"O que é de verdade ninguém mais hoje liga: isso é coisa da antiga" - Ney Lopes e Wilson Moreira

Elsa (Frozen) ♥

sábado, 22 de julho de 2023

"Dá Um Tempo!" - livro de Izabella Camargo

 



"De tanto correr pela vida sem freio
Me esqueci que a vida se vive num momento
De tanto querer ser em tudo o primeiro
Me esqueci de viver os detalhes pequenos
De tanto brincar com os sentimentos
Vivendo de aplausos envoltos em sonhos
De tanto gritar as canções ao vento
Já não sou o que fui,
hoje eu vivo e não sinto"


"Me Esqueci de Viver" ("J'ai Oublié de Vivre", música de Jacques Revaux e letra original de Pierre Billon, 1977 / "Me Olvidé de Vivir", versão em espanhol de Julio Iglesias, J. Flores, Manolo Diaz, Manuel de la Calva, Ramón Arcusa e Mimi Korman, 1979 / versão em português de Fernando Adour, 1981, na gravação de Julio Iglesias)


Desde que eu a vi em "Direção Espiritual", antigo programa de TV apresentado por Padre Fábio de Melo na TV Canção Nova, comecei a acompanhar e admirar Izabella Camargo, jornalista, palestrante, youtuber e ex-dançarina do "Fantasia" do SBT na década de 1990. A primeira edição de seu livro "Dá Um Tempo" (Principium /Editora Globo) foi em 2020, mas eu só o comprei esse ano, o da terceira edição, já que infelizmente eu não achei em nenhuma loja física.

O livro foi inspirado em uma fase de sua vida quando Izabella Camargo foi diagnosticada com síndrome de burnout. Para quem não sabe, síndrome de burnout (do inglês burn, queima; e out, exterior) é o desgaste emocional que danifica aspectos físicos e psíquicos da pessoa, reduzindo a naturalidade e a velocidade com que ela realiza suas tarefas. Os sintomas são fadiga, cansaço constante, distúrbios de sono, dores musculares e de cabeça, irritabilidade, alterações de humor e de memória, dificuldade de concentração, falta de apetite, depressão e perda de iniciativa. Nos casos mais graves, pode levar ao consumo de álcool e drogas e até ao suicídio (Notícias da TV, 8 de novembro de 2018). Izabella tinha ouvido de médicos e chegou à conclusão de que a doença teria a ver com o fato de ter trabalhado de madrugada na maior parte dos seis anos que esteve na Globo, emissora da qual ela foi demitida injusta e absurdamente depois de retornar da licença médica. Levantou uma ação judicial contra a emissora e venceu, o que fez com que a Globo recontratasse a comunicadora por determinação da justiça. Em 2019, ela fechou o acordo e deixou definitivamente a empresa (Hugo Gloss / UOL).


Ao ler o livro de Izabella Camargo e ver suas postagens em suas redes sociais, eu, que tenho a música como assunto do meu maior interesse como se vê aqui no meu blog, me lembrei de cantores que têm aquela rotina tão agitada que têm uma ninharia de hora de sono diário, o que aconteceu com a Izabella na área do jornalismo. Na próxima postagem cito alguns exemplos do dia a dia dos astros da música (clique aqui). Só que sem descanso necessário, até a voz, seu instrumento de trabalho, se prejudica. Falando em cantores, Izabella reuniu entrevistas para este livro com famosos como Padre Fábio de Melo e Fernanda Takai que também tiveram seus dias agitados. Ao falar da Fernanda no capítulo 5 ("Música, instrumento do tempo") da parte 3 ("Percepções"), há uma menção ao "Sobre o Tempo" ( de Fernanda Takai e John Ulhoa, 1995), o primeiro grande hit da banda Pato Fu que faz uma percepção do tempo. Lá vou eu dizer que sinto falta de 1995. Risos. Eu tinha 13 anos e, assim como outras pessoas da minha geração, curtia os Mamonas Assassinas, Skank, Cidade Negra, É o Tchan na época em que ainda se chamava Gera Samba, eurodance, italodance e latin dance daqueles CD's da extinta gravadora Paradoxx Music (entre eles, "As 7 Melhores da Jovem Pan" volumes 1, 2, 3 e 4), Cidinho & Doca com seu "Rap da Felicidade" (de Cidinho & Doca, 1994) e Spice Girls que só surgiram no ano seguinte com "Wannabe" (de Spice Girls, Matt Rowe e Richard Stannard, 1996). E foi nesse mesmo 1995 que me apaixonei pelo rei Roberto Carlos. Inusitado pra essa minha idade, né? Mais risos. Lembro até da primeira vez que eu vi a banda Pato Fu em uma matéria do programa Vídeo Show da Rede Globo lançando "Sobre o Tempo". Parece que foi ontem. Esse tempo pra mim "zuniu como novo Sedan" (embora a letra da música grafa como "Sedã"), foi legal como o carro da Chevrolet mencionado na música do Pato Fu e bem proveitoso. Isso dá impressão de que durante a nossa infância e adolescência tudo era proveitoso e, depois de adulto, essas alegrias e ilusões se perdem fácil, porque temos os estudos, o trabalho, os boletos para pagar e, quanto menos se espera, aproveitamos nada, nem sabemos mais o que é ter sua própria festa de aniversário. "O tempo está passando mais rápido ou estamos passando mais rápido pelo tempo?" Essa foi a pergunta feita na contracapa do livro e, para respondê-la, Izabella conversou com mais de cem especialistas, formadores de opinião, professores e artistas e registrou as conversas nesta obra.


Dá um tempo e pega leve! 


O problema não é trabalhar e ter outros compromissos, e sim o excesso de trabalho e de compromissos. Tudo que é demais cansa. Nenhum de nós é um Superman ou uma Mulher Maravilha para dar conta de tudo. Você não precisa desmaiar pra saber que precisa dormir, não é? Da mesma forma que você não precisa esperar a bateria do seu smartphone acabar por completo pra recarregá-la. O celular sente quando está com pouca energia e o acúmulo desse estresse acaba encurtando sua vida útil, então a solução é nunca deixar o nível da bateria do celular inferior a 20%. Com o nosso corpo e a nossa mente é a mesma coisa. Essa parábola eu copiei da Lu, a famosa garota propaganda virtual da Magazine Luiza em um vídeo que ela fala quais são as situações que acabam com a bateria do celular. (https://youtu.be/9UgBJdVM8fU) Risos. E é isso que o livro nos aconselha. Não é por acaso que o termo "descansar" significa "repor as energias", pois sem descanso necessário, a vida profissional não funciona.

"Dá um tempo pra você não fazer nada. Por minutos, horas, até parece irônico, mas também nas férias e dias de folga. Sim, você pode. Entendo que as frases 'tempo é dinheiro' e 'cabeça vazia é oficina do diabo' nos confundem e nos enchem de culpa quando não estamos produzindo ou fazendo nada. A religião e a indústria contribuíram muito para essa ideia nos últimos séculos. A maior parte dos sinônimos de ócio é negativa ou depreciativa: vagabundagem, negligência, vadiagem, preguiça, para citar alguns", disse a autora na página 258 do livro no capítulo 4 da parte 5 intitulada "Escolhas". 

Siga Izabella Camargo:

Instagram: @izabellacamargoreal

Facebook : https://www.facebook.com/izabellacamargoreal

Youtube: https://www.youtube.com/izabellacamargoreal



"Se as frases 'estou sem tempo', 'estou cansado/a', 'vivo correndo' e 'minha agenda está uma loucura' são recorrentes, pense se você não está glamourizando o estresse e se esquecendo de si. Tente se proteger do vírus da pressa"

Izabella Camargo.




"Você já sentiu que mesmo fazendo tantas coisas por dia está sempre se sentindo em débito com alguém – ou consigo mesmo?
'Dá um tempo!' é um convite à busca por limite em um mundo sem limites.
O tempo está passando muito rápido! Diante dessa afirmação que ouvia diariamente de muitas pessoas, a jornalista Izabella Camargo passou a refletir e investigar o que provoca a sociedade moderna.
Após identificar as transformações em diversas áreas que nos levaram a viver em um mundo mais rápido, Izabella – que precisou tirar o pé do acelerador e pisar no freio ao viver a experiência com a síndrome de burnout – escreveu 'Dá um tempo!'.
O livro reúne percepções de mais de cem entrevistados, desde personalidades como Fernanda Montenegro, Pe. Fábio de Melo e Nelson Motta a professores, formadores de opinião e especialistas no assunto. Este livro busca dar subsídios para que qualquer pessoa possa ditar o ritmo da própria agenda, ir ao encontro de uma vida saudável e ter o tempo sempre a seu favor"

Descição do livro - à venda na Amazon

https://www.amazon.com.br/D%C3%A1-tempo-encontrar-limite-limites/dp/6555670142



Para terminar, uma postagem bem humorada que, por outro lado, sua mensagem é um fato. É o que a Izabella Camargo chama ao citar um exemplo da cantora Anitta de "atualização de identidade", ou seja, quando uma pessoa tem clareza das suas características atuais e respeita os seus limites:

https://www.instagram.com/reel/CncMbS0D5Jg/?igshid=MzRlODBiNWFlZA==

sexta-feira, 7 de julho de 2023

"Influencer de Mentira" ("Not Okay", 2022)

 Esta postagem contem alguns spoilers

 

"Fique famosa ou minta tentando". Se a personagem de Zoey Deutch nesse filme fosse música, seria "I Started a Joke" dos Bee Gees.


"Influencer de Mentira acerta na crítica às obsessões midiáticas" 
Giulianna Muneratto - site Tangerina / UOL, 1 de agosto de 2022.



"Você já quis tanto ser notada que nem ligava mais pelo que aconteceria? Deixa eu lhe dizer uma coisa: tenha cuidado com o que você quer." 
Danni Sanders (Zoey Deutch), na introdução do filme



"AVISO DE CONTEÚDO: Este filme contem luzes fortes piscando, temas de trauma e uma protagonista insuportável. Aconselhamos critério ao telespectador". É com esse aviso que "Influencer de Mentira" ("Not Okay", 2022 / em Portugal: "Não Está Tudo Bem") começa antes da vinheta da sua distribuidora, Searchlight Pictures, ao som da famosa fanfarra da 20th Century Fox (de Alfred Newman, 1933), da qual Searchlight é subsidiária. Estrelado por Zoey Deutch, Dylan O'Brien e Nadia Alexander, "Influencer de Mentira" é um ótimo filme do gênero comédia dramática com humor ácido que satiriza influenciadores digitais que anseiam por fama e que também serve de reflexão a quem lhe assiste. Eu admito que amo muito o filme, tanto que merece uma pipoca ou Dorito's como companhia. "Influencer de Mentira" está disponível no Star+.

Danni Sanders (Zoey Deutch / dublada por Hannah Buttel) é uma jovem aspirante à escritora, sem amigos, sem rumo, sem vida amorosa, trabalha como uma editora de fotos para uma revista e é menosprezada pelos colegas. Ela é apaixonada por Colin (Dylan O’Brien / dublado por Felipe Drummond), um influencer pra lá de maltrapilho e maconheiro que tem um péssimo gosto pra se vestir, gosta de relacionamentos momentâneos com garotas ("pegar gatinhas" no jargão popular) e também trabalha na revista. Colin é do tipo que não vale nem o café filtrado da Starbucks, mas tem milhões de seguidores no Instagram no qual posta fotos fumando um baseado e viajando pelo mundo, inclusive no Brasil (até tem uma foto dele diante da Escadaria Selarón, no Rio de Janeiro), o que faz parecer que esse "amor" da Danni por ele é por interesse. Uma buzinada forte nos internautas pra pararem de idolatrar os chamados "influenciadores digitais". Até o próprio Dylan O'Brien que é bonitinho na vida real falou em uma entrevista que queria tirar o sarro dessas pseudocelebridades internéticas ao incorporar o personagem marrento (Tangerina / UOL, 21 de julho de 2022).


O maloqueiro Colin (Dylan O'Brien) no Rio de Janeiro. 

Desesperada por amigos, fama e atenção do Colin, Danni finge uma viagem à Paris para um certo "retiro de escritores" e usa Photoshop para editar suas fotos com imagens de pontos turísticos da Cidade Luz ao fundo para postá-las no Instagram. Com isso ela consegue tudo o que quer, mas um incidente aterrorizante na capital da França acontece e isso se torna parte de sua "viagem", o que faz com que todos se preocupassem com ela, inclusive o influencer maconheiro, e é aí que ela se apresenta como uma sobrevivente de um ataque mortal. 

Olá seguidores, eu estou em Paris. Só que não.


Na volta ao trabalho, Danni que antes era ignorada pelos colegas tem uma chance de escrever um artigo comovente sobre o acontecimento, mas lhe falta criatividade. Para isso, teve que, pode-se dizer, buscar inspiração em um grupo de apoio com verdadeiros sobreviventes de ataques, entre eles, a adolescente Rowan (Mia Isaac / dublada por Laura Hávilla), de quem ela conquista amizade. Rowan sobreviveu um tiroteio em uma escola que matou sua irmã, o que fez com que ela se tornasse uma famosa ativista contra a violência armada para o desgosto dos militares e apoiadores da extrema direita. Danni Sander consegue escrever um artigo, cria a hashtag "Não Estou Bem" ("Not Okay", como no título original do filme) e faz um sucesso retumbante com os feitos, mas tudo isso não passa de um plágio dos conselhos da amiga famosa que fica em choque com o texto familiar publicado na internet, mas isso não abala a amizade entre as duas (ainda), já que Rowan não faz ideia de que Danni queria tirar o proveito dela. Desde que "chegou da viagem" e ganhou prestígio do país inteiro, Danni tem visões de um homem misterioso encapuzado, apontado como o causador do bombardeio em Paris, e de luzes piscando como alertas de que ela estaria fazendo asneiras a cada mentira e atitude oportunista. Como se não bastasse aquela foto bizarra do perfil no Instagram em que ela faz pose com a cabeça inclinada, língua de fora e dois dedos em V como sinal de "paz e amor", Danni posta em sua página uma outra foto pior ainda com a língua dobrada para a parte superior do lábio vestindo a camiseta branca escrita "woke" que, literalmente traduzindo, quer dizer, "acordada". No sentido atual, woke significa, segundo o dicionário Oxford, "estar consciente sobre temas sociais e políticos, especialmente o racismo", como também pode ser usada como um insulto "por pessoas que pensam que outros se incomodam muito facilmente com estes assuntos, ou falam demais sobre eles, sem promover nenhuma mudança" (site Terra, 18 de maio de 2023). Faz sentido.

Rowan (Mia Isaac) e Danni Sanders (Zoey Deutch)

No meio dessa bizarrice toda temos uma salvadora do filme além da Rowan: Harper (Nadia Alexander / dublada por Taís Feijó), que é lésbica, antipaticíssima com Danni e defensora do feminismo que trabalha com os artigos da lendária Juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos, Ruth Bader Ginsburg (1933-2020). Eu tenho que admitir que Harper é minha personagem preferida desse filme. Assim que Danni conquista fama e sucesso e ganha a própria sala de trabalho oferecida pela Susan (Negin Farsad / dublada por Andréa Murucci), a editora-chefe da revista, Harper sente inveja dela e, desconfiada da falta de emoção pós-tragédia da "inimiga", começa a persegui-la. É aí que ela descobre as farsas de Danni Sanders e a chantageia para publicar um artigo na internet falando a verdade. Se sentindo pressionada, Danni a obedece e por fim descobre que a obsessão pela notoriedade online tem um preço terrível. Após a revelação, perdeu a amizade da Rowan que entendeu que Danni estava com ela por interesse, o emprego na revista e, pra piorar, foi apedrejada sem dó nem piedade na internet e virou meme e alvo da cultura do cancelamento do mundo inteiro. Até a sua foto tosca do perfil, aquela da língua de fora e sinal de paz e amor, estampou a capa de uma revista famosa no estilo Veja ou IstoÉ com a manchete "Americana Completamente Mentirosa". No fim, Danni Sanders é a personificação daquela música dos Bee Gees, "I Started a Joke" (de Barry Gibb, Robin Gibb e Maurice Gibb) que foi lançada em 1968, mas na era das redes sociais, a letra da música faz mais sentido ainda graças a essa ideia de recorrer à mentira impactante pra ganhar atenção, seguidores, acessos e likes. Parafraseando a letra, Danni começou com uma piada _ de péssimo gosto por sinal_ no momento em que o mundo estava triste e não percebeu que era ela a piada. Assim que ela se viu obrigada a se desmascarar, a história se inverte: o mundo inteiro zomba da Danni, que chora e, envergonhada, exclui suas contas das redes sociais.

Harper (Nadia Alexander): a foto é minha cena preferida.


Curiosidades

*Zoey Deutch também trabalha nesse filme como produtora executiva.

*Quinn Shephard que é roteirista e diretora do filme também participa nele como atriz fazendo o papel de uma das participantes do grupo de apoio dos humilhados na internet para o qual Danni entra em seguida. Sua personagem que também se chama Quinn acusa a confissão de Danni de autopiedade, mas é censurada pela chefe do grupo. Repare que ela só aparece na cena assim que ela fala.


Vamos falar de música?

A ótima trilha sonora original de "Influencer de Mentira" foi produzida pelo canadense Pilou, nome artístico de Pierre-Philippe Côté. Aquelas músicas com coro no filme quase inteiro foram interpretadas pelos grupos vocais Les Voix Mystiques de Saint-Adrien e o quarteto Qw4rtz.

A cena em que Danni Sanders posta fotos da viagem forjada no Instagram é acompanhada pelo punk rock "Ça Plane Pour Moi" (em português, "Por Mim Tudo Bem", De Francis Jean Deprijck e Yves Maurice Lacomblez, 1977), regravada pelo produtor Pilou com a participação da cantora e compositora Anna Jean, vocalista da banda indie pop francesa Juniore, conhecida pela sua influência na década de 1960. "Ça Plane Pour Moi" foi gravada originalmente por Plastic Bertrand, nome artístico do cantor belga Roger Marie François Jouret.
Por falar em JUNIORE, a banda e mais uma vez a sua vocalista Anna Jean marcam presença com a releitura do sucesso da cantora country americana Skeeter Davis (1931-2004), "The End of the World" (de Arthur Kent e Sylvia Dee, 1962) com aquela qualidade sonora com leve eco, digna de produção musical dos anos 1960 e eu adoro de paixão a sonoridade vintage. Sem falar que o sample usado para a releitura foi da gravação original de 1962 da Skeeter Davis, porém com alguns tons reduzidos. Eu escrevi o nome da banda em letras maiúsculas, porque, contrariando outras páginas, não foram Billie Eilish e muito menos Lana Del Rey que a regravaram. A música embala o momento em que toda a mentira de Danni Sanders cai por terra e ela começa a ser malhada por todos, dentro e fora da internet. Ao ouvi-la na primeira vez que vi esse filme me lembrei da versão em português do grupo Roupa Nova intitulada "O Sonho Acabou" (adaptação de Ronaldo Bastos, 1997) solada pelo Paulinho (1952-2020) e incluída na trilha sonora do remake da novela "Anjo Mau" (Rede Globo, 1997-1998). Outra música da banda Juniore incluída no filme é "Ah, Bah D'acoord" ("ah, tudo bem!", de Anna Jean, 2019) na cena quem que Danni tenta convidar sua mãe Judith (Embeth Davidtz / dublada por Izabel Lira) pelo telefone pra sair.
"Bonnie and Clyde" (de Serge Gainsbourg, 1968) cantada pelos franceses Serge Gainsbourg (1928-1991) e Brigitte Bardot foi executada durante o lindo sonho de Danni Sanders em Paris, mas que virou pesadelo ao se deparar com o tal encapuzado responsável pelo ataque no local. A versão original de "Bonnie and Clyde" é colidida com a versão remixada em 2017 por Akse assim que Danni, acordada, volta "desfilando" ao trabalho depois da falsa viagem, chamando a atenção dos colegas que até então a desvalorizavam.
No auge da amizade entre Danni e Rowan, esta revela que sua falecida irmã a acalmava com "músicas velhas" quando estava ansiosa, entre elas, "Complicated" (de Avril Lavigne, Lauren Christy, Scott Spock e Graham Edwards, 2002), primeiro grande sucesso da Avril Lavigne, fazendo com que Danni se surpreendesse com o tratamento de "velha" que Rowan deu à cantora canadense. Na época da produção do filme (em 2022), fez 20 anos que foi lançado o seu primeiro álbum, "Let Go" (Arista Records / Sony Music). Como o tempo passa rápido, não é? No caminho para o comício em que as duas fariam um discurso antiviolência, Danni pede para conectar seu celular ao rádio do carro para tocar "Complicated" para tranquilizar Rowan que ainda tinha medo do palco, e as duas no fim cantam a música empolgadas dentro do automóvel.
"Declaration" (de Cailin Russo, Michael Percy, George Astasio e Dylan Cooper, 2019) da cantora Cailin Russo foi uma ótima escolha para se executar durante os créditos finais, já que a letra condiz perfeitamente com a protagonista. "Esta é a declaração de uma merda / Um produto de como eu fui criada / e eu não espero uma lágrima sequer / ah, eu me sinto envergonhada", diz o refrão. É uma ótima música para se ouvir no fone de ouvido, pois ela destaca cada instrumento musical e os timbres são impactantes.

Vídeo: trailer do filme "Influencer de Mentira" ("Not Okay", Searchlight Pictures, 2022)

 


Fonte: Dublanet (nome de dubladores)

domingo, 2 de julho de 2023

Karinah e Elba Ramalho em São João de Campina Grande

 


No dia 24 de junho, dia de São João Batista, Elba Ramalho que foi a atração principal do dia na 40ª edição da maior festa junina do Brasil, São João de Campina Grande na Paraíba, convidou a cantora Karinah para dar uma palhinha com ela e revelou que a cantora paranaense começou a namorar o "Alemão", o empresário catarinense Diether Werninghaus, justamente em um de seus show. E as duas cantaram "Espumas ao Vento" (1997), música da autoria do cantor e compositor Accioly Neto (Goiana, 11 de julho de 1950 - Recife, 29 de outubro de 2000) eternizada na voz de Fagner e "Não Deixe o Samba Morrer" (de Edson Conceição e Aloísio Silva, 1975). No dia seguinte, Karinah postou o vídeo de sua participação no show da Elba em seu canal no YouTube e na descrição a cantora demonstrou sua emoção de ter vivenciado o momento:

"Elba Ramalho me convida para cantar no Maior São João do Mundo!!! Um sonho que eu nem sabia que tinha! Ontem pude vivenciar do palco os 40 anos do maior Arraial do mundo, a maior festa de São João do país com a Rainha @elbaramalho! Sem palavras para todo carinho, amor e emoção que vivenciei ontem! São João é o nosso Brasil! Muito obrigada novamente, Elba, minha Madrinha! Por ter me apresentado essa festa tão linda, Te amo!! Foi um momento ímpar, especialmente cantando a música em que conheci o meu Alemão! Vou guardar pra sempre esse momento!!"


"Festa na Roça" - Mário Zan

 

Capa do disco 10 polegadas "Zanzando" (RCA Victor/ hoje Sony Music, 1957) de Mário Zan, a primeira inclusão da música "Festa Na Roça" em um LP.


Sabe aquela música instrumental de quadrilha solada por um acordeom alegre e executada em toda a festa junina? Muita gente a ouve todo o mês de junho sem ao menos saber do que se trata. Sim, ela tem nome e é de um dos renomados compositores e instrumentistas da música brasileira: "Festa na Roça", do Mário Zan (1920-2006). Ela é da autoria do próprio acordeonista ítalo-brasileiro em parceria com Diogo Mulero, o ''Palmeira'' (1918 – 1967). 

Mário Zan, nascido como Mário Giovanni Zandomeneghi, nasceu em Roncade, na Itália, mas foi radicado no Brasil na década de 1920. Foi o autor dos hinos comemorativos dos 400 anos e 450 anos da cidade de São Paulo e de clássicos sertanejos como "Chalana" (com Arlindo Pinto, 1943), além de ser o compositor das mais populares canções de festas juninas paulistas. É pai do produtor musical Osmar Zan, que foi um dos produtores da antiga RCA Victor _hoje Sony Music_, e da Mariângela Zan, cantora e apresentadora do programa Aparecida Sertaneja, da TV Aparecida.

Segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, o ECAD, "Festa na Roça" está no topo das mais tocadas em festas juninas à frente de "Olha Pro Céu" (de Luiz Gonzaga e José Fernandes de Carvalho, 1951) e "Asa Branca" (de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1947), ambos gravadas por Luiz Gonzaga (1912-1989) (Agência Brasil / EBC, 2021) no ranking das três mais executadas em eventos juninos. A música teve sua primeira gravação no dia 15 de fevereiro de 1951 e foi lançada em maio de 1951 em 78 rpm pela RCA Victor.


 


  

domingo, 25 de junho de 2023

De onde vieram as versões originais da músicas da Turma do Balão Mágico? Sobre o disco de 1984

 

O primeiro álbum da Turma do Balão Mágico com Jair Oliveira, o Jairzinho, filho do também cantor Jair Rodrigues (1939-2014).

Depois de descobrir a verdade sobre as 9 músicas do álbum de 1983 da Turma do Balão Mágico na postagem anterior (clique aqui), vamos agora pra o tão lindo álbum de 1984. Naquela época eu tinha apenas 2 anos de idade, mas eu já achava bacana a ideia de convidar artistas adultos pra participar de discos de artistas mirins. Lembro que eu também queria muito este disco, porque eu via alguns conhecidos meus tendo, mas eu não sabia pedir e tampouco falar [risos] e o máximo que os meus pais me deram foi a fita cassete personalizada de 46 minutos da Turma do Balão Mágico de 1983 emendado com algumas faixas do disco "Pirlimpimpim" (Som Livre, 1982) que era a trilha sonora do especial infantil produzido e exibido pela Rede Globo para comemoração ao centenário de Monteiro Lobato (1882-1948) com os temas dos personagens da série "Sítio do Pica-Pau Amarelo" (Rede Globo, 1977-1986). Anos mais tarde, em 1987, ganhei dos meu pais o meu primeiro LP, "Os Grandes Sucessos da Turma do Balão Mágico" (CBS / hoje Sony Music) e eu amava/amo, pois reunia sucessos da discografia da Turma dentre os anos de 1982 e 1986. Só no ano de 2000, quando eu tinha 18 anos, é que eu vinguei a frustração comprando os discos de vinil da Turma dos anos de 1983 e de 1984 em um sebo.


Quarteto superfantástico : a reunião de Mike, Jairzão, Simony e Tob registrada em julho de 2022

A vinda do Jairzinho

Com um recorde em mãos e a proposta de programa diário na principal emissora do país prontamente aceita, A Turma do Balão Mágico preparava-se para este momento, em meio à shows e apresentações em programas, para lançar mais um álbum. Para o repertório, a gravadora procurava uma nova integrante, para estrear junto à nova fase do Balão. Durante esta preparação um fato aconteceu na Itália. Jair Oliveira cantou em programa de televisão com o pai, Jair Rodrigues, o sucesso "Io e Te". (de Renato Pareti e Sérgio Menegale, 1984). No retorno ao Brasil, Jair Rodrigues já tinha um compromisso agendado com o jogador Pelé (1940-2022). Com o cancelamento da participação do ex-jogador de futebol, o garoto teve de cantar sozinho, deixando a multidão boquiaberta. A gravadora aproveitou a situação e o convidou para ser integrado ao grupo e assim ele ocupou o lugar que seria de uma garota. Na estreia do programa da Rede Globo, Jair Oliveira, apelidado de Jairzinho era a grande novidade. No mesmo ano, Simony foi crucial para o retorno das atividades do grupo Os Trapalhões como um quarteto que havia rompido pelo desentendimento entre os integrantes (Wikipédia). 


O disco 

O terceiro álbum da Turma do Balão Mágico foi lançado em setembro de 1984. Para a maioria, o melhor álbum do grupo (o que talvez justificava a minha inveja de quem tinha o LP. Risos). O álbum bateu um novo recorde e seus hits não paravam de tocar nas rádios e na TV. E a ficha técnica é de primeira: além dos músicos Lincoln Olivetti (1954-2015) e Chiquinho de Moraes (1937-2023) no arranjo, repetindo a dose do álbum anterior, no coro adulto estavam as irmãs Cybele (1940-2014) e Cyva do grupo vocal Quarteto em Cy, Fernando Adour (1947-2019), o braço direito brasileiro do espanhol Julio Iglesias, Roberto Corrêa (1940-2016) do grupo Golden Boys e Rosana, muito antes de ser famosa com as músicas "Nem Um Toque" (de Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1987) e "O Amor e o Poder" ("The Power of Love", de Candy De Rouge, Jennifer Rush, Mary Susan Applegate e Gunther Mende, 1984, e versão de Claudio Rabello, 1987) que muitos intitulam erroneamente "Como Uma Deusa". No coro infantil, os abelhudos Tatiana Ferreira (que também participou do álbum anterior da Turma do Balão Mágico) e os irmãos Rodrigo Saldanha e Diego Saldanha, filhos do Renato Corrêa, também dos Golden Boys. Sem falar também na presença de Moraes Moreira (1947-2020), o hitmaker Claudio Rabello e Dalto como compositores. A ficha técnica completa está no final deste post.


O sucesso

O Balão finalmente tinha alcançado sucesso absoluto, e reinava no público infantojuvenil. A demanda por novos shows aumentou, juntamente com a audiência do programa na Rede Globo. Com todo esse sucesso, o Balão ainda protagonizou uma propaganda para vacinação contra a Raiva. No mês da criança, a Rede Globo exibiu um especial da Turma do Balão Mágico, intitulado de "A Turma do Balão Mágico em Amigos do Peito" que foi um programa de Augusto César Vannucci (1934-1992), o diretor geral.  O álbum de "Amigos do Peito", além de ser o primeiro com o Jairzinho, era o último do Tob que entrava na fase da puberdade e não cabia mais em músicas infantis. Tob foi substituído a partir do ano seguinte pelo Ricardinho que teve pouca participação efetiva no grupo. Na maioria das músicas do quarto disco lançado em 1985, Ricardinho fazia apenas parte do coro de determinadas músicas.


As músicas

O álbum de 1984, das 12 faixas nele, 8 são versões de músicas infantis estrangeiras adaptadas é claro por Edgard Poças e com participações pra lá de especiais. As 4 restantes são as originais "Quadrinhas e um Refrão" (domínio público e adaptação de Edgard Poças), "Meu Mocinho, Meu Cowboy" (de Augusto César e Claudio Rabello), "Palha e Aço" (de Moraes Moreira e Beu Machado) e "Dia de Festa" (de Dalto, Claudio Rabello e Paulo Ferro) com a participação do Fofão, personagem de Orival Pessini (1944-2016) do programa da Turma do Balão Mágico. Sem mais delongas, vamos descobrir qual a origem das outras 8.


O disco abre com chave de ouro com "É Tão Lindo" com a participação curiosa do meu mozinho Roberto Carlos em uma de suas raras aparições em álbuns de outros artistas. Como eu disse em uma postagem aqui no meu blog, a música é uma versão de "It's Not Easy" (de Joel Hirschhorn e Al Kasha, 1977) da primeira produção do filme "Meu Amigo, o Dragão" ("Pete's Dragon", Walt Disney Pictures, 1977) interpretada pela atriz e cantora Helen Reddy (1941-2020) que fazia a personagem Nora e o ex-ator mirim Sean Marshall como o órfão Pete, o protagonista do filme (clique aqui). Na versão em português, Roberto Carlos cantava a parte da Helen e a Simony do Sean.

Para incluir Roberto Carlos no projeto, Edgard Poças recebeu uma lista de palavras que o cantor não gosta e nem menciona em razão do seu transtorno obsessivo compulsivo para que não colocasse nenhuma delas para a sua versão de "It's Not Easy". Ele, simpático e brincalhão segundo os mais próximos, olhou a lista como quem diz "será mesmo que ele não fala nenhuma delas?". Diz a lenda que ele cometeu um deslize involuntário ao incluir a palavra "velho" no verso "somos velhos companheiros, os Três Mosqueteiros". Lógico que Roberto Carlos a usou em suas entrevistas e gravações musicais, porém não se sabe por que raios ele trocou a palavra "velhos" pelo "grandes", convertendo a frase para "somos grandes companheiros, os Três Mosqueteiros", como ficou oficialmente registrado no disco. (Vídeo "Balão Mágico e a Brincadeira com Roberto Carlos" / canal Fabiano Cavalcante / YouTube)

Em uma entrevista de 2021 no quadro "Elas Querem Saber" do Programa Raul Gil do SBT , Simony divertiu a plateia ao lembrar do constrangimento que causou no Roberto no dia da gravação de "É Tão Lindo" ao dizer-lhe que não queria ser amiga dele e que só gostava do Fábio Jr, de quem ela é fã e com quem gravaria "Amigos do Peito" para o mesmo disco. Roberto driblou a garotinha na época com 7 anos dizendo-lhe que foi o próprio Fábio Jr. que o mandou gravar com ela e foi aí que a Simony se sentiu convencida pelo cantor de "Detalhes" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971). Risos (Gente / Portal IG)




 



As crianças cresciam rápido. Tob, o mais velho do grupo, já tinha 13 anos, ao mesmo tempo em que Simony já tinha 8 anos e Mike, 10. Sabendo disso, a gravadora CBS decidiu repaginar o grupo e Edgard Poças fez então um repertório com músicas voltadas para o público adolescente. A grande aposta foi a música "Se Enamora" com Simony e Tob como intérpretes principais. 

"Se Enamora" foi outra faixa importada e é versão da música infantil italiana "E' L' Amore" (de Gianni Gastaldo, Daniele Garofalo, Massimo Monti e Vicenzo Giuffrè, 1982) cantada pelas crianças Loris Salzano & Monica Martelli (não confundindo com a atriz e apresentadora brasileira homônima) que gerou a versão em espanhol "Se Enamora" (1983) que foi gravada adivinhe por quem? A dupla Enrique & Ana, da qual eu tanto falei na postagem anterior sobre as músicas da Turminha, e a adaptação para o idioma foi escrita pela cantora e atriz espanhola Paloma San Basilio, aquela da versão original de "Juntos" (letra de Luis Gómez Escolar  e música de Giannino Gastaldo, 1981) que o grupo infantil brasileiro gravou em português com a Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil) para o álbum anterior. "Se Enamora" da Turma do Balão Mágico foi relida em 2009 pela cantora Tiê.

 


Falando em Baby do Brasil, mais uma vez ela participa do disco da Turma do Balão Mágico e acompanhada do então marido Pepeu Gomes na empolgante "Mãe Me Dá Um Dinheirinho", adaptação da música "Mama Dame 100 Pesetas" (de Danilo Vaona, Luis Gómez Escolar e Ignacio Ballesteros, 1981) da cantora Raffaella Carrà (1943-2021), a popstar que eu admiro particularmente e que era uma espécie de Madonna da Itália. Rafaella Carrà posteriormente havia gravado a versão italiana da música intitulada "Mamma Dami 100 Lire" (de Danilo Vaona, 1981).

"Zipi y Zape" (de C. Valero e Josep Llobell Oliver, 1981) foi gravada para o disco "Parchís y Sus Amigos" (Discos Belter, hoje Divucsa Music, 1981) no qual o grupo espanhol infantil Parchís reúne vários nomes da música destinada às crianças. Neste álbum "Zipi y Zape" se atribui ao grupo Los Pillos, mas no formato cassete  "Parchís y Sus Amigos" (Discos Belter, hoje Divucsa Music, 1981) a música foi creditada ao o grupo Regaliz como intérpretes. Pela semelhança nas vozes pode-se assegurar que se trata de Regaliz, até mesmo o vídeo-áudio oficial do YouTube deu crédito ao grupo que, assim como Parchís, era formado por crianças (Wikipédia). A música no Brasil virou "Zip e Zap" nas vozes da Turma do Balão Mágico.


O grupo espanhol Regaliz


 


"Bombom", música solada por Jairzinho, é uma versão infantil de "María Isabel" (de José Moreno e Luis Moreno, 1968) do grupo espanhol de rumba e pop latino Los Payos. Como se ouve, a letra em português feita por Edgard Poças é bem diferente da versão conhecida de Rossini Pinto (1937-1985) também intitulada "Maria Isabel" na gravação do cantor e compositor argentino Roberto Livi (1942-2019).

Uma das mais conhecidas do disco de 1984 da Turma do Balão Mágico, "Amigos do Peito" com a participação especial de Fábio Jr., o ídolo da Simony e da Turma da Mônica (risos), é uma adaptação de "Somos Amigos" (de Erik Vonn e Memo Méndez Guiu, 1982) do grupo mexicano Timbiriche pelo qual passaram Thalía e Eduardo Capetillo, o casal protagonista da novela "Marimar" (Televisa, 1994), e um dos principais rivais dos espanhóis Parchís assim que estes conquistaram sua popularidade em alguns países da América Latina (dessa formação da era "Somos Amigos" de Timbiriche, a única que eu conheço mais ou menos é a Paulina Rubio que se integrou antes de Thalía e Eduardo). Repare na semelhança da introdução de "Somos Amigos" com a de "Esto Es America" (de Jose Tudela Moreno Gil, Manuel Munilla Serrano e Angel Sanchez Molina, 1983), música gravada exclusivamente para a edição mexicana do LP da trilha sonora do filme "Las Locuras de Parchís" (Discos Belter, hoje Divucsa Music, 1982) estrelado pelo quinteto espanhol infantil (clique aqui). Na produção brasileira, um arranjo pomposo de cordas e metais de Chiquinho de Moraes.


Fábio Jr. e a Turma do Balão Mágico


           O grupo mexicano infantil Timbiriche (com Paulina Rubio sentada à esquerda)

                                   

 

"Dia dos Pais" na verdade é uma versão de "Mi Amigo Félix" (de Alfredo Araujo e Francisco Don Diego, 1980) defendida por Enrique y Ana mais uma vez. Enquanto a letra em português fala de um dia feliz de pai com filhos, a versão original é um homenagem triste ao médico naturalista espanhol Félix Rodríguez de la Fuente (1928-1980) que fala sobre todos os membros do Reino Animal lamentando sua morte, como uma representação de seu amor pelos animais e por toda a Natureza. (Wilipédia).

A faixa "Tia Josefina" foi trabalhada em cima de "Mi Tia Josefina" (de Francisco Don Diego, 1981) gravada por Torrebruno (1936-1999), cantor e apresentador de TV destinado ao público infantil que nasceu na Itália, mas foi radicado na Espanha em 1952. No especial televisivo "A Turma do Balão Mágico em Amigos do Peito", o cenário do videoclipe da música foi desenhado por ninguém menos que o artista plástico catarinense Juarez Machado que ao mesmo tempo encarnou a Tia Josefina no especial.


E encerrando esta postagem com uma novidade: vai estrear um documentário sobre a Turma dirigido pela ex-atriz Tatiana Issa, a mesma de " Pacto Brutal - O Assassinato de Daniella Perez" (Warner Bros. Discovery / HBO Max, 2022), e produzido antes de a Simony ter sido diagnosticada com câncer. Queira Deus que eu tenha a chance de assistir-lhe, pois parece tão ótimo, interessante e nostálgico quanto "Parchís - El Documental" (2019) da Netflix.
Até mais. E muita saúde para a Simony!

Veja também:
De onde vieram as versões originais das músicas da Turma do Balão Mágico? Sobre o disco de 1983

https://jotadejeane.blogspot.com/2023/06/de-onde-vieram-as-versoes-originais-das.html

 



Turma do Balão Mágico
℗ 1984 Discos CBS, Columbia Broadcasting System (hoje Sony Music Entertainment Brasil)

A Turma do Balão Mágico:
Michael Biggs (Mike)
Vímerson Cavanillas Benedicto (Tob)
Simony Benelli
Jair Oliveira (Jairzinho)

Produzido por Mauro Motta
Assistente de Produção: Carlos Pedro
Gravado nos Estúdios Sigla-RJ, Sigla -SP e Lincoln Olivetti
Mixado no Estúdio Sigla-RJ

Sigla-RJ:
Técnicos Assistentes: Luiz Paulo, Edu, Julinho, Nestor, Mário, Beto, Sérgio Murilo e Dorey

Sigla-SP:
Técnicos Assistentes: Jorge Guimarães (Gordinho), Beto Silva e Jorão Souza

Lincoln Olivetti:
Técnicos Assistentes: Eduardo, Tico e Xande

Arranjos e regências: Chiquinho de Moraes e Lincoln Olivetti
Coro Infantil: Ana, Bia Ferreira, Clara, Diego, Irene, Nana, Paulinho, Rodrigo, Tatiana Ferreira, Regina Célia e Tiago.
Coro Adulto: Cybele, Cyva, Edgard Luiz, Fernando Adour, Marize Rezende, Roberto Corrêa, Rosana e Simiana
Arregimentação: Gilson de Freitas

Capa: Geraldo Alves Pinto (design)
Ivan Klingen (Fotos)
Studo Sonia Robatto (encarte - teatrinho)
Cristina Portella (Coordenação Gráfica)



1 - "É Tão Lindo" (It's Not Easy")
Escrita por Joel Hirschhorn e Al Kasha
Versão de Edgard Barbosa Poças
participação especial de Roberto Carlos

2 - "Quadrinhas e Um Refrão"
domínio público
adaptação de Edgard  Barbosa Poças

3 - "Se Enamora" ("E' L'Amore")
escrita por Gianni Gastaldo, Daniele Garofalo, Massimo Monti e Vicenzo Giuffrè
Versão de Edgard Barbosa Poças

4 - "Mãe, Me Dá Um Dinheirinho"  ("Mama Dame 100 Pesetas")
escrita por Danilo Vaona, Luis Gómez Escolar e Ignacio Ballesteros
Versão de Edgard Barbosa Poças
participação especial de Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil) e Pepeu Gomes

5- "Zip e Zap"("Zipi y Zape") 
escrita por C. Valero e Josep Llobell Oliver
Versão de Edgard Barbosa Poças

6 - "Bombom" ("María Isabel") 
escrita por José Moreno e Luis Moreno
versão de Edgard Barbosa Poças

7 - "Amigos do Peito" ("Somos Amigos") 
escrita por Erik Vonn e Memo Méndez Guiu, 
versão de Edgard Barbosa Poças
participação especial de Fábio Júnior

8 - "Meu Mocinho, Meu Cowboy"
escrita por Augusto César e Cláudio Rabello

9- "Dia dos Pais" ("Mi Amigo Félix")
escrita por Alfredo Araujo e Francisco Don Diego
versão de Edgard Barbosa Poças

10 - "Tia Josefina" ("Mi Tia Josefina")
escrita por Francisco Don Diego
versão de Edgard Barbosa Poças

11 - "Palha e Aço"
escrita por Moraes Moreira e Beu Machado

12 - "Dia de Festa" 
escrita por Dalto, Cláudio Rabello e Paulo Ferro
Música incidental: "Atirei o Pau no Gato" (domínio público)
participação especial de  Fofão (Orival Pessini)

De onde vieram as versões originais das músicas da Turma do Balão Mágico? Sobre o disco de 1983

 Atualização: 13 de janeiro de 2024.


Aqui no meu blog eu havia feito uma postagem sobre a antiga e rara propaganda do lançamento desse estratosférico segundo álbum da Turma do Balão Mágico lançado pela CBS (hoje Sony Music) em 1983, famoso como o álbum do "Superfantástico" com a participação do Djavan (clique aqui). Portanto você sabia que a maior parte do repertório do grupo musical infantil formado em 1982 e 1983 por Vímerson Cavanilas, o Tob, Michael Biggs, o Mike e Simony (vale lembrar que Jair Oliveira, o Jairzinho, só entrou no grupo em 1984) são versões de músicas infantis internacionais? 

Tudo começou em 1981, quando o então presidente da CBS, o visionário Thomas Muñoz (1934-2022), chegou de uma viagem à Europa e viu que em países como França, Espanha e Itália a música infantil estava prestes a explodir. Daí trouxe ao Brasil uma série de músicas e pediu a Cláudio Condé, diretor artístico da companhia na ocasião, que contatasse o compositor Edgard Barbosa Poças para criar letras em português para tais canções. Muñoz tratou então de buscar as crianças que defenderiam esse repertório. A primeira que convidou foi a pequena Simony, de apenas cinco anos, após vê-la cantar no programa de TV do animador Raul Gil. A seguir, o segundo componente que faria par com ela foi selecionado por meio de um teste na gravadora. Era Tob, que também muito menino já se apresentava em shows de calouros, desfiles e comerciais. Assim que o primeiro LP, homônimo, lançado em 1982, foi finalizado, Ronald Biggs (1929-2013), o famoso assaltante britânico de trem, fora sequestrado para o Caribe, e o seu filho, Michael Biggs fez um apelo em rede nacional para trazerem seu pai de volta, comovendo o Brasil. Muñoz chamou então Ronald e perguntou se Michael sabia cantar, tendo como resposta que o filho só sabia cantar "Oh! Susanna" (de Stephen Foster, 1848) quando brincava. Em reposta, Munõz retirou uma faixa do disco, a versão em português intitulada "Oh! Suzana" (versão de Roberto Costa) e gravou um solo com Michael, que recebeu o carinhoso apelido de Mike. O disco de 1982 vendeu mais de 1 milhão de cópias e graças a esse êxito gravaram o segundo álbum, o "disco do Superfantástico", e, com o sucesso deste, ganharam um programa matinal da Rede Globo que durou até 1986 quando a Xuxa os substituiu. Saquem só no peso que tem a ficha técnica desse disco:  arranjo de primeira dos músicos Lincoln Olivetti (1954-2015) e Chiquinho de Moraes (1937-2023) que nos deixou recentemente, no coro adulto, a ex-jovem guardista Sylvinha Araújo (1951-2008), Lizzie Bravo (1951-2021) que participou de uma gravação de "Across The Universe" (de John Lennon e Paul McCartney, 1968) dos Beatles, a cantora e dubladora Myriam Peracchi e as Harmony Cats Maria Amélia Costa Manso, Vivian Costa Manso, Sylvia e Rita Kfouri. No coro infantil, Marya Bravo [ex-candidata do The Voice Brasil e filha de Lizzie Bravo com Zé Rodrix, (1947-2009)] e as irmãs Tatiana Ferreira, integrante do grupo Os Abelhudos, e Gabriela Ferreira, esta que faria sucesso com a música "Não É Fácil Chegar Aos Quinze Anos" ("Non È Facile Avere 18 Anni", de Andrea Bernabini, 1963, e versão de Jorginho Ferreira e Cema Ferreira, 1988) e cantando com Roberto Carlos a música "Imagine" (de John Lennon e Yoko Ono, 1971). A ficha técnica completa do disco está no final desta postagem. Mas de onde vieram as versões originais das músicas do LP de 1983, um dos meus favoritos da Turma do Balão Mágico de quem sou fã até hoje?

O compositor e músico Edgard Poças, o pai artístico da Turma do Balão Mágico e biológico da cantora Céu.


Todas as músicas deste disco de 1983, com exceção à única original "Mãe-Iê" (de Osvaldo Nunes e Celso Castro, 1983), são versões de músicas, em sua maioria, vindas da Espanha. Lá faziam sucesso os artistas da música infantil, como a dupla Enrique & Ana criada em 1977 e formada por Ana Anguita Shivers, então com 8 anos de idade, e Enrique del Pozo, com 20, e o grupo Parchís (que quer dizer ludo, um jogo de tabuleiro) produzido em 1979 e integrado por cinco crianças:  Constantino Fernández, o Tino como peão vermelho , Yolanda Ventura Román como peão amarelo (os mais bonitinhos do grupo), Gemma Prat Termens como peão verde, David Muñoz Forcada como o dado e Óscar Ferrer Cañadas (que posteriormente foi substituído por Francisco Díaz Teres, o Frank) como peão azul. Quem assina a Netflix recomendo que assistam ao ótimo documentário "Parchís - El Documental" produzido em 2019.



A dupla Enrique y Ana


Parchís, o grupo mais colorido da música infantil espanhola


As músicas da dupla Enrique & Ana que foram versionadas pelo Poças para este disco são "Super Fantástico" (de Ignacio Ballesteros e Gian Pietro Felisatti "Difelisatti", 1982), "Abuelito" (do filme "Las Aventuras de Enrique Y Ana", de Honorio Herrero e Luiz Gómez Escolar, 1981) e "Tu y Yo" (de Ignacio Ballesteros e Dennis Tempenau, 1982) que foram convertidas para "Superfantástico", "O Meu Avô" e "Você e Eu", respectivamente. No documentário "A História Secreta do Pop Brasileiro" (Kuarup Produtora, 2019), Edgard Poças revelou que "Superfantástico" foi o compacto de maior sucesso , embora inicialmente o compositor não a queria incluir. A primeira versão de sua letra em português referenciava Roberto Carlos, porém, ciente de que ele não aceitaria participar da mesma, Edgard abortou a ideia e mais tarde substituiu Roberto por Djavan na letra, após ver uma boneca negra com tranças longas no quarto das filhas, entre elas, a futura cantora Céu. Inseguro também quanto à aceitação de Djavan, mudou a letra para sua versão final, que é genérica e comportaria qualquer participante. Djavan no fim aceitou o convite. Edgard mostrou uma versão inicial da faixa, tocada no violão por ele a Claudio Condé, então diretor da CBS, e pediu ao empresário que imaginasse Djavan cantando em certas partes, provavelmente as do Enrique na versão original em espanhol. Claudio aceitou de imediato a sugestão e entrou em contato com o cantor alagoano (Wikipédia).

Capa da prensagem portuguesa do compacto simples do "Superfantástico" (foto: Discogs)



Prensagem japonesa do compacto simples de "Superfantástico"



Superfantastico (Super Fantastico)

   


O Meu Avô (Abuelito)

 


Você e Eu (Tu Y Yo)

 


"Ai Meu Nariz!" é uma adaptação de "Tengo Un Grano en La Nariz" (1982) gravada pelo quarteto de palhaços Gaby, Miliki, Fofito y Rody, também conhecidos como Los Payasos de la Tele ("Os Palhaços da TV", em português). Seus compositores são Emilio Aragón Bermúdez (1929-2012), o palhaço Miliki que cantava a música, e Emilio Aragón Álvarez, o palhaço Milikito que substituiria o pai Miliki. As novas gerações do Brasil conhecem a música na regravação dos apresentadores Gugu Liberato (1959-2019) e Eliana, quando esta ainda trabalhava para o público infantil. A faixa "Seu Felipe, Dorminhoco" é outra baseada na música dos palhaços espanhóis, intitulada "Felipito, El Dormilón" (de Emilio Aragón Bermúdez, 1977) solada pelo Fofito (personagem de Alfonso Aragón Jr.). 


 Ai Meu Nariz (Tengo Un Grano En La Nariz)

 





Seu Felipe, Dorminhoco (El Dormilon)




"Ursinho Pimpão"  que tinha Simony como solista, é versão de "Mi Osito Pelón" (de Jacob Taio Cruz e Tony Landa, 1982) interpretada pela menina Macarena Camacho para o filme espanhol musical infantil "Chispita y Sus Gorilas" (1982) do qual ela era a protagonista. Na gravação da Turma do Balão Mágico foi incluída uma ideia que não existia na versão original que é a citação de "Wiegenlied",  Op. 49, nº 4 (1868), a famosa canção de ninar do compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897) para fechar "Ursinho Pimpão".



Ursinho Pimpão (Mi Osito Pelón)

   


 "Juntos" (letra de Luis Gómez Escolar  e música de Giannino Gastaldo, 1981) é uma canção pop romântica e dançante interpretada pela cantora e atriz espanhola Paloma San Basilio influenciada em "Bye Bye Blackbird" (de Ray Henderson e Mort Dixon, 1926) na gravação de Miles Davis (1926-1991) e é considerada uma das canções mais icônicas da comunidade LGBTQIA+ na Espanha (Wikipédia). A letra fala sobre um casal no auge da euforia romântica que faz várias loucuras no dia a dia, induzindo a todos que é possível fazer da rotina uma festa e da segunda-feira o outro sábado (ah, tá. Risos) . E Edgard Poças foi bem criativo em converter uma música pop espanhola adulta em cantiga infantil para as crianças brasileiras ao narrar os alunos felizes indo para a escola de ônibus. "Juntos", o lado B do compacto simples do "Superfantástico", tem a participação especial de Baby Consuelo _hoje Baby do Brasil_ fazendo a professora bacana da Turma do Balão Mágico. Para acrescentar, um empolgante arranjo de cordas e metais de Chiquinho de Moraes pra todo mundo dançar. 

Turma do Balão Mágico com a "Baby Consuelo do Brasil"


 Juntos (Juntos)


 



A faixa "Gaguejei" foi trabalhada em cima de "Tartamudeo" (de Gabriel Orfila Montero, Manuel Cubedo Alicart e Joaquín Oristell , 1983) gravada pelo do quinteto infantil Parchís, um dos mais populares da música espanhola infantil como eu disse. 
CORREÇÃO: um internauta me fez uma observação nos comentários que a gravação do grupo Parchis se trata de uma releitura de 1984. Os primeiros a cantarem "Tartamudeo" foram Popitos, dupla formada pelos colegas de escola Francisco José París e Esther Sánchez. A música fazia parte da trilha sonora da série de animação espanhola "D'Artagnan e Os Três Mosqueteiros" / em Portugal, "D' Artação e os Três Moscãoteiros" ("D'Artacan y Los Tres Mosqueperros", BRB Internacional S.A., 1981) cujos personagens são representados por cães. Muito obrigada pela informação.👍


 Gaguejei (Tartamudeo) 

   


 "Tartamudeo" (versão original da dupla Popitos")      




Saindo da Espanha, vamonos para Argentina. Como também é a única música internacional do disco não versionado pelo Edgard Poças e sim por Carlos Pedro Ferreira que também participou neste disco como o assistente de estúdio. Estou falando de "Amigo e Companheiro" que é uma adaptação de "Amigo Y Compañero, Mi Maestro" (de Tulio Arnaldo de Rose e Eduardo Humberto Jaurena, 1980) solada pela Paola Pasinato com a participação do coro infantil Sapito de Oro criado pelo Tulio Arnaldo de Rose para o programa de TV "Cantaniño" que é um concurso de música infantil em que participa cada criança de uma província que, para ter acesso à competição televisiva, teria que vencer um festival estadual de música (Fabrica de Podcast). "Amigo Y Compañero, Mi Maestro" é da quarta edição do programa Cantaniño ocorrido em 1980 cujo LP foi lançado pela CBS/ Sony Music argentina (Discogs). 



 Amigo e Companheiro (Amigo y Companero, Mi Maestro)



 


E na próxima postagem, as versões originais das músicas do LP da Turma do Balão Mágico de 1984. Até!

℗ 1983 Discos CBS, Columbia Broadcasting System (hoje Sony Music Entertainment Brasil)
138256 (LP)
16228 (K7)

Produzido por Mauro Motta
Assistente de estúdio: Carlos Pedro Ferreira

Estúdios
SIGLA (Rio de Janeiro)/SIGLA (São Paulo):
Edu, Luiz Paulo e Jorge Gordinho
TRANSAMÉRICA (Rio de Janeiro):
Rafael Azulay e Don

Coro adulto: Ângela, Carlos Pedro Ferreira, Edgardo Luiz, Jorge Ferreira, Lizzie Bravo, Malu Vianna, Maria Amélia, Myriam Peracchi, Regina Carvalho, Rita, Sylvinha Araújo, Sylvia e Vivian.

Coro infantil: Gabriela Ferreira, Tatiana Ferreira, Irene Faria, João Faria, Marya Bravo, Paulinho Pizziali, Pedro Reis e Rodrigo Peracchi

Capa:
Ilustração: Zélio Alves Pinto
Encarte ("cineminha de brinquedo"): Estúdio Sonia Robatto
Direção de arte: Geraldo Alves Pinto
Foto: L. Costa


01- SUPERFANTÁSTICO (Super Fantástico)
Participação especial de Djavan
escrita por Ignácio Ballesteros e Gian Pietro Felisatti  (Difelisatti)
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Arranjo de base: Lincoln Olivetti
Arranjo de cordas: Chiquinho de Moraes

02- AI MEU NARIZ! (Tengo un Grano en la Nariz)
escrita por Emilio Aragón Álvarez e Emilio Aragón Bermúdez
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Arranjo: Lincoln Olivetti

03- URSINHO PIMPÃO (Mi Osito Pelón)
escrita por Tony Landa e Jacob Taio Cruz
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Música Incidental: "Wiegenlied" ("Canção de Ninar", 1868), Op. 49, nº 4, de Johannes Brahms (1833-1897)
Arranjo: Chiquinho de Moraes

04- O MEU AVÔ (Abuelito)
escrita por Luis Gomez Escolar Roldan e Honorio Herrero Araujo
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Arranjo: Lincoln Olivetti

05- VOCÊ E EU (Tu y Yo)
escrita por Ignacio Ballesteros e Dennis Tempenau
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Arranjo: Lincoln Olivetti

06- SEU FELIPE, DORMINHOCO (Felipito, el dormilon)
escrita por Emilio Aragón Bermúdez
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Arranjo: Chiquinho de Moraes

07- JUNTOS (Juntos) 
participação de Baby Consuelo/ Baby do Brasil
escrita por Luis Gomez Escolar Roldan e Giannino Gastaldo
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Arranjo de base: Lincoln Olivetti
Arranjo de cordas e metais: Chiquinho de Moraes

08- GAGUEJEI (Tartamudeo)
escrita por Gabriel Orfila Montero, Manuel Cubedo Alicart e Joaquín Oristell
adaptação para o português de Edgard Barbosa Poças
Ed. Elam
Arranjo de base: Lincoln Olivetti
Arranjo de cordas: Chiquinho de Moraes

09- AMIGO E COMPANHEIRO (Amigo y Compañero, Mi Maestro)
escrita por Tulio Arnaldo de Rose e Eduardo Humberto Jaurena (Teddy Jauren)
adaptação para o português de Carlos Pedro Ferreira
Ed. Elam
Arranjo: Lincoln Olivetti

10- MÃE-IÊ
escrita por Osvaldo Nunes e Celso Castro
Arranjo: Lincoln Olivetti


quinta-feira, 22 de junho de 2023

Vinheta de encerramento das transmissões da Rede Globo de 1979

 


Quem tem insônia sabe que todas as emissoras de TV estão no ar 24 horas exibindo desde noticiários e pastores pregando "a palavra do Senhor" até filmes e séries. Antigamente não era assim. Até o final da década de 1990 se eu não estou errada era muito comum os canais encerrarem suas transmissões na calada da noite, retornando apenas no horário "dos primeiros raios de sol".
Antes da chegada do colorbar que é aquele conjunto de barrinhas coloridas na vertical na tela da TV, houve sempre aquelas vinhetas lindas com mensagens simpáticas para a emissora se despedir de seus telespectadores insones para dar uma pausa nas transmissões.
A vinheta de encerramento de transmissões da Rede Globo de 1979 não foi diferente e, inclusive, é a mais antiga disponível no YouTube. Além de ser bonita, foi bem glamourosa graças ao Hans Donner, responsável por ajudar a mudar o visual da emissora na década de 1970. Criada pelo próprio Hans Donner e seu amigo austríaco Rudi Böhm, a peça foi feita por uma máquina chamada Oxberry, que juntava a técnica de cinema com pintura em tinta guache, tudo isso com a ajuda da extinta produtora brasileira Lynxfilm e elaborado pela Rede Globo em uma época que muitas vinhetas eram feitas no exterior (matéria de Fábio Marckezini do site TV História). Com direito a versão orquestrada do samba "Até Amanhã" (1933) de Noel Rosa (1910-1937) como música de fundo e, é claro, mensagem de despedida do dia narrada por Dirceu Rabelo, a eterna voz padrão da TV Globo. Eu gosto dessa vinheta porque dá pra sentir o glamour da era disco daquela época como disse um internauta nos comentários, principalmente naquele trecho das barras de cristal que parecem prédios futuristas refletindo as luzes em X, muito comum em palco de programas de auditório e shows naquela década de 1970. 


domingo, 7 de maio de 2023

Sobre o filme "Loucos de Amor" ("Mozart and the Whale", 2005)

 


O filme "Loucos de Amor" ("Mozart and the Whale", Millenium Films, 2005) conta a história de um casal de autistas que, assim como casais neurotípicos, vivem situações complicadas.  Foi lançado no Brasil diretamente em vídeo, em uma época em que as informações sobre autismo ainda eram precárias e, se falasse sobre o assunto, abordaria apenas às pessoas que hoje em dia são denominadas autistas de nível 2 ou 3 de suporte. É um longa-metragem que fala de autismo de forma mais realista, afinal foi inspirado em um casal real, que demonstra que os autistas não têm características iguais como muitos pensam (tipo, se um autista tem sensibilidade ao toque, todos também tem, o que não é verdade) e que existem, sim, neurodiversos adultos, tanto homens quanto mulheres, ou seja, autismo não para na infância, isso não existe. Um filme de produção independente que merece ser visto por todos para compreender o que é autismo.

"Loucos de Amor" é baseado na história verídica de Jerry e Mary Newport narrada num artigo do Los Angeles Times em 1995. O filme cujo roteiro é de Ron Bass, vencedor do Oscar por "Rain Man" (United Artists, 1988), reconta a história a partir dos personagens Donald (Josh Hartnett) e Isabelle (Radha Michell), dois adultos jovens com Síndrome de Asperger, atualmente denominada como Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) (APA,2014). O nome foi inspirado no médico austríaco Hans Asperger (1906-1980), pois foi o primeiro a descrever o transtorno do espectro autista, em 1944. O médico observava crianças com "falta de empatia", conversação unilateral, movimentos descoordenados, hiperfoco, ou capacidade de detalhamento sobre um tema específico. Contudo, assim que foi descoberto o envolvimento do profissional austríaco com o programa nazista que desencadeou a morte de dezenas de crianças com deficiência, a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) lançada em 2013 já havia dispensado o nome Síndrome de Asperger, substituindo o termo por Nível 1 do TEA (Transtorno do Espectro Autista).

SINOPSE

Donald Morton (Josh Hartnett) e Isabelle Sorenson (Radha Mitchell) são pessoas com autismo nível 1 de suporte. Donald trabalha como motorista de táxi e já tinha passado por outras empresas de transporte de passageiros, porém mais uma vez é demitido ao bater com carro por distração. Adora os pássaros e tem uma incomum habilidade em lidar com números. Ele gosta e precisa seguir um padrão em sua vida, para que possa levá-la de forma normal. Entretanto, em seu grupo de ajuda aos autistas, ao conhecer Isabelle, uma cabeleireira que se destaca por sua aparência nos locais onde frequenta e que também ama animais, tudo muda em sua vida, por estar apaixonado por ela. O título original do filme, "Mozart e a Baleia" ("Mozart and the Whale"), é uma referência às fantasias do dia das bruxas do casal. Isabelle se fantasia de Mozart (Wolfgang Amadeus Mozart, 1756-1791) em razão de uma das obras do compositor austríaco, "Sinfonia nº 40 em Sol Menor, KV. 550" (1788) que, como a própria personagem diz, é sobre raiva, paixão e transcendência, as características dela. Sem falar nos rumores de que Mozart era autista, segundo os historiadores. E Donald se veste de baleia, porque o mamífero marinho é grande e, em toda a sua vida, se sentia nas margens da sociedade mas, segundo ele, quando se é uma baleia, faz parte do acontecimento. 




MOMENTO PESSOAL: CENAS QUE ME MARCARAM

*Isabelle conta aos seus colegas de grupo de apoio que, quando era criança, ao ver pela TV um atleta quebrando um recorde nas olimpíadas, influenciada, quebra os discos de vinil dos seus pais, já que "quebrar recorde" na fala original em inglês, é "break record", uma amostra de que alguns autistas entendem algumas expressões de forma literal. Eu como "vinilzeira", um dos meus hiperfocos, fiquei em choque com essa cena de flashback da personagem. Risos.
*A dificuldade de comunicar-se, outro sinal de alguns autistas. "É a primeira vez que eu prefiro secretária eletrônica", disse Donald em tempos em que ainda não existiam smartphones e seus aplicativos de mensagem para mandar falas elaboradas que condizem com diálogo. A frase se refere ao sacrifício de Donald de se comunicar com Isabelle, sua namorada, ou seja, sem saber o que dizer a ela ou o que iria lhe dizer seria assustador.
*Stims, estereotipias ou movimentos autorregulatórios: depois de levar bronca de Donald por limpar seu apartamento e modificar suas as coisas de lugar, Isabelle em sua casa se balança pra frente e pra trás em seu cavalinho de balanço para se distrair.
*Em uma entrevista de emprego, Donald conversa com o contratador sem olhar nos olhos dele. Ao ser questionado pelo contratador  por que escolheu ser motorista de táxi ao invés de trabalhar na informática, sua formação, Donald respondeu que em entrevista com IBM disse seu objetivo no trabalho era lucrar pra comer lanches de uma grande rede de fast food, ou seja, algo como sem saber o que seria inapropriado dizer, outro sinal de autismo.


OUTRAS CURIOSIDADES

- Inicialmente seria Steven Spielberg o diretor de "Loucos de Amor", mas devido a outros compromissos ele teve que deixar o projeto.

- É o 1º filme em língua inglesa do diretor norueguês Petter Naess.

- As filmagens ocorreram entre 2 de março e 12 de abril de 2004.


FONTES:

*Acervo do Cinema (blog)

*Adoro Cinema


Trailer do filme 

 





Chiquinho de Moraes (1937-2023)

Chiquinho de Moraes com Roberto Carlos

Eu gostava muito do Chiquinho de Moraes nos LP's de Roberto Carlos, da Turma do Balão Mágico e da trilha sonora da novela "O Bem Amada" (Rede Globo, 1973) dentre outros projetos. Uma pena que ele se foi.
Morreu no 30 de abril, o maestro, arranjador e compositor Manoel Francisco de Moraes Mello, o Chiquinho de Moraes (16 de abril de 1937 - 30 de abril de 2023). Ele tinha 86 anos e estava internado na Santa Casa de Cesário Lange, no interior de São Paulo, onde tratava de um câncer avançado. Chiquinho foi sepultado nesta segunda-feira, dia 1º de maio, em Cesário Lage (SP).

Nascido na cidade de Campinas, Chiquinho de Moraes se diplomou no estudo do piano, instrumento musical que começou a tocar ainda na infância. Estudou também com o maestro César Guerra-Peixe (1914-1993).
Seus primeiros arranjos foram feitos em 1959 para o álbum "Estúpido Cupido" (Odeon / Universal Music) da cantora Celly Campello (1942-2003). Chiquinho arranjou as gravações da faixa-título (versão de "Stupid Cupid" de Neil Sedaka e Howard Greenfield, 1958, e adaptação em português de Fred Jorge, 1959) e "Banho de Lua" (Tintarella di Luna, de Bruno Defilippi e Francesco Migliacci, 1959, e versão de Fred Jorge, 1960), este para o álbum seguinte da Celly, "Brôto Certinho" .
Contratado pela TV Record, passou a fazer arranjos para os programas da emissora, entre eles, "O Fino da Bossa" (1965-1967), apresentado por Elis Regina (1945-1982), com quem Chiquinho trabalharia na década de 1970, e Jair Rodrigues (1939-2014). Anos depois, assumiria a TV Globo e em outras emissoras. Na trilha sonora nacional da novela "O Bem Amado" (Rede Globo, 1973), foi o responsável pelo arranjo das músicas do LP compostas por Vinícius de Moraes (1913-1980) e Toquinho (com exceção à faixa "Paiol de Pólvora" que foi arranjada por Rogério Duprat, 1932-2006).
De 1970 a 1977, o maestro trabalhou com Roberto Carlos em discos e shows do cantor. Fez arranjo das músicas "O Show Já Terminou" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973), "Sonho Lindo" (de Maurício Duboc e Carlos Colla, 1973), "O Moço Velho" (de Silvio César, 1973), "Rotina" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973) e "Por Amor" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1972).
Na década de 1980, trabalhou nos LP's do grupo infantil A Turma do Balão Mágico. Fez arranjo de cordas e metais para as célebres "Superfantástico" (de Ignácio Ballesteros e Difelisatti, 1982, e versão de Edgard Barbosa Poças, 1983) com a participação especial de Djavan, "Ursinho Pimpão" ("Mi Osito Pelón", de T. Landa e Jacob Taio Cruz, 1982, versão de Edgard Poças, 1983) solada lindamente pela pequena Simony, "Juntos" (de Giannino Gastaldo e Luiz Gómez Escolar, 1981, e versão de Edgard Barbosa Poças, 1983) com a participação da Baby do Brasil (na época Baby Consuelo), "É Tão Lindo" (de Joel Hirschhorn e Al Kasha, 1977, e versão de Edgard Barbosa Poças, 1984) com Roberto Carlos e
"Amigos do Peito" ("Somos Amigos", de Memo Méndez Guiú e Erik Vonn, 1982, e versão de Edgard Poças, 1984) com a participação de Fábio Jr.
A marca orquestral de Chiquinho de Moraes está impressa em vários álbuns de de vários artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Zizi Possi, Erasmo Carlos (1941-2022), Simone, Nana Caymmi, Antônio Marcos (1945-1992), Gal Costa (1945-2022), Milton Nascimento... Um grande legado que ele nos deixou. Que Chiquinho descanse na paz de Deus.

Fontes:
*Mauro Ferreira - Portal G1

*Portal Terra

Festa de Lançamento do "Clube do Samba" (Fantástico, 1979)

"Meninos da Mangueira" - Ataulpho Jr. e Diogo Nogueira no programa "Samba da Gamboa" na TV Brasil