"O que é de verdade ninguém mais hoje liga: isso é coisa da antiga" - Ney Lopes e Wilson Moreira

Elsa (Frozen) ♥

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Paciência (Lenine)

                                       

PACIÊNCIA

"Enquanto todo mundo espera a cura do mal e a loucura finge que isso tudo é normal eu finjo ter paciência." Na canção "Paciência" (1999), o cantor-compositor Lenine [em parceria com Dudu Falcão] exprime com exatidão essa sensação humana. A paciência, virtude tão necessária na pandemia, mas de difícil regência, é tão "fingida" quanto sofrida e corajosa. Nascemos dela. Nela nos sorvemos por nove meses e com ela fomos amorosamente aguardados. Depois, com impaciência almejamos a idade adulta para ser "donos do próprio nariz", ou o diploma, o emprego, o amor... Impacientes com o ônibus que não chega; ansiosos pela chegada do irmão que viajou; inquietos pelo "trabalho pra ontem"; pela aposentadoria na fila do banco, ou na emergência hospitalar pela cura da doença, pela "cura do mal..." "A vida não para", e é preciso ter "um pouco mais de calma", "um pouco mais de alma". 

Frei Edrian Josué Pasini, OFM 
Petrópolis/RJ

Verso da página do dia 9 de fevereiro de 2023 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes
 


"Paciência"
Escrita por Lenine e Dudu Falcão
Interpretada por Lenine
Do álbum "Na Pressão" (Sony Music, 1999)

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não



O papa argentino e o poeta brasileiro



O PAPA ARGENTINO E O POETA BRASILEIRO

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida." Este verso compõe o célebre "Samba da Bênção" (1967), cuja letra é do poeta brasileiro Vinícius de Moraes (1913-1980) [em parceria com Baden Powell (1937-2000)]. Foi citado pelo Papa Francisco na Carta Encíclica Fratelli Tutti [em português, "Todos Irmãos"], de outubro de 2020. O documento, com forte inspiração em São Francisco de Assis (Giovanni di Pietro di Bernardone, 1181 ou 1182 - 1226), trata sobre a fraternidade e a amizade social. No texto, o Santo Padre propõe a mensagem do Evangelho como convite à construção de uma humanidade fundamentada na solidariedade e no amor. Segundo o documento, a diversidade que nos distingue é uma bênção, pois nos convoca ao trabalho desafiante de sermos protagonistas da arte do encontro.

Frei Gustavo W. Medella, OFM 

gmedella@franciscanos.org.br



Verso da página do dia 5 de fevereiro de 2023 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes



domingo, 5 de fevereiro de 2023

"Quando Fui Ferido, Vi Tudo Mudar"


Mais uma análise evangélica do Frei Gustavo Medella da música "Meu Mundo E Nada Mais" (1976) de Guilherme Arantes.


QUANDO FUI FERIDO, VI TUDO
MUDAR

O verso da canção "Meu mundo e nada mais", de Guilherme Arantes, faz alusão a um momento crucial na vida do ser humano, uma ruptura que o transforma a partir de dentro. Na linguagem religiosa, tal episódio poderia ser associado a um "divisor de águas" que marca o processo de conversão. Para São Francisco de Assis (Giovanni di Pietro di Bernardone, 1181 ou 1182 - 1226), por exemplo, o encontro com o leproso mudou radicalmente sua percepção de mundo. Por causa do amor a Cristo, Francisco se tornou capaz de abraçar aquela figura que até então lhe provocava aversão. Assim, o que lhe parecia amargo, tornou-se para ele "doçura de corpo e alma" (Testamento de São Francisco). Benditas as feridas que nos fazem crescer e mudar para melhor.

Frei Gustavo W. Medella, OFM
gmedella@franciscanos.org.br

Verso da página do dia 15 de janeiro de 2023 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes

Para ver a primeira análise da mesma música, acesse:



Livro "Viver É A Melhor Opção" de André Trigueiro

 



Em uma sessão espírita, após comentar que sabia o que se passava na cabeça de um suicida, um espírito incorporado em uma amiga médium o surpreendeu questionando se ele tinha certeza disso, lhe fez várias perguntas sobre o autoextermínio, mas o adepto do espiritismo respondeu não a todas elas. Então este espírito assertivamente chegou a conclusão de que ele não sabia nada. E a partir dali esse mesmo espírito que era de um amigo se comunicava com frequência com ele em cada sessão sobre o assunto. Foi inspirado nesse diálogo que André Trigueiro, jornalista da TV Globo, escritor e palestrante foi buscar informações sobre a suicidologia expostas neste livro lançado em 2015, "Viver É A Melhor Opção" (Editora Correio Fraterno) que eu ganhei de uma amiga no meu aniversário de 2019 e que eu li se eu não estou errada umas três vezes. Atualmente André Trigueiro mantem o seu canal no YouTube onde ele transmite suas lives de palestras e entrevistas que abordam jornalismo, espiritualidade e sustentabilidade, entre elas, uma playlist inspirada no livro, inclusive a introdução dessa postagem foi inspirada em um desses vídeos que eu incorporei aqui.

"Há momentos na vida em que muitos de nós perdemos a coragem de seguir em frente. Essa situação é mais frequente do que se imagina. Em casos extremos, o desânimo, a melancolia ou a depressão podem precipitar a ideia do suicídio, um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. O silêncio em torno do assunto – um abominável tabu – só agrava a situação. A própria Organização Mundial da Saúde vem defendendo a comunicação aberta e responsável como medida eficaz de prevenção. É sabido que a informação cumpre uma função estratégica na prevenção dos mais variados tipos de males e doenças. Isso também vale para o suicídio. Uma das descobertas mais importantes – e desconhecidas – da ciência médica dá conta de que o suicídio é prevenível em 90% dos casos, por estar associado a psicopatologias diagnosticáveis e tratáveis. Este livro foi escrito com uma única convicção: as informações reunidas nele podem salvar vidas. Não se enquadra, porém, na categoria 'autoajuda'. Pelo contrário, mostra o que podemos fazer pelos outros, ou seja, pelas pessoas que estão ao nosso redor atravessando uma etapa tão difícil da existência." 

Texto da primeira orelha (ou aba) do livro "Viver É A Melhor Opção"



"Baseado em estudos recentes da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde, aponta a importância da prevenção ao suicídio em todos os setores da sociedade. Trabalhando a prevenção através da informação, enfoca o valor da vida, além de abordar os fundamentos do espiritismo, como a pluralidade de existências, a lei de causa e efeito e a realidade da vida após a morte. Alguns outros temas em destaque: depressão, uso de armas, o papel da mídia e drogas." - Amazon (https://www.amazon.com.br/Viver-Melhor-Op%C3%A7%C3%A3o-Andr%C3%A9-Trigueiro/dp/8598563854)


Se você passa por problemas de saúde mental e precisa de ajuda, ligue para o CVV, Centro de Valorização da Vida. O número é 188 e o serviço é gratuito e disponível 24 horas.

domingo, 22 de janeiro de 2023

Baú de Curiosidades #02 - Gabriela Rivero em "Fiebre Del 2"

 



No final dos anos 1970, o mundo fervia com a discothèque. Era a época dos "Embalos de Sábado à Noite" ("Saturday Night Fever", Paramount Pictures, 1977), filme estrelado por John Travolta, e, no Brasil, da novela "Dancin' Days" (Rede Globo, 1978-1979). No México não foi diferente: aos sábados, das 20 às 22 horas entre os anos de 1978 e 1981, foi ao ar na Rede Televisa, a Globo mexicana, o programa "Fiebre Del 2". Apresentado por Fito Giron e Chela Braniff, o programa todo destinado ao público jovem era um concurso de dança em que competiam  homens e mulheres solo e casais, tudo em ritmo de discothèque, a tendência musical da época. Dentre os competidores estavam o ator Guillermo Capetillo, famoso no Brasil pela novela "Rosa Selvagem" ("Rosa Salvaje", Canal de las Estrellas / Televisa, 1987-1988) e ninguém menos que a atriz Gabriela Rivero que, na década seguinte, seria conhecida como a dócil Profesora Ximena (no Brasil, Professora Helena) na novela "Carrossel" ("Carrusel", Canal de las Estrellas / Televisa, 1989-1990) exibida nas telinhas brasileiras entre 1991 e 1992 pelo SBT. Neste vídeo abaixo, Gaby Rivero, na época aos 15 anos na temporada de 1979, vestido uma blusa roxa e calça jeans, dava um show de dança ao som de "Makin' It" (de Dino Fekaris e Fredie Perren, 1978) do cantor David Naughton, tema do sitcom americano homônimo que foi ao ar pela American Broadcasting Company (ABC).


Fontes:
Página "Inolvidables Recuerdos" - Facebook


Baú de Curiosidades #01 - Gabriela Melim


Antes de formar com os seus irmãos Rodrigo e Diogo o trio  folk pop Melim, uma das bandas que eu adoro particularmente como também cujas músicas adoro cantarolar no chuveiro e no karaokê, Gabriela, que nasceu quase dois anos depois que os irmãos gêmeos, começou sua carreira como artista solo aos 15 anos de idade cantando samba, enquanto Diogo e Rodrigo tocavam juntos em bares. Gabriela Melim lançou em 2013 o álbum "Tipo Brasileiro" (Boulevax Music) tendo como produtor o consagrado compositor Carlos Colla (5 de agosto de 1944 - 13 de janeiro de 2023) que infelizmente acabou de nos deixar. O projeto contou com outras participações de peso: Marcelo D2, João Donato, Rildo Hora na gaita (na faixa "Vai Embora, Tristeza") e seu filho Misael da Hora no teclado. Além de suas canções autorais como "Pimenta", "Cuidado Pra Não Dormir Demais" e "Peça Felicidade", Gabriela Melim faz releitura das músicas "Vai Embora Tristeza" (de Arlindo Cruz, Gegê do Cavaco e Julinho Santos, 2012) que já foi gravada por Arlindo Cruz e Karinah, "Sambou, Sambou" (de João Donato e João Melo, 1962) com a participação de João Donato e "Estardalhaço" (de Lisyas E. Oliveira e José Edmundo Guedes, 1975) gravada originalmente pelo cantor, compositor e multi-instrumentista Bebeto Castilho. As músicas do primeiro álbum solo de Gabriela Melim podem ser ouvidas  sua página no Youtube, no site do Instituto Memorial Música Brasileira (IMMuB) e no SoundCloud da própria cantora.






"Tipo Brasileiro"
Gabriela Melim
℗ 2013 Boulevax Musuc

FICHA TÉCNICA: 

Produzido por Boulevax Music Brasil
Direção Geral: Carlos Colla; Direção Executiva: Giselle de Paula; Direção Musical e Arranjos: Leandro Barros

MÚSICOS: Camilo Mariano (Bateria); Nene Brown, André Siqueira, Fabio Miudinho (Percussão); Humpry Scott (Contrabaixo); Misael da Hora, Valério Behir (Teclados); Márcio Hulk (Cavaco); Leandro Barros (Guitarra e violão 6 cordas); Carlinhos Sete Cordas (Violão 7 cordas); Sergio Galvão, Jesiel, Seabra, Bira Trombone, Lamir Teixeira, Márcio André (Sopros)  

Participações Especiais: Rildo Hora-Gaita (faixa 4); Marcelo D2-Voz (faixa 5); João Donato - Piano e Voz (faixa 9).

Gravação: Estúdio 3 por Léo Guimarães e Estúdio 94 por Guilherme Tettamanti (faixas 7 e 8); Mixagem: Ricardo Palmeira; Masterização: Ricardo Garcia; Direção de Arte: Giselle de Paula

Fotografia e projeto gráfico: Schumacher

FAIXAS:

1 Malandro (Káliman Chiappini)
2  Pimenta (Gabriela Melim)
3  Sim Senhora (Sérgio Kahó/Carlos Colla)
4  Vai Embora Tristeza (Arlindo Cruz/Gegê do Cavaco/Julinho Santos)
Participação: Rildo Hora (gaita)
5  Tipo Brasileiro (Alexandre Leão/Manuca Almeida/Sofia Laura/Carlos Colla)
Participação: Marcelo D2
Música Incidental: BR2 (Marcelo D2/Sain)
6  Figa de Osso (Káliman Chiappini/Carlos Colla)
7  Peça Felicidade (Gabriela Melim)
8 Cuidado Pra Não Dormir Demais (Gabriela Melim)
9  Sambou, Sambou (João Donato/João Mello)
Participação: João Donato
10  Na Lapa (Káliman Chiappini/Carlos Colla)
11 Cristo Redentor (Frank Daiello/Carlos Colla)
12 Como Diz o Poeta (Juninho Peralva)
13  Desassossego (Gilberto Gomes/Diógenes Tiê)
14  Estardalhaço (Lisyas E. Oliveira/José Edmundo Guedes)

domingo, 8 de janeiro de 2023

O Evangelho e a MPB #06 - "O Cio da Terra" - Milton Nascimento e Chico Buarque

Capa do compacto simples "Milton & Chico" (Philips / Phonogram - hoje Universal Music, 1977) no qual está o sucesso "O Cio da Terra".


"O Cio da Terra"
(de Chico Buarque e Milton Nascimento, 1977)

"O Cio da Terra". Apenas três estrofes, sem refrão, dão forma a esta obra-prima da MPB, composta por Milton Nascimento e Chico Buarque. Retrata a relação fecunda e íntima entre o ser humano e a natureza num ciclo virtuoso que se renova e gera vida. Fecundidade que produz o trigo e este, por sua vez, o pão. Jesus, ao apresentar o Reino de Deus, muitas vezes lança mão de figuras da natureza, como o solo, as plantas, os frutos e as sementes. O desejo do Mestre é revelar que toda a criação é fruto do mesmo plano de amor que nasce no coração de Deus. O cristão é chamado a deixar-se trabalhar pela graça de Deus e também fazer a sua parte para fecundar o solo do mundo com seu testemunho de partilha, respeito, compaixão e amor.

Frei Gustavo Wayand Medella, OFM gmedella@gmail.com

Verso da página do dia 27 de dezembro de 2022 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes



quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

A linda campanha de Natal d' O Boticário 2022


"A guerra acabou, se você quiser!". Assim diziam John Lennon (1940-1980) e Yoko Ono no outdoor simplista do lançamento do single natalino antiguerra "Happy Xmas (War Is Over)" (1971) da autoria do polêmico casal como forma de protesto contra a Guerra do Vietnã.

E no momento em que o Brasil vive em guerra retumbante por razões políticas, um fato muito triste, a empresa de perfumes e cosméticos O Boticário lança uma campanha de Natal lembrando aos espectadores que, ao invés de insistir naquilo que nos separa, independentemente do motivo, se aderir naquilo que nos une: o amor

A ideia da propaganda d' O Boticário foi inspirada na pesquisa realizada neste ano pela DOJO e KOGA intitulada "Brasil de Bolhas" que revela que nós brasileiros estamos deixando de conversar por variadas razões. Dos dois mil entrevistados em todo o país, 58,9% das pessoas afirmaram que tentam constantemente convencer os outros a respeito do que acreditam, o que reflete a divisão de pessoas e rompimento de amizades e relações. 
O filme idealizado pela AlmapBBDO mostra situações do cotidiano atravessadas por rupturas entre pessoas que se amam e são (ou eram) amigas até debaixo d'água, mas que, em meio a brigas e discussões, se distanciam e, no auge da desavença, uma fenda se abre entre os recém-rivais. Porém, com a rachadura profunda, o "climão" dá lugar ao reencontro, reconciliação entre pessoas queridas através do ato de amor e respeito ao som da releitura de "One Love" (de Bob Marley e Curtis Mayfield, 1965) da banda jamaicana The Wailers que com o tempo passou a se chamar Bob Marley (1945-1981) & The Wailers em razão do seu mais ilustre vocalista.

A campanha d' O Boticário estreou em TV aberta no domingo, 27 de novembro, com produção da Delicatessen, direção de cena de Pedro Becker e direção executiva de Luciana Mattar.

"Onde isso vai parar se a gente não parar com isso?"

O Evangelho e a MPB #05 - "Maria, Maria" - Milton Nascimento

Capa do álbum duplo "Maria Maria" lançado em 1976 e inédito até 2003 quando foi lançado em CD.


"Maria, Maria"
(de Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976*)

"Maria, Maria". A célebre canção de Milton Nascimento e Fernando Brant (1946-2015) retrata a força de uma mulher simples, anônima e batalhadora. Apresenta sua valentia diante das dificuldades e a maturidade de quem aprendeu a superar obstáculos e adquiriu uma "estranha mania de ter fé na vida". Maria é aquela que mistura "dor e alegria". Dor e alegria que convivem na alma de Maria, Mãe de Jesus, a quem o povo aprendeu a venerar como Nossa Senhora das Dores e também das Alegrias. Nos mistérios do terço, muitas Marias aprendem a contemplar os episódios alegres e doloridos daquela mulher simples, batalhadora e anônima com quem aprenderam a se identificar. "Doravante todas as gerações me chamarão
bem-aventurada" (Lc 1,48b).

Texto de Frei Gustavo Wayand Medella, OFM
gmedella@gmail.com

Verso da página do dia 16 de novembro de 2022 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes

*"Maria, Maria" foi composta para o espetáculo homônimo da estreia do Grupo Corpo de 1976 e tinha roteiro de Fernando Brant, música de Milton Nascimento e coreografia do argentino Oscar Araiz. Inicialmente não havia letra, apenas vocalizes em cima da melodia criada por Milton. Dois anos depois, em 1978, o clássico dos compositores mineiros com a letra foi lançada oficialmente  no disco "Clube da Esquina 2" (EMI-Odeon, hoje Universal Music).

Fontes:
Goma Gringa

Veja Rio

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

E se o Natal fosse contado pela MPB? (página Oficina de Nazaré)

 


Um vídeo interessantíssimo da página católica Oficina de Nazaré (@oficina.de.nazare - Instagram) monitorado por Matheus Cedric e por teólogo Felipe Koller. O conto de Natal narrado por grandes canções da MPB. Recebi pelo WhatsApp e me apaixonei!


MÚSICAS EM ORDEM DE EXECUÇÃO:

*"Maria, Maria" (de Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976) - Milton Nascimento
*"Anunciação" (de Alceu Valença, 1983) - Alceu Valença
*"Força Estranha" (de Caetano Veloso, 1978) - Gal Costa (1945-2022)
*"José" ("Joseph", de Georges Moustaki, 1969, e versão de Nara Leão, 1970) - Rita Lee
*"Nos Barracos da Cidade (Barracos)" (de Gilberto Gil e Liminha, 1985) - Gilberto Gil
*"Nascer" (de Isadora Canto, 2017) - Isadora Canto
*"O Que É, O Que É" (de Gonzaguinha, 1982) - Gonzaguinha (1945-1991)
*"A Festa do Santo Reis" (de Márcio Leonardo, 1971) - Tim Maia (1942-1998)

domingo, 18 de dezembro de 2022

Canções de Natal também podem ser tristes

 


Chegou a época do Natal em que muitos de nós nos sentimos felizes por nos deixar levar pelas belas decorações, clima de inocência, reunião de amigos e familiares e celebrações religiosas (e, no meu caso, pelos especiais do meu muso Roberto Carlos também. Risos). Porém, nesta época nem tudo são luzes. Seja por qual for o motivo, a angústia e a tristeza nos pesam por dentro e esse sentimento no período das festas é bem mais comum do que se imagina. Algumas músicas natalinas mais populares retratam essa realidade. Vamos a elas!

Aqui no meu blog eu fiz uma postagem (clique aqui) sobre a canção "Boas Festas" (1933) (aquela do "anoiteceu / o sino gemeu / e a gente ficou / feliz a rezar") que muitos cantam sem ao menos saber do que ela se trata. "Boas Festas" mostra como eram os natais do próprio compositor Assis Valente (1911-1958) e dos brasileiros mais necessitados financeiramente, uma situação bem atemporal. Ela retrata que nem todos têm o privilégio do consumismo e realização dos seus sonhos, resultando em angústia e frustração em pessoas menos favorecidas: "eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel / bem assim felicidade eu pensei que fosse uma brincadeira de papel / já faz tempo que eu pedi, mas o meu Papai Noel não vem / Com certeza já morreu ou então felicidade é brinquedo que não tem".
Ainda falando em desigualdade social, o rei Roberto Carlos lembra as famílias carentes e sem mesa farta na música cristã "Meu Menino Jesus" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1998), na qual ele canta: "te peço, Menino Jesus, ponha na mesa de alguém / o que esse alguém sempre quis e não tem / felicidade também".
A canção natalina americana "The Little Boy That Santa Claus Forgot" (de Michael Carr, Tommie Connor e Jimmy Leach, 1937) gravada primeiramente por Vera Lynn (1917-2020) e eternizada na voz de Nat King Cole (1919-1965) descreve um garotinho esquecido pelo Papai Noel, como o próprio título diz. Enquanto outras crianças se divertem com seus brinquedos novos, o que faz com que ele sinta inveja delas, o menino está triste e solitário e, no final, a letra revela que o menino não tem pai (acredita-se que o pai morreu), dando a impressão de que este seria o verdadeiro motivo pelo qual ninguém havia comprado um brinquedo para ele. Uma música semelhante até no título é a brasileiríssima "Papai Noel Esqueceu" (de Herivelto Martins e David Nasser, 1956) interpretada lindamente por Ângela Maria (1929-2018), a eterna Rainha do Rádio e lady "Babalú" (de Margarita Lecuona, 1939) em dueto com João Dias (1927-1996).
"Sofrências" de Natal? Também existem. E na levada do samba-canção, um dos meus estilos musicais preferidos, que são "Amargo Presente" da autoria de Cartola (1908-1980) lançada postumamente em 1983 pela Beth Carvalho (1946-2019) e "Meu Natal" (1961) de Lupicínio Rodrigues (1914-1974) gravada por Jamelão (1913-2008), esta que fala de um homem que ao longo de sua vida teve muita sorte, mas que esta sorte foi rompida depois que o destino o separou de seu grande amor. E ele, inconformado, conclui: "sabe o que o Papai Noel me trouxe este ano? / Foi um cesto, foi um cesto / com tristeza e desengano".
"Please Come Home for Christmas" (de Charles Brown e Gene Redd, 1960) do cantor, compositor e pianista Charles Brown (1922-1999) que foi regravada por Kelly Clarkson, CeeLo Green e bandas Bon Jovi, Eagles e Hanson fala de alguém solitário que se entristece por não ter ninguém para lhe desejar boas festas e anseia para que uma pessoa em especial passe o Natal com ele em casa.
Dando sequência à solidão natalina, outra postagem que eu fiz aqui (clique aqui) é sobre a canção "Santa, Can't You Hear Me?" (de Aben Eubanks e Kelly Clarkson, 2021) da cantora Kelly Clarkson em dueto com Ariana Grande. Ela fala sobre uma moça que rejeita presentes materiais e pede ao Papai Noel alguém para amar, mas esse alguém não chega.
 

A música que eu citarei a seguir não é nada natalina, mas que, a meu ver, merecia ser lembrada na época graças ao conteúdo da letra. "Azul da Cor do Mar" (1970) do Tim Maia (1942-1998) com a participação de ninguém menos que Rildo Hora no solo de gaita (own, que lindo! Risos) é uma história sobre alguém que vê os outros que, ao contrário dele, têm uma vida próspera e sonhos concretizados, uma situação semelhante à das músicas "Boas Festas" e "The Little Boy That Santa Claus Forgot", mas ele, embora profundamente triste e frustrado, se conforma com a realidade: "ah, se o mundo inteiro me pudesse ouvir / tenho muito pra contar e dizer que aprendi / que na vida a gente tem que entender / que um nasce pra sofrer / enquanto o outro ri". Em seguida, aconselha aos que estão na mesma melancolia a cumprir suas missões que são "achar razão para viver" e ter "um motivo pra sonhar'', ou seja, como uma mensagem de Natal, mesmo que nada aconteça como nós queremos tanto e por mais tristeza que a vida traga, deixar que Jesus Cristo, a razão certa e maior do Natal, nasça em nossos corações.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Nos deixou o Monsenhor Jonas Abib

 

"Deixa tuas redes, deixa teu lar.
Deixa teus campos, deixa por mim.
Meu operário eu te farei, 
irmão e amigo eu te serei.
Eis-me Senhor, tudo deixei 
por Ti, Senhor."
("Senhor, Meu Amigo", de Jonas Abib, 1977)



Morreu na noite desta segunda-feira, 12 de dezembro, o monsenhor Jonas Abib,sdb (21 de dezembro de 1936-12 de dezembro de 2022), fundador da Comunidade Canção Nova 9 dias antes de ele completar 86 anos e um dia após o Hosana Brasil, evento anual religioso da comunidade católica.
De acordo com a Canção Nova, a causa da morte foi insuficiência respiratória por broncoaspiração e disfagia motora.
Jonas Abib havia deixado o hospital na última quinta-feira, dia 8 de dezembro, após ficar um mês internado para tratamento de uma pneumonia. O religioso também seguia desde 2021 um tratamento quimioterápico de um mieloma (tipo de câncer).

Jonas Abib nasceu no dia 21 de dezembro de 1936 em Elias Fausto (SP) e seus pais eram Sérgio Abib, de ascendência libanesa, e Josefa Pacheco. Ordenado sacerdote em 1964, passou a se dedicar no trabalho de evangelização de jovens.
Em 1971, Padre Jonas conheceu a Renovação Carismática Católica (RCC) que marcou sua vida e ministério. Sua vida também é marcada pela música. É compositor de várias músicas e também é cantor católico, sendo um dos pioneiros da música católica popular do Brasil além do seu amigo, Padre Zezinho. Sete anos depois, em 1978, fundou a Comunidade Canção Nova, com a missão de evangelizar pelos meios de comunicação social.
Em 2004, juntamente a Comunidade Canção Nova, inaugurou o Centro de Evangelização Dom João Hipólito de Moraes, um local para mais de 80 mil pessoas. Jonas Abib também era presidente da Fundação João Paulo II e membro do Conselho da Renovação Carismática Católica do Brasil, além de outras funções. O título de monsenhor foi concedido ao religioso pelo Papa Bento XVI em 17 de outubro de 2007 a pedido do bispo da diocese de Lorena (SP), Dom Benedito Beni Santos. Esse título é dado pelo Papa a padres que se destacam por relevantes serviços prestados à Igreja e ao povo de Deus em suas dioceses. Em 3 de novembro de 2008 a Canção Nova alcançou o Reconhecimento Pontifício, recebendo aprovação dos seus estatutos junto a Santa Sé.
Jonas Abib lançou dezenas de livros e, como cantor e compositor, 4 álbuns pela gravadora Paulinas-COMEP e 17 pela Gravadora Canção Nova.



VÍDEOS: Padre Jonas Abib apresentando o primeiro programa católico da TV brasileira, o "Anunciamos Jesus", produzido pela Associação do Senhor Jesus (do Padre Eduardo Dougherty) que foi ao ar no dia 4 de junho de 1983. Começava neste momento uma nova forma de Evangelização, foi a semente da TV Canção Nova inaugurada 6 anos depois, em 1989.

 

 


 VÍDEO: Jonas Abib (na época Padre Jonas Abib) no Programa do Jô na Rede Globo em junho de 2004

 



                                   

Descanse na paz de Deus, Jonas Abib.




O pequeno Jonas Abib


Jonas Abib em 1964 quando foi ordenado sacerdote


FONTES:
*Wikipédia

*Site G1:




Festa de Lançamento do "Clube do Samba" (Fantástico, 1979)

"Meninos da Mangueira" - Ataulpho Jr. e Diogo Nogueira no programa "Samba da Gamboa" na TV Brasil