história no país. Da geração do vinil, Elias foi o maior capista, chegando a produzir capas de 362 discos. Ilustrou para álbuns de Martinho da Vila, Clara Nunes (1942-1983), Elis Regina (1945-1982), Chico Buarque, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Adoniran Barbosa (1912-1982), Jessé (1952-1993) João Bosco e do rapper Criolo. Nos anos 70 também ilustrou obras de literatura brasileira, como "A Legião Estrangeira" (1964), de Clarice Lispector (1920-1977) e "O Pirotécnico Zacarias" (1974) de Murilo Rubião (1916-1991).
A seguir, algumas de suas milhares obras.
Tim Maia (1942-1998)
Capa do álbum "Tá Delícia, Tá Gostoso" (Sony Music, 1995) do Martinho da Vila
Capa do álbum "Hoje é Dia de Festa" (PolyGram / hoje Universal Music, 1997) do Zeca Pagodinho. Na capa, contracapa e encarte, Elifas Andreato inseriu várias ilustrações de J. Carlos (1884-1950) (clique aqui para ver a postagem sobre o álbum)
Capa do disco "Nação" (EMI-Odeon, hoje Universal Music, 1982), o último álbum de Clara Nunes (1942-1983)
Clementina de Jesus (1901-1987)
Chico Buarque
Noel Rosa (1910-1937)
Capa do disco "Nervos de Aço" (Odeon, hoje Universal Music, 1973) de Paulinho da Viola
A composição "Trem Bala" de Ana Vilela, sucesso em 2017, trata sobre a fugacidade da vida e o quanto é importante ao ser humano saber fazer boas escolhas, guiando-se pela simplicidade. "A vida é trem bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir". Faz lembrar a advertência de Jesus na parábola do rico insensato (Lc 12,16-21), um homem que já possuía mais do que o suficiente para viver e mesmo assim continuava preocupado em acumular. Sobre ele, disse Jesus: “Louco! Ainda nesta noite pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?" (Lc 12,20). Tanto a música quanto a parábola nos ensinam que, nas escolhas da vida, o "ter" jamais deve prevalecer sobre o "ser" e o "amar".
Os protagonistas Elizabeth Savalla, David Cardoso e Lídia Brondi: triângulo amoroso (foto da capa do LP da trilha sonora nacional).
"Em virtude de não ter sido liberada pela Censura Federal, não apresentaremos hoje o primeiro capítulo da novela 'O Homem Proibido'".
Foi com esse rápido comunicado anunciado pelo locutor que o primeiro capítulo da novela das 18 horas "O Homem Proibido" da Rede Globo foi impedido de ser exibido no dia 1º de março de 1982, há exatos 40 anos, colocando em seu lugar a reapresentação do especial de Roberto Carlos de dezembro do ano anterior.
A trama, enfim, foi liberada a partir do dia 2 de março, dez dias antes da dona deste blog vir ao mundo, quando a Globo aceitou a condição imposta pela Censura Federal de realizar cortes em 10 capítulos "em nome da moral e dos bons costumes". A Censura apontava, por exemplo, que os diálogos entre as primas Joyce (Lídia Brondi) e Sônia (Elizabeth Savalla) indicavam que elas eram homossexuais.
Porém, acima de tudo, o que mais chamou a atenção da Censura foi a trinca Nelson Rodrigues (1912-1980), já que a novela escrita por Teixeira Filho (1922-1984) foi inspirada no romance do mesmo nome _que Nelson assinou sob o pseudônimo de Suzana Flag_ publicado em 1951 no jornal "Última Hora" do Rio de Janeiro. Os membros do governo na época consideraram o romance forte demais para o horário das seis da tarde. Outro detalhe é a participação do ator e cineasta David Cardoso _que fazia o protagonista Paulo Villani_ e da atriz Alba Valéria _que interpretava Maria Luíza, uma jovem compositora que sonha em ser cantora_, já que ambos faziam parte do chamado "circuito maldito da pornochanchada".
A repercussão da ação da censura acabou funcionando como publicidade e atraiu os telespectadores que ainda não haviam se interessado pela novela. No fim, a tamanha patrulha dos censores foi em vão, pois o conteúdo de "O Homem Proibido" _nada a ver com a novela homônima escrita por Glória Magadan (1920-2001) para a Globo, em 1968, também conhecida como "Demian, o Justiceiro"_ não trouxe nada além do permitido para o horário. Apenas uma história de amor contada no clima melodramático de Teixeira Filho, o adaptador, com quase nada do universo de Nelson Rodrigues. Menos ainda uma nudez do bonitão David Cardoso ou Alba Valéria.
O tema de abertura "Queixa" (1982) de Caetano Veloso teve que ser substituída por uma versão instrumental logo após a estreia da trama. O verdadeiro motivo só foi revelado em 2018 no programa "Lady Night" do canal pago Multishow. O próprio Caetano justificou à apresentadora Tatá Werneck que pediu insistentemente para que a Globo tirasse sua música da abertura da novela, por ela representar um momento delicado de sua vida, marcado por uma desilusão amorosa.
Última novela de Teixeira Filho, que faleceu em 24 de abril de 1984, vítima de insuficiência pulmonar.
Primeira abertura
Segunda abertura
Sinopse
A história, ambientada no Rio de Janeiro contava as aventuras amorosas de quatro jovens. Ao protagonista Paulo (David Cardoso), se juntavam Sônia (Elizabeth Savalla), Joyce (Lídia Brondi) e Carlos (Edson Celulari). Sônia e Joyce que eram primas e grandes amigas brigavam pelo amor de Paulo, enquanto Carlos era apaixonado por Joyce, esta que foi morar com os tios Darío (Leonardo Villar, 1923-2020) e Flávia (Lílian Lemmertz, 1937-1986) depois da morte da mãe e do desaparecimento de seu pai. A situação traz de volta o passado perturbador de Flávia, envolvendo sua irmã Senhorinha (Mira Palheta, 1951-2002), mãe de Joyce, e Darío. Os dois haviam tido uma relação amorosa quando jovens, formando um triângulo amoroso com Flávia.
Edson Celulari (Carlos), Lídia Brondi (Joyce), David Cardoso (Paulo) e Elizabeth Savalla (Sônia).
Vamos falar de música?
O Homem Proibido foi a primeira novela das 18 horas a ter uma trilha sonora internacional. Antes, só as novelas das 19, 20 e 22 horas ganhavam essas trilhas. Também a primeira a ter sua trilha sonora pela Opus Columbia, selo da gravadora CBS (atual Sony), em vez de pela Som Livre. Isso aconteceu até 1985, somente entre as trilhas das novelas do horário das seis.
Na trilha sonora nacional, além do tema de abertura censurada pelo próprio Caetano Veloso como dito anteriormente, também estão incluídas "A Paixão e a Jura" (de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1981) na voz de Roberto Ribeiro (1940-1996), "Pedras e Vidros" (1981), mais uma obra do compositor Guilherme Lamounier (1950-2018) gravada por Fábio Jr., "Ah, Como Eu Amei!" (1981) escrita e cantada por Benito di Paula, o clássico do samba "Folhas Secas" (de Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho, 1973) na voz da ícone da MPB Elis Regina (1945-1982) que na época havia acabado de nos deixar, "Era Um Dia" (1981) da autoria de Oswaldo Montenegro na voz potente de Jessé (1952-1993) e "Ousadia (de Irinea Maria e Zezé Motta, 1982) gravada por Cauby Peixoto (1931-2016).
Na trilha internacional que inclusive eu comprei o LP num já extinto sebo daqui de Itajaí (SC) há quase 20 anos, o disco abre com o soft rock "Waiting For a Girl Like You" (de Lou Gramm e Mick Jones, 1981) da banda anglo-americana Foreigner. Outra canção do mesmo gênero é "One To One" (de Carole King e Cynthia Weil, 1982) da cantora Carole King. Ambas as músicas tiveram mais repercussão nas rádios. A country "You Ought to Write Yourself a Love Song" (de Anders Glenmark e Thomas Hannahs Minor, 1978) também marca presença na voz da cantora sueca Ann Louise Hanson.
A dupla de roqueiros americanos Jerry Buckner e Gary Garcia (1948-2011), atendidos como Buckner & Garcia gravaram um disco inteiro falando de videogames, e o maior sucesso do projeto é a faixa que leva o nome do álbum lançado em 1981 pela CBS/Sony Music, "Pac-Man Fever" (de Jerry Buckner e Gary Garcia). Há também músicas eletrônicas dançantes, como "Rock Your World" (de Jorge Barreiro, Richie Weeks e Roy Bermingham, 1981) da banda Weeks & Co., "Hit n' Run Lover" (de Sandy Wilbur, 1981) da cantora nigeriana Carol Jiani e "You're The One For Me" (James "D. Train" Williams e Hubert Eaves III, 1981) do duo americano D. Train cujo trecho foi executado no filme "Glitter" (Columbia Pictures, 2001) estrelado por Mariah Carey.
O brasileiro Chrystian, antes de fazer dupla sertaneja com seu irmão Ralf e ainda fazendo parte do elenco de cantores "pseudo-gringos", interpreta a balada "Things" (de Tati e G. Gibson, 1981).
Sem falar em um erro absurdo do disco ao informar a canção instrumental do músico sueco Björn J:son Lindh (1944-2013)_ grafada pela produção do LP como Jayson Lindh. A música "Brusa Högre Lilla Å" (em português, "cante alto, pequeno rio") que foi bastante utilizada nas cenas de Joyce que, após um severo tratamento psiquiátrico, pede perdão a Sônia, foi creditada na trilha sonora com outro título, "J:sonsh Hundar", que na verdade é o lado B desse mesmo single (ou compacto simples, como era chamado na época) baseado no álbum de Björn, "Våta Vingar" (Sonet Records/Universal Music), lançado em 1980. Esta mesma música serviu como tema de abertura para a novela Conflito, do SBT em mesmo 1982, porém creditada no disco com o título traduzido para o inglês: "Sing Louder Little River".
(do livro "Teletema, a História da Música Popular através da Teledramaturgia Brasileira", de Guilherme Bryan e Vincent Villari, Dash Editora, 2014).
O megasucesso escondido nessa trilha sonora é a mais famosa regravação de "I Love Rock'n'roll" (de Alan Merrill e Jake Hooker, 1975) de Joan Jett, uma das figuras femininas mais históricas do rock, para o álbum homônimo de 1981, o segundo solo da ex-integrante do grupo The Runaways e o primeiro com a sua nova banda The Blackhearts.
Capa do CD "Banda Eva Ao Vivo" (PolyGram / hoje Universal Music, 1997)
O carnaval está vindo aí, mesmo que de modo atípico por motivos pandêmicos, e uma das músicas que não poderia faltar no repertório da festa é a canção "Eva" que muitos conhecem na gravação da Banda Eva em 1997 _quando a vocalista ainda era a Ivete Sangalo_ para o primeiro CD do grupo baiano ao vivo lançado pela PolyGram (atual Universal Music). Mas você sabe qual é a origem da música?
Vídeo do show da Banda Eva (com Ivete Sangalo) no Axé Band (evento promovido pela rádio Band FM) ao vivo gravado em Olympia, São Paulo, em setembro de 1997.
Primeiramente, é válido ressaltar que a música "Eva" não é originalmente da Banda Eva. Na realidade, ela é uma regravação da versão da banda Rádio Táxi em 1983, cujo vocalista Maurício Gasperini atualmente é um dos concorrentes do programa The Voice + da Rede Globo e escolheu o time da Ludmilla.
Capa do single da banda Rádio Táxi com as músicas "Eva" e "Filho da Mãe" (de Wander Taffo e Lee Marcucci) lançado em 1983 pela CBS/hoje Sony Music. A foto é o detalhe da obra "O Nascimento de Vênus" (início:1485 - conclusão:1486) de Sandro Botticelli (1445-1510) (Mercado Livre)
Banda Rádio Táxi (foto da capa do LP "Rádio Táxi", CBS/Sony Music, 1983, no qual está o sucesso "Eva")
Mas a letra original foi escrita em italiano pelo roqueiro Umberto Tozzi (em parceria com Giancarlo Bigazzi) e gravada em 1982. A versão brasileira assinada por Marcos Ficarelli é uma tradução literal para o português.
Mas sobre o que a música fala, afinal?
O cantor e compositor italiano Umberto Tozzi, a voz original de "Eva".
A letra foi escrita durante o período da Guerra Fria (1947-1991) e as pessoas estavam com medo de bombas atômicas e de ataques nucleares. Em meio a um possível fim do mundo, Umberto Tozzi escreveu sobre uma história de amor e ainda trouxe várias referências bíblicas para a canção. Você imaginava um contexto pós-apocalíptico como esse?
Meu amor Olha só, hoje o sol não apareceu é o fim da aventura humana da Terra Meu planeta, adeus! Fugiremos nós dois na arca de Noé Olha bem, meu amor, o final da odisseia terrestre
Logo nos primeiros versos, já vemos referências ao contexto histórico. O narrador leva um susto ao acordar de manhã e perceber que o Sol desapareceu e que a aventura humana na terra está chegando ao fim. É hora de se despedir do planeta.
Sou Adão e você será Minha pequena Eva O nosso amor na última astronave Além do infinito eu vou voar Sozinho com você
O homem que narra a canção, então, resolve declarar o seu amor para a mulher amada. Depois, afirma que os dois serão os únicos habitantes da Terra, assim como Adão e Eva.
E voando bem alto Me abraça pelo espaço de um instante (Eva) Me cobre com teu corpo e me dá a força pra viver.
A música é uma declaração de amor eterno em pleno fim do mundo. Dá pra sentir todo o romance nesse trecho, em que o homem diz que esse sentimento é a força que o mantem vivo.
E pelo espaço de um instante Afinal não há nada mais Que o céu azul pra gente voar Sobre o Rio, Beirute ou Madagascar Toda a Terra reduzida a nada, nada mais E minha vida é um flash De controles, botões anti-atômicos
Aqui, o contexto da Guerra Fria fica bem claro. A ideia de que a Terra podia ser reduzida a pó simplesmente apertando um botão estava muito presente no imaginário do compositor, não é? Então, cada vez que eu ouvir essa música em qualquer festa, sempre e sempre me lembrarei desse contexto interessante.
A cantora que foi backing vocal de vários artistas _entre eles, Elba Ramalho_ e integrante do Trio Ternura está no talent show da Rede Globo.
No dia 6 de fevereiro, a cantora carioca Jhusara, nome artístico de Jussara Lourenço da Silva (17/05/1953) conseguiu uma vaga no time Toni Garrido no programa The Voice + da Rede Globo cantando "Enredo do Meu Samba" (de Jorge Aragão e Dona Yvonne Lara, 1984) .
Jhusara é filha do compositor Umberto Silva (1923-2009), coautor de "Ninguém é De Ninguém" (com Toso Gomes e Luis Mergulhão, 1960), música gravada por Cauby Peixoto (1931-2016). Com os irmãos Jurema Lourenço da Silva (07/11/1946) e Robson Lourenço da Silva (24/08/1951 – 25/12/2011), Jhusara foi integrante do Trio Ternura que iniciou a carreira na década de 1960, inclusive participando do programa Jovem Guarda da TV Record. Em 1970 0 Trio Ternura ganhou mais projeção acompanhando o cantor e ator Tony Tornado no 5º Festival Internacional da Canção da Rede Globo com a música "BR-3" (de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar, 1970) que por fim conquistou o primeiro lugar no Festival. O grupo se desfez oficialmente no final dos anos 70 e, com a irmã Jurema, Jhusara seguiu a carreira de backing-vocal, trabalhando com renomados artistas como Alcione, Cazuza (1958-1990), Elba Ramalho e Sérgio Mendes. Um dos projetos mais notáveis da dupla foi o show "Dois Quartos" de Ana Carolina em 2008, que executava coreografia com as cantoras e também abria espaço para que a plateia pudesse interagir com elas.
Jhusara também é requisitada em projetos especiais como, por exemplo, gravar as vozes da vinheta do The Voice Brasil e ser instrutora vocal do programa por três anos. Em 2021, lançou seu single "Me Espera Que Eu Vou", música da autoria dela em parceria com o pai Umberto Silva, falecido em 2009, e Mestre Zé Américo Bastos.
*Diário da Música http://elizabethdiariodamusica.blogspot.com/2016/05/trio-ternura.html
*Diário de Pernambuco https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/viver/2021/06/cantora-jhusara-celebra-dia-de-sao-pedro-e-homenageia-pai-com-live.html
VÍDEO: "A Gira" (de Umberto Silva e Beto Scala, 1972)
(do musical "Ópera do Malandro", de Chico Buarque, 1978)
Na canção "Geni e o Zepelim", Chico Buarque de Holanda apresenta uma mulher que vive na miséria pessoal e moral. A sociedade, por sua vez, olha para ela com desprezo e violência, vociferando: "Joga pedra na Geni! Ela é feita pr’apanhar! Ela é boa de cuspir". É uma denúncia à hipocrisia que pode tomar conta do meio social quando a compaixão e a empatia são deixadas de lado. O Evangelho narra diversos encontros entre Jesus e pessoas feridas pelo pecado e pelo sofrimento. Jamais se nota, da parte do Mestre, um olhar de repulsa e condenação, mas sempre a disposição em estender a mão e apresentar um outro caminho a tais pessoas para reerguê-las em sua dignidade. Esta é a via que o cristão deve seguir.
Finalmente saiu a gravação de estúdio de duas amigas de longa data e gerações distintas: a "Marrom" Alcione e a rainha do pagode e queridíssima Karinah. Esse evento aconteceu no famoso estúdio carioca Cia. dos Técnicos para a gravação do single inédito das parças que foi lançado no dia 22 de janeiro (sexta-feira), "Tô de Partida", sucesso do compositor paulista Valtinho Jota, cuja letra traz um empoderamento feminino e incentivo para que todas as mulheres se livrassem de vez do relacionamento abusivo ou tóxico, tanto que ela me faz lembrar o clássico disco "I Will Survive" (de Freddie Perren e Dino Fekaris, 1978) eternizado pela cantora americana Gloria Gaynor (risos)."É um momento muito importante onde a mulher precisa ter voz ativa. E nada como cantar uma canção que traz essa verdade. Ainda mais com uma mulher tão forte quanto a Alcione", explica Karinah em entrevista a Splash, do portal UOL. Ouça e veja depois dos créditos e da letra:
"Tô de Partida" Escrita por Valter de Jesus Adão (Valtinho Jota)
Interpretada por Karinah e Alcione
℗ 2022 Liga Music / K2D Produções
FICHA TÉCNICA K2D Produções Liga Entretenimento
VIDEOCLIPE Produção: Meduzza Filmes Direção e Fotografia: André Hawk Produção: Lana Rhodes Cenografia: Ruslan Alastair Câmeras: André Hawk, Gabriel Zambrone, Lana Rhodes, Julia Maria e Bruno Polo Edição: André Hawk Color Grade: Braion M.
MÚSICA Produção Musical: Arranjo de base - Boris Bass Arranjo de cordas - Jota Moraes Estúdio de gravação de Base - Cia dos Técnicos Estúdio de gravação de complementos - Boris Studios Mixagem/Masterização - Gabriel Vasconcelos
LETRA Hoje nada do que você disser Vai apagar a cena triste que eu vi Esse mal se corta é na raiz Pra não voltar tudo que eu já sofri
Quantas vezes briguei com quem tentava me alertar Descartei a ideia de desconfiança outra vez Mas você levou outra mulher pra nossa cama Me desculpe, mas quem ama não faria o que você me fez
Eu me dei de corpo pra você, tô tão ferida Eu não quero mais ouvir teu nome em toda a minha vida E pra completar, vou me levantar e tô de partida
Eu não quero olhar pra nada que lembre você Vou me mudar pra longe, eu quero te esquecer Eu olho pra você e só consigo sentir pena Você deve estar com medo Pois mulher igual a mim você não vai achar tão cedo
Quantas vezes briguei com quem tentava me alertar Descartei a ideia de desconfiança outra vez Mas você levou outra mulher pra nossa cama Me desculpe, mas quem ama não faria o que você me fez
Eu me dei de corpo pra você, tô tão ferida Eu não quero mais ouvir teu nome em toda a minha vida E pra completar, vou me levantar e tô de partida
Eu não quero olhar pra nada que lembre você Vou me mudar pra longe, eu quero te esquecer Eu olho pra você e só consigo sentir pena Você deve estar com medo Pois mulher igual a mim você não vai achar tão cedo
Eu não quero olhar pra nada que lembre você Vou me mudar pra longe, eu quero te esquecer Eu olho pra você e só consigo sentir pena Você deve estar com medo Pois mulher igual a mim você não vai achar tão cedo
Pois mulher igual a mim você não vai achar tão cedo
"Adeus, ano velho! Feliz, ano novo..." A música mais cantada em viradas de ano no Brasil completa 70 anos! Ao contrário do que muita gente pensa, "Fim de Ano" que é o título da música não é nenhuma "cançãozinha qualquer", e sim escrita por dois grandes compositores da MPB: David Nasser (1917-1980) e Francisco Alves (1898-1952). Ela foi gravada originalmente pelo cantor paulista João Dias (1927-1996) em 4 de outubro de 1951 em disco Odeon de 78 RPM para dezembro do mesmo ano. O disco também trazia, em seu lado A, a versão em português de "Jingle Bells" ("Bate o Sino", intitulado no disco como "Sino de Belém", de James Lord Pierpont, 1857, e versão de Evaldo Rui Barbosa, 1951). Ele foi lançado de olho nas vendas de Natal, afinal, naquela época, era muito comum lançar discos de 78 RPM's de acordo com cada época do ano, seja no carnaval, festa junina e até mesmo no dia das crianças. Muitos de nós só conhecemos "Fim de Ano" pelos primeiros versos da música, porém, a seguir, estão a letra completa da música que é bem curtinha e a sua gravação original.
"Fim de Ano" Escrita por David Nasser e Francisco Alves Interpretada por João Dias ℗ 1951 Indústrias Elétricas e Musicais Fábrica Odeon S.A. (hoje Universal Music Brasil)
Adeus, ano velho! Feliz ano novo! Que tudo se realize No ano que vai nascer Muito dinheiro no bolso Saúde pra dar e vender
Para os solteiros, sorte no amor Nenhuma esperança perdida Para os casados, nenhuma briga Paz e sossego na vida!