"O que é de verdade ninguém mais hoje liga: isso é coisa da antiga" - Ney Lopes e Wilson Moreira

Elsa (Frozen) ♥

domingo, 19 de março de 2023

O grupo musical brasileiro dos anos 1970 que a Marvel Comics derrubou

                                      
Super Heróis, o Village People brasileiro

Até o dia do meu aniversário, semana passada, 12 de março, eu não conhecia esse grupo musical infantil Super Heróis. Essa minha desinformação se justifica por não ser da minha época, ou seja, eu ainda estava fora dos planos dos meus pais quando esse grupo surgiu. Mas foi só eu me deparar com uma das postagens da página Nostalgicamente (@nostalgicamenteoficial) no Instagram que comecei a me interessar não só em razão dos integrantes vestidos de super-heróis famosos (e pelos comentários brincalhões de internautas. Risos) como também pela levada disco da música que cantavam. Nada satisfeita com informações rasas como sempre, eu fui investigar no Google sobre Super Heróis e, por sorte minha, achei músicas no YouTube e história do grupo na página do colunista Odair Braz Jr. do Portal R7. E não é que as suas músicas eram mesmo contagiantes? Até mesmo um usuário estrangeiro do YouTube postou um vídeo-áudio (clique aqui) do grupo em seu canal e disse na descrição que chegou a sair dançando pela sala ao som de "Somos Todos Super Amigos". E concluiu: "CUIDADO! (a música) ficará grudada na sua cabeça o dia todo."


O ano era 1979, conhecido como "O Ano Internacional da Criança". "Superman - O Filme" ("Superman", Warner Bros. Pictures, 1978) protagonizado pelo saudoso Christopher Reeve (1952-2004) estava em cartaz nos cinemas mundiais. O desenho animado "Superamigos" ("Super Friends", Hanna-Barbera / DC Comics, 1973-1985) com Batman, Robin, Superman e Mulher-Maravilha era exibido na TV brasileira. A disco fervia as rádios e as pistas de dança na época. Aproveitando toda essa febre, o produtor João Walter Plinta (? - 2019) criou o grupo musical para atrair o público infantil, o Super Heróis (sem o hífen, mesmo), juntando personagens da DC Comics (Batman, Robin, Superman e Mulher-Maravilha), da Marvel Comics (Homem-Aranha e Thor) e um intruso televisivo Kung Fu. Este último não é o personagem Shang-Chi, da Marvel, embora tenha o visual extremamente parecido. Segundo os integrantes, Kung Fu foi inspirado no lutador da série homônima (Warner Bros. / American Broadcasting Company, 1972-1975) estrelada por David Carradine (1936-2009). Nos dias de hoje as novas gerações diriam que Super Heróis é o conjunto musical de cosplays. João Walter Plinta também havia produzido grandes nomes da música infantil, como A Patotinha, Patati Patatá, Gugu Liberato (1959-2019) e Eliana. Inclusive foi o Plinta o compositor de "Os Dedinhos" ("polegares, polegares, onde estão?"), versão de uma música tradicional infantil francesa "Frère Jacques".

João Walter Plinta (in memorian) em estúdio


Boa parte do grupo que era da faixa de seus 15, 16 e 17 anos de idade saiu do programa Show de Calouros da TVS (primeiro nome do SBT) apresentado por Silvio Santos. Inclusive Plinta fazia parte do coral do programa. E já com a ideia na cabeça e um projeto na gravadora RCA _que hoje pertence à Sony Music_ Plinta chamou alguns rapazes para fazer o teste e os selecionados para os Super Heróis foram Manoel Carvalho, o Noel (Robin), Gilson Dias (Thor), Claudio Rivera (Homem-Aranha), Ricardo Scheir (Batman) e Francisco Assis, o Kung Fu (que mais tarde foi substituído por Lincoln Idelfonso). José Francisco Bueno, o Benê era o Superman, voz principal e o único cantor profissional do grupo que já fez parte da banda Os Môscas (isso mesmo, com acento circunflexo, a grafia da época) que tinha uma certa relação com a Jovem Guarda nos anos 1960. Vera Lúcia Egídio, a Mulher-Maravilha, só veio pouco depois de o grupo já ter sido lançado. 
O primeiro lançamento do grupo Super Heróis foi um compacto simples (ou single no atual jargão fonográfico) com as músicas "Somos Todos Super Amigos" (de João Walter Plinta, Wagner Benatti e Chris, 1979) e "Preserve o Que É De Todos" (de João Walter Plinta e Cesar Rossi, 1979), uma canção com uma linda letra em defesa do meio ambiente. Ambas as faixas, assim como a ideia do grupo, têm como inspiração o grupo Village People que emplacava nas paradas de sucesso e nas discotecas do mundo todo. Afinal, se Village People tem "índio americano", "cowboy", "operário", "motociclista", "soldado" e o vocalista "policial" como os integrantes eram identificados de acordo com as suas fantasias, por que não criar um grupo pra crianças em pleno Ano Internacional da Criança com os membros que se chamariam Superman, a voz principal, Homem-Aranha, Thor, Batman, Robin, Kung-Fu e Mulher-Maravilha? As músicas que seguem a mesma estética de "Y.M.C.A" (de Jacques Morali e Victor Willis, 1978) e "Macho Man " (de Jacques Morali, Henri Belolo, Victor Willis e Peter Whitehead, 1978), dois grandes sucessos do grupo nova-iorquino, tiveram o arranjo assinado por Hélio Santisteban (1948-2018), vocalista e tecladista da banda Pholhas. A direção artística do compacto é de Osmar Zan, filho do compositor e acordeonista Mário Zan (1920 - 2006).

 






Capa do compacto duplo do grupo Super Heróis

Em seguida, no mesmo ano, já com a Mulher-Maravilha no grupo, foi lançado compacto duplo (ou EP como se chamaria nos dias de hoje) com as faixas "Eu Também Vou (À Festa dos Super Heróis)" (de Cleide Dalto) que é uma versão de uma música do grupo Boney M., "Gotta Go Home" (de Frank Farian, Fred Jay, Heinz Huth e Jürgen Huth, 1979), cuja introdução foi usada como sample para música "Barbra Streisand" (de Alain Macklovitch e Armand van Helden, 2010) do duo de dj's Duck Sauce, e "Dance Comigo" (de Cleide Dalto), adaptação de "Dance With You" (de Kossi Gardner, 1979) gravada pela cantora americana Carrie Lucas, além das duas faixas do single anterior.
O Benê, o Superman, era o único cantor de fato. Os demais integrantes disseram que faziam backing vocal, mas também contavam com a ajuda de cantores profissionais. João Walter Plinta, Sylvinha Araújo (1951-2008), ex-jovem guardista e esposa de Eduardo Araújo, e Ângela Márcia, esposa do Sérgio Reis, cantaram em algumas faixas do projeto. Inclusive foi Ângela que participou do compacto duplo como a voz da Mulher-Maravilha na faixa "Dance Comigo". É aquele famoso "esqueminha de fabricação das gravadoras", um fato bem comum na indústria musical daquela época.
O grupo passou a fazer apresentações em praticamente todos os programas de TV que contavam com atrações musicais. O primeiro deles foi o do Raul Gil, ainda na TV Tupi (1950-1980), considerado o padrinho do grupo, pelo menos para os integrantes. Acabaram indo a vários outros, como no programa do Bozo, na TVS/SBT, Bolinha (Edson Cury, 1936-1998), do Carlos Imperial (1935-1992), "Almoço Com As Estrelas" e também na Globo, nos Trapalhões e no do Chacrinha (Abelardo Barbosa, 1917-1988). Até mesmo à tradicional chegada do Papai Noel no Maracanã, no Rio de Janeiro não podiam faltar, afinal eles já se tornaram em uma sensação entre a garotada.
Com a repercussão lá nas alturas graças às aparições na TV, venda de discos e agenda de shows, houve uma chance dos Super Heróis se apresentarem em Portugal, isso em dezembro de 1982. Pasmem: já havia muita gente aguardando o grupo no aeroporto de Lisboa. Quando o voo se aproximava, os integrantes se vestiam com a roupa do show e foram recebidos calorosamente por crianças. Uma recepção bem digna dos Beatles. 

Acabaram-se os superpoderes 

O sucesso no exterior era tanto que, contudo, ao grupo e à equipe de produção deu uma baita dor de cabeça. É que foi a partir da turnê em Portugal que a Marvel Comics, a editora de HQ's proprietária dos heróis Thor e Homem-Aranha, ficou sabendo da existência do conjunto musical brasileiro e resolveu levantar uma ação judicial contra a produção e a RCA (hoje pertencente à Sony Music) pelo uso dos seus personagens sem autorização. 
Analisem comigo: os Super Heróis estavam na ativa desde 1979 e foi só surgir uma turnê internacional 3 anos depois que a editora americana descobre a existência do grupo brasileiro. Afinal, naquela época, não existiam a internet e suas redes sociais através das quais uma novidade midiática chegava em uma velocidade absurda aos olhos do mundo, inclusive das celebridades nacionais e internacionais. E receber notícias nos Estados Unidos de um grupo musical vestido de super-herói no Brasil era algo praticamente impossível de acontecer.
Paulo Fedato (1949-2021), produtor da RCA na época, revelou que a cobrança da Marvel não foi nada traumática ou cheia de advogados e que ninguém na gravadora pensou que poderia dar problemas ao usar o Thor e o Homem-Aranha. Sem falar também em Batman, Robin, Superman e Mulher-Maravilha que pertenciam à DC Comics e no Kung-Fu à Warner Bros. Como o próprio Fedato disse: "Não pensaram. A lei de direitos, de uso de marca, era desconhecida, mas jamais houve má-fé da RCA". Foi aí que a produção se via ter duas opções: ou desfazer o grupo ou trocar de fantasias dos integrantes, já que se contratasse um advogado para se defender, a Marvel venceria na justiça e com toda a razão. A segunda opção foi escolhida. "Ah, logo agora que a brincadeira tava ficando boa!", como diziam os personagens do antigo sitcom Zorra Total da Rede Globo.
As gravações do primeiro LP dos Super Heróis começaram em agosto de 1982, pouco antes do problema de Royalties com a Marvel, porém as músicas já gravadas para o álbum que seria lançado no ano seguinte continuaram as mesmas e o grupo passou a ser chamado de Os Novos Heróis com as novas fantasias e personagens que não existiam nos gibis e desde então não obteve mesmo sucesso de quando usavam figurinos de personagens famosos, o que decretou o fim do grupo.


Nostalgicamente falando

Como eu disse na introdução, só descobri a existência do Super Heróis através de uma postagem do perfil Nostalgicamente no Instagram  com o trecho do vídeo da apresentação do grupo no programa do Bozo. Alguns internautas nos comentários estranharam o fato de a Mulher-Maravilha ter sido ignorada na letra da música. É que a personagem só veio ao grupo assim que a música já tinha sido gravada, como eu falei anteriormente. Outros notaram a ausência do Robin no palco. Não faltaram, lógico, comentários jocosos dos seguidores do Nostalgicamente, tipo "O Robin é o Homem Invisível" e "Mistura de Village People, Mamonas Assassinas e Carreta Furacão". Risos.




Por onde andam os Super Heróis?

Gilson Dias, o Thor,  se formou em jornalismo e é repórter cinematográfico com passagens pela Record TV e SBT. Atualmente mora em São Paulo e monitora página do Instagram (@gruposuperherois) e canal do YouTube (https://www.youtube.com/gruposuperherois), ambos em memória do grupo Super Heróis.

Vera Lúcia, a Mulher-Maravilha, é formada em psicologia e vive no interior paulista

Manoel Carvalho, o Robin, mora em Ribeirão Preto, dá aulas de patinação, tem uma loja de artigos esportivos e um estúdio para ensaios de bandas.

O vocalista José Franco Bueno, o Bêne, após o término do grupo Super Heróis, mudou-se para Miami, Flórida, Estados, Unidos, em 1987, para tentar a carreira solo. Adotando seu nome artístico como Benny Bueno, cantou em vários bares, pubs e restaurantes na Ocean Drive em Miami Beach, e em uma dessas noites, foi parabenizado por ninguém menos que a cantora cubana Gloria Estefan e seu marido, o produtor musical Emilio Estefan, que estavam em uma das mesas. Benê não está mais entre nós. Faleceu no dia 10 de dezembro de 2002, aos 57 anos de idade. Sua morte foi confirmada por uma de suas filhas através de sua conversa com Gilson, o Thor, no Instagram. 

 A respeito dos demais integrantes não há informações.


Legado

É lógico que o grupo Super Heróis tem uma importância na música brasileira, por que não? Depois deles, houve o surgimento de muitos outros artistas e/ou grupos voltados para o público infantil, como a Turma do Balão Mágico, A Patotinha, Os Abelhudos, Trem da Alegria, etc. O grupo Mamonas Assassinas costumava se apresentar usando personagens dos quadrinhos e de séries, como você deve se lembrar. Atualmente existe também uma banda em Belém do Pará que toca brega, forró e "pisadinha" chamada Vingadores do Brega que também junta alguns personagens da DC e da Marvel. Na formação estão Capitão América, Homem-Aranha (com uniforme tradicional e o preto), Deadpool, Flash e Batman. Isso lembra o quê, mesmo?


Na cultura popular

O cineasta inglês Edgar Wright que dirigiu os filmes "Em Ritmo de Fuga" ("Baby Driver", TriStar Pictures / Sony Pictures Releasing, 2017) e "Scott Pilgrim contra o Mundo" ("Scott Pilgrim vs. The World", Universal Pictures / Paramount Pictures, 2010) publicou em sua página no Twitter em março de 2020 um vídeo do programa Bozo da TVS/SBT em que o palhaço apresenta o grupo Super Heróis cantando "Somos Todos Super Amigos". "Este é o único universo cinemático em que estou interessado", brincou o diretor na descrição, fazendo referência às franquias cinematográficas da Marvel e da DC.


Valeu, Jão Plinta! Que Deus o tenha!

Fontes:

*Página Supertoons - Facebook

https://m.facebook.com/estudiosupertoons/photos/supertoons-lamenta-morte-do-produtor-musical-jo%C3%A3o-plintaa-supertoons-lamenta-pro/1389994427807357/

*Wikipédia

*Odair Braz Jr. / Portal R7

*Vídeo "O Inesquecível Superman - Super Heróis !" (sobre o cantor Benê) - Gilson Dias (Thor) - canal Grupo Super Heróis / YouTube

*"Edgar Wright publica vídeo de super-heróis no programa do Bozo" - Pablo Raphael / Coluna da página "Omelete"

Baú de Curiosidades #03 - Antônio Fagundes e Tony Ramos formando uma dupla sertaneja

 


Houve uma vez em que Antônio Fagundes e Tony Ramos, dois grandes nomes da televisão e do teatro, formaram a dupla sertaneja Tony & Antônio. Risos. Não acredita? Então vamos voltar para o ano de 1991, quando a Rede Globo fez uma série de propagandas de fim de ano com o slogan "Invente. Tente. Faça um 92 diferente", uma das mais criativas de fim de ano da emissora (eu tinha uns 9 anos de idade na época, eu lembro bem). Cada propaganda um contratado da Globo fazia um número artístico considerado "improvável" aos olhos do telespectador ou revivia sua antiga ocupação, como a Fatima Bernardes dançando sapateado, por exemplo, já que ela era bailarina antes de ser jornalista. 


Em 1991 Antônio Fagundes interpretava o personagem Felipe Barreto na novela "O Dono do Mundo (1991-1992). Tony Ramos vivia o Álvaro Peixoto na novela "Felicidade" (1991-1992). Em uma época que o sertanejo era _ou é_ uma sensação musical do Brasil, para a propaganda, os dois se juntaram para cantar o sucesso "Talismã" (de Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1989) que primeiramente foi gravado por Elson do Forrogode (1942-2017) para o seu álbum "Alô Brasil" (RGE, 1989) e posteriormente emplacou nas vozes da dupla sertaneja Leandro & Leonardo em seu quarto álbum (Warner Music/Divisão Continental, 1990), aquele do "Pense em Mim" (de Douglas Maio, José Ribeiro e Mario Soares). Veja e reviva.

 

https://globoplay.globo.com/v/1748348/


domingo, 19 de fevereiro de 2023

Paciência (Lenine)

                                       

PACIÊNCIA

"Enquanto todo mundo espera a cura do mal e a loucura finge que isso tudo é normal eu finjo ter paciência." Na canção "Paciência" (1999), o cantor-compositor Lenine [em parceria com Dudu Falcão] exprime com exatidão essa sensação humana. A paciência, virtude tão necessária na pandemia, mas de difícil regência, é tão "fingida" quanto sofrida e corajosa. Nascemos dela. Nela nos sorvemos por nove meses e com ela fomos amorosamente aguardados. Depois, com impaciência almejamos a idade adulta para ser "donos do próprio nariz", ou o diploma, o emprego, o amor... Impacientes com o ônibus que não chega; ansiosos pela chegada do irmão que viajou; inquietos pelo "trabalho pra ontem"; pela aposentadoria na fila do banco, ou na emergência hospitalar pela cura da doença, pela "cura do mal..." "A vida não para", e é preciso ter "um pouco mais de calma", "um pouco mais de alma". 

Frei Edrian Josué Pasini, OFM 
Petrópolis/RJ

Verso da página do dia 9 de fevereiro de 2023 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes
 


"Paciência"
Escrita por Lenine e Dudu Falcão
Interpretada por Lenine
Do álbum "Na Pressão" (Sony Music, 1999)

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não



O papa argentino e o poeta brasileiro



O PAPA ARGENTINO E O POETA BRASILEIRO

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida." Este verso compõe o célebre "Samba da Bênção" (1967), cuja letra é do poeta brasileiro Vinícius de Moraes (1913-1980) [em parceria com Baden Powell (1937-2000)]. Foi citado pelo Papa Francisco na Carta Encíclica Fratelli Tutti [em português, "Todos Irmãos"], de outubro de 2020. O documento, com forte inspiração em São Francisco de Assis (Giovanni di Pietro di Bernardone, 1181 ou 1182 - 1226), trata sobre a fraternidade e a amizade social. No texto, o Santo Padre propõe a mensagem do Evangelho como convite à construção de uma humanidade fundamentada na solidariedade e no amor. Segundo o documento, a diversidade que nos distingue é uma bênção, pois nos convoca ao trabalho desafiante de sermos protagonistas da arte do encontro.

Frei Gustavo W. Medella, OFM 

gmedella@franciscanos.org.br



Verso da página do dia 5 de fevereiro de 2023 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes



domingo, 5 de fevereiro de 2023

"Quando Fui Ferido, Vi Tudo Mudar"


Mais uma análise evangélica do Frei Gustavo Medella da música "Meu Mundo E Nada Mais" (1976) de Guilherme Arantes.


QUANDO FUI FERIDO, VI TUDO
MUDAR

O verso da canção "Meu mundo e nada mais", de Guilherme Arantes, faz alusão a um momento crucial na vida do ser humano, uma ruptura que o transforma a partir de dentro. Na linguagem religiosa, tal episódio poderia ser associado a um "divisor de águas" que marca o processo de conversão. Para São Francisco de Assis (Giovanni di Pietro di Bernardone, 1181 ou 1182 - 1226), por exemplo, o encontro com o leproso mudou radicalmente sua percepção de mundo. Por causa do amor a Cristo, Francisco se tornou capaz de abraçar aquela figura que até então lhe provocava aversão. Assim, o que lhe parecia amargo, tornou-se para ele "doçura de corpo e alma" (Testamento de São Francisco). Benditas as feridas que nos fazem crescer e mudar para melhor.

Frei Gustavo W. Medella, OFM
gmedella@franciscanos.org.br

Verso da página do dia 15 de janeiro de 2023 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes

Para ver a primeira análise da mesma música, acesse:



Livro "Viver É A Melhor Opção" de André Trigueiro

 



Em uma sessão espírita, após comentar que sabia o que se passava na cabeça de um suicida, um espírito incorporado em uma amiga médium o surpreendeu questionando se ele tinha certeza disso, lhe fez várias perguntas sobre o autoextermínio, mas o adepto do espiritismo respondeu não a todas elas. Então este espírito assertivamente chegou a conclusão de que ele não sabia nada. E a partir dali esse mesmo espírito que era de um amigo se comunicava com frequência com ele em cada sessão sobre o assunto. Foi inspirado nesse diálogo que André Trigueiro, jornalista da TV Globo, escritor e palestrante foi buscar informações sobre a suicidologia expostas neste livro lançado em 2015, "Viver É A Melhor Opção" (Editora Correio Fraterno) que eu ganhei de uma amiga no meu aniversário de 2019 e que eu li se eu não estou errada umas três vezes. Atualmente André Trigueiro mantem o seu canal no YouTube onde ele transmite suas lives de palestras e entrevistas que abordam jornalismo, espiritualidade e sustentabilidade, entre elas, uma playlist inspirada no livro, inclusive a introdução dessa postagem foi inspirada em um desses vídeos que eu incorporei aqui.

"Há momentos na vida em que muitos de nós perdemos a coragem de seguir em frente. Essa situação é mais frequente do que se imagina. Em casos extremos, o desânimo, a melancolia ou a depressão podem precipitar a ideia do suicídio, um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. O silêncio em torno do assunto – um abominável tabu – só agrava a situação. A própria Organização Mundial da Saúde vem defendendo a comunicação aberta e responsável como medida eficaz de prevenção. É sabido que a informação cumpre uma função estratégica na prevenção dos mais variados tipos de males e doenças. Isso também vale para o suicídio. Uma das descobertas mais importantes – e desconhecidas – da ciência médica dá conta de que o suicídio é prevenível em 90% dos casos, por estar associado a psicopatologias diagnosticáveis e tratáveis. Este livro foi escrito com uma única convicção: as informações reunidas nele podem salvar vidas. Não se enquadra, porém, na categoria 'autoajuda'. Pelo contrário, mostra o que podemos fazer pelos outros, ou seja, pelas pessoas que estão ao nosso redor atravessando uma etapa tão difícil da existência." 

Texto da primeira orelha (ou aba) do livro "Viver É A Melhor Opção"



"Baseado em estudos recentes da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde, aponta a importância da prevenção ao suicídio em todos os setores da sociedade. Trabalhando a prevenção através da informação, enfoca o valor da vida, além de abordar os fundamentos do espiritismo, como a pluralidade de existências, a lei de causa e efeito e a realidade da vida após a morte. Alguns outros temas em destaque: depressão, uso de armas, o papel da mídia e drogas." - Amazon (https://www.amazon.com.br/Viver-Melhor-Op%C3%A7%C3%A3o-Andr%C3%A9-Trigueiro/dp/8598563854)


Se você passa por problemas de saúde mental e precisa de ajuda, ligue para o CVV, Centro de Valorização da Vida. O número é 188 e o serviço é gratuito e disponível 24 horas.

domingo, 22 de janeiro de 2023

Baú de Curiosidades #02 - Gabriela Rivero em "Fiebre Del 2"

 



No final dos anos 1970, o mundo fervia com a discothèque. Era a época dos "Embalos de Sábado à Noite" ("Saturday Night Fever", Paramount Pictures, 1977), filme estrelado por John Travolta, e, no Brasil, da novela "Dancin' Days" (Rede Globo, 1978-1979). No México não foi diferente: aos sábados, das 20 às 22 horas entre os anos de 1978 e 1981, foi ao ar na Rede Televisa, a Globo mexicana, o programa "Fiebre Del 2". Apresentado por Fito Giron e Chela Braniff, o programa todo destinado ao público jovem era um concurso de dança em que competiam  homens e mulheres solo e casais, tudo em ritmo de discothèque, a tendência musical da época. Dentre os competidores estavam o ator Guillermo Capetillo, famoso no Brasil pela novela "Rosa Selvagem" ("Rosa Salvaje", Canal de las Estrellas / Televisa, 1987-1988) e ninguém menos que a atriz Gabriela Rivero que, na década seguinte, seria conhecida como a dócil Profesora Ximena (no Brasil, Professora Helena) na novela "Carrossel" ("Carrusel", Canal de las Estrellas / Televisa, 1989-1990) exibida nas telinhas brasileiras entre 1991 e 1992 pelo SBT. Neste vídeo abaixo, Gaby Rivero, na época aos 15 anos na temporada de 1979, vestido uma blusa roxa e calça jeans, dava um show de dança ao som de "Makin' It" (de Dino Fekaris e Fredie Perren, 1978) do cantor David Naughton, tema do sitcom americano homônimo que foi ao ar pela American Broadcasting Company (ABC).


Fontes:
Página "Inolvidables Recuerdos" - Facebook


Baú de Curiosidades #01 - Gabriela Melim


Antes de formar com os seus irmãos Rodrigo e Diogo o trio  folk pop Melim, uma das bandas que eu adoro particularmente como também cujas músicas adoro cantarolar no chuveiro e no karaokê, Gabriela, que nasceu quase dois anos depois que os irmãos gêmeos, começou sua carreira como artista solo aos 15 anos de idade cantando samba, enquanto Diogo e Rodrigo tocavam juntos em bares. Gabriela Melim lançou em 2013 o álbum "Tipo Brasileiro" (Boulevax Music) tendo como produtor o consagrado compositor Carlos Colla (5 de agosto de 1944 - 13 de janeiro de 2023) que infelizmente acabou de nos deixar. O projeto contou com outras participações de peso: Marcelo D2, João Donato, Rildo Hora na gaita (na faixa "Vai Embora, Tristeza") e seu filho Misael da Hora no teclado. Além de suas canções autorais como "Pimenta", "Cuidado Pra Não Dormir Demais" e "Peça Felicidade", Gabriela Melim faz releitura das músicas "Vai Embora Tristeza" (de Arlindo Cruz, Gegê do Cavaco e Julinho Santos, 2012) que já foi gravada por Arlindo Cruz e Karinah, "Sambou, Sambou" (de João Donato e João Melo, 1962) com a participação de João Donato e "Estardalhaço" (de Lisyas E. Oliveira e José Edmundo Guedes, 1975) gravada originalmente pelo cantor, compositor e multi-instrumentista Bebeto Castilho. As músicas do primeiro álbum solo de Gabriela Melim podem ser ouvidas  sua página no Youtube, no site do Instituto Memorial Música Brasileira (IMMuB) e no SoundCloud da própria cantora.






"Tipo Brasileiro"
Gabriela Melim
℗ 2013 Boulevax Musuc

FICHA TÉCNICA: 

Produzido por Boulevax Music Brasil
Direção Geral: Carlos Colla; Direção Executiva: Giselle de Paula; Direção Musical e Arranjos: Leandro Barros

MÚSICOS: Camilo Mariano (Bateria); Nene Brown, André Siqueira, Fabio Miudinho (Percussão); Humpry Scott (Contrabaixo); Misael da Hora, Valério Behir (Teclados); Márcio Hulk (Cavaco); Leandro Barros (Guitarra e violão 6 cordas); Carlinhos Sete Cordas (Violão 7 cordas); Sergio Galvão, Jesiel, Seabra, Bira Trombone, Lamir Teixeira, Márcio André (Sopros)  

Participações Especiais: Rildo Hora-Gaita (faixa 4); Marcelo D2-Voz (faixa 5); João Donato - Piano e Voz (faixa 9).

Gravação: Estúdio 3 por Léo Guimarães e Estúdio 94 por Guilherme Tettamanti (faixas 7 e 8); Mixagem: Ricardo Palmeira; Masterização: Ricardo Garcia; Direção de Arte: Giselle de Paula

Fotografia e projeto gráfico: Schumacher

FAIXAS:

1 Malandro (Káliman Chiappini)
2  Pimenta (Gabriela Melim)
3  Sim Senhora (Sérgio Kahó/Carlos Colla)
4  Vai Embora Tristeza (Arlindo Cruz/Gegê do Cavaco/Julinho Santos)
Participação: Rildo Hora (gaita)
5  Tipo Brasileiro (Alexandre Leão/Manuca Almeida/Sofia Laura/Carlos Colla)
Participação: Marcelo D2
Música Incidental: BR2 (Marcelo D2/Sain)
6  Figa de Osso (Káliman Chiappini/Carlos Colla)
7  Peça Felicidade (Gabriela Melim)
8 Cuidado Pra Não Dormir Demais (Gabriela Melim)
9  Sambou, Sambou (João Donato/João Mello)
Participação: João Donato
10  Na Lapa (Káliman Chiappini/Carlos Colla)
11 Cristo Redentor (Frank Daiello/Carlos Colla)
12 Como Diz o Poeta (Juninho Peralva)
13  Desassossego (Gilberto Gomes/Diógenes Tiê)
14  Estardalhaço (Lisyas E. Oliveira/José Edmundo Guedes)

domingo, 8 de janeiro de 2023

O Evangelho e a MPB #06 - "O Cio da Terra" - Milton Nascimento e Chico Buarque

Capa do compacto simples "Milton & Chico" (Philips / Phonogram - hoje Universal Music, 1977) no qual está o sucesso "O Cio da Terra".


"O Cio da Terra"
(de Chico Buarque e Milton Nascimento, 1977)

"O Cio da Terra". Apenas três estrofes, sem refrão, dão forma a esta obra-prima da MPB, composta por Milton Nascimento e Chico Buarque. Retrata a relação fecunda e íntima entre o ser humano e a natureza num ciclo virtuoso que se renova e gera vida. Fecundidade que produz o trigo e este, por sua vez, o pão. Jesus, ao apresentar o Reino de Deus, muitas vezes lança mão de figuras da natureza, como o solo, as plantas, os frutos e as sementes. O desejo do Mestre é revelar que toda a criação é fruto do mesmo plano de amor que nasce no coração de Deus. O cristão é chamado a deixar-se trabalhar pela graça de Deus e também fazer a sua parte para fecundar o solo do mundo com seu testemunho de partilha, respeito, compaixão e amor.

Frei Gustavo Wayand Medella, OFM gmedella@gmail.com

Verso da página do dia 27 de dezembro de 2022 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes



quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

A linda campanha de Natal d' O Boticário 2022


"A guerra acabou, se você quiser!". Assim diziam John Lennon (1940-1980) e Yoko Ono no outdoor simplista do lançamento do single natalino antiguerra "Happy Xmas (War Is Over)" (1971) da autoria do polêmico casal como forma de protesto contra a Guerra do Vietnã.

E no momento em que o Brasil vive em guerra retumbante por razões políticas, um fato muito triste, a empresa de perfumes e cosméticos O Boticário lança uma campanha de Natal lembrando aos espectadores que, ao invés de insistir naquilo que nos separa, independentemente do motivo, se aderir naquilo que nos une: o amor

A ideia da propaganda d' O Boticário foi inspirada na pesquisa realizada neste ano pela DOJO e KOGA intitulada "Brasil de Bolhas" que revela que nós brasileiros estamos deixando de conversar por variadas razões. Dos dois mil entrevistados em todo o país, 58,9% das pessoas afirmaram que tentam constantemente convencer os outros a respeito do que acreditam, o que reflete a divisão de pessoas e rompimento de amizades e relações. 
O filme idealizado pela AlmapBBDO mostra situações do cotidiano atravessadas por rupturas entre pessoas que se amam e são (ou eram) amigas até debaixo d'água, mas que, em meio a brigas e discussões, se distanciam e, no auge da desavença, uma fenda se abre entre os recém-rivais. Porém, com a rachadura profunda, o "climão" dá lugar ao reencontro, reconciliação entre pessoas queridas através do ato de amor e respeito ao som da releitura de "One Love" (de Bob Marley e Curtis Mayfield, 1965) da banda jamaicana The Wailers que com o tempo passou a se chamar Bob Marley (1945-1981) & The Wailers em razão do seu mais ilustre vocalista.

A campanha d' O Boticário estreou em TV aberta no domingo, 27 de novembro, com produção da Delicatessen, direção de cena de Pedro Becker e direção executiva de Luciana Mattar.

"Onde isso vai parar se a gente não parar com isso?"

O Evangelho e a MPB #05 - "Maria, Maria" - Milton Nascimento

Capa do álbum duplo "Maria Maria" lançado em 1976 e inédito até 2003 quando foi lançado em CD.


"Maria, Maria"
(de Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976*)

"Maria, Maria". A célebre canção de Milton Nascimento e Fernando Brant (1946-2015) retrata a força de uma mulher simples, anônima e batalhadora. Apresenta sua valentia diante das dificuldades e a maturidade de quem aprendeu a superar obstáculos e adquiriu uma "estranha mania de ter fé na vida". Maria é aquela que mistura "dor e alegria". Dor e alegria que convivem na alma de Maria, Mãe de Jesus, a quem o povo aprendeu a venerar como Nossa Senhora das Dores e também das Alegrias. Nos mistérios do terço, muitas Marias aprendem a contemplar os episódios alegres e doloridos daquela mulher simples, batalhadora e anônima com quem aprenderam a se identificar. "Doravante todas as gerações me chamarão
bem-aventurada" (Lc 1,48b).

Texto de Frei Gustavo Wayand Medella, OFM
gmedella@gmail.com

Verso da página do dia 16 de novembro de 2022 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes

*"Maria, Maria" foi composta para o espetáculo homônimo da estreia do Grupo Corpo de 1976 e tinha roteiro de Fernando Brant, música de Milton Nascimento e coreografia do argentino Oscar Araiz. Inicialmente não havia letra, apenas vocalizes em cima da melodia criada por Milton. Dois anos depois, em 1978, o clássico dos compositores mineiros com a letra foi lançada oficialmente  no disco "Clube da Esquina 2" (EMI-Odeon, hoje Universal Music).

Fontes:
Goma Gringa

Veja Rio

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

E se o Natal fosse contado pela MPB? (página Oficina de Nazaré)

 


Um vídeo interessantíssimo da página católica Oficina de Nazaré (@oficina.de.nazare - Instagram) monitorado por Matheus Cedric e por teólogo Felipe Koller. O conto de Natal narrado por grandes canções da MPB. Recebi pelo WhatsApp e me apaixonei!


MÚSICAS EM ORDEM DE EXECUÇÃO:

*"Maria, Maria" (de Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976) - Milton Nascimento
*"Anunciação" (de Alceu Valença, 1983) - Alceu Valença
*"Força Estranha" (de Caetano Veloso, 1978) - Gal Costa (1945-2022)
*"José" ("Joseph", de Georges Moustaki, 1969, e versão de Nara Leão, 1970) - Rita Lee
*"Nos Barracos da Cidade (Barracos)" (de Gilberto Gil e Liminha, 1985) - Gilberto Gil
*"Nascer" (de Isadora Canto, 2017) - Isadora Canto
*"O Que É, O Que É" (de Gonzaguinha, 1982) - Gonzaguinha (1945-1991)
*"A Festa do Santo Reis" (de Márcio Leonardo, 1971) - Tim Maia (1942-1998)

Festa de Lançamento do "Clube do Samba" (Fantástico, 1979)

"Meninos da Mangueira" - Ataulpho Jr. e Diogo Nogueira no programa "Samba da Gamboa" na TV Brasil