Meu nome é Jeane Martins, a Jê (com jota!).Sou de Itajaí,Santa Catarina e autista (e apaixonada pela Portela, a rainha do carnaval do Rio de Janeiro) :D -
@jeaneportelense
O programa de TV exibido às sextas-feiras às 23:30 hs e ao qual eu gosto muito de assistir exibiu este mês de julho histórias de dois músicos católicos. No ano passado, eu postei aqui no blog sobre o saxofonista Herick da Silva (clique aqui).
Fred Pacheco (vocalista da Banda Dom)
Fred se interessou pela música depois de ter participado de uma reunião de jovens católicos. Foi integrante da banda Bom Pastor e foi convidado a cantar para o papa João Paulo II na década de 1990. A partir daí mergulhou-se na extrema vaidade. Bem confiante do sucesso após ter cantado para o papa, gravou seu primeiro CD solo usando um pseudônimo de Frederico Cruz, mas foi um fracasso. Ao reconhecer que foi pecador, Fred aceitou se integrar à Banda Dom na qual ele está até hoje e com ela gravou uma canção de sua autoria, "Tudo É do Pai". A música que também foi gravada pelo Pe. Fábio de Melo retrata a sua fase na qual ele se deixava seduzir pelo orgulho e lembra a parábola do filho pródigo contada por Jesus Cristo segundo São Lucas (capítulo 15:11-32).
"O mais importante era que eu ficasse com Deus e nunca caísse nessa tentação"
Fred Pacheco
Luiz Henrique (contrabaixista do Ministério Aliança de Misericórdia)
Filho de pais separados, começou a tocar violão em grupo de samba às sextas e em missa aos sábados e nesse meio tempo fazia más amizades e consumia drogas. Ao recuperar-se dessa fase obscura, ingressou-se no Ministério Aliança de Misericórdia e reconciliou-se com o pai, porém, durante seu trabalho na vidraçaria, um pedaço de vidro feriu o seu pulso, o que fez ele se distanciar da carreira artística sob recomendação médica para evitar o peso de um instrumento musical. Veja como ele deu mais uma guinada e voltou à música.
"Música foi uma graça na minha vida que me manteve com Deus."
Luiz Henrique
foto: autorretrato do cartunista e pai da Turma da Mônica Maurício de Souza como cantor de Rádio na infância. ( http://turmadamonica.uol.com.br/cronicas/eu-cantor-de-radio-2/ )
"O Dia do Cantor é comemorado no dia 13 de Julho, no Brasil.
Por não existir uma lei que determine a data oficial do Dia do Cantor, muitas pessoas também costumar celebrar a data no dia 27 de Setembro.
O cantor, além de possuir o talento natural, é um artista que precisa estudar, ensaiar e se dedicar bastante para manter uma boa voz. Não é nada fácil manter a voz saudável.
A profissão de cantor foi regularizada no Brasil com a criação da Ordem dos Músicos no Brasil, com a Lei nº 3.857, de 22 de dezembro de 1960." - site Calendarr ( http://www.calendarr.com/brasil/dia-do-cantor/ )
Um feliz dia do cantor aos meus ex-colegas de conservatório, aos meus colegas de grupo de canto das missas mensais, aos meus colegas de "bico" nas festas particulares e aos cantores famosos que eu admiro :D :D
Enquanto Leo Russo se prepara para o seu segundo CD a partir do segundo semestre, confira o clipe da música "Vida na Avenida" do seu primeiro e elogiado álbum lançado em 2013. A gravação do vídeo que conta com a participação da atriz Renata Di Carmo aconteceu este ano e foi ao ar no YouTube a partir de 11 de junho. A música sob arranjo de Rildo Hora fala sobre uma prostituta se lamentando da vida que leva.
Video: Making Of "Sambarazzo" com Carol Sant'Anna
Música de fundo:"Estação Primeira", de Carol Sant'Anna e João de Aquino.
SAIBA QUEM É CAROL SANT'ANNA.
Neta do rei momo Edson Sant’Anna, um dos personagens mais conhecidos do carnaval carioca nas décadas de 1970 e 1980, Caroline Sant'Anna Ribeiro nasceu no dia 21 de janeiro de 1986 na capital do Rio de Janeiro. Criada no Méier, bairro da Zona Norte do Rio, Carol cresceu ouvindo diversos sambas de enredo. Ela cursou teoria e percepção musical na UniRio, fez cursos livres de canto e formou-se em percussão popular pela Escola de Música Villa-Lobos. Amante também do forró, a sambista é integrante da banda Forró de Ponta e faz shows com o grupo pelo Brasil inteiro. Além de ser mangueirense, flamenguista, Carol Sant'Anna reside no Méier com os pais e é locutora e comentarista do programa Encontros na Rádio Roquette Pinto FM no Rio.
Aperte o play e delicie-se com a voz doce dessa carioquinha de grande talento!
Video: "Nádegas"
Carol Sant'Anna e banda no concurso "Talentos do Samba" cantando "Estação Primeira"
Ainda este mês comprei os dois CD's com os quais me encantei : "Deus no Esconderijo do Verso" (Sony Music, 2015) do Pe. Fábio de Melo e "Ser Humano" (Universal Music, 2015) do Zeca Pagodinho.
"Deus no Esconderijo do Verso" traz dez músicas inéditas e quatro releituras, como "Estrela Luminosa" de Altay Veloso que é um tributo à Virgem Maria, "Paciência" de Lenine e Dudu Falcão que foi o primeiro grande sucesso de Lenine lançado em 1999, "O Vendedor de Sonhos" e "Pra Eu Parar de Me Doer", ambos de Milton Nascimento e Fernando Brant, este que faleceu no mês passado (12 de junho). Destaque também para as participações de Nana Caymmi na faixa-título, Elba Ramalho em "Oculto e Revelado", Raimundo Fagner em "Perfeita Contradição" ("nem toda a reza é Santa, nem todo o escuro é breu/nem toda a beleza encanta/nem tudo o que tenho é meu... "), Ninah Jo em "Um Mundo Só", Alcione em "Sobre Ganhar e Perder" que é uma lição sobre humildade, Zeca Pagodinho no samba "Amigo Onde Deus É" e a presença poderosa de Fafá de Belém em "O Tempo Não Espera Ninguém". Pouca gente entende a seleção de repertório, mas as canções escolhidas pelo próprio sacerdote, fazendo justiça ao nome do álbum, mostram que existem um evangelho ou uma reflexão por trás delas. O CD é mesmo um livro auditivo de auto-ajuda, assim como os outros de sua discografia.
Agora falando em outro álbum mais humano da música brasileira e também gravado no estúdio Companhia dos Técnicos, no Rio de Janeiro:"Ser Humano" do Zeca Pagodinho, (muito bem) produzido pelo Rildo Hora. "Amor Pela Metade" (de Dunga e Gabrielzinho do Irajá), releitura da música de Gabrielzinho do Irajá, abre o CD com mais otimismo. A faixa-título (de Claudemir, Marquinho Índio e Mário Cleide) e "Perdão, Palavra Bendita" (de Monarco e Mauro Diniz), esta com a participação da Velha Guarda da Portela sempre presente nos discos do Zeca, trazem mensagens incentivadoras de como fazer o bem ao próximo.
Vale ressaltar as participações de Pepeu Gomes (na guitarra em "Mona Lisa"), de Juninho Thybau, sobrinho de Zeca, em "Tempo de Menino", e de Pedro Bismark, famoso pelo papel de Nerso da Capitinga, vivendo o personagem que o consagrou na bem-humorada "Mané, Rala Peito".
Vasculhando alguns discos antigos de meus pais que hoje em dia, digamos, são "meus", um deles era uma compilação de sucessos de vários artistas. Dentre os sucessos, "Joseph", música semi-bíblica escrita e interpretada pelo franco-egípcio Georges Moustaki (Alexandria, Egito, 3 de maio de 1934 - Nice, França, 23 de maio de 2013). A canção gravada em 1969 fala sobre o pai de Jesus que viu sua vida mudar completamente ao se apaixonar por uma jovem galileia (Maria de Nazaré) que esperava um filho que, posteriormente, teria "estranhas ideias" que rompiam limites da condição humana, o que custou-lhe a crucificação. No ano seguinte, a música ganhou uma versão em português adaptada por Nara Leão (1942-1989) e gravada pela Rita Lee em seu primeiro álbum solo ainda acompanhada pela banda Mutantes.
Georges Moustaki
JOSEPH
escrita e interpretada por Georges Moustaki
arranjo e direção de orquestra: Alain Goraguer
(P) 1969 Polydor Records S.A., França / Universal Music Group
(No video abaixo, o áudio com as cenas do filme "Jesus de Nazaré" (1977) de Franco Zeffirelli)
Voilà c'que c'est, mon vieux Joseph
Veja só o que te aconteceu,meu velho amigo José Que d'avoir pris la plus jolie
Ao ter escolhido a mais bela Parmi les filles de Galilée
Entre as filhas da Galiléia Celle qu'on appelait Marie
Aquela a quem chamávamos Maria
Tu aurais pu, mon vieux Joseph
Tu poderias, meu velho amigo José, Prendre Sarah ou Déborah
Ter escolhido Sara ou Débora Et rien ne serait arrivé
E nada teria acontecido Mais tu as préféré Marie
Mas,tu preferiste Maria
Tu aurais pu, mon vieux Joseph
Tu poderias,meu velho amigo José Rester chez toi, tailler ton bois
Ter permanecido em tua casa ou no teu ofício de carpinteiro Plutôt que d'aller t'exiler
E,sobretudo,não ter que exilar-te Et te cacher avec Marie
E esconder-te com Maria
Tu aurais pu, mon vieux Joseph
Tu poderias, meu velho amigo José Faire des petits avec Marie
Ter tido filhinhos com Maria Et leur apprendre ton métier
E ensinar-lhes o teu ofício Comme ton père te l'avait appris
Como teu pai o ensinara a ti
Pourquoi a-t-il fallu, Joseph
Por que foi preciso, José Que ton enfant, cet innocent
Que teu filho, o inocente Ait eu ces étranges idées
Tivesse tido estranhas idéias Qui ont tant fait pleurer Marie?
Que tanto fizeram Maria chorar?
Parfois je pense à toi, Joseph
Às vezes eu penso em ti, José Mon pauvre ami, lorsque l'on rit
Meu pobre amigo, quando ríamos de ti De toi qui n'avais demandé
Tu que tão somente tinha pedido nada além Qu'à vivre heureux avec Marie
Do que viver feliz com Maria
Jovens tardes de 95 tantas alegrias. Velhos tempos, belos dias...
No sentido horário: Martinho da Vila (na capa do CD "Tá Delícia, Tá Gostoso"), Zeca Pagodinho (capa do CD "Samba Pras Moças"), Ivete Sangalo (na capa do CD "Hora H" da Banda Eva), Skank e Mamonas Assassinas.
1995. O ano em que Fernando Henrique Cardoso assumiu a presidência enquanto, em Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira ocupava o cargo de governador. O Brasil entrou oficialmente para a rede mundial de computadores, a internet (pouquíssima gente teve o privilégio de adquirir um computador em casa) e foi criado o site de buscas Yahoo. Lançado o longa-metragem "Carlota Joaquina - A Princesa do Brazil" considerado o filme que ressuscitou o cinema brasileiro. A banda de rock britânica Rolling Stones fez seu show pela primeira vez no Brasil com a turnê "Voodoo Lounge". O país inteiro parava para descobrir quem era o serial killer da novela "A Próxima Vítima". Estreava a primeira temporada de "Malhação" na Globo. A moeda corrente no Brasil, o Real, completava seu primeiro ano de existência. Portela, minha escola querida, conquistava o vice-campeonato na apuração dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro com o enredo "Gosto Que Me Enrosco", de Noca da Portela, Gelson e Colombo. Aqui em Itajaí (SC), na frequência 92,9 MHz, substituindo a Litoral FM que tocava músicas sertanejas, foi inaugurada a rádio Nova FM, voltada à música jovem que só teve dois anos de permanência, sendo sucedida pela filial itajaiense da Band FM. Depois de décadas, a Rede Record voltou ao ar aqui em Itajaí e região em TV aberta em meados de outubro. E eu e a minha família tivemos nosso primeiro aparelho de CD, a ostentação da época. Eu começava a colecionar revistas teen, a recém-nascida Atrevida e, em cada capa, era uma modelo que eu tinha curiosidade de conhecer, entre elas, uma tal de Gisele Bündchen. A coleção infelizmente foi extinta pelos estragos da enchente de 2008. E é relembrando desse tempinho bom, da época em que minha única obrigação era tirar notas boas na escola, que faço a lista das músicas brasileiras que em 2015 completam 20 anos e a gente não percebe. Como o tempo passa correndo, não é? Como dizia aquela famosa música de Ataulfo Alves: "eu não sei pra que que a gente cresce...". Quem nasceu em 1995 a essa altura deve estar cursando ou concluindo uma faculdade, dependendo de qual curso, e, talvez, prestes a noivar (menos, Jê!). São as músicas que nós, pré-adolescentes da época, curtíamos pra caramba: desde as mais inocentes até as de conteúdo impróprio! Hoje em dia, menor de idade ouvindo, cantarolando ou dançando músicas assim viraria caso de juizado de menores. Porém o meu gosto musical também tinha um lado careta. Bem careta e um tanto quanto inusitado por eu ter tido apenas 13 anos de idade: foi nesse mesmo ano que comecei a ser fã de Roberto Carlos. A Jovem Guarda, movimento do qual Roberto era líder e até então eu desconhecia, completava 30 anos e foi conhecendo essa fase cool e roqueira do cantor que me senti fascinada por ele, até que, no final de 1995, antes do Natal, papai comprou o meu primeiro CD do rei lançado naquele ano. Mas vamos logo à playlist das músicas brazucas que em 2015 aniversariam 20 anos!
Observação: as músicas indicadas em asterisco (*) foram produzidas em 1994, mas que foram sucessos no ano seguinte.
Capa da Revista Veja do dia 01 de março de 1995. Os primeiros passos da internet no Brasil
A morena Gisele Bündchen aos 15 anos e Bárbara Larsson na capa da Revista Atrevida de agosto de 1995. Eu tinha essa! :)
Urso de pelúcia da Maritel lançado em 1995. Eu tinha um desse rosinha e eu amava! ♥ ♥ ♥
1- "Sereia" - Lulu Santos
de Lulu Santos e Nelson Motta
(P) 1995 RCA Discos / BMG Ariola Discos, Bertelsmann Music Group (hoje Sony Music Entertainment Brasil)
Começamos esta lista saudosista com essa música gostosa do Luís Maurício Pragana dos Santos, seu nome de batismo. A música escrita pelo próprio Lulu e Nelson Motta foi gravada primeiramente pela Fafá de Belém para o musical infantil da TV Globo "Pluct Plact Zuuum" dirigido pelo Augusto César Vanucci em 1983. A versão regravada em 1995 seguindo o mesmo suingue aboleirado tropical de "Como Uma Onda" fez parte da trilha sonora da novela global "A Próxima Vítima"
2- "Querem Meu Sangue (The Harder They Come)" *- Cidade Negra
de Jimmy Cliff e adaptação para o português de Nando Reis
(P) 1994 Epic Records / Sony Music Entertainment Brasil
Música que faz parte do terceiro álbum do Cidade Negra e primeiro com o "novo" vocalista Toni Garrido é a versão de "The Harder They Come" cantada pelo Jimmy Cliff para o filme homônimo de 1972 estrelado pelo cantor jamaicano. "Querem Meu Sangue" era o tema da novela das seis da época, "História de Amor".
3- "Saber Amar" - Os Paralamas do Sucesso
de Herbert Vianna
(P) 1995 EMI Music, Electrical and Musical Industries (hoje Universal Music Brasil)
Uma das quatro canções inéditas e a mais romântica do álbum ao vivo "Vamo Batê Lata", além de "Uma Brasileira" e a polêmica "Luís Inácio (300 Picaretas)". Mais uma a embalar a novela de Manoel Carlos.
4- "Os 40" - Faróis Acesos
de Tenison del Rey e Paulo Vascon
(P) 1995 Polydor Discos / PolyGram Discos (hoje Universal Music Brasil)
Tenison del Rey, cantor, compositor e ex-vocalista da banda Faróis Acesos
Olha, não parece! Quanto tempo! Nem parece que esta música também tem 20 anos! Apadrinhada pelo cantor de axé music Netinho, Faróis Acesos é uma banda de pop-rock baiana de Salvador liderada pelo Tenison Del Rey, compositor de grandes sucessos do Chiclete com Banana e Daniela Mercury. Sua única música de sucesso, "Os 40", foi outra a integrar a trilha sonora da novela da TV Globo.
5- "Uma História de Amor" - Fanzine
de Marcos Sabino e Cacá Moraes
(P) 1995 Epic Records/ Sony Music Entertainment Brasil
Fanzine é uma banda de charme e R&B brasileira fundada pelo produtor Paulinho Fanzine. Ainda falando em "História de Amor", o grupo é conhecido por esta linda música que também servia como vinheta de chamada para os intervalos comerciais do folhetim das seis da tarde. Muito bem interpretada pelo Alexandre Lucas, o vocalista da época, "Uma História de Amor" é da autoria de Cacá Moraes e Marcos Sabino (aquele cantor e compositor de "Reluz", um dos grandes hits da década de 1980).
6- "Uma Brasileira" - Os Paralamas do Sucesso (participação especial de Djavan)
de Herbert Vianna e Carlinhos Brown
(P) 1995 EMI Music, Electrical and Musical Industries (hoje Universal Music Brasil)
Um bis dos Paralamas nesta lista! Mais uma música inédita do CD "Vamo Batê Lata" com a ilustre participação do Djavan!
7- "Primeiros Erros" - Simony
de Kiko Zambianchi
(P) 1995 MZA Music / Warner Music Brasil
A eterna garotinha da Turma do Balão Mágico (eu adoro!) regravou este rock ballad dos anos 80 do Kiko Zambianchi para a novela "Cara & Coroa".
8- "Me Abraça" - Banda Eva
de Jorge Xaréu e Roberto Moura
(P) 1995 Polydor Discos / PolyGram Discos (hoje Universal Music Brasil)
Em 1995, vi pela primeira vez a desconhecida Banda Eva no programa "Som Brasil" da Rede Globo em tributo ao Bob Marley e me encantei pela voz e beleza de uma certa vocalista de cabelos lisos, compridos e escuros. E a partir dali, por causa dela, comecei a torcer pelo sucesso do grupo, já que seria injusto com essa qualidade toda a popularidade da Banda Eva ser restrita a um só estado brasileiro! Mas graças ao renomado produtor musical Marco Mazzola, a Banda Eva aos poucos estava ganhando o Brasil com o álbum lançado em 1995, "Hora H" , impulsionado pelo hit"Me Abraça". Contudo foi só no ano seguinte que o êxito da banda ganhou mais vigor e o Brasil passou a conhecer Ivete Sangalo.
9- "É o Tchan (pot-pourri): a) Pau que Nasce Torto b) Melô do Tchan" - Gera Samba (É o Tchan)
de Cau Lima (música A), Bicho do Tchan e Cissinho (música B)
(P) 1995 Polydor Discos / PolyGram Discos (hoje Universal Music Brasil)
Sim! O sucesso conhecido simplesmente como "Segure o Tchan" que levou o grupo baiano É o Tchan (na época atendido como Gera Samba) à fama tem duas décadas! Sabia não, inocente? O seu primeiro álbum, "É o Tchan", vendeu mais de 500 mil cópias.
10- "Na Boquinha da Garrafa" - Companhia do Pagode
de Willys e Eleonor Sacramento
(P) 1995 Polydor Discos / PolyGram Discos (hoje Universal Music Brasil)
Seguindo os mesmos passos da sua banda conterrânea de pagode de teor erótico e duplo sentido, Companhia do Pagode fez o público (hahn-hahn!) ralar na boquinha da garrafa. Seu primeiro disco que leva o nome da música teve mais de 100 mil cópias vendidas.
11- "Pacato Cidadão"* - Skank
de Samuel Rosa e Chico Amaral
música incidental: "Let'em In" (de Paul McCartney)
(P) 1994 Chaos Records / Sony Music Entertainment Brasil
capa do CD "Calango"
Quarteto mineiro na estrada
Este CD do Skank virou assunto de recreio de escola onde eu estudava, tanto que, por curiosidade, pedi pro "papito" comprar inicialmente uma fita cassete da banda (ainda não tínhamos aparelho de CD) na primeira vez que eu e a família fomos pra capital, Florianópolis. A fita também caiu no gosto do meu pai que, em seguida, ficou espalhando sobre o Skank aos amigos dele. E aí, nada satisfeito, assim que conseguiu comprar o aparelho de som mais moderno, comprou este CD "verdinho" do grupo mineiro. Se eu citar nesta lista todas as músicas desse disco de tão boas que eram, daqui a pouco este post se referirá apenas ao Skank.
Mas vamos ao assunto:"Pacato Cidadão", uma música de crítica social, é um dos hits que integra este segundo e elogiado álbum do quarteto, "Calango", que vendeu mais de 1 milhão de cópias, conquistando o disco de diamante. O nome, "calango", vem de um ritmo do estado da banda, Minas Gerais, que consiste em dois cantores improvisando num "duelo" - como retratado em uma das faixas mais contagiantes do projeto, "A Cerca", que envolve dois caipiras discutindo, interpretados pelo vocalista Samuel Rosa e pelo tecladista Henrique Portugal. O projeto gráfico da capa do disco envolve uma fantasia feita com garrafas pet criada por Ilson Orca e vestida pelo baixista do Skank Lelo Zaneti para comemorar a vitória do Brasil na Copa de 1994. Em celebração aos 15 anos do álbum, em 2010 foi lançada uma edição especial de "Calango" remasterizada e com versões alternativas de 8 faixas. Em fevereiro deste ano, a Polysom reeditou o álbum em vinil de 180 gramas.
12- "Xô Satanás" - Asa de Águia
de Durval Lelys, Marcelo Brasileiro, Genaro e Renato Galero
(P) 1995 Columbia Records / Sony Music Entertainment Brasil
Capa do single promocional "Xô Satanás" do Asa de Águia, lançado pela Sony Music.
Banda Asa de Águia
A música "Xô Satanás" surgiu pela primeira vez no show do grupo baiano Asa de Águia em Olympia, São Paulo, justamente neste mesmo ano em que o pastor Sérgio Von Helder causou polêmica ao dar chutes na imagem de Nossa Senhora Aparecida em seu programa de TV na Record em pleno dia da padroeira do Brasil. Satirizando a "guerra santa" de 1995, que contrapõe os adeptos do bispo Edir Macedo, presidente da emissora, e o incentivo à intolerância fomentada pela TV Globo, o público berrava "xô, satanás" como um grito de guerra. A banda gostou e resolveu apropriar-se do assunto da moda. A canção, no princípio, não seria incluída no disco "A Lenda", mas, devido ao sucesso repentino, a gravadora do Asa repensou o álbum e incluiu "Xô Satanás", que foi um estouro no carnaval do ano seguinte. (Revista Veja, 17 de janeiro de 1996 - edição 1427)
13- "Preciso de Você" - Netinho
de Boca e Gigi
(P) 1995 Mercury Records / PolyGram Discos (hoje Universal Music Brasil)
Dono de uma voz suave, Netinho lança o seu terceiro álbum solo que leva o seu nome, com "Preciso de Você" como sucesso principal do disco.
14- "Avisa a Vizinha (Vixe Maria)" - Ara Ketu
de Gilson Babilônia e Alain Tavares
(P) 1995 Columbia Records / Sony Music Entertainment Brasil
"Dez" é o nome do sexto álbum da banda Ara Ketu. A nota que que dou pra essa faixa animadérrima do disco!
15- "Rap da Felicidade" - Cidinho e Doca
de MC Cidinho e MC Doca
(P) 1995 Furacão 2000
Quem se lembra do CD "Rap Brasil" lançado pela Som Livre que reunia vários hits do funk que falavam de bailes, protestavam contra a violência na favela e transmitiam mensagens positivas? Não estou engrossando o coro de quem diz que tudo que é velho é melhor, mas explicando como eram mais criativos e/ou inocentes as músicas do gênero lançados naquela época. De origem da favela Cidade de Deus em Jacarepaguá, Rio de Janeiro, Cidinho e Doca é um duo de funk carioca formado por Sidney da Silva (Cidinho) e Marcos Paulo de Jesus Peixoto (MC Doca). Seus dois únicos grandes sucessos são "Rap das Armas", este que foi o tema do filme "Tropa de Elite" em 2007, e o "Rap da Felicidade", conhecido como "eu só quero é ser feliz..." que recentemente foi resgatado e parodiado para a propaganda do site de anúncios classificados OLX.
16- "Rap da Diferença" - Markinhos e Dollores
de MC Markinhos e MC Dollores
(P) 1995 Furacão 2000
Mais um funk carioca que integrava o CD "Rap Brasil": "Rap da Diferença", o único sucesso de Marcos Ribeiro Chaves (MC Marquinhos) e Aldenir Francisco dos Santos (MC Dolores), dupla da favela da Rocinha, Rio de Janeiro, diferenciando o charme e o funk. Até Marina Lima se rendeu à música e cantarolou o refrão em seu CD "Abrigo" lançado no mesmo ano.
17- "O Pão da Minha Prima" - Raimundos
de Tio Jovem e Zenilton
(P) 1995 Warner Music Brasil
A banda brasiliense Raimundos _ ainda com Rodolfo Abrantes como vocalista_ vendeu 150 mil cópias com seu primeiro álbum de 1994 que leva o nome da banda com seus dois grandes sucessos nas rádios, "Puteiro em João Pessoa" e o rock ballad pornô "Selim" (♫"eu queria ser o banquinho da bicicleta..."). Mas o álbum do ano seguinte, "Lavô Tá Novo" superou as vendas do álbum anterior: 400 mil cópias e com as mesmas características do primeiro disco: rock sujo e pesado influenciado no forró nordestino e letras repletas de palavras de baixo calão, tanto que qualquer pessoa civilizada ficaria boquiaberta ao escutar o som da banda. Na sua edição de 8 de novembro de 1995, falando sobre o CD dos antecessores dos Mamonas Assassinas, a Revista Veja supôs que, se o disco fosse vendido nos Estados Unidos, viria com aquele selinho em preto e branco de advertência aos pais na capa, alertando-lhes sobre a pornografia e o incentivo à maconha contidos nas músicas. Mas a revista confirmou que " 'Lavô Tá Novo' é um dos mais barulhentos e bem-feitos 'petardos' (bomba) do rock nacional". Algumas músicas que se destacaram eram "Eu Quero Ver o Oco" (essa eu não lembro muito), "I Saw You Saying (That You Say That You Saw)" (♫ "eu conheci a Madonna ali parada no jardim...") e "O Pão da Minha Prima", na qual Rodolfo começava cantando "a minha prima arranjou um namorado / o nome dele ela diz que é um pão". E por aí vai, rs rs.
Atualizado no dia 03 de maio de 2015: "O Pão da Minha Prima" é uma regravação do forró de Zenilton, cantor e sanfoneiro pernambucano famoso pelo teor humorístico de suas letras. Zenilton sempre foi creditado pelos integrantes dos Raimundos como sua maior influência.
18- "Legalize Já" - Planet Hemp
de Marcelo D2 e Rafael Crespo
música incidental: "Legalize It" (escrita e cantada por Peter Tosh)
(P) 1995 Chaos Records / Sony Music Entertainment Brasil
Outros discos que também receberiam o famoso selo de "Parental Advisory" na capa se fossem vendidos nos States são os da banda Planet Hemp, a antiga banda dos rappers Marcelo D2 e BNegão, que era considerada a mais controversa da música pop-rock nacional. O grupo tem um explícito posicionamento a favor da legalização da cannabis (maconha) e foi acusado de fazer apologia ao uso, fato que gerou muitas divergências. Polêmicas à parte, a fusão bombástica em sua sonoridade agradou até a "caras limpas". Seu álbum de estreia, "Usuário", vendeu 140 mil cópias, ganhou disco de ouro e, recentemente, foi reeditado em vinil pela fabricante Polysom. "Mantenha o Respeito" e "Legalize Já" foram os hits que mais emplacaram no disco.
19- "Domingo" - Titãs
de Sérgio Britto e Tony Bellotto
(P) 1995 WEA Discos / Warner Music Brasil
Depois de um ano de pausa para projetos paralelos, a banda Titãs voltou com tudo ao lançar o seu oitavo álbum de estúdio, "Domingo" (só o Arnaldo Antunes que quis prosseguir com a carreira solo). A faixa-título que retrata o famigerado tédio do primeiro dia da semana foi um dos maiores hits do disco embora nem toda a mídia divulgasse a canção. Segundo o Wikipédia, a Rede Globo se recusou a promover a música por fazer referência ao presidente e apresentador de sua concorrente SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), Sílvio Santos:"É dia de descanso/Nem precisava tanto/É dia de descanso/Programa Sílvio Santos".
20- "Sobre o Tempo" - Pato Fu
de John Ulhoa
(P) 1995 Plug / BMG Ariola Discos, Bertelsmann Music Group (hoje Sony Music Entertainment Brasil)
Me lembro de quando eu vi Pato Fu pela primeira vez: foi no Video Show que divulgava a "banda-revelação" que vem de Minas Gerais, liderada por uma vocalista que é descendente de japoneses e tem um comportamento bem delicadinho: Fernanda Takai (embora esta seja do Amapá, ela foi radicada em Belo Horizonte aos nove anos). "Sobre o Tempo" da autoria do guitarrista John Ulhoa, marido de Fernanda, foi o primeiro maior sucesso que fez parte do segundo álbum de carreira do grupo, "Gol de Quem", gravado em um mês, no estúdio Cia. de Técnicos, no Rio de Janeiro.
21- "Malandragem"* - Cássia Eller
de Cazuza e Roberto Frejat
(P) 1994 Discos Philips / PolyGram Discos (hoje Universal Music Brasil)
Pouca gente se lembra dessa versão original e slow de um dos grandes sucessos de Cássia Eller. Quem lembra, sabe que era o tema dos personagens da Fernanda Rodrigues e do Cláudio Heinrich na primeira temporada de "Malhação".
22- "Nem Luxo, Nem Lixo" - Marina Lima
de Rita Lee e Roberto Carvalho
(P) 1995 EMI Music, Electrical and Musical Industries (hoje Universal Music Brasil)
Capa do CD "Abrigo" de 1995
Em meio a problemas pessoais que lhe causaram depressão, Marina Lima lançou o CD "Abrigo" que recebeu o disco de platina por vender mais de 250 mil cópias. A música "Nem Luxo, Nem Lixo", regravação da Rita Lee, serviu de vinheta para um comercial de chinelos Rider na época (adorava as propagandas da Rider só por causa das releituras pop de clássicos da MPB que embalavam o cenário alegre e juvenil). E com uma pequena mudança na canção: enquanto a rainha do rock duvidava da fé, Marina preferiu contrariar a descrença da letra original ("não acredito em nada, não/ só não duvido da fé").
23- "Descobridor de Sete Mares" - Lulu Santos
de Michel e Gilson Mendonça
música incidental: "Disco Inferno" (LeRoy Green e Ron Kersey)
(P) 1995 RCA Discos / BMG Ariola Discos, Bertelsmann Music Group (hoje Sony Music Entertainment Brasil)
Outra que foi tema para o comercial da Rider: "Descobridor de Sete Mares", popularizada originalmente na voz de Tim Maia em 1984. Gostei muito da ideia do Lulu de incluir no arranjo da música o riff do "Disco Inferno" do the Tramps que era um dos temas do clássico cinematográfico dos anos 70 "Os Embalos de Sábado à Noite".
24- "Babilônia Rock" - Fernanda Abreu (participação especial de Cláudio Zoli)
de Naila, Guto Graça Mello, Lincoln Olivetti e Robson Jorge
música incidental: "Let's All Chant" (escrita por Michael Zager e Alvin Fields)
(P) 1995 EMI Music, Electrical and Musical Industries (hoje Universal Music Brasil)
Do seu terceiro álbum solo "Da Lata", a ex-backing vocal da banda Blitz em dueto com Cláudio Zoli fez esta regravação empolgante da música da dupla Robson Jorge e Lincoln Olivetti que foi tema do filme pornochanchada "Rio Babilônia" de 1982. "Babilônia Rock" foi incluída no volume dois da trilha sonora da primeira temporada de "Malhação".
25- "Catedral (Cathedral Song)"* - Zélia Duncan
de Tanita Tikaram e versão em português de Christian Oyens e Zélia Duncan
(P) 1994 WEA Discos / Warner Music Brasil
A canção que levou Zélia Duncan ao sucesso por ter feito parte da trilha sonora da novela "A Próxima Vítima" na verdade é uma releitura traduzida do original da cantora alemã radicada na Inglaterra Tanita Tikaram, intitulado "Cathedral Song". E o início do triunfo da cantora de Niterói (RJ) não parou por aí: a revista americana “Billboard” incluiu o álbum que leva o nome da cantora na lista dos dez melhores álbuns latinos do ano e, já no segundo semestre de 1995, Zélia recebeu o disco de ouro pela venda das primeiras 100 mil cópias. "Catedral" também foi cantada por Renato Russo (em inglês) e por Leandro nos shows da dupla sertaneja Leandro & Leonardo.
26- "Então É Natal (Happy Xmas, War Is Over)" - Simone
de John Lennon e Yoko Ono e versão em português de Cláudio Rabello
(P) 1995 Mercury Records / PolyGram Discos (hoje Universal Music Brasil)
Se hoje em dia essa música é recebida com resmungos e grosserias de internautas mais entediados por ser a mais executada em época de Natal, assim que o álbum "25 De dezembro" foi lançado, inaugurou um segmento até então inexistente na indústria fonográfica nacional: o disco vendeu mais de 1,5 milhões de cópias em menos de um mês e meio (!) por ser o primeiro no Brasil a apresentar exclusivamente canções cristãs/natalinas.
27- "Pão de Mel" - Zezé di Camargo & Luciano
de Zezé di Camargo
(P) 1995 Columbia Records / Sony Music Entertainment Brasil
Uma das músicas mais famosas da autoria de quem adora a guloseima homônima (tamo junto, Zezé!): "♫ai ai ai ai ai ai ai esse amor/ é bom demais!" Ê paixão!
28- "Festa de Rodeio" - Leandro & Leonardo
de Cesar Augusto, Cesar Rossini e Reinaldo Barriga
(P) 1995 Chantecler / Warner Music (Divisão Continental)
"Festa de Rodeio" é uma releitura da canção da dupla sertaneja César & César, formada por César Augusto e César Rossini, os compositores da música (em companhia de Reinaldo Barriga). Segura, peão!
29- "Bailão de Peão" - Chitãozinho & Xororó
de Maria da Paz e Nino
(P) 1995 Mercury Records / PolyGram Discos (hoje Universal Music Brasil)
Dos mesmos compositores nordestinos de "Brincar de Ser Feliz" também gravada pela dupla paranaense (Nino é paraibano e Maria da Paz é pernambucana), esse é mais um sertanejão pra levantar poeira! :)
30- "Eu Me Amarrei" - João Paulo & Daniel
de Waldir Luiz e Tivas
(P) 1995 Chantecler / Warner Music (Divisão Continental)
Capa do CD "João Paulo & Daniel Volume 6"
Quando Daniel ainda era parceiro de música sertaneja de João Paulo (1960-1997), a dupla conquistava as paradas de sucessos com a empolgante "Eu Me Amarrei".
31- "Marrom Bombom" - Os Morenos
de Delcio Luis e Ronaldo Barcellos
(P) 1995 RCA Discos / BMG Ariola Discos, Bertelsmann Music Group (hoje Sony Music Entertainment Brasil)
Primeiríssimo grande sucesso do grupo Os Morenos. Lembro-me dos tempos de escola, quando nós os colegas fazíamos um passeio de ônibus, cantando num coro desafinado: "♫tira a calça jeans, bota o fio dental/ morena, você é tão sensual...".
32- "Tão Só" - Só Pra Contrariar
de Chico Roque e Carlos Colla
(P) 1995 RCA Discos / BMG Ariola Discos, Bertelsmann Music Group (hoje Sony Music Entertainment Brasil)
Com esta canção, além de "Nunca Mais Te Machucar" e "Dói Demais", a banda de Alexandre Pires (quando este ainda usava o bigodinho à Clark Gable e o topete crespo) vendeu 1 milhão e 200 mil cópias do álbum "O Samba Não tem Fronteiras", sendo certificado disco de diamante. Para os corações pagodeiros apaixonados.
33- "É Tarde Demais" - Raça Negra
de Luiz Carlos e Elias Muniz
(P) 1995 Som Livre / Comercial Fonográfico RGE, Rádio Gravações Especializadas Ltda.
Raça Negra ainda mantinha o posto de grupo de pagode moderno mais querido do Brasil. A cada disco que a banda lançava durante os anos 90 vendia como pão quente a milhares. "É Tarde Demais" foi faixa de maior sucesso do sexto álbum de Luiz Carlos e cia. por um motivo bem curioso: entrou para o Guiness Book por ter sido executada 600 vezes em um único dia(!!!) Nem o meu papito ficou de fora dessa: ele comprou este CD uma semana depois de ter sido lançado. Mais uma para os corações pagodeiros apaixonados.
34- "Paparico" - Grupo Molejo
de Delcio Luis e Ronaldo Barcellos
(P) 1995 Warner Music (Divisão Continental)
Muito antes da febre da música-ostentação, o grupo Molejo fazia um grande sucesso com essa música que fala sobre um rapaz pobre que se faz de rico e usa os objetos de luxo emprestados, inclusive um carro importado, para conquistar a garota dos sonhos, mas quando a máscara cai, ele diz que foi tudo por amor a ela e implora: "por favor, amor, não pense que sou um-sete-um!"
35- "Absoluta" - Negritude Jr.
de Altay Veloso
(P) 1995 EMI Music, Electrical and Musical Industries (hoje Universal Music Brasil)
Os nove cabeças do pagode romântico encantavam milhares com essa música do renomado compositor Altay Veloso. Sente só: ô saudade!
36- "Samba Pras Moças" - Zeca Pagodinho
de Roque Ferreira e Grazielle
(P) 1995 Polydor Discos / PolyGram Discos (hoje Universal Music Brasil)
Zeca Pagodinho entre o diretor artístico da atual Universal Music Max Pierre e Rildo Hora (ainda com o cabelo black power) em 1995.
1995 foi o ano que marcou a volta triunfal de Zeca Pagodinho à mídia depois de vários discos injustamente fracassados durante a sua permanência na antiga BMG Ariola, sua segunda casa depois da RGE. O sambista assinou com a PolyGram (hoje Universal Music) e lá gravou seu nono disco, "Samba Pras Moças" com a sempre belíssima produção de Rildo Hora e a música-título foi só sucesso.
37- "Mulheres" - Martinho da Vila
de Toninho Geraes
(P) 1995 Columbia Records/ Sony Music Entertainment Brasil
Capa do single promocional "Mulheres" de Martinho da Vila, lançado pela Sony Music.
Outro sambista que voltou com toda a força é o Martinho da Vila. Com o CD "Tá Delícia, Tá Gostoso" também produzido pelo Rildo, tornou-se um dos mais respeitados artistas brasileiros além de um dos maiores vendedores de disco no Brasil, sendo o segundo sambista a ultrapassar a marca de um milhão de cópias (o primeiro foi Agepê, que em 1984 vendeu um milhão e meio de cópias com seu disco "Mistura Brasileira").
38- "Vai Tomar no **" - Edu K
de Edu K
(P) 1995 Dabliú / Warner Music Brasil
Edu K na contracapa do CD "Meu Nome É Edu K".
Edu K, nome artístico de Eduardo Dornelles, é cantor, músico e produtor musical brasileiro que destacou-se pelo seu trabalho como vocalista da banda de rock gaúcha Defalla. Entre 1994 e 1996, desligou-se da banda e fez uma curta carreira solo lançando em 1995 pelo selo Dabliú (e distribuído nacionalmente pela gravadora Warner Music) o álbum "Meu Nome é Edu K" voltado ao rap comercial, funk, charme e soul. O disco emplacava com um hit cujo título não é nada educado: "Vai Tomar No **". Porém, pra poupar os mais civilizados, a cada vez que não são poucas que o cantor diz o nome da música, o termo chulo monossilábico é substituído pelo famoso "bipe". Quem não conhece, ouça que o som é do caramba!
39- "Pelados em Santos" - Mamonas Assassinas
de Dinho
(P) 1995 EMI Music, Electrical and Musical (hoje Universal Music Brasil)
Como falar da música brasileira de 1995 sem falar dos Mamonas Assassinas, a sensação daquele ano que chegou a ser a principal atração de programas vespertinos de quase todo domingo? A banda de rock cômico com letras bem-humoradas e recheadas de palavrões formada por Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec e os irmãos Samuel e Sérgio Reoli conquistou até o público infantil (isso mesmo, você não leu errado!). O som era uma mistura de punk rock com influências de gêneros populares, tais como forró ("Jumento Celestino"), brega ("Bois Don't Cry"), heavy metal ("Débil Metal"), pagode ("Lá Vem o Alemão"), música mexicana ("Pelados em Santos"), vira português ("Vira-Vira") e balada acústica ("Uma Arlinda Mulher"). Uma pena que o sucesso deles foi breve: começou em junho de 1995 e foi interrompido tragicamente em março de 1996 pelo acidente aéreo fatal que matou todos os integrantes. :'(
40- "Pintinho Amarelinho"* - Gugu Liberato
de Domínio Público e adaptação de Hilton Júnior
(P) 1994 Halloween Discos / PolyGram Discos (hoje Universal Music Brasil)
Para encerrar esta lista com mais alegria, a primeira gravação de "Pintinho Amarelinho" do Gugu Liberato (kkkk!). Esta cantiga de jardim de infância foi resgatada com vigor em meados dos anos 90 graças ao então apresentador do programa Domingo Legal do SBT.
Fontes:
Wikipédia
Rádio UOL e Mercado Livre (pela ficha técnica e créditos das músicas e pelas capas de singles promocionais)
Site Revista Veja (Acervo Digital)
Dicionário Cravo Albin da MPB
Site de buscas de imagens Google
Uma das coisas que eu mais adoro ver na Rede Record além do Pica-Pau e "Todo Mundo Odeia o Chris": é o filme bíblico "Jesus de Nazaré" (Gesù di Nazareth / Jesus of Nazareth, ITC Entertainment/RAI TV, Radiotelevisione Italiana, 1977) sempre exibido nas tardes de feriados cristãos. Na verdade, "Jesus de Nazaré" se tratava de uma minissérie ítalo-britânica, exibida nos cinemas e dirigida por Franco Zefirelli (Gianfranco Corsi Zeffirelli, Florença, Itália, 12 de fevereiro de 1923). É a história de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus (vivido pelo ator britânico Robert Powell) do Nascimento a Ressurreição, misturando as narrativas dos Quatro Evangelhos relatados no Novo Testamento na Bíblia. Em sua versão original, o filme tem mais de 6 horas de duração, enquanto, para a televisão, foi reduzido para 5 horas e os cortes são vistos claramente nas transições de uma cena para outra. A versão televisiva vem sendo lançado mundialmente em um único DVD, inclusive no Brasil (possivelmente encontrado nas Lojas Americanas por R$15,00). A TV Record reduziu mais ainda o tempo do filme: para 2 horas e 42 minutos, mas esta adaptação brusca não faz com que uma das principais atrações da emissora de Edir Macedo deixe de ser o favorito do público. Passe quantas vezes quiser que ninguém enjoa.
Segundo o site R7, na filmagem de muitas cenas, os colaboradores não conseguiam conter as lágrimas emocionadas diante da “construção” da história. O diretor Franco Zefirelli admitiu que, desde a estreia do filme, recebia cartas de agradecimento de milhares pessoas de todos os lugares do mundo, que se sentiram impressionadas e, com frequência, haviam abraçado a vida religiosa após ver "Jesus de Nazaré".
Curiosidades:
*O roteirista Anthony Burgess escreveu o roteiro do longa em apenas 4 dias.
*Durante a cena da Última Ceia do filme, o clima de silêncio absoluto e de densa espiritualidade se criou dentro do estúdio, enquanto fora se desencadeava uma tempestade de areia.
*Elizabeth Taylor faria o papel de Maria Madalena, mas a atriz adoeceu gravemente e foi substituída pela Anne Bancroft.
*O ator Robert Powell, no papel de Jesus Cristo, pisca ou fecha os olhos pouquíssimas vezes durante o longa, na intenção de dar mais destaque aos seus olhos azuis (Blah Cultural) . Outros atores nos quais são possíveis de reparar poucas piscadas de olhos são o garoto Lorenzo Monet no papel de Jesus aos 12 anos e Michael York vivendo João Batista. (como eles conseguiam? rs rs!)
*Após ver o filme, o Sumo Pontífice da época Papa Paulo VI (Giovanni Battista Enrico Antonio Maria Montini, 1897-1978) recebeu Franco Zefirelli em uma audiência privada, lhe agradeceu e lhe perguntou o que a Igreja poderia fazer por ele. Zefirelli respondeu:"Eu gostaria que esta obra também chegasse à Rússia". E o Papa lhe disse:"Tenha fé, logo sobre o Kremlin flamejarão as bandeiras de Nossa Senhora, ao invés das vermelhas". Treze anos após a morte de Paulo VI, em 8 de dezembro de 1991, dia da Imaculada Conceição, a bandeira vermelha com a foice e o martelo, que brilhou durante décadas sobre o Kremlin, foi trocada pela bandeira tricolor da Federação Russa. (Zenit.Org)
*Robert Powell tinha 33 anos, a idade de Cristo, quando interpretou o Nazareno.
Nesta Sexta-feira Santa, dia 3 de abril de 2015, "Jesus de Nazaré" será exibido às 14:30 no Cine Record Especial na TV Record.
Franco Zefirelli e Robert Powell nos bastidores da cena da crucificação.
O diretor Franco Zeffirelli, Robert Powell e o produtor Lew Grade na escalação de elenco do filme "Jesus de Nazaré"
Sobre alguns atores do file:
Anne Bancroft (Maria Madalena)
Anne Bancroft na década de 1960 (primeira foto), no papel de Maria Madalena e na década de 2000
Anna Maria Louisa Italiano, nome de batismo de Anne Bancroft, nasceu em 1931 em Bronx, Nova Iorque. Seu primeiro grande filme, "O Milagre de Anne Sullivan" ("The Miracle Worker", Metro-Goldwin-Mayer / United Artists, 1962) lhe rendeu o Oscar de melhor atriz, mas seu sucesso aconteceu em 1967 com o filme "A Primeira Noite de Um Homem" ("The Graduate", Metro-Goldwin-Mayer) no qual interpretou a Mrs. Robinson (ou Sra. Robinson), a mãe da namorada de Benjamin Braddock, vivido pelo desconhecido Dustin Hoffman. Anne Bancroft morreu aos 73 anos, vítima de câncer de colo do útero em 6 de junho de 2005.
Claudia Cardinale (adúltera)
Da esquerda para direita: Claudia Cardinale no auge da fama na década de 1960 em cena do filme "Oito e Meio" ("Otto e Mezzo"), no papel de adúltera e hoje.
A eterna musa da década de 1960 fez uma breve participação no filme no papel de uma adúltera que, por pouco, não foi apedrejada graças à salvação de Jesus Cristo. Hoje Claudia Cardinale é uma libertária com fortes convicções políticas. Ela é uma esquerdista envolvida em questões das mulheres e dos homossexuais. Também cita o orgulho da sua herança árabe (a atriz nasceu na Tunísia em 1938 e é filha de italianos) e se envolve em inúmeras causas humanitárias.
Olivia Hussey (Maria de Nazaré, mãe de Jesus)
Olivia Hussey em "Romeu e Julieta", como Maria mãe de Jesus em"Jesus de Nazaré" e hoje.
Olivia Hussey, pseudônimo de Olivia Osuna, nasceu em 1951 em Buenos Aires, Argentina, e é filha de Isvaldo Ribo (nome artístico de Andreas Osuna), cantor argentino de óperas e tangos, e Joey Hussey, britânica, que em 1958 levou os filhos para morar na Inglaterra. Ficou famosa aos 17 anos, em 1968, no papel de Julieta, no filme "Romeu e Julieta", também dirigido por Franco Zefirelli e baseado no romance homônimo de William Shakespeare e, a partir daí, Olivia Hussey foi considerada uma das mulheres mais bonitas do mundo. Além de cenas românticas, o filme tem ainda imagens do jovem casal nu. Zeffirelli precisava de autorização para fazer a cena, já que Olivia era menor de idade na época. Na première do filme em Londres, a atriz também não pôde comparecer, por conta das cenas de nudez, embora que a mulher nua em questão fosse ela mesma (Ego).
Dedicou-se mais à televisão trabalhando em minisséries e filmes televisivos. Sua carreira teve que ser interrompida devido a intensa agorafobia (medo mórbido de estar em lugares públicos ou espaços abertos onde, aparentemente, não é possível receber ajuda caso a pessoa se sinta mal) que obrigou Olivia a se afastar do cinema. Quando voltou à vida pública, ela continuou sua carreira nos cinemas, mas em papéis secundários. Olivia Hussey é mãe da atriz India Eisley, da série "A Vida Secreta de uma Adolescente Americana".
Robert Powell (Jesus Cristo)
Robert Powell nasceu em 1 de junho de 1944, em Salford, distrito metropolitano da Grande Manchester, na Inglaterra. Começou sua carreira de ator em 1964 e estreou nos cinemas em 1969 no filme "The Italian Job". O sucesso aconteceu com o filme "Jesus de Nazaré" no papel principal. Graças à sua elogiada interpretação no longa religioso, ganhou os prêmios de melhor ator da Italian TV Times e dos festivais de Fiuggi e Saint-Vicent.
Desde 1975 é casado com Barbara Babs Lord e o casal tem dois filhos.
Grazie, Franco Zefirelli! Hoje "Jesus de Nazaré" é um dos meus filmes preferidos sobre a vida do Nosso Senhor.
Foto do desfile triunfal, embora não tenha conquistado o campeonato, da Portela este ano com o enredo "Imagina-Rio, 450 Janeiros de Uma Cidade Surreal". Os fogos de artifício são de montagem minha.
Três semanas depois de o meu blog ter completado seis anos, ele já alcançou mais de 100 mil visualizações de ontem (17/03/2015) para hoje (18/03). Tudo o que eu tenho que dizer é muito obrigada aos fãs da Portela, do samba (carioca ou de qualquer lugar) e do Roberto Carlos e ao público em geral. Muitíssimo obrigada de coração!
Eu (agora bem diferente, rs rs) em foto de agradecimento! :D
Só este ano descobri que tem uma pessoa que admiro muito que faz aniversário no mesmo dia que eu: é a cantora católica Jake Trevisan que leva o seu axé music evangelizador e politicamente correto aos quatro cantos do Brasil.
Filha de pai mineiro e mãe sergipana, Jacquelinne Michelly Santos da Silva, seu nome de batismo, nasceu no dia 12 de março de 1979 em São Paulo, capital. Seu primeiro contato com a música foi aos 8 anos de idade, quando a sua mãe a colocou numa escolinha de violão. Sua vocação pela música persistiu e com 14 anos cantou "I Will Always Love You" (de Dolly Parton) na versão da Whitney Houston em sua formatura. Ainda aos 14, Jake começou a desenvolver sua musicalidade na paróquia, dentro da igreja católica.
Sua mãecomprouumabateria, um teclado e uma guitarra, o que incentivou Jake e seus irmãos a estudarem a música. Foi assim que formaram o grupo Guerreiros do Amor que eraconvidado a participar devários encontros dentro e fora da diocese e da cidade.
Em 2006 o grupo buscou uma gravadora para lançar um CD e assim, como cantora solo e com aliança ao grupo, Jake lançou "Guerreira do Amor". O estilo axé-music logo se incorporou ao repertório devido às referênciasmusicais e à voz forte deJake. O objetivo era ajudar os jovens e transmitir mensagens de esperança e amor.
Mas foi entre os anos de 2008 e 2009 que uma das músicas do mesmo álbum, "Pó Pará Com Pó", cuja letra incentiva a juventude a se distanciar das drogas, virou hit de verão. Até Caetano Veloso se rendeu à música e recomendou para que as bandas a cantassem em todo o país. Jake também foi cantar no trio-elétrico de ninguém menos que Ivete Sangalo no Carnatal 2008 na capital do Rio Grande do Norte.
Em 2013, apresentou-se no palco principal em Copacabana na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) durante a vinda do recém-pontificado Papa Francisco.
No ano passado lança seu terceiro álbum, "Esperança", no qual a cantora Elba Ramalho participa na faixa "Sem Jesus Não Vai". O CD também traz ritmos mais ousados como a salsa e o carimbó.
Discografia (todas da gravadora JM Music):
"Guerreira do Amor", 2006
"Fé na Vida", 2011
"Esperança", 2014
Rildo Hora mostrando seu talento mais uma vez como cantor em uma roda de samba na casa de Beth Carvalho cantando "Os Meninos da Mangueira" (dele e de Sérgio Cabral).
Patrícia Pillar como a bóia-fria "Luana" na capa do LP/CD da trilha sonora de "O Rei do Gado",
"O Rei do Gado", uma das novelas de maior sucesso, está de volta em Vale a Pena Ver de Novo na TV Globo. Segundo o jornalista e crítico de TV Maurício Stycer no site do Folha de São Paulo, a reprise de "O Rei do Gado" chega a bater novelas inéditas da mesma emissora em audiência. A novela já foi reapresentada em 1999 e no Canal Viva em 2011 e mesmo assim o peão com um laço na mão ainda reina na televisão. Enquanto "O Rei do Gado" estiver no ar, resolvi relembrar meus tempos de adolescente (na época em que a novela estreou eu tinha 14 anos) e falar sobre o volume 1 da trilha sonora que também foi um sucesso: foram mais de um milhão e meio de cópias vendidas em LP's e CD's, quebrando o recorde de 18 anos do LP internacional de "Dancin' Days" de 1978 (blog Zappiando). Eu não alimentei essa estatística, mas já tinham me emprestado o CD e o gravei numa tradicional fita cassete da marca Sony comprada em camelô.
O disco já principia com o tema de abertura, "Rei do Gado" cantado pelo quarteto one-hit wonder Orquestra da Terra e escrito por Luiz Schiavon (tecladista da banda RPM), Marcelo Barbosa (filho de Benedito Ruy Barbosa, o autor da novela) e Nil Bernardes (cantor, compositor, multi-instrumentista, produtor musical, jornalista e diretor de dublagem musical), este que, junto a Carla Domingues, Cátia Vieira e Márcio Flores, integra o conjunto vocal sertanejo. Me veio à memória a paródia do programa humorístico Casseta e Planeta adaptando o nome da novela para "O Rei do Galho", referente à falta de desconfiança do protagonista Bruno Mezenga (Antônio Fagundes), o mais importante criador de gado do Brasil, da infidelidade de sua esposa Léa (Silvia Pfeifer). Os versos da música, "sou desse chão onde o rei é peão... ", foram trocados por "eu sou peão/ fui pra televisão/ ganhei um dinheirão/ e namoro uma sem-terra/ ela é um avião..." e a música terminava aí com o bordão do jingle do Beto Carrero. E o personagem principal satirizado estava montado em um cavalinho de carrossel de parque de diversões, uma reprodução cômica do encerramento da abertura em que o Bruno Mezenga/Antônio Fagundes, sobre um cavalo rodopiante e cercado de bois, se transformava em um peão de ouro.
O grupo Orquestra da Terra.
A trilha sonora também marca a reunião das três duplas sertanejas mais queridas do Brasil que comandavam o show "Amigos", um programa musical de fim de ano da TV Globo que teve sua primeira edição no ano anterior à novela: Leandro & Leonardo, a parceria que só foi desfeita pela morte de Leandro em 1998, vítima de um câncer raro no pulmão, Zezé di Camargo & Luciano e Chitãozinho & Xororó. A primeira dupla canta "Doce Mistério", outra faixa composta pelo trio Bernardes-Schiavon-Barbosa. A música era tema dos personagens Aparício/Pirilampo (Almir Sater) e Lia (Lavínia Vlasak em seu primeiro trabalho). Ainda me lembro como se fosse ontem: o Video Show, ao divulgar a "nova" novela das oito horas, mostrava os bastidores da gravação de "Doce Mistério" para a trilha sonora.
"Coração Sertanejo", com um arranjo belíssimo e bem tradicional do gênero, é uma das faixas do álbum de Chitãozinho & Xororó, "Clássicos Sertanejos" (1996), que recebeu o disco de diamante pela ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos). Já "Sem Medo de Ser Feliz", música da autoria de Zezé di Camargo e cantada pela dupla Zezé di Camargo & Luciano, foi o tema do mau-caráter e mulherengo Ralf (Oscar Magrini), o amante de Léa.
Os "Amigos" Leandro & Leonardo, Chitãozinho & Xororó e Zezé di Camargo & Luciano no show exibido pela Rede Globo em 1995
Para o núcleo dos sem-terra _vale lembrar que "O Rei do Gado" estreou dois meses após a morte de 19 boias-frias em Eldorado dos Carajás, no Pará_, foi escolhida "Admirável Gado Novo", canção escrita e interpretada por Zé Ramalho que fez parte do seu segundo e politizado álbum solo, "A Peleja do Diabo com o Dono do Céu" que, no auge da perseguição do regime militar aos artistas, causou um pequeno incômodo no governo ditatorial (curiosidade: na capa desse LP idealizada pelo próprio Zé Ramalho, o cantor aparece entre o cineasta Zé do Caixão representando o diabo e a atriz Xuxa Lopes). A música cita algumas ideias contidas nos livros "Admirável Mundo Novo" do escritor britânico Aldous Huxley (1894-1963), e "1984", de George Orwell (1903-1950). O álbum, lançado em 1979, mas popularizado em 1980, rendeu a Zé Ramalho seu primeiro disco de ouro.
Capa do LP "A Peleja do Diabo com o Dono do Céu" de Zé Ramalho
Em sua fase mais pacata, o roqueiro Renato Russo gravou seu segundo e último CD solo, "Equilíbrio Distante", no qual o vocalista da banda Legião Urbana, falecido em outubro de 1996, mostrava seu interesse pela cultura italiana, o que demonstra sua forte ligação à sua ascendência, e fazia releituras da música pop da Itália que estouravam nas rádios brasileiras na década de 1990 (quem não se lembra da encantadora Laura Pausini?). Entre elas, a que está na trilha sonora da novela, "La Forza Della Vita", escrita e cantada originalmente por Paolo Vallesi. A música defendida pelo próprio Vallesi ficou em terceiro lugar no Festival de San Remo em 1992.
Em seguida, a rainha da música sertaneja RobertaMiranda canta um dos clássicos do reiRoberto Carlos na fase black music pós-Jovem Guarda: "Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo", escrito em 1968 por Roberto e seu parceiro Erasmo Carlos para o disco "O Inimitável". O álbum de Roberto Carlos recebeu este nome sob suspeitas de que o artista, no auge do sucesso, estaria sendo "copiado" pelo cantor Paulo Sérgio (1944-1980). A canção reencarnada em bolero pela cantora conhecida pela voz doce e interpretação voluptuosa embala o romance extraconjugal de Léa (Sílvia Pfeifer, com o visual à Marilyn Monroe) e Ralf (Oscar Magrini).
Capas do CD "Volume 9" (1996) de Roberta Miranda e do LP "O Inimitável" (1968) de Roberto Carlos.
Diretamente do décimo segundo álbum de carreira de Djavan, "Malásia", "Correnteza" é uma belíssima regravação de Tom Jobim e composta por este em parceria com Luiz Bonfá para o décimo disco do saudoso maestro, "Urubu" (Warner Music, 1976). "Correnteza" é o tema da misteriosa sem-terra atendida como "Luana" (Patrícia Pillar, atriz que, coincidentemente, fez o par romântico com o músico alagoano no filme musical "Para Viver Um Grande Amor" em 1983) que, na verdade, se chama Marieta Berdinazzi, a mais nova cara-metade de Bruno Mezenga, este que não sabe que está se envolvendo com a sobrinha de seu inimigo Jeremias Berdinazzi (Raul Cortês), nem mesmo a própria boia-fria sabe de sua verdadeira identidade, já que ela perdeu sua memória num acidente de caminhão.
Paraibano de Catolé da Rocha, em 1996, o jovem Chico César conquistava as paradas de sucesso com a música "Mama África" da autoria dele. Como compositor, apresentou à baiana Daniela Mercury a canção que já foi gravada por ele, "À Primeira Vista", tema de Marcos (Fábio Assunção) e Liliana (a então estreante Mariana Lima). Segundo a Revista Veja na edição do dia 18 de setembro do mesmo ano, Elba Ramalho também estava interessada em gravar a canção (a própria Elba recentemente admitiu em um dos episódios do programa "Por Trás da Canção" do Canal Bis).
"Vaqueiro de Profissão", um sertanejão na voz do queridíssimo Jair Rodrigues (1939-2014) é o tema do personagem Zé do Araguaia (Stênio Garcia), grande amigo de Bruno Mezenga. A novela também marca a reunião dos atores Antônio Fagundes e Stênio desde a primeira versão da série "Carga Pesada".
Engatinhando para o sucesso mundial, a cantora country canadense Shania Twain interpreta a (belíssima) música que a levou ao estrelato, "The Woman In Me (Needs a Man In You)", tema de Suzane, uma das amantes de Ralf, vivida por Leila Lopes (1959-2009). O segundo disco de Shania que leva o nome da canção venceu o Grammy na categoria "Melhor Álbum Country".
Orlando Morais, marido da atriz Glória Pires que esteve no elenco da novela, é autor e intérprete da seresta "O Que Vem a Ser Felicidade" com a participação especial de Dominguinhos no acordeon. A canção é o tema da personagem de Glória, Rafaela, uma impostora que se passa por Marieta Berdinazzi que consegue a confiança do "tio" Jeremias.
1 - "Rei do Gado"
escrita por Nil Bernardes, Luiz Schiavon e Marcelo Barbosa
intérpretada por Orquestra da Terra
Editora Warner / Chappell Brasil Edições Musicais
(P) 1996 Warner Music (Divisão Continental) (hoje Warner Music Brasil)
2- "Coração Sertanejo"
escrita por Neuma Morais e Neon Morais
interpretada por Chitãozinho e Xororó
Editora Mercury Records
(P) 1996 Mercury Records / PolyGram Discos (hoje Universal Music)
3- "Admirável Gado Novo"
escrita e interpretada por Zé Ramalho
Editora EMI Music, Electric and Musical Industries, Ltda.
(P) 1979 Epic Records / Discos CBS, Columbia Broadcasting System / Companhia Brasileira de Som (hoje Sony Music Entertainment - Brasil)
4- "La Forza Della Vita"
escrita por Beppe Dati e Paolo Vallesi
intérpretada por Renato Russo
editora Siae, Sociedade Italiana de Autores e Editores (Società Italiana degli Autori ed Editori) / ADDAF, Associação Defensora de Direitos Autorais e Fonomecânicos
(P) 1995 EMI Music, Electrical and Musical Industries (hoje Universal Music Brasil)
5- "Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo"
escrita por Roberto Carlos e Erasmo Carlos
interpretada por Roberta Miranda
Editora EMI Music, Electric and Musical Industries, Ltda.
(P) 1996 Warner Music (Divisão Continental) (hoje Warner Music Brasil)
6- "Correnteza"
escrita por Antônio Carlos Jobim e Luiz Bonfá
interpretada por Djavan
editora Jobim Music / Direto ao autor
(P) 1996 Luanda Records/ Epic Records / Sony Music Entertainment (Brasil) 7- "A Primeira Vista"
escrita por Chico César
interpretada por Daniela Mercury
editora Velas
(P) 1996 Epic Record / Sony Music Entertainment (Brasil)
8- "Sem Medo de Ser Feliz"
escrita por Zezé di Camargo
interpretada por Zezé di Camargo & Luciano
editora Sony Music
(P) 1995 Columbia Records / Sony Music Entertainment (Brasil) 9- "Doce Mistério"
escrita por Nil Bernardes, Luiz Schiavon e Marcelo Barbosa
intérpretada por Leandro & Leonardo
Editora Warner / Chappell Brasil Edições Musicais
(P) 1996 Warner Music (Divisão Continental) (hoje Warner Music Brasil) 10- "Vaqueiro de Profissão"
escrita por Iranfe Maciel e Mário Maranhão
interpretada por Jair Rodrigues
direto aos autores
(P) 1996 Movie Play do Brasil, Indústria e Comércio Ltda.
11- "The Woman In Me (Needs a Man In You)"
escrita por Shania Tawin e Robert John "Mutt" Lange
interpretada por Shania Twain
editora Loon Echo Music/ Zomba Label Group
(P) 1995 Mercury Records / PolyGram Records, Inc. (hoje Universal Music Group)
12- "O Que Vem a Ser Felicidade"
escrita e interpretada por Orlando Morais
participação especial de Dominguinhos, artista gentilmente cedido pela Warner Music (Divisão Continental) (hoje Warner Music Brasil)
editora Unlimited
(P) 1995 Som Livre
13- "Cidade Grande" (instrumental)
escrita por M. Machado e E. Dias
executada por Metrópole
editora Sigem, Sistema Globo de Edições Musicais Ltda.
14- "Caminhando Só" (instrumental)
escrita por M. Machado e E. Dias
executada por Evara Zan
editora Sigem, Sistema Globo de Edições Musicais Ltda.