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domingo, 25 de junho de 2023

De onde vieram as versões originais da músicas da Turma do Balão Mágico? Sobre o disco de 1984

 

O primeiro álbum da Turma do Balão Mágico com Jair Oliveira, o Jairzinho, filho do também cantor Jair Rodrigues (1939-2014).

Depois de descobrir a verdade sobre as 9 músicas do álbum de 1983 da Turma do Balão Mágico na postagem anterior (clique aqui), vamos agora pra o tão lindo álbum de 1984. Naquela época eu tinha apenas 2 anos de idade, mas eu já achava bacana a ideia de convidar artistas adultos pra participar de discos de artistas mirins. Lembro que eu também queria muito este disco, porque eu via alguns conhecidos meus tendo, mas eu não sabia pedir e tampouco falar [risos] e o máximo que os meus pais me deram foi a fita cassete personalizada de 46 minutos da Turma do Balão Mágico de 1983 emendado com algumas faixas do disco "Pirlimpimpim" (Som Livre, 1982) que era a trilha sonora do especial infantil produzido e exibido pela Rede Globo para comemoração ao centenário de Monteiro Lobato (1882-1948) com os temas dos personagens da série "Sítio do Pica-Pau Amarelo" (Rede Globo, 1977-1986). Anos mais tarde, em 1987, ganhei dos meu pais o meu primeiro LP, "Os Grandes Sucessos da Turma do Balão Mágico" (CBS / hoje Sony Music) e eu amava/amo, pois reunia sucessos da discografia da Turma dentre os anos de 1982 e 1986. Só no ano de 2000, quando eu tinha 18 anos, é que eu vinguei a frustração comprando os discos de vinil da Turma dos anos de 1983 e de 1984 em um sebo.


Quarteto superfantástico : a reunião de Mike, Jairzão, Simony e Tob registrada em julho de 2022

A vinda do Jairzinho

Com um recorde em mãos e a proposta de programa diário na principal emissora do país prontamente aceita, A Turma do Balão Mágico preparava-se para este momento, em meio à shows e apresentações em programas, para lançar mais um álbum. Para o repertório, a gravadora procurava uma nova integrante, para estrear junto à nova fase do Balão. Durante esta preparação um fato aconteceu na Itália. Jair Oliveira cantou em programa de televisão com o pai, Jair Rodrigues, o sucesso "Io e Te". (de Renato Pareti e Sérgio Menegale, 1984). No retorno ao Brasil, Jair Rodrigues já tinha um compromisso agendado com o jogador Pelé (1940-2022). Com o cancelamento da participação do ex-jogador de futebol, o garoto teve de cantar sozinho, deixando a multidão boquiaberta. A gravadora aproveitou a situação e o convidou para ser integrado ao grupo e assim ele ocupou o lugar que seria de uma garota. Na estreia do programa da Rede Globo, Jair Oliveira, apelidado de Jairzinho era a grande novidade. No mesmo ano, Simony foi crucial para o retorno das atividades do grupo Os Trapalhões como um quarteto que havia rompido pelo desentendimento entre os integrantes (Wikipédia). 


O disco 

O terceiro álbum da Turma do Balão Mágico foi lançado em setembro de 1984. Para a maioria, o melhor álbum do grupo (o que talvez justificava a minha inveja de quem tinha o LP. Risos). O álbum bateu um novo recorde e seus hits não paravam de tocar nas rádios e na TV. E a ficha técnica é de primeira: além dos músicos Lincoln Olivetti (1954-2015) e Chiquinho de Moraes (1937-2023) no arranjo, repetindo a dose do álbum anterior, no coro adulto estavam as irmãs Cybele (1940-2014) e Cyva do grupo vocal Quarteto em Cy, Fernando Adour (1947-2019), o braço direito brasileiro do espanhol Julio Iglesias, Roberto Corrêa (1940-2016) do grupo Golden Boys e Rosana, muito antes de ser famosa com as músicas "Nem Um Toque" (de Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1987) e "O Amor e o Poder" ("The Power of Love", de Candy De Rouge, Jennifer Rush, Mary Susan Applegate e Gunther Mende, 1984, e versão de Claudio Rabello, 1987) que muitos intitulam erroneamente "Como Uma Deusa". No coro infantil, os abelhudos Tatiana Ferreira (que também participou do álbum anterior da Turma do Balão Mágico) e os irmãos Rodrigo Saldanha e Diego Saldanha, filhos do Renato Corrêa, também dos Golden Boys. Sem falar também na presença de Moraes Moreira (1947-2020), o hitmaker Claudio Rabello e Dalto como compositores. A ficha técnica completa está no final deste post.


O sucesso

O Balão finalmente tinha alcançado sucesso absoluto, e reinava no público infantojuvenil. A demanda por novos shows aumentou, juntamente com a audiência do programa na Rede Globo. Com todo esse sucesso, o Balão ainda protagonizou uma propaganda para vacinação contra a Raiva. No mês da criança, a Rede Globo exibiu um especial da Turma do Balão Mágico, intitulado de "A Turma do Balão Mágico em Amigos do Peito" que foi um programa de Augusto César Vannucci (1934-1992), o diretor geral.  O álbum de "Amigos do Peito", além de ser o primeiro com o Jairzinho, era o último do Tob que entrava na fase da puberdade e não cabia mais em músicas infantis. Tob foi substituído a partir do ano seguinte pelo Ricardinho que teve pouca participação efetiva no grupo. Na maioria das músicas do quarto disco lançado em 1985, Ricardinho fazia apenas parte do coro de determinadas músicas.


As músicas

O álbum de 1984, das 12 faixas nele, 8 são versões de músicas infantis estrangeiras adaptadas é claro por Edgard Poças e com participações pra lá de especiais. As 4 restantes são as originais "Quadrinhas e um Refrão" (domínio público e adaptação de Edgard Poças), "Meu Mocinho, Meu Cowboy" (de Augusto César e Claudio Rabello), "Palha e Aço" (de Moraes Moreira e Beu Machado) e "Dia de Festa" (de Dalto, Claudio Rabello e Paulo Ferro) com a participação do Fofão, personagem de Orival Pessini (1944-2016) do programa da Turma do Balão Mágico. Sem mais delongas, vamos descobrir qual a origem das outras 8.


O disco abre com chave de ouro com "É Tão Lindo" com a participação curiosa do meu mozinho Roberto Carlos em uma de suas raras aparições em álbuns de outros artistas. Como eu disse em uma postagem aqui no meu blog, a música é uma versão de "It's Not Easy" (de Joel Hirschhorn e Al Kasha, 1977) da primeira produção do filme "Meu Amigo, o Dragão" ("Pete's Dragon", Walt Disney Pictures, 1977) interpretada pela atriz e cantora Helen Reddy (1941-2020) que fazia a personagem Nora e o ex-ator mirim Sean Marshall como o órfão Pete, o protagonista do filme (clique aqui). Na versão em português, Roberto Carlos cantava a parte da Helen e a Simony do Sean.

Para incluir Roberto Carlos no projeto, Edgard Poças recebeu uma lista de palavras que o cantor não gosta e nem menciona em razão do seu transtorno obsessivo compulsivo para que não colocasse nenhuma delas para a sua versão de "It's Not Easy". Ele, simpático e brincalhão segundo os mais próximos, olhou a lista como quem diz "será mesmo que ele não fala nenhuma delas?". Diz a lenda que ele cometeu um deslize involuntário ao incluir a palavra "velho" no verso "somos velhos companheiros, os Três Mosqueteiros". Lógico que Roberto Carlos a usou em suas entrevistas e gravações musicais, porém não se sabe por que raios ele trocou a palavra "velhos" pelo "grandes", convertendo a frase para "somos grandes companheiros, os Três Mosqueteiros", como ficou oficialmente registrado no disco. (Vídeo "Balão Mágico e a Brincadeira com Roberto Carlos" / canal Fabiano Cavalcante / YouTube)

Em uma entrevista de 2021 no quadro "Elas Querem Saber" do Programa Raul Gil do SBT , Simony divertiu a plateia ao lembrar do constrangimento que causou no Roberto no dia da gravação de "É Tão Lindo" ao dizer-lhe que não queria ser amiga dele e que só gostava do Fábio Jr, de quem ela é fã e com quem gravaria "Amigos do Peito" para o mesmo disco. Roberto driblou a garotinha na época com 7 anos dizendo-lhe que foi o próprio Fábio Jr. que o mandou gravar com ela e foi aí que a Simony se sentiu convencida pelo cantor de "Detalhes" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971). Risos (Gente / Portal IG)




 



As crianças cresciam rápido. Tob, o mais velho do grupo, já tinha 13 anos, ao mesmo tempo em que Simony já tinha 8 anos e Mike, 10. Sabendo disso, a gravadora CBS decidiu repaginar o grupo e Edgard Poças fez então um repertório com músicas voltadas para o público adolescente. A grande aposta foi a música "Se Enamora" com Simony e Tob como intérpretes principais. 

"Se Enamora" foi outra faixa importada e é versão da música infantil italiana "E' L' Amore" (de Gianni Gastaldo, Daniele Garofalo, Massimo Monti e Vicenzo Giuffrè, 1982) cantada pelas crianças Loris Salzano & Monica Martelli (não confundindo com a atriz e apresentadora brasileira homônima) que gerou a versão em espanhol "Se Enamora" (1983) que foi gravada adivinhe por quem? A dupla Enrique & Ana, da qual eu tanto falei na postagem anterior sobre as músicas da Turminha, e a adaptação para o idioma foi escrita pela cantora e atriz espanhola Paloma San Basilio, aquela da versão original de "Juntos" (letra de Luis Gómez Escolar  e música de Giannino Gastaldo, 1981) que o grupo infantil brasileiro gravou em português com a Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil) para o álbum anterior. "Se Enamora" da Turma do Balão Mágico foi relida em 2009 pela cantora Tiê.

 


Falando em Baby do Brasil, mais uma vez ela participa do disco da Turma do Balão Mágico e acompanhada do então marido Pepeu Gomes na empolgante "Mãe Me Dá Um Dinheirinho", adaptação da música "Mama Dame 100 Pesetas" (de Danilo Vaona, Luis Gómez Escolar e Ignacio Ballesteros, 1981) da cantora Raffaella Carrà (1943-2021), a popstar que eu admiro particularmente e que era uma espécie de Madonna da Itália. Rafaella Carrà posteriormente havia gravado a versão italiana da música intitulada "Mamma Dami 100 Lire" (de Danilo Vaona, 1981).

"Zipi y Zape" (de C. Valero e Josep Llobell Oliver, 1981) foi gravada para o disco "Parchís y Sus Amigos" (Discos Belter, hoje Divucsa Music, 1981) no qual o grupo espanhol infantil Parchís reúne vários nomes da música destinada às crianças. Neste álbum "Zipi y Zape" se atribui ao grupo Los Pillos, mas no formato cassete  "Parchís y Sus Amigos" (Discos Belter, hoje Divucsa Music, 1981) a música foi creditada ao o grupo Regaliz como intérpretes. Pela semelhança nas vozes pode-se assegurar que se trata de Regaliz, até mesmo o vídeo-áudio oficial do YouTube deu crédito ao grupo que, assim como Parchís, era formado por crianças (Wikipédia). A música no Brasil virou "Zip e Zap" nas vozes da Turma do Balão Mágico.


O grupo espanhol Regaliz


 


"Bombom", música solada por Jairzinho, é uma versão infantil de "María Isabel" (de José Moreno e Luis Moreno, 1968) do grupo espanhol de rumba e pop latino Los Payos. Como se ouve, a letra em português feita por Edgard Poças é bem diferente da versão conhecida de Rossini Pinto (1937-1985) também intitulada "Maria Isabel" na gravação do cantor e compositor argentino Roberto Livi (1942-2019).

Uma das mais conhecidas do disco de 1984 da Turma do Balão Mágico, "Amigos do Peito" com a participação especial de Fábio Jr., o ídolo da Simony e da Turma da Mônica (risos), é uma adaptação de "Somos Amigos" (de Erik Vonn e Memo Méndez Guiu, 1982) do grupo mexicano Timbiriche pelo qual passaram Thalía e Eduardo Capetillo, o casal protagonista da novela "Marimar" (Televisa, 1994), e um dos principais rivais dos espanhóis Parchís assim que estes conquistaram sua popularidade em alguns países da América Latina (dessa formação da era "Somos Amigos" de Timbiriche, a única que eu conheço mais ou menos é a Paulina Rubio que se integrou antes de Thalía e Eduardo). Repare na semelhança da introdução de "Somos Amigos" com a de "Esto Es America" (de Jose Tudela Moreno Gil, Manuel Munilla Serrano e Angel Sanchez Molina, 1983), música gravada exclusivamente para a edição mexicana do LP da trilha sonora do filme "Las Locuras de Parchís" (Discos Belter, hoje Divucsa Music, 1982) estrelado pelo quinteto espanhol infantil (clique aqui). Na produção brasileira, um arranjo pomposo de cordas e metais de Chiquinho de Moraes.


Fábio Jr. e a Turma do Balão Mágico


           O grupo mexicano infantil Timbiriche (com Paulina Rubio sentada à esquerda)

                                   

 

"Dia dos Pais" na verdade é uma versão de "Mi Amigo Félix" (de Alfredo Araujo e Francisco Don Diego, 1980) defendida por Enrique y Ana mais uma vez. Enquanto a letra em português fala de um dia feliz de pai com filhos, a versão original é um homenagem triste ao médico naturalista espanhol Félix Rodríguez de la Fuente (1928-1980) que fala sobre todos os membros do Reino Animal lamentando sua morte, como uma representação de seu amor pelos animais e por toda a Natureza. (Wilipédia).

A faixa "Tia Josefina" foi trabalhada em cima de "Mi Tia Josefina" (de Francisco Don Diego, 1981) gravada por Torrebruno (1936-1999), cantor e apresentador de TV destinado ao público infantil que nasceu na Itália, mas foi radicado na Espanha em 1952. No especial televisivo "A Turma do Balão Mágico em Amigos do Peito", o cenário do videoclipe da música foi desenhado por ninguém menos que o artista plástico catarinense Juarez Machado que ao mesmo tempo encarnou a Tia Josefina no especial.


E encerrando esta postagem com uma novidade: vai estrear um documentário sobre a Turma dirigido pela ex-atriz Tatiana Issa, a mesma de " Pacto Brutal - O Assassinato de Daniella Perez" (Warner Bros. Discovery / HBO Max, 2022), e produzido antes de a Simony ter sido diagnosticada com câncer. Queira Deus que eu tenha a chance de assistir-lhe, pois parece tão ótimo, interessante e nostálgico quanto "Parchís - El Documental" (2019) da Netflix.
Até mais. E muita saúde para a Simony!

Veja também:
De onde vieram as versões originais das músicas da Turma do Balão Mágico? Sobre o disco de 1983

https://jotadejeane.blogspot.com/2023/06/de-onde-vieram-as-versoes-originais-das.html

 



Turma do Balão Mágico
℗ 1984 Discos CBS, Columbia Broadcasting System (hoje Sony Music Entertainment Brasil)

A Turma do Balão Mágico:
Michael Biggs (Mike)
Vímerson Cavanillas Benedicto (Tob)
Simony Benelli
Jair Oliveira (Jairzinho)

Produzido por Mauro Motta
Assistente de Produção: Carlos Pedro
Gravado nos Estúdios Sigla-RJ, Sigla -SP e Lincoln Olivetti
Mixado no Estúdio Sigla-RJ

Sigla-RJ:
Técnicos Assistentes: Luiz Paulo, Edu, Julinho, Nestor, Mário, Beto, Sérgio Murilo e Dorey

Sigla-SP:
Técnicos Assistentes: Jorge Guimarães (Gordinho), Beto Silva e Jorão Souza

Lincoln Olivetti:
Técnicos Assistentes: Eduardo, Tico e Xande

Arranjos e regências: Chiquinho de Moraes e Lincoln Olivetti
Coro Infantil: Ana, Bia Ferreira, Clara, Diego, Irene, Nana, Paulinho, Rodrigo, Tatiana Ferreira, Regina Célia e Tiago.
Coro Adulto: Cybele, Cyva, Edgard Luiz, Fernando Adour, Marize Rezende, Roberto Corrêa, Rosana e Simiana
Arregimentação: Gilson de Freitas

Capa: Geraldo Alves Pinto (design)
Ivan Klingen (Fotos)
Studo Sonia Robatto (encarte - teatrinho)
Cristina Portella (Coordenação Gráfica)



1 - "É Tão Lindo" (It's Not Easy")
Escrita por Joel Hirschhorn e Al Kasha
Versão de Edgard Barbosa Poças
participação especial de Roberto Carlos

2 - "Quadrinhas e Um Refrão"
domínio público
adaptação de Edgard  Barbosa Poças

3 - "Se Enamora" ("E' L'Amore")
escrita por Gianni Gastaldo, Daniele Garofalo, Massimo Monti e Vicenzo Giuffrè
Versão de Edgard Barbosa Poças

4 - "Mãe, Me Dá Um Dinheirinho"  ("Mama Dame 100 Pesetas")
escrita por Danilo Vaona, Luis Gómez Escolar e Ignacio Ballesteros
Versão de Edgard Barbosa Poças
participação especial de Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil) e Pepeu Gomes

5- "Zip e Zap"("Zipi y Zape") 
escrita por C. Valero e Josep Llobell Oliver
Versão de Edgard Barbosa Poças

6 - "Bombom" ("María Isabel") 
escrita por José Moreno e Luis Moreno
versão de Edgard Barbosa Poças

7 - "Amigos do Peito" ("Somos Amigos") 
escrita por Erik Vonn e Memo Méndez Guiu, 
versão de Edgard Barbosa Poças
participação especial de Fábio Júnior

8 - "Meu Mocinho, Meu Cowboy"
escrita por Augusto César e Cláudio Rabello

9- "Dia dos Pais" ("Mi Amigo Félix")
escrita por Alfredo Araujo e Francisco Don Diego
versão de Edgard Barbosa Poças

10 - "Tia Josefina" ("Mi Tia Josefina")
escrita por Francisco Don Diego
versão de Edgard Barbosa Poças

11 - "Palha e Aço"
escrita por Moraes Moreira e Beu Machado

12 - "Dia de Festa" 
escrita por Dalto, Cláudio Rabello e Paulo Ferro
Música incidental: "Atirei o Pau no Gato" (domínio público)
participação especial de  Fofão (Orival Pessini)

De onde vieram as versões originais das músicas da Turma do Balão Mágico? Sobre o disco de 1983

 Atualização: 13 de janeiro de 2024.


Aqui no meu blog eu havia feito uma postagem sobre a antiga e rara propaganda do lançamento desse estratosférico segundo álbum da Turma do Balão Mágico lançado pela CBS (hoje Sony Music) em 1983, famoso como o álbum do "Superfantástico" com a participação do Djavan (clique aqui). Portanto você sabia que a maior parte do repertório do grupo musical infantil formado em 1982 e 1983 por Vímerson Cavanilas, o Tob, Michael Biggs, o Mike e Simony (vale lembrar que Jair Oliveira, o Jairzinho, só entrou no grupo em 1984) são versões de músicas infantis internacionais? 

Tudo começou em 1981, quando o então presidente da CBS, o visionário Thomas Muñoz (1934-2022), chegou de uma viagem à Europa e viu que em países como França, Espanha e Itália a música infantil estava prestes a explodir. Daí trouxe ao Brasil uma série de músicas e pediu a Cláudio Condé, diretor artístico da companhia na ocasião, que contatasse o compositor Edgard Barbosa Poças para criar letras em português para tais canções. Muñoz tratou então de buscar as crianças que defenderiam esse repertório. A primeira que convidou foi a pequena Simony, de apenas cinco anos, após vê-la cantar no programa de TV do animador Raul Gil. A seguir, o segundo componente que faria par com ela foi selecionado por meio de um teste na gravadora. Era Tob, que também muito menino já se apresentava em shows de calouros, desfiles e comerciais. Assim que o primeiro LP, homônimo, lançado em 1982, foi finalizado, Ronald Biggs (1929-2013), o famoso assaltante britânico de trem, fora sequestrado para o Caribe, e o seu filho, Michael Biggs fez um apelo em rede nacional para trazerem seu pai de volta, comovendo o Brasil. Muñoz chamou então Ronald e perguntou se Michael sabia cantar, tendo como resposta que o filho só sabia cantar "Oh! Susanna" (de Stephen Foster, 1848) quando brincava. Em reposta, Munõz retirou uma faixa do disco, a versão em português intitulada "Oh! Suzana" (versão de Roberto Costa) e gravou um solo com Michael, que recebeu o carinhoso apelido de Mike. O disco de 1982 vendeu mais de 1 milhão de cópias e graças a esse êxito gravaram o segundo álbum, o "disco do Superfantástico", e, com o sucesso deste, ganharam um programa matinal da Rede Globo que durou até 1986 quando a Xuxa os substituiu. Saquem só no peso que tem a ficha técnica desse disco:  arranjo de primeira dos músicos Lincoln Olivetti (1954-2015) e Chiquinho de Moraes (1937-2023) que nos deixou recentemente, no coro adulto, a ex-jovem guardista Sylvinha Araújo (1951-2008), Lizzie Bravo (1951-2021) que participou de uma gravação de "Across The Universe" (de John Lennon e Paul McCartney, 1968) dos Beatles, a cantora e dubladora Myriam Peracchi e as Harmony Cats Maria Amélia Costa Manso, Vivian Costa Manso, Sylvia e Rita Kfouri. No coro infantil, Marya Bravo [ex-candidata do The Voice Brasil e filha de Lizzie Bravo com Zé Rodrix, (1947-2009)] e as irmãs Tatiana Ferreira, integrante do grupo Os Abelhudos, e Gabriela Ferreira, esta que faria sucesso com a música "Não É Fácil Chegar Aos Quinze Anos" ("Non È Facile Avere 18 Anni", de Andrea Bernabini, 1963, e versão de Jorginho Ferreira e Cema Ferreira, 1988) e cantando com Roberto Carlos a música "Imagine" (de John Lennon e Yoko Ono, 1971). A ficha técnica completa do disco está no final desta postagem. Mas de onde vieram as versões originais das músicas do LP de 1983, um dos meus favoritos da Turma do Balão Mágico de quem sou fã até hoje?

O compositor e músico Edgard Poças, o pai artístico da Turma do Balão Mágico e biológico da cantora Céu.


Todas as músicas deste disco de 1983, com exceção à única original "Mãe-Iê" (de Osvaldo Nunes e Celso Castro, 1983), são versões de músicas, em sua maioria, vindas da Espanha. Lá faziam sucesso os artistas da música infantil, como a dupla Enrique & Ana criada em 1977 e formada por Ana Anguita Shivers, então com 8 anos de idade, e Enrique del Pozo, com 20, e o grupo Parchís (que quer dizer ludo, um jogo de tabuleiro) produzido em 1979 e integrado por cinco crianças:  Constantino Fernández, o Tino como peão vermelho , Yolanda Ventura Román como peão amarelo (os mais bonitinhos do grupo), Gemma Prat Termens como peão verde, David Muñoz Forcada como o dado e Óscar Ferrer Cañadas (que posteriormente foi substituído por Francisco Díaz Teres, o Frank) como peão azul. Quem assina a Netflix recomendo que assistam ao ótimo documentário "Parchís - El Documental" produzido em 2019.



A dupla Enrique y Ana


Parchís, o grupo mais colorido da música infantil espanhola


As músicas da dupla Enrique & Ana que foram versionadas pelo Poças para este disco são "Super Fantástico" (de Ignacio Ballesteros e Gian Pietro Felisatti "Difelisatti", 1982), "Abuelito" (do filme "Las Aventuras de Enrique Y Ana", de Honorio Herrero e Luiz Gómez Escolar, 1981) e "Tu y Yo" (de Ignacio Ballesteros e Dennis Tempenau, 1982) que foram convertidas para "Superfantástico", "O Meu Avô" e "Você e Eu", respectivamente. No documentário "A História Secreta do Pop Brasileiro" (Kuarup Produtora, 2019), Edgard Poças revelou que "Superfantástico" foi o compacto de maior sucesso , embora inicialmente o compositor não a queria incluir. A primeira versão de sua letra em português referenciava Roberto Carlos, porém, ciente de que ele não aceitaria participar da mesma, Edgard abortou a ideia e mais tarde substituiu Roberto por Djavan na letra, após ver uma boneca negra com tranças longas no quarto das filhas, entre elas, a futura cantora Céu. Inseguro também quanto à aceitação de Djavan, mudou a letra para sua versão final, que é genérica e comportaria qualquer participante. Djavan no fim aceitou o convite. Edgard mostrou uma versão inicial da faixa, tocada no violão por ele a Claudio Condé, então diretor da CBS, e pediu ao empresário que imaginasse Djavan cantando em certas partes, provavelmente as do Enrique na versão original em espanhol. Claudio aceitou de imediato a sugestão e entrou em contato com o cantor alagoano (Wikipédia).

Capa da prensagem portuguesa do compacto simples do "Superfantástico" (foto: Discogs)



Prensagem japonesa do compacto simples de "Superfantástico"



Superfantastico (Super Fantastico)

   


O Meu Avô (Abuelito)

 


Você e Eu (Tu Y Yo)

 


"Ai Meu Nariz!" é uma adaptação de "Tengo Un Grano en La Nariz" (1982) gravada pelo quarteto de palhaços Gaby, Miliki, Fofito y Rody, também conhecidos como Los Payasos de la Tele ("Os Palhaços da TV", em português). Seus compositores são Emilio Aragón Bermúdez (1929-2012), o palhaço Miliki que cantava a música, e Emilio Aragón Álvarez, o palhaço Milikito que substituiria o pai Miliki. As novas gerações do Brasil conhecem a música na regravação dos apresentadores Gugu Liberato (1959-2019) e Eliana, quando esta ainda trabalhava para o público infantil. A faixa "Seu Felipe, Dorminhoco" é outra baseada na música dos palhaços espanhóis, intitulada "Felipito, El Dormilón" (de Emilio Aragón Bermúdez, 1977) solada pelo Fofito (personagem de Alfonso Aragón Jr.). 


 Ai Meu Nariz (Tengo Un Grano En La Nariz)

 





Seu Felipe, Dorminhoco (El Dormilon)




"Ursinho Pimpão"  que tinha Simony como solista, é versão de "Mi Osito Pelón" (de Jacob Taio Cruz e Tony Landa, 1982) interpretada pela menina Macarena Camacho para o filme espanhol musical infantil "Chispita y Sus Gorilas" (1982) do qual ela era a protagonista. Na gravação da Turma do Balão Mágico foi incluída uma ideia que não existia na versão original que é a citação de "Wiegenlied",  Op. 49, nº 4 (1868), a famosa canção de ninar do compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897) para fechar "Ursinho Pimpão".



Ursinho Pimpão (Mi Osito Pelón)

   


 "Juntos" (letra de Luis Gómez Escolar  e música de Giannino Gastaldo, 1981) é uma canção pop romântica e dançante interpretada pela cantora e atriz espanhola Paloma San Basilio influenciada em "Bye Bye Blackbird" (de Ray Henderson e Mort Dixon, 1926) na gravação de Miles Davis (1926-1991) e é considerada uma das canções mais icônicas da comunidade LGBTQIA+ na Espanha (Wikipédia). A letra fala sobre um casal no auge da euforia romântica que faz várias loucuras no dia a dia, induzindo a todos que é possível fazer da rotina uma festa e da segunda-feira o outro sábado (ah, tá. Risos) . E Edgard Poças foi bem criativo em converter uma música pop espanhola adulta em cantiga infantil para as crianças brasileiras ao narrar os alunos felizes indo para a escola de ônibus. "Juntos", o lado B do compacto simples do "Superfantástico", tem a participação especial de Baby Consuelo _hoje Baby do Brasil_ fazendo a professora bacana da Turma do Balão Mágico. Para acrescentar, um empolgante arranjo de cordas e metais de Chiquinho de Moraes pra todo mundo dançar. 

Turma do Balão Mágico com a "Baby Consuelo do Brasil"


 Juntos (Juntos)


 



A faixa "Gaguejei" foi trabalhada em cima de "Tartamudeo" (de Gabriel Orfila Montero, Manuel Cubedo Alicart e Joaquín Oristell , 1983) gravada pelo do quinteto infantil Parchís, um dos mais populares da música espanhola infantil como eu disse. 
CORREÇÃO: um internauta me fez uma observação nos comentários que a gravação do grupo Parchis se trata de uma releitura de 1984. Os primeiros a cantarem "Tartamudeo" foram Popitos, dupla formada pelos colegas de escola Francisco José París e Esther Sánchez. A música fazia parte da trilha sonora da série de animação espanhola "D'Artagnan e Os Três Mosqueteiros" / em Portugal, "D' Artação e os Três Moscãoteiros" ("D'Artacan y Los Tres Mosqueperros", BRB Internacional S.A., 1981) cujos personagens são representados por cães. Muito obrigada pela informação.👍


 Gaguejei (Tartamudeo) 

   


 "Tartamudeo" (versão original da dupla Popitos")      




Saindo da Espanha, vamonos para Argentina. Como também é a única música internacional do disco não versionado pelo Edgard Poças e sim por Carlos Pedro Ferreira que também participou neste disco como o assistente de estúdio. Estou falando de "Amigo e Companheiro" que é uma adaptação de "Amigo Y Compañero, Mi Maestro" (de Tulio Arnaldo de Rose e Eduardo Humberto Jaurena, 1980) solada pela Paola Pasinato com a participação do coro infantil Sapito de Oro criado pelo Tulio Arnaldo de Rose para o programa de TV "Cantaniño" que é um concurso de música infantil em que participa cada criança de uma província que, para ter acesso à competição televisiva, teria que vencer um festival estadual de música (Fabrica de Podcast). "Amigo Y Compañero, Mi Maestro" é da quarta edição do programa Cantaniño ocorrido em 1980 cujo LP foi lançado pela CBS/ Sony Music argentina (Discogs). 



 Amigo e Companheiro (Amigo y Companero, Mi Maestro)



 


E na próxima postagem, as versões originais das músicas do LP da Turma do Balão Mágico de 1984. Até!

℗ 1983 Discos CBS, Columbia Broadcasting System (hoje Sony Music Entertainment Brasil)
138256 (LP)
16228 (K7)

Produzido por Mauro Motta
Assistente de estúdio: Carlos Pedro Ferreira

Estúdios
SIGLA (Rio de Janeiro)/SIGLA (São Paulo):
Edu, Luiz Paulo e Jorge Gordinho
TRANSAMÉRICA (Rio de Janeiro):
Rafael Azulay e Don

Coro adulto: Ângela, Carlos Pedro Ferreira, Edgardo Luiz, Jorge Ferreira, Lizzie Bravo, Malu Vianna, Maria Amélia, Myriam Peracchi, Regina Carvalho, Rita, Sylvinha Araújo, Sylvia e Vivian.

Coro infantil: Gabriela Ferreira, Tatiana Ferreira, Irene Faria, João Faria, Marya Bravo, Paulinho Pizziali, Pedro Reis e Rodrigo Peracchi

Capa:
Ilustração: Zélio Alves Pinto
Encarte ("cineminha de brinquedo"): Estúdio Sonia Robatto
Direção de arte: Geraldo Alves Pinto
Foto: L. Costa


01- SUPERFANTÁSTICO (Super Fantástico)
Participação especial de Djavan
escrita por Ignácio Ballesteros e Gian Pietro Felisatti  (Difelisatti)
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Arranjo de base: Lincoln Olivetti
Arranjo de cordas: Chiquinho de Moraes

02- AI MEU NARIZ! (Tengo un Grano en la Nariz)
escrita por Emilio Aragón Álvarez e Emilio Aragón Bermúdez
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Arranjo: Lincoln Olivetti

03- URSINHO PIMPÃO (Mi Osito Pelón)
escrita por Tony Landa e Jacob Taio Cruz
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Música Incidental: "Wiegenlied" ("Canção de Ninar", 1868), Op. 49, nº 4, de Johannes Brahms (1833-1897)
Arranjo: Chiquinho de Moraes

04- O MEU AVÔ (Abuelito)
escrita por Luis Gomez Escolar Roldan e Honorio Herrero Araujo
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Arranjo: Lincoln Olivetti

05- VOCÊ E EU (Tu y Yo)
escrita por Ignacio Ballesteros e Dennis Tempenau
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Arranjo: Lincoln Olivetti

06- SEU FELIPE, DORMINHOCO (Felipito, el dormilon)
escrita por Emilio Aragón Bermúdez
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Arranjo: Chiquinho de Moraes

07- JUNTOS (Juntos) 
participação de Baby Consuelo/ Baby do Brasil
escrita por Luis Gomez Escolar Roldan e Giannino Gastaldo
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Arranjo de base: Lincoln Olivetti
Arranjo de cordas e metais: Chiquinho de Moraes

08- GAGUEJEI (Tartamudeo)
escrita por Gabriel Orfila Montero, Manuel Cubedo Alicart e Joaquín Oristell
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Arranjo de base: Lincoln Olivetti
Arranjo de cordas: Chiquinho de Moraes

09- AMIGO E COMPANHEIRO (Amigo y Compañero, Mi Maestro)
escrita por Tulio Arnaldo de Rose e Eduardo Humberto Jaurena (Teddy Jauren)
adaptação para o português de Carlos Pedro Ferreira
Ed. Elam
Arranjo: Lincoln Olivetti

10- MÃE-IÊ
escrita por Osvaldo Nunes e Celso Castro
Arranjo: Lincoln Olivetti


quinta-feira, 22 de junho de 2023

Vinheta de encerramento das transmissões da Rede Globo de 1979

 


Quem tem insônia sabe que todas as emissoras de TV estão no ar 24 horas exibindo desde noticiários e pastores pregando "a palavra do Senhor" até filmes e séries. Antigamente não era assim. Até o final da década de 1990 se eu não estou errada era muito comum os canais encerrarem suas transmissões na calada da noite, retornando apenas no horário "dos primeiros raios de sol".
Antes da chegada do colorbar que é aquele conjunto de barrinhas coloridas na vertical na tela da TV, houve sempre aquelas vinhetas lindas com mensagens simpáticas para a emissora se despedir de seus telespectadores insones para dar uma pausa nas transmissões.
A vinheta de encerramento de transmissões da Rede Globo de 1979 não foi diferente e, inclusive, é a mais antiga disponível no YouTube. Além de ser bonita, foi bem glamourosa graças ao Hans Donner, responsável por ajudar a mudar o visual da emissora na década de 1970. Criada pelo próprio Hans Donner e seu amigo austríaco Rudi Böhm, a peça foi feita por uma máquina chamada Oxberry, que juntava a técnica de cinema com pintura em tinta guache, tudo isso com a ajuda da extinta produtora brasileira Lynxfilm e elaborado pela Rede Globo em uma época que muitas vinhetas eram feitas no exterior (matéria de Fábio Marckezini do site TV História). Com direito a versão orquestrada do samba "Até Amanhã" (1933) de Noel Rosa (1910-1937) como música de fundo e, é claro, mensagem de despedida do dia narrada por Dirceu Rabelo, a eterna voz padrão da TV Globo. Eu gosto dessa vinheta porque dá pra sentir o glamour da era disco daquela época como disse um internauta nos comentários, principalmente naquele trecho das barras de cristal que parecem prédios futuristas refletindo as luzes em X, muito comum em palco de programas de auditório e shows naquela década de 1970. 


domingo, 7 de maio de 2023

Sobre o filme "Loucos de Amor" ("Mozart and the Whale", 2005)

 


O filme "Loucos de Amor" ("Mozart and the Whale", Millenium Films, 2005) conta a história de um casal de autistas que, assim como casais neurotípicos, vivem situações complicadas.  Foi lançado no Brasil diretamente em vídeo, em uma época em que as informações sobre autismo ainda eram precárias e, se falasse sobre o assunto, abordaria apenas às pessoas que hoje em dia são denominadas autistas de nível 2 ou 3 de suporte. É um longa-metragem que fala de autismo de forma mais realista, afinal foi inspirado em um casal real, que demonstra que os autistas não têm características iguais como muitos pensam (tipo, se um autista tem sensibilidade ao toque, todos também tem, o que não é verdade) e que existem, sim, neurodiversos adultos, tanto homens quanto mulheres, ou seja, autismo não para na infância, isso não existe. Um filme de produção independente que merece ser visto por todos para compreender o que é autismo.

"Loucos de Amor" é baseado na história verídica de Jerry e Mary Newport narrada num artigo do Los Angeles Times em 1995. O filme cujo roteiro é de Ron Bass, vencedor do Oscar por "Rain Man" (United Artists, 1988), reconta a história a partir dos personagens Donald (Josh Hartnett) e Isabelle (Radha Michell), dois adultos jovens com Síndrome de Asperger, atualmente denominada como Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) (APA,2014). O nome foi inspirado no médico austríaco Hans Asperger (1906-1980), pois foi o primeiro a descrever o transtorno do espectro autista, em 1944. O médico observava crianças com "falta de empatia", conversação unilateral, movimentos descoordenados, hiperfoco, ou capacidade de detalhamento sobre um tema específico. Contudo, assim que foi descoberto o envolvimento do profissional austríaco com o programa nazista que desencadeou a morte de dezenas de crianças com deficiência, a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) lançada em 2013 já havia dispensado o nome Síndrome de Asperger, substituindo o termo por Nível 1 do TEA (Transtorno do Espectro Autista).

SINOPSE

Donald Morton (Josh Hartnett) e Isabelle Sorenson (Radha Mitchell) são pessoas com autismo nível 1 de suporte. Donald trabalha como motorista de táxi e já tinha passado por outras empresas de transporte de passageiros, porém mais uma vez é demitido ao bater com carro por distração. Adora os pássaros e tem uma incomum habilidade em lidar com números. Ele gosta e precisa seguir um padrão em sua vida, para que possa levá-la de forma normal. Entretanto, em seu grupo de ajuda aos autistas, ao conhecer Isabelle, uma cabeleireira que se destaca por sua aparência nos locais onde frequenta e que também ama animais, tudo muda em sua vida, por estar apaixonado por ela. O título original do filme, "Mozart e a Baleia" ("Mozart and the Whale"), é uma referência às fantasias do dia das bruxas do casal. Isabelle se fantasia de Mozart (Wolfgang Amadeus Mozart, 1756-1791) em razão de uma das obras do compositor austríaco, "Sinfonia nº 40 em Sol Menor, KV. 550" (1788) que, como a própria personagem diz, é sobre raiva, paixão e transcendência, as características dela. Sem falar nos rumores de que Mozart era autista, segundo os historiadores. E Donald se veste de baleia, porque o mamífero marinho é grande e, em toda a sua vida, se sentia nas margens da sociedade mas, segundo ele, quando se é uma baleia, faz parte do acontecimento. 




MOMENTO PESSOAL: CENAS QUE ME MARCARAM

*Isabelle conta aos seus colegas de grupo de apoio que, quando era criança, ao ver pela TV um atleta quebrando um recorde nas olimpíadas, influenciada, quebra os discos de vinil dos seus pais, já que "quebrar recorde" na fala original em inglês, é "break record", uma amostra de que alguns autistas entendem algumas expressões de forma literal. Eu como "vinilzeira", um dos meus hiperfocos, fiquei em choque com essa cena de flashback da personagem. Risos.
*A dificuldade de comunicar-se, outro sinal de alguns autistas. "É a primeira vez que eu prefiro secretária eletrônica", disse Donald em tempos em que ainda não existiam smartphones e seus aplicativos de mensagem para mandar falas elaboradas que condizem com diálogo. A frase se refere ao sacrifício de Donald de se comunicar com Isabelle, sua namorada, ou seja, sem saber o que dizer a ela ou o que iria lhe dizer seria assustador.
*Stims, estereotipias ou movimentos autorregulatórios: depois de levar bronca de Donald por limpar seu apartamento e modificar suas as coisas de lugar, Isabelle em sua casa se balança pra frente e pra trás em seu cavalinho de balanço para se distrair.
*Em uma entrevista de emprego, Donald conversa com o contratador sem olhar nos olhos dele. Ao ser questionado pelo contratador  por que escolheu ser motorista de táxi ao invés de trabalhar na informática, sua formação, Donald respondeu que em entrevista com IBM disse seu objetivo no trabalho era lucrar pra comer lanches de uma grande rede de fast food, ou seja, algo como sem saber o que seria inapropriado dizer, outro sinal de autismo.


OUTRAS CURIOSIDADES

- Inicialmente seria Steven Spielberg o diretor de "Loucos de Amor", mas devido a outros compromissos ele teve que deixar o projeto.

- É o 1º filme em língua inglesa do diretor norueguês Petter Naess.

- As filmagens ocorreram entre 2 de março e 12 de abril de 2004.


FONTES:

*Acervo do Cinema (blog)

*Adoro Cinema


Trailer do filme 

 





Chiquinho de Moraes (1937-2023)

Chiquinho de Moraes com Roberto Carlos

Eu gostava muito do Chiquinho de Moraes nos LP's de Roberto Carlos, da Turma do Balão Mágico e da trilha sonora da novela "O Bem Amada" (Rede Globo, 1973) dentre outros projetos. Uma pena que ele se foi.
Morreu no 30 de abril, o maestro, arranjador e compositor Manoel Francisco de Moraes Mello, o Chiquinho de Moraes (16 de abril de 1937 - 30 de abril de 2023). Ele tinha 86 anos e estava internado na Santa Casa de Cesário Lange, no interior de São Paulo, onde tratava de um câncer avançado. Chiquinho foi sepultado nesta segunda-feira, dia 1º de maio, em Cesário Lage (SP).

Nascido na cidade de Campinas, Chiquinho de Moraes se diplomou no estudo do piano, instrumento musical que começou a tocar ainda na infância. Estudou também com o maestro César Guerra-Peixe (1914-1993).
Seus primeiros arranjos foram feitos em 1959 para o álbum "Estúpido Cupido" (Odeon / Universal Music) da cantora Celly Campello (1942-2003). Chiquinho arranjou as gravações da faixa-título (versão de "Stupid Cupid" de Neil Sedaka e Howard Greenfield, 1958, e adaptação em português de Fred Jorge, 1959) e "Banho de Lua" (Tintarella di Luna, de Bruno Defilippi e Francesco Migliacci, 1959, e versão de Fred Jorge, 1960), este para o álbum seguinte da Celly, "Brôto Certinho" .
Contratado pela TV Record, passou a fazer arranjos para os programas da emissora, entre eles, "O Fino da Bossa" (1965-1967), apresentado por Elis Regina (1945-1982), com quem Chiquinho trabalharia na década de 1970, e Jair Rodrigues (1939-2014). Anos depois, assumiria a TV Globo e em outras emissoras. Na trilha sonora nacional da novela "O Bem Amado" (Rede Globo, 1973), foi o responsável pelo arranjo das músicas do LP compostas por Vinícius de Moraes (1913-1980) e Toquinho (com exceção à faixa "Paiol de Pólvora" que foi arranjada por Rogério Duprat, 1932-2006).
De 1970 a 1977, o maestro trabalhou com Roberto Carlos em discos e shows do cantor. Fez arranjo das músicas "O Show Já Terminou" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973), "Sonho Lindo" (de Maurício Duboc e Carlos Colla, 1973), "O Moço Velho" (de Silvio César, 1973), "Rotina" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973) e "Por Amor" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1972).
Na década de 1980, trabalhou nos LP's do grupo infantil A Turma do Balão Mágico. Fez arranjo de cordas e metais para as célebres "Superfantástico" (de Ignácio Ballesteros e Difelisatti, 1982, e versão de Edgard Barbosa Poças, 1983) com a participação especial de Djavan, "Ursinho Pimpão" ("Mi Osito Pelón", de T. Landa e Jacob Taio Cruz, 1982, versão de Edgard Poças, 1983) solada lindamente pela pequena Simony, "Juntos" (de Giannino Gastaldo e Luiz Gómez Escolar, 1981, e versão de Edgard Barbosa Poças, 1983) com a participação da Baby do Brasil (na época Baby Consuelo), "É Tão Lindo" (de Joel Hirschhorn e Al Kasha, 1977, e versão de Edgard Barbosa Poças, 1984) com Roberto Carlos e
"Amigos do Peito" ("Somos Amigos", de Memo Méndez Guiú e Erik Vonn, 1982, e versão de Edgard Poças, 1984) com a participação de Fábio Jr.
A marca orquestral de Chiquinho de Moraes está impressa em vários álbuns de de vários artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Zizi Possi, Erasmo Carlos (1941-2022), Simone, Nana Caymmi, Antônio Marcos (1945-1992), Gal Costa (1945-2022), Milton Nascimento... Um grande legado que ele nos deixou. Que Chiquinho descanse na paz de Deus.

Fontes:
*Mauro Ferreira - Portal G1

*Portal Terra

domingo, 19 de março de 2023

O grupo musical brasileiro dos anos 1970 que a Marvel Comics derrubou

                                      
Super Heróis, o Village People brasileiro

Até o dia do meu aniversário, semana passada, 12 de março, eu não conhecia esse grupo musical infantil Super Heróis. Essa minha desinformação se justifica por não ser da minha época, ou seja, eu ainda estava fora dos planos dos meus pais quando esse grupo surgiu. Mas foi só eu me deparar com uma das postagens da página Nostalgicamente (@nostalgicamenteoficial) no Instagram que comecei a me interessar não só em razão dos integrantes vestidos de super-heróis famosos (e pelos comentários brincalhões de internautas. Risos) como também pela levada disco da música que cantavam. Nada satisfeita com informações rasas como sempre, eu fui investigar no Google sobre Super Heróis e, por sorte minha, achei músicas no YouTube e história do grupo na página do colunista Odair Braz Jr. do Portal R7. E não é que as suas músicas eram mesmo contagiantes? Até mesmo um usuário estrangeiro do YouTube postou um vídeo-áudio (clique aqui) do grupo em seu canal e disse na descrição que chegou a sair dançando pela sala ao som de "Somos Todos Super Amigos". E concluiu: "CUIDADO! (a música) ficará grudada na sua cabeça o dia todo."


O ano era 1979, conhecido como "O Ano Internacional da Criança". "Superman - O Filme" ("Superman", Warner Bros. Pictures, 1978) protagonizado pelo saudoso Christopher Reeve (1952-2004) estava em cartaz nos cinemas mundiais. O desenho animado "Superamigos" ("Super Friends", Hanna-Barbera / DC Comics, 1973-1985) com Batman, Robin, Superman e Mulher-Maravilha era exibido na TV brasileira. A disco fervia as rádios e as pistas de dança na época. Aproveitando toda essa febre, o produtor João Walter Plinta (? - 2019) criou o grupo musical para atrair o público infantil, o Super Heróis (sem o hífen, mesmo), juntando personagens da DC Comics (Batman, Robin, Superman e Mulher-Maravilha), da Marvel Comics (Homem-Aranha e Thor) e um intruso televisivo Kung Fu. Este último não é o personagem Shang-Chi, da Marvel, embora tenha o visual extremamente parecido. Segundo os integrantes, Kung Fu foi inspirado no lutador da série homônima (Warner Bros. / American Broadcasting Company, 1972-1975) estrelada por David Carradine (1936-2009). Nos dias de hoje as novas gerações diriam que Super Heróis é o conjunto musical de cosplays. João Walter Plinta também havia produzido grandes nomes da música infantil, como A Patotinha, Patati Patatá, Gugu Liberato (1959-2019) e Eliana. Inclusive foi o Plinta o compositor de "Os Dedinhos" ("polegares, polegares, onde estão?"), versão de uma música tradicional infantil francesa "Frère Jacques".

João Walter Plinta (in memorian) em estúdio


Boa parte do grupo que era da faixa de seus 15, 16 e 17 anos de idade saiu do programa Show de Calouros da TVS (primeiro nome do SBT) apresentado por Silvio Santos. Inclusive Plinta fazia parte do coral do programa. E já com a ideia na cabeça e um projeto na gravadora RCA _que hoje pertence à Sony Music_ Plinta chamou alguns rapazes para fazer o teste e os selecionados para os Super Heróis foram Manoel Carvalho, o Noel (Robin), Gilson Dias (Thor), Claudio Rivera (Homem-Aranha), Ricardo Scheir (Batman) e Francisco Assis, o Kung Fu (que mais tarde foi substituído por Lincoln Idelfonso). José Francisco Bueno, o Benê era o Superman, voz principal e o único cantor profissional do grupo que já fez parte da banda Os Môscas (isso mesmo, com acento circunflexo, a grafia da época) que tinha uma certa relação com a Jovem Guarda nos anos 1960. Vera Lúcia Egídio, a Mulher-Maravilha, só veio pouco depois de o grupo já ter sido lançado. 
O primeiro lançamento do grupo Super Heróis foi um compacto simples (ou single no atual jargão fonográfico) com as músicas "Somos Todos Super Amigos" (de João Walter Plinta, Wagner Benatti e Chris, 1979) e "Preserve o Que É De Todos" (de João Walter Plinta e Cesar Rossi, 1979), uma canção com uma linda letra em defesa do meio ambiente. Ambas as faixas, assim como a ideia do grupo, têm como inspiração o grupo Village People que emplacava nas paradas de sucesso e nas discotecas do mundo todo. Afinal, se Village People tem "índio americano", "cowboy", "operário", "motociclista", "soldado" e o vocalista "policial" como os integrantes eram identificados de acordo com as suas fantasias, por que não criar um grupo pra crianças em pleno Ano Internacional da Criança com os membros que se chamariam Superman, a voz principal, Homem-Aranha, Thor, Batman, Robin, Kung-Fu e Mulher-Maravilha? As músicas que seguem a mesma estética de "Y.M.C.A" (de Jacques Morali e Victor Willis, 1978) e "Macho Man " (de Jacques Morali, Henri Belolo, Victor Willis e Peter Whitehead, 1978), dois grandes sucessos do grupo nova-iorquino, tiveram o arranjo assinado por Hélio Santisteban (1948-2018), vocalista e tecladista da banda Pholhas. A direção artística do compacto é de Osmar Zan, filho do compositor e acordeonista Mário Zan (1920 - 2006).

 






Capa do compacto duplo do grupo Super Heróis

Em seguida, no mesmo ano, já com a Mulher-Maravilha no grupo, foi lançado compacto duplo (ou EP como se chamaria nos dias de hoje) com as faixas "Eu Também Vou (À Festa dos Super Heróis)" (de Cleide Dalto) que é uma versão de uma música do grupo Boney M., "Gotta Go Home" (de Frank Farian, Fred Jay, Heinz Huth e Jürgen Huth, 1979), cuja introdução foi usada como sample para música "Barbra Streisand" (de Alain Macklovitch e Armand van Helden, 2010) do duo de dj's Duck Sauce, e "Dance Comigo" (de Cleide Dalto), adaptação de "Dance With You" (de Kossi Gardner, 1979) gravada pela cantora americana Carrie Lucas, além das duas faixas do single anterior.
O Benê, o Superman, era o único cantor de fato. Os demais integrantes disseram que faziam backing vocal, mas também contavam com a ajuda de cantores profissionais. João Walter Plinta, Sylvinha Araújo (1951-2008), ex-jovem guardista e esposa de Eduardo Araújo, e Ângela Márcia, esposa do Sérgio Reis, cantaram em algumas faixas do projeto. Inclusive foi Ângela que participou do compacto duplo como a voz da Mulher-Maravilha na faixa "Dance Comigo". É aquele famoso "esqueminha de fabricação das gravadoras", um fato bem comum na indústria musical daquela época.
O grupo passou a fazer apresentações em praticamente todos os programas de TV que contavam com atrações musicais. O primeiro deles foi o do Raul Gil, ainda na TV Tupi (1950-1980), considerado o padrinho do grupo, pelo menos para os integrantes. Acabaram indo a vários outros, como no programa do Bozo, na TVS/SBT, Bolinha (Edson Cury, 1936-1998), do Carlos Imperial (1935-1992), "Almoço Com As Estrelas" e também na Globo, nos Trapalhões e no do Chacrinha (Abelardo Barbosa, 1917-1988). Até mesmo à tradicional chegada do Papai Noel no Maracanã, no Rio de Janeiro não podiam faltar, afinal eles já se tornaram em uma sensação entre a garotada.
Com a repercussão lá nas alturas graças às aparições na TV, venda de discos e agenda de shows, houve uma chance dos Super Heróis se apresentarem em Portugal, isso em dezembro de 1982. Pasmem: já havia muita gente aguardando o grupo no aeroporto de Lisboa. Quando o voo se aproximava, os integrantes se vestiam com a roupa do show e foram recebidos calorosamente por crianças. Uma recepção bem digna dos Beatles. 

Acabaram-se os superpoderes 

O sucesso no exterior era tanto que, contudo, ao grupo e à equipe de produção deu uma baita dor de cabeça. É que foi a partir da turnê em Portugal que a Marvel Comics, a editora de HQ's proprietária dos heróis Thor e Homem-Aranha, ficou sabendo da existência do conjunto musical brasileiro e resolveu levantar uma ação judicial contra a produção e a RCA (hoje pertencente à Sony Music) pelo uso dos seus personagens sem autorização. 
Analisem comigo: os Super Heróis estavam na ativa desde 1979 e foi só surgir uma turnê internacional 3 anos depois que a editora americana descobre a existência do grupo brasileiro. Afinal, naquela época, não existiam a internet e suas redes sociais através das quais uma novidade midiática chegava em uma velocidade absurda aos olhos do mundo, inclusive das celebridades nacionais e internacionais. E receber notícias nos Estados Unidos de um grupo musical vestido de super-herói no Brasil era algo praticamente impossível de acontecer.
Paulo Fedato (1949-2021), produtor da RCA na época, revelou que a cobrança da Marvel não foi nada traumática ou cheia de advogados e que ninguém na gravadora pensou que poderia dar problemas ao usar o Thor e o Homem-Aranha. Sem falar também em Batman, Robin, Superman e Mulher-Maravilha que pertenciam à DC Comics e no Kung-Fu à Warner Bros. Como o próprio Fedato disse: "Não pensaram. A lei de direitos, de uso de marca, era desconhecida, mas jamais houve má-fé da RCA". Foi aí que a produção se via ter duas opções: ou desfazer o grupo ou trocar de fantasias dos integrantes, já que se contratasse um advogado para se defender, a Marvel venceria na justiça e com toda a razão. A segunda opção foi escolhida. "Ah, logo agora que a brincadeira tava ficando boa!", como diziam os personagens do antigo sitcom Zorra Total da Rede Globo.
As gravações do primeiro LP dos Super Heróis começaram em agosto de 1982, pouco antes do problema de Royalties com a Marvel, porém as músicas já gravadas para o álbum que seria lançado no ano seguinte continuaram as mesmas e o grupo passou a ser chamado de Os Novos Heróis com as novas fantasias e personagens que não existiam nos gibis e desde então não obteve mesmo sucesso de quando usavam figurinos de personagens famosos, o que decretou o fim do grupo.


Nostalgicamente falando

Como eu disse na introdução, só descobri a existência do Super Heróis através de uma postagem do perfil Nostalgicamente no Instagram  com o trecho do vídeo da apresentação do grupo no programa do Bozo. Alguns internautas nos comentários estranharam o fato de a Mulher-Maravilha ter sido ignorada na letra da música. É que a personagem só veio ao grupo assim que a música já tinha sido gravada, como eu falei anteriormente. Outros notaram a ausência do Robin no palco. Não faltaram, lógico, comentários jocosos dos seguidores do Nostalgicamente, tipo "O Robin é o Homem Invisível" e "Mistura de Village People, Mamonas Assassinas e Carreta Furacão". Risos.




Por onde andam os Super Heróis?

Gilson Dias, o Thor,  se formou em jornalismo e é repórter cinematográfico com passagens pela Record TV e SBT. Atualmente mora em São Paulo e monitora página do Instagram (@gruposuperherois) e canal do YouTube (https://www.youtube.com/gruposuperherois), ambos em memória do grupo Super Heróis.

Vera Lúcia, a Mulher-Maravilha, é formada em psicologia e vive no interior paulista

Manoel Carvalho, o Robin, mora em Ribeirão Preto, dá aulas de patinação, tem uma loja de artigos esportivos e um estúdio para ensaios de bandas.

O vocalista José Franco Bueno, o Bêne, após o término do grupo Super Heróis, mudou-se para Miami, Flórida, Estados, Unidos, em 1987, para tentar a carreira solo. Adotando seu nome artístico como Benny Bueno, cantou em vários bares, pubs e restaurantes na Ocean Drive em Miami Beach, e em uma dessas noites, foi parabenizado por ninguém menos que a cantora cubana Gloria Estefan e seu marido, o produtor musical Emilio Estefan, que estavam em uma das mesas. Benê não está mais entre nós. Faleceu no dia 10 de dezembro de 2002, aos 57 anos de idade. Sua morte foi confirmada por uma de suas filhas através de sua conversa com Gilson, o Thor, no Instagram. 

 A respeito dos demais integrantes não há informações.


Legado

É lógico que o grupo Super Heróis tem uma importância na música brasileira, por que não? Depois deles, houve o surgimento de muitos outros artistas e/ou grupos voltados para o público infantil, como a Turma do Balão Mágico, A Patotinha, Os Abelhudos, Trem da Alegria, etc. O grupo Mamonas Assassinas costumava se apresentar usando personagens dos quadrinhos e de séries, como você deve se lembrar. Atualmente existe também uma banda em Belém do Pará que toca brega, forró e "pisadinha" chamada Vingadores do Brega que também junta alguns personagens da DC e da Marvel. Na formação estão Capitão América, Homem-Aranha (com uniforme tradicional e o preto), Deadpool, Flash e Batman. Isso lembra o quê, mesmo?


Na cultura popular

O cineasta inglês Edgar Wright que dirigiu os filmes "Em Ritmo de Fuga" ("Baby Driver", TriStar Pictures / Sony Pictures Releasing, 2017) e "Scott Pilgrim contra o Mundo" ("Scott Pilgrim vs. The World", Universal Pictures / Paramount Pictures, 2010) publicou em sua página no Twitter em março de 2020 um vídeo do programa Bozo da TVS/SBT em que o palhaço apresenta o grupo Super Heróis cantando "Somos Todos Super Amigos". "Este é o único universo cinemático em que estou interessado", brincou o diretor na descrição, fazendo referência às franquias cinematográficas da Marvel e da DC.


Valeu, Jão Plinta! Que Deus o tenha!

Fontes:

*Página Supertoons - Facebook

https://m.facebook.com/estudiosupertoons/photos/supertoons-lamenta-morte-do-produtor-musical-jo%C3%A3o-plintaa-supertoons-lamenta-pro/1389994427807357/

*Wikipédia

*Odair Braz Jr. / Portal R7

*Vídeo "O Inesquecível Superman - Super Heróis !" (sobre o cantor Benê) - Gilson Dias (Thor) - canal Grupo Super Heróis / YouTube

*"Edgar Wright publica vídeo de super-heróis no programa do Bozo" - Pablo Raphael / Coluna da página "Omelete"

Baú de Curiosidades #03 - Antônio Fagundes e Tony Ramos formando uma dupla sertaneja

 


Houve uma vez em que Antônio Fagundes e Tony Ramos, dois grandes nomes da televisão e do teatro, formaram a dupla sertaneja Tony & Antônio. Risos. Não acredita? Então vamos voltar para o ano de 1991, quando a Rede Globo fez uma série de propagandas de fim de ano com o slogan "Invente. Tente. Faça um 92 diferente", uma das mais criativas de fim de ano da emissora (eu tinha uns 9 anos de idade na época, eu lembro bem). Cada propaganda um contratado da Globo fazia um número artístico considerado "improvável" aos olhos do telespectador ou revivia sua antiga ocupação, como a Fatima Bernardes dançando sapateado, por exemplo, já que ela era bailarina antes de ser jornalista. 


Em 1991 Antônio Fagundes interpretava o personagem Felipe Barreto na novela "O Dono do Mundo (1991-1992). Tony Ramos vivia o Álvaro Peixoto na novela "Felicidade" (1991-1992). Em uma época que o sertanejo era _ou é_ uma sensação musical do Brasil, para a propaganda, os dois se juntaram para cantar o sucesso "Talismã" (de Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1989) que primeiramente foi gravado por Elson do Forrogode (1942-2017) para o seu álbum "Alô Brasil" (RGE, 1989) e posteriormente emplacou nas vozes da dupla sertaneja Leandro & Leonardo em seu quarto álbum (Warner Music/Divisão Continental, 1990), aquele do "Pense em Mim" (de Douglas Maio, José Ribeiro e Mario Soares). Veja e reviva.

 

https://globoplay.globo.com/v/1748348/


Festa de Lançamento do "Clube do Samba" (Fantástico, 1979)

"Meninos da Mangueira" - Ataulpho Jr. e Diogo Nogueira no programa "Samba da Gamboa" na TV Brasil