"O que é de verdade ninguém mais hoje liga: isso é coisa da antiga" - Ney Lopes e Wilson Moreira

Elsa (Frozen) ♥

quinta-feira, 22 de junho de 2023

Vinheta de encerramento das transmissões da Rede Globo de 1979

 


Quem tem insônia sabe que todas as emissoras de TV estão no ar 24 horas exibindo desde noticiários e pastores pregando "a palavra do Senhor" até filmes e séries. Antigamente não era assim. Até o final da década de 1990 se eu não estou errada era muito comum os canais encerrarem suas transmissões na calada da noite, retornando apenas no horário "dos primeiros raios de sol".
Antes da chegada do colorbar que é aquele conjunto de barrinhas coloridas na vertical na tela da TV, houve sempre aquelas vinhetas lindas com mensagens simpáticas para a emissora se despedir de seus telespectadores insones para dar uma pausa nas transmissões.
A vinheta de encerramento de transmissões da Rede Globo de 1979 não foi diferente e, inclusive, é a mais antiga disponível no YouTube. Além de ser bonita, foi bem glamourosa graças ao Hans Donner, responsável por ajudar a mudar o visual da emissora na década de 1970. Criada pelo próprio Hans Donner e seu amigo austríaco Rudi Böhm, a peça foi feita por uma máquina chamada Oxberry, que juntava a técnica de cinema com pintura em tinta guache, tudo isso com a ajuda da extinta produtora brasileira Lynxfilm e elaborado pela Rede Globo em uma época que muitas vinhetas eram feitas no exterior (matéria de Fábio Marckezini do site TV História). Com direito a versão orquestrada do samba "Até Amanhã" (1933) de Noel Rosa (1910-1937) como música de fundo e, é claro, mensagem de despedida do dia narrada por Dirceu Rabelo, a eterna voz padrão da TV Globo. Eu gosto dessa vinheta porque dá pra sentir o glamour da era disco daquela época como disse um internauta nos comentários, principalmente naquele trecho das barras de cristal que parecem prédios futuristas refletindo as luzes em X, muito comum em palco de programas de auditório e shows naquela década de 1970. 


domingo, 7 de maio de 2023

Sobre o filme "Loucos de Amor" ("Mozart and the Whale", 2005)

 


O filme "Loucos de Amor" ("Mozart and the Whale", Millenium Films, 2005) conta a história de um casal de autistas que, assim como casais neurotípicos, vivem situações complicadas.  Foi lançado no Brasil diretamente em vídeo, em uma época em que as informações sobre autismo ainda eram precárias e, se falasse sobre o assunto, abordaria apenas às pessoas que hoje em dia são denominadas autistas de nível 2 ou 3 de suporte. É um longa-metragem que fala de autismo de forma mais realista, afinal foi inspirado em um casal real, que demonstra que os autistas não têm características iguais como muitos pensam (tipo, se um autista tem sensibilidade ao toque, todos também tem, o que não é verdade) e que existem, sim, neurodiversos adultos, tanto homens quanto mulheres, ou seja, autismo não para na infância, isso não existe. Um filme de produção independente que merece ser visto por todos para compreender o que é autismo.

"Loucos de Amor" é baseado na história verídica de Jerry e Mary Newport narrada num artigo do Los Angeles Times em 1995. O filme cujo roteiro é de Ron Bass, vencedor do Oscar por "Rain Man" (United Artists, 1988), reconta a história a partir dos personagens Donald (Josh Hartnett) e Isabelle (Radha Michell), dois adultos jovens com Síndrome de Asperger, atualmente denominada como Transtornos do Espectro do Autismo (TEA) (APA,2014). O nome foi inspirado no médico austríaco Hans Asperger (1906-1980), pois foi o primeiro a descrever o transtorno do espectro autista, em 1944. O médico observava crianças com "falta de empatia", conversação unilateral, movimentos descoordenados, hiperfoco, ou capacidade de detalhamento sobre um tema específico. Contudo, assim que foi descoberto o envolvimento do profissional austríaco com o programa nazista que desencadeou a morte de dezenas de crianças com deficiência, a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) lançada em 2013 já havia dispensado o nome Síndrome de Asperger, substituindo o termo por Nível 1 do TEA (Transtorno do Espectro Autista).

SINOPSE

Donald Morton (Josh Hartnett) e Isabelle Sorenson (Radha Mitchell) são pessoas com autismo nível 1 de suporte. Donald trabalha como motorista de táxi e já tinha passado por outras empresas de transporte de passageiros, porém mais uma vez é demitido ao bater com carro por distração. Adora os pássaros e tem uma incomum habilidade em lidar com números. Ele gosta e precisa seguir um padrão em sua vida, para que possa levá-la de forma normal. Entretanto, em seu grupo de ajuda aos autistas, ao conhecer Isabelle, uma cabeleireira que se destaca por sua aparência nos locais onde frequenta e que também ama animais, tudo muda em sua vida, por estar apaixonado por ela. O título original do filme, "Mozart e a Baleia" ("Mozart and the Whale"), é uma referência às fantasias do dia das bruxas do casal. Isabelle se fantasia de Mozart (Wolfgang Amadeus Mozart, 1756-1791) em razão de uma das obras do compositor austríaco, "Sinfonia nº 40 em Sol Menor, KV. 550" (1788) que, como a própria personagem diz, é sobre raiva, paixão e transcendência, as características dela. Sem falar nos rumores de que Mozart era autista, segundo os historiadores. E Donald se veste de baleia, porque o mamífero marinho é grande e, em toda a sua vida, se sentia nas margens da sociedade mas, segundo ele, quando se é uma baleia, faz parte do acontecimento. 




MOMENTO PESSOAL: CENAS QUE ME MARCARAM

*Isabelle conta aos seus colegas de grupo de apoio que, quando era criança, ao ver pela TV um atleta quebrando um recorde nas olimpíadas, influenciada, quebra os discos de vinil dos seus pais, já que "quebrar recorde" na fala original em inglês, é "break record", uma amostra de que alguns autistas entendem algumas expressões de forma literal. Eu como "vinilzeira", um dos meus hiperfocos, fiquei em choque com essa cena de flashback da personagem. Risos.
*A dificuldade de comunicar-se, outro sinal de alguns autistas. "É a primeira vez que eu prefiro secretária eletrônica", disse Donald em tempos em que ainda não existiam smartphones e seus aplicativos de mensagem para mandar falas elaboradas que condizem com diálogo. A frase se refere ao sacrifício de Donald de se comunicar com Isabelle, sua namorada, ou seja, sem saber o que dizer a ela ou o que iria lhe dizer seria assustador.
*Stims, estereotipias ou movimentos autorregulatórios: depois de levar bronca de Donald por limpar seu apartamento e modificar suas as coisas de lugar, Isabelle em sua casa se balança pra frente e pra trás em seu cavalinho de balanço para se distrair.
*Em uma entrevista de emprego, Donald conversa com o contratador sem olhar nos olhos dele. Ao ser questionado pelo contratador  por que escolheu ser motorista de táxi ao invés de trabalhar na informática, sua formação, Donald respondeu que em entrevista com IBM disse seu objetivo no trabalho era lucrar pra comer lanches de uma grande rede de fast food, ou seja, algo como sem saber o que seria inapropriado dizer, outro sinal de autismo.


OUTRAS CURIOSIDADES

- Inicialmente seria Steven Spielberg o diretor de "Loucos de Amor", mas devido a outros compromissos ele teve que deixar o projeto.

- É o 1º filme em língua inglesa do diretor norueguês Petter Naess.

- As filmagens ocorreram entre 2 de março e 12 de abril de 2004.


FONTES:

*Acervo do Cinema (blog)

*Adoro Cinema


Trailer do filme 

 





Chiquinho de Moraes (1937-2023)

Chiquinho de Moraes com Roberto Carlos

Eu gostava muito do Chiquinho de Moraes nos LP's de Roberto Carlos, da Turma do Balão Mágico e da trilha sonora da novela "O Bem Amada" (Rede Globo, 1973) dentre outros projetos. Uma pena que ele se foi.
Morreu no 30 de abril, o maestro, arranjador e compositor Manoel Francisco de Moraes Mello, o Chiquinho de Moraes (16 de abril de 1937 - 30 de abril de 2023). Ele tinha 86 anos e estava internado na Santa Casa de Cesário Lange, no interior de São Paulo, onde tratava de um câncer avançado. Chiquinho foi sepultado nesta segunda-feira, dia 1º de maio, em Cesário Lage (SP).

Nascido na cidade de Campinas, Chiquinho de Moraes se diplomou no estudo do piano, instrumento musical que começou a tocar ainda na infância. Estudou também com o maestro César Guerra-Peixe (1914-1993).
Seus primeiros arranjos foram feitos em 1959 para o álbum "Estúpido Cupido" (Odeon / Universal Music) da cantora Celly Campello (1942-2003). Chiquinho arranjou as gravações da faixa-título (versão de "Stupid Cupid" de Neil Sedaka e Howard Greenfield, 1958, e adaptação em português de Fred Jorge, 1959) e "Banho de Lua" (Tintarella di Luna, de Bruno Defilippi e Francesco Migliacci, 1959, e versão de Fred Jorge, 1960), este para o álbum seguinte da Celly, "Brôto Certinho" .
Contratado pela TV Record, passou a fazer arranjos para os programas da emissora, entre eles, "O Fino da Bossa" (1965-1967), apresentado por Elis Regina (1945-1982), com quem Chiquinho trabalharia na década de 1970, e Jair Rodrigues (1939-2014). Anos depois, assumiria a TV Globo e em outras emissoras. Na trilha sonora nacional da novela "O Bem Amado" (Rede Globo, 1973), foi o responsável pelo arranjo das músicas do LP compostas por Vinícius de Moraes (1913-1980) e Toquinho (com exceção à faixa "Paiol de Pólvora" que foi arranjada por Rogério Duprat, 1932-2006).
De 1970 a 1977, o maestro trabalhou com Roberto Carlos em discos e shows do cantor. Fez arranjo das músicas "O Show Já Terminou" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973), "Sonho Lindo" (de Maurício Duboc e Carlos Colla, 1973), "O Moço Velho" (de Silvio César, 1973), "Rotina" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973) e "Por Amor" (de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1972).
Na década de 1980, trabalhou nos LP's do grupo infantil A Turma do Balão Mágico. Fez arranjo de cordas e metais para as célebres "Superfantástico" (de Ignácio Ballesteros e Difelisatti, 1982, e versão de Edgard Barbosa Poças, 1983) com a participação especial de Djavan, "Ursinho Pimpão" ("Mi Osito Pelón", de T. Landa e Jacob Taio Cruz, 1982, versão de Edgard Poças, 1983) solada lindamente pela pequena Simony, "Juntos" (de Giannino Gastaldo e Luiz Gómez Escolar, 1981, e versão de Edgard Barbosa Poças, 1983) com a participação da Baby do Brasil (na época Baby Consuelo), "É Tão Lindo" (de Joel Hirschhorn e Al Kasha, 1977, e versão de Edgard Barbosa Poças, 1984) com Roberto Carlos e
"Amigos do Peito" ("Somos Amigos", de Memo Méndez Guiú e Erik Vonn, 1982, e versão de Edgard Poças, 1984) com a participação de Fábio Jr.
A marca orquestral de Chiquinho de Moraes está impressa em vários álbuns de de vários artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Zizi Possi, Erasmo Carlos (1941-2022), Simone, Nana Caymmi, Antônio Marcos (1945-1992), Gal Costa (1945-2022), Milton Nascimento... Um grande legado que ele nos deixou. Que Chiquinho descanse na paz de Deus.

Fontes:
*Mauro Ferreira - Portal G1

*Portal Terra

domingo, 19 de março de 2023

O grupo musical brasileiro dos anos 1970 que a Marvel Comics derrubou

                                      
Super Heróis, o Village People brasileiro

Até o dia do meu aniversário, semana passada, 12 de março, eu não conhecia esse grupo musical infantil Super Heróis. Essa minha desinformação se justifica por não ser da minha época, ou seja, eu ainda estava fora dos planos dos meus pais quando esse grupo surgiu. Mas foi só eu me deparar com uma das postagens da página Nostalgicamente (@nostalgicamenteoficial) no Instagram que comecei a me interessar não só em razão dos integrantes vestidos de super-heróis famosos (e pelos comentários brincalhões de internautas. Risos) como também pela levada disco da música que cantavam. Nada satisfeita com informações rasas como sempre, eu fui investigar no Google sobre Super Heróis e, por sorte minha, achei músicas no YouTube e história do grupo na página do colunista Odair Braz Jr. do Portal R7. E não é que as suas músicas eram mesmo contagiantes? Até mesmo um usuário estrangeiro do YouTube postou um vídeo-áudio (clique aqui) do grupo em seu canal e disse na descrição que chegou a sair dançando pela sala ao som de "Somos Todos Super Amigos". E concluiu: "CUIDADO! (a música) ficará grudada na sua cabeça o dia todo."


O ano era 1979, conhecido como "O Ano Internacional da Criança". "Superman - O Filme" ("Superman", Warner Bros. Pictures, 1978) protagonizado pelo saudoso Christopher Reeve (1952-2004) estava em cartaz nos cinemas mundiais. O desenho animado "Superamigos" ("Super Friends", Hanna-Barbera / DC Comics, 1973-1985) com Batman, Robin, Superman e Mulher-Maravilha era exibido na TV brasileira. A disco fervia as rádios e as pistas de dança na época. Aproveitando toda essa febre, o produtor João Walter Plinta (? - 2019) criou o grupo musical para atrair o público infantil, o Super Heróis (sem o hífen, mesmo), juntando personagens da DC Comics (Batman, Robin, Superman e Mulher-Maravilha), da Marvel Comics (Homem-Aranha e Thor) e um intruso televisivo Kung Fu. Este último não é o personagem Shang-Chi, da Marvel, embora tenha o visual extremamente parecido. Segundo os integrantes, Kung Fu foi inspirado no lutador da série homônima (Warner Bros. / American Broadcasting Company, 1972-1975) estrelada por David Carradine (1936-2009). Nos dias de hoje as novas gerações diriam que Super Heróis é o conjunto musical de cosplays. João Walter Plinta também havia produzido grandes nomes da música infantil, como A Patotinha, Patati Patatá, Gugu Liberato (1959-2019) e Eliana. Inclusive foi o Plinta o compositor de "Os Dedinhos" ("polegares, polegares, onde estão?"), versão de uma música tradicional infantil francesa "Frère Jacques".

João Walter Plinta (in memorian) em estúdio


Boa parte do grupo que era da faixa de seus 15, 16 e 17 anos de idade saiu do programa Show de Calouros da TVS (primeiro nome do SBT) apresentado por Silvio Santos. Inclusive Plinta fazia parte do coral do programa. E já com a ideia na cabeça e um projeto na gravadora RCA _que hoje pertence à Sony Music_ Plinta chamou alguns rapazes para fazer o teste e os selecionados para os Super Heróis foram Manoel Carvalho, o Noel (Robin), Gilson Dias (Thor), Claudio Rivera (Homem-Aranha), Ricardo Scheir (Batman) e Francisco Assis, o Kung Fu (que mais tarde foi substituído por Lincoln Idelfonso). José Francisco Bueno, o Benê era o Superman, voz principal e o único cantor profissional do grupo que já fez parte da banda Os Môscas (isso mesmo, com acento circunflexo, a grafia da época) que tinha uma certa relação com a Jovem Guarda nos anos 1960. Vera Lúcia Egídio, a Mulher-Maravilha, só veio pouco depois de o grupo já ter sido lançado. 
O primeiro lançamento do grupo Super Heróis foi um compacto simples (ou single no atual jargão fonográfico) com as músicas "Somos Todos Super Amigos" (de João Walter Plinta, Wagner Benatti e Chris, 1979) e "Preserve o Que É De Todos" (de João Walter Plinta e Cesar Rossi, 1979), uma canção com uma linda letra em defesa do meio ambiente. Ambas as faixas, assim como a ideia do grupo, têm como inspiração o grupo Village People que emplacava nas paradas de sucesso e nas discotecas do mundo todo. Afinal, se Village People tem "índio americano", "cowboy", "operário", "motociclista", "soldado" e o vocalista "policial" como os integrantes eram identificados de acordo com as suas fantasias, por que não criar um grupo pra crianças em pleno Ano Internacional da Criança com os membros que se chamariam Superman, a voz principal, Homem-Aranha, Thor, Batman, Robin, Kung-Fu e Mulher-Maravilha? As músicas que seguem a mesma estética de "Y.M.C.A" (de Jacques Morali e Victor Willis, 1978) e "Macho Man " (de Jacques Morali, Henri Belolo, Victor Willis e Peter Whitehead, 1978), dois grandes sucessos do grupo nova-iorquino, tiveram o arranjo assinado por Hélio Santisteban (1948-2018), vocalista e tecladista da banda Pholhas. A direção artística do compacto é de Osmar Zan, filho do compositor e acordeonista Mário Zan (1920 - 2006).

 






Capa do compacto duplo do grupo Super Heróis

Em seguida, no mesmo ano, já com a Mulher-Maravilha no grupo, foi lançado compacto duplo (ou EP como se chamaria nos dias de hoje) com as faixas "Eu Também Vou (À Festa dos Super Heróis)" (de Cleide Dalto) que é uma versão de uma música do grupo Boney M., "Gotta Go Home" (de Frank Farian, Fred Jay, Heinz Huth e Jürgen Huth, 1979), cuja introdução foi usada como sample para música "Barbra Streisand" (de Alain Macklovitch e Armand van Helden, 2010) do duo de dj's Duck Sauce, e "Dance Comigo" (de Cleide Dalto), adaptação de "Dance With You" (de Kossi Gardner, 1979) gravada pela cantora americana Carrie Lucas, além das duas faixas do single anterior.
O Benê, o Superman, era o único cantor de fato. Os demais integrantes disseram que faziam backing vocal, mas também contavam com a ajuda de cantores profissionais. João Walter Plinta, Sylvinha Araújo (1951-2008), ex-jovem guardista e esposa de Eduardo Araújo, e Ângela Márcia, esposa do Sérgio Reis, cantaram em algumas faixas do projeto. Inclusive foi Ângela que participou do compacto duplo como a voz da Mulher-Maravilha na faixa "Dance Comigo". É aquele famoso "esqueminha de fabricação das gravadoras", um fato bem comum na indústria musical daquela época.
O grupo passou a fazer apresentações em praticamente todos os programas de TV que contavam com atrações musicais. O primeiro deles foi o do Raul Gil, ainda na TV Tupi (1950-1980), considerado o padrinho do grupo, pelo menos para os integrantes. Acabaram indo a vários outros, como no programa do Bozo, na TVS/SBT, Bolinha (Edson Cury, 1936-1998), do Carlos Imperial (1935-1992), "Almoço Com As Estrelas" e também na Globo, nos Trapalhões e no do Chacrinha (Abelardo Barbosa, 1917-1988). Até mesmo à tradicional chegada do Papai Noel no Maracanã, no Rio de Janeiro não podiam faltar, afinal eles já se tornaram em uma sensação entre a garotada.
Com a repercussão lá nas alturas graças às aparições na TV, venda de discos e agenda de shows, houve uma chance dos Super Heróis se apresentarem em Portugal, isso em dezembro de 1982. Pasmem: já havia muita gente aguardando o grupo no aeroporto de Lisboa. Quando o voo se aproximava, os integrantes se vestiam com a roupa do show e foram recebidos calorosamente por crianças. Uma recepção bem digna dos Beatles. 

Acabaram-se os superpoderes 

O sucesso no exterior era tanto que, contudo, ao grupo e à equipe de produção deu uma baita dor de cabeça. É que foi a partir da turnê em Portugal que a Marvel Comics, a editora de HQ's proprietária dos heróis Thor e Homem-Aranha, ficou sabendo da existência do conjunto musical brasileiro e resolveu levantar uma ação judicial contra a produção e a RCA (hoje pertencente à Sony Music) pelo uso dos seus personagens sem autorização. 
Analisem comigo: os Super Heróis estavam na ativa desde 1979 e foi só surgir uma turnê internacional 3 anos depois que a editora americana descobre a existência do grupo brasileiro. Afinal, naquela época, não existiam a internet e suas redes sociais através das quais uma novidade midiática chegava em uma velocidade absurda aos olhos do mundo, inclusive das celebridades nacionais e internacionais. E receber notícias nos Estados Unidos de um grupo musical vestido de super-herói no Brasil era algo praticamente impossível de acontecer.
Paulo Fedato (1949-2021), produtor da RCA na época, revelou que a cobrança da Marvel não foi nada traumática ou cheia de advogados e que ninguém na gravadora pensou que poderia dar problemas ao usar o Thor e o Homem-Aranha. Sem falar também em Batman, Robin, Superman e Mulher-Maravilha que pertenciam à DC Comics e no Kung-Fu à Warner Bros. Como o próprio Fedato disse: "Não pensaram. A lei de direitos, de uso de marca, era desconhecida, mas jamais houve má-fé da RCA". Foi aí que a produção se via ter duas opções: ou desfazer o grupo ou trocar de fantasias dos integrantes, já que se contratasse um advogado para se defender, a Marvel venceria na justiça e com toda a razão. A segunda opção foi escolhida. "Ah, logo agora que a brincadeira tava ficando boa!", como diziam os personagens do antigo sitcom Zorra Total da Rede Globo.
As gravações do primeiro LP dos Super Heróis começaram em agosto de 1982, pouco antes do problema de Royalties com a Marvel, porém as músicas já gravadas para o álbum que seria lançado no ano seguinte continuaram as mesmas e o grupo passou a ser chamado de Os Novos Heróis com as novas fantasias e personagens que não existiam nos gibis e desde então não obteve mesmo sucesso de quando usavam figurinos de personagens famosos, o que decretou o fim do grupo.


Nostalgicamente falando

Como eu disse na introdução, só descobri a existência do Super Heróis através de uma postagem do perfil Nostalgicamente no Instagram  com o trecho do vídeo da apresentação do grupo no programa do Bozo. Alguns internautas nos comentários estranharam o fato de a Mulher-Maravilha ter sido ignorada na letra da música. É que a personagem só veio ao grupo assim que a música já tinha sido gravada, como eu falei anteriormente. Outros notaram a ausência do Robin no palco. Não faltaram, lógico, comentários jocosos dos seguidores do Nostalgicamente, tipo "O Robin é o Homem Invisível" e "Mistura de Village People, Mamonas Assassinas e Carreta Furacão". Risos.




Por onde andam os Super Heróis?

Gilson Dias, o Thor,  se formou em jornalismo e é repórter cinematográfico com passagens pela Record TV e SBT. Atualmente mora em São Paulo e monitora página do Instagram (@gruposuperherois) e canal do YouTube (https://www.youtube.com/gruposuperherois), ambos em memória do grupo Super Heróis.

Vera Lúcia, a Mulher-Maravilha, é formada em psicologia e vive no interior paulista

Manoel Carvalho, o Robin, mora em Ribeirão Preto, dá aulas de patinação, tem uma loja de artigos esportivos e um estúdio para ensaios de bandas.

O vocalista José Franco Bueno, o Bêne, após o término do grupo Super Heróis, mudou-se para Miami, Flórida, Estados, Unidos, em 1987, para tentar a carreira solo. Adotando seu nome artístico como Benny Bueno, cantou em vários bares, pubs e restaurantes na Ocean Drive em Miami Beach, e em uma dessas noites, foi parabenizado por ninguém menos que a cantora cubana Gloria Estefan e seu marido, o produtor musical Emilio Estefan, que estavam em uma das mesas. Benê não está mais entre nós. Faleceu no dia 10 de dezembro de 2002, aos 57 anos de idade. Sua morte foi confirmada por uma de suas filhas através de sua conversa com Gilson, o Thor, no Instagram. 

 A respeito dos demais integrantes não há informações.


Legado

É lógico que o grupo Super Heróis tem uma importância na música brasileira, por que não? Depois deles, houve o surgimento de muitos outros artistas e/ou grupos voltados para o público infantil, como a Turma do Balão Mágico, A Patotinha, Os Abelhudos, Trem da Alegria, etc. O grupo Mamonas Assassinas costumava se apresentar usando personagens dos quadrinhos e de séries, como você deve se lembrar. Atualmente existe também uma banda em Belém do Pará que toca brega, forró e "pisadinha" chamada Vingadores do Brega que também junta alguns personagens da DC e da Marvel. Na formação estão Capitão América, Homem-Aranha (com uniforme tradicional e o preto), Deadpool, Flash e Batman. Isso lembra o quê, mesmo?


Na cultura popular

O cineasta inglês Edgar Wright que dirigiu os filmes "Em Ritmo de Fuga" ("Baby Driver", TriStar Pictures / Sony Pictures Releasing, 2017) e "Scott Pilgrim contra o Mundo" ("Scott Pilgrim vs. The World", Universal Pictures / Paramount Pictures, 2010) publicou em sua página no Twitter em março de 2020 um vídeo do programa Bozo da TVS/SBT em que o palhaço apresenta o grupo Super Heróis cantando "Somos Todos Super Amigos". "Este é o único universo cinemático em que estou interessado", brincou o diretor na descrição, fazendo referência às franquias cinematográficas da Marvel e da DC.


Valeu, Jão Plinta! Que Deus o tenha!

Fontes:

*Página Supertoons - Facebook

https://m.facebook.com/estudiosupertoons/photos/supertoons-lamenta-morte-do-produtor-musical-jo%C3%A3o-plintaa-supertoons-lamenta-pro/1389994427807357/

*Wikipédia

*Odair Braz Jr. / Portal R7

*Vídeo "O Inesquecível Superman - Super Heróis !" (sobre o cantor Benê) - Gilson Dias (Thor) - canal Grupo Super Heróis / YouTube

*"Edgar Wright publica vídeo de super-heróis no programa do Bozo" - Pablo Raphael / Coluna da página "Omelete"

Baú de Curiosidades #03 - Antônio Fagundes e Tony Ramos formando uma dupla sertaneja

 


Houve uma vez em que Antônio Fagundes e Tony Ramos, dois grandes nomes da televisão e do teatro, formaram a dupla sertaneja Tony & Antônio. Risos. Não acredita? Então vamos voltar para o ano de 1991, quando a Rede Globo fez uma série de propagandas de fim de ano com o slogan "Invente. Tente. Faça um 92 diferente", uma das mais criativas de fim de ano da emissora (eu tinha uns 9 anos de idade na época, eu lembro bem). Cada propaganda um contratado da Globo fazia um número artístico considerado "improvável" aos olhos do telespectador ou revivia sua antiga ocupação, como a Fatima Bernardes dançando sapateado, por exemplo, já que ela era bailarina antes de ser jornalista. 


Em 1991 Antônio Fagundes interpretava o personagem Felipe Barreto na novela "O Dono do Mundo (1991-1992). Tony Ramos vivia o Álvaro Peixoto na novela "Felicidade" (1991-1992). Em uma época que o sertanejo era _ou é_ uma sensação musical do Brasil, para a propaganda, os dois se juntaram para cantar o sucesso "Talismã" (de Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1989) que primeiramente foi gravado por Elson do Forrogode (1942-2017) para o seu álbum "Alô Brasil" (RGE, 1989) e posteriormente emplacou nas vozes da dupla sertaneja Leandro & Leonardo em seu quarto álbum (Warner Music/Divisão Continental, 1990), aquele do "Pense em Mim" (de Douglas Maio, José Ribeiro e Mario Soares). Veja e reviva.

 

https://globoplay.globo.com/v/1748348/


domingo, 19 de fevereiro de 2023

Paciência (Lenine)

                                       

PACIÊNCIA

"Enquanto todo mundo espera a cura do mal e a loucura finge que isso tudo é normal eu finjo ter paciência." Na canção "Paciência" (1999), o cantor-compositor Lenine [em parceria com Dudu Falcão] exprime com exatidão essa sensação humana. A paciência, virtude tão necessária na pandemia, mas de difícil regência, é tão "fingida" quanto sofrida e corajosa. Nascemos dela. Nela nos sorvemos por nove meses e com ela fomos amorosamente aguardados. Depois, com impaciência almejamos a idade adulta para ser "donos do próprio nariz", ou o diploma, o emprego, o amor... Impacientes com o ônibus que não chega; ansiosos pela chegada do irmão que viajou; inquietos pelo "trabalho pra ontem"; pela aposentadoria na fila do banco, ou na emergência hospitalar pela cura da doença, pela "cura do mal..." "A vida não para", e é preciso ter "um pouco mais de calma", "um pouco mais de alma". 

Frei Edrian Josué Pasini, OFM 
Petrópolis/RJ

Verso da página do dia 9 de fevereiro de 2023 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes
 


"Paciência"
Escrita por Lenine e Dudu Falcão
Interpretada por Lenine
Do álbum "Na Pressão" (Sony Music, 1999)

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo
Que lhe falta pra perceber?
Será que temos esse tempo
Pra perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não



O papa argentino e o poeta brasileiro



O PAPA ARGENTINO E O POETA BRASILEIRO

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida." Este verso compõe o célebre "Samba da Bênção" (1967), cuja letra é do poeta brasileiro Vinícius de Moraes (1913-1980) [em parceria com Baden Powell (1937-2000)]. Foi citado pelo Papa Francisco na Carta Encíclica Fratelli Tutti [em português, "Todos Irmãos"], de outubro de 2020. O documento, com forte inspiração em São Francisco de Assis (Giovanni di Pietro di Bernardone, 1181 ou 1182 - 1226), trata sobre a fraternidade e a amizade social. No texto, o Santo Padre propõe a mensagem do Evangelho como convite à construção de uma humanidade fundamentada na solidariedade e no amor. Segundo o documento, a diversidade que nos distingue é uma bênção, pois nos convoca ao trabalho desafiante de sermos protagonistas da arte do encontro.

Frei Gustavo W. Medella, OFM 

gmedella@franciscanos.org.br



Verso da página do dia 5 de fevereiro de 2023 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes



domingo, 5 de fevereiro de 2023

"Quando Fui Ferido, Vi Tudo Mudar"


Mais uma análise evangélica do Frei Gustavo Medella da música "Meu Mundo E Nada Mais" (1976) de Guilherme Arantes.


QUANDO FUI FERIDO, VI TUDO
MUDAR

O verso da canção "Meu mundo e nada mais", de Guilherme Arantes, faz alusão a um momento crucial na vida do ser humano, uma ruptura que o transforma a partir de dentro. Na linguagem religiosa, tal episódio poderia ser associado a um "divisor de águas" que marca o processo de conversão. Para São Francisco de Assis (Giovanni di Pietro di Bernardone, 1181 ou 1182 - 1226), por exemplo, o encontro com o leproso mudou radicalmente sua percepção de mundo. Por causa do amor a Cristo, Francisco se tornou capaz de abraçar aquela figura que até então lhe provocava aversão. Assim, o que lhe parecia amargo, tornou-se para ele "doçura de corpo e alma" (Testamento de São Francisco). Benditas as feridas que nos fazem crescer e mudar para melhor.

Frei Gustavo W. Medella, OFM
gmedella@franciscanos.org.br

Verso da página do dia 15 de janeiro de 2023 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes

Para ver a primeira análise da mesma música, acesse:



Livro "Viver É A Melhor Opção" de André Trigueiro

 



Em uma sessão espírita, após comentar que sabia o que se passava na cabeça de um suicida, um espírito incorporado em uma amiga médium o surpreendeu questionando se ele tinha certeza disso, lhe fez várias perguntas sobre o autoextermínio, mas o adepto do espiritismo respondeu não a todas elas. Então este espírito assertivamente chegou a conclusão de que ele não sabia nada. E a partir dali esse mesmo espírito que era de um amigo se comunicava com frequência com ele em cada sessão sobre o assunto. Foi inspirado nesse diálogo que André Trigueiro, jornalista da TV Globo, escritor e palestrante foi buscar informações sobre a suicidologia expostas neste livro lançado em 2015, "Viver É A Melhor Opção" (Editora Correio Fraterno) que eu ganhei de uma amiga no meu aniversário de 2019 e que eu li se eu não estou errada umas três vezes. Atualmente André Trigueiro mantem o seu canal no YouTube onde ele transmite suas lives de palestras e entrevistas que abordam jornalismo, espiritualidade e sustentabilidade, entre elas, uma playlist inspirada no livro, inclusive a introdução dessa postagem foi inspirada em um desses vídeos que eu incorporei aqui.

"Há momentos na vida em que muitos de nós perdemos a coragem de seguir em frente. Essa situação é mais frequente do que se imagina. Em casos extremos, o desânimo, a melancolia ou a depressão podem precipitar a ideia do suicídio, um problema de saúde pública no Brasil e no mundo. O silêncio em torno do assunto – um abominável tabu – só agrava a situação. A própria Organização Mundial da Saúde vem defendendo a comunicação aberta e responsável como medida eficaz de prevenção. É sabido que a informação cumpre uma função estratégica na prevenção dos mais variados tipos de males e doenças. Isso também vale para o suicídio. Uma das descobertas mais importantes – e desconhecidas – da ciência médica dá conta de que o suicídio é prevenível em 90% dos casos, por estar associado a psicopatologias diagnosticáveis e tratáveis. Este livro foi escrito com uma única convicção: as informações reunidas nele podem salvar vidas. Não se enquadra, porém, na categoria 'autoajuda'. Pelo contrário, mostra o que podemos fazer pelos outros, ou seja, pelas pessoas que estão ao nosso redor atravessando uma etapa tão difícil da existência." 

Texto da primeira orelha (ou aba) do livro "Viver É A Melhor Opção"



"Baseado em estudos recentes da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde, aponta a importância da prevenção ao suicídio em todos os setores da sociedade. Trabalhando a prevenção através da informação, enfoca o valor da vida, além de abordar os fundamentos do espiritismo, como a pluralidade de existências, a lei de causa e efeito e a realidade da vida após a morte. Alguns outros temas em destaque: depressão, uso de armas, o papel da mídia e drogas." - Amazon (https://www.amazon.com.br/Viver-Melhor-Op%C3%A7%C3%A3o-Andr%C3%A9-Trigueiro/dp/8598563854)


Se você passa por problemas de saúde mental e precisa de ajuda, ligue para o CVV, Centro de Valorização da Vida. O número é 188 e o serviço é gratuito e disponível 24 horas.

domingo, 22 de janeiro de 2023

Baú de Curiosidades #02 - Gabriela Rivero em "Fiebre Del 2"

 



No final dos anos 1970, o mundo fervia com a discothèque. Era a época dos "Embalos de Sábado à Noite" ("Saturday Night Fever", Paramount Pictures, 1977), filme estrelado por John Travolta, e, no Brasil, da novela "Dancin' Days" (Rede Globo, 1978-1979). No México não foi diferente: aos sábados, das 20 às 22 horas entre os anos de 1978 e 1981, foi ao ar na Rede Televisa, a Globo mexicana, o programa "Fiebre Del 2". Apresentado por Fito Giron e Chela Braniff, o programa todo destinado ao público jovem era um concurso de dança em que competiam  homens e mulheres solo e casais, tudo em ritmo de discothèque, a tendência musical da época. Dentre os competidores estavam o ator Guillermo Capetillo, famoso no Brasil pela novela "Rosa Selvagem" ("Rosa Salvaje", Canal de las Estrellas / Televisa, 1987-1988) e ninguém menos que a atriz Gabriela Rivero que, na década seguinte, seria conhecida como a dócil Profesora Ximena (no Brasil, Professora Helena) na novela "Carrossel" ("Carrusel", Canal de las Estrellas / Televisa, 1989-1990) exibida nas telinhas brasileiras entre 1991 e 1992 pelo SBT. Neste vídeo abaixo, Gaby Rivero, na época aos 15 anos na temporada de 1979, vestido uma blusa roxa e calça jeans, dava um show de dança ao som de "Makin' It" (de Dino Fekaris e Fredie Perren, 1978) do cantor David Naughton, tema do sitcom americano homônimo que foi ao ar pela American Broadcasting Company (ABC).


Fontes:
Página "Inolvidables Recuerdos" - Facebook


Baú de Curiosidades #01 - Gabriela Melim


Antes de formar com os seus irmãos Rodrigo e Diogo o trio  folk pop Melim, uma das bandas que eu adoro particularmente como também cujas músicas adoro cantarolar no chuveiro e no karaokê, Gabriela, que nasceu quase dois anos depois que os irmãos gêmeos, começou sua carreira como artista solo aos 15 anos de idade cantando samba, enquanto Diogo e Rodrigo tocavam juntos em bares. Gabriela Melim lançou em 2013 o álbum "Tipo Brasileiro" (Boulevax Music) tendo como produtor o consagrado compositor Carlos Colla (5 de agosto de 1944 - 13 de janeiro de 2023) que infelizmente acabou de nos deixar. O projeto contou com outras participações de peso: Marcelo D2, João Donato, Rildo Hora na gaita (na faixa "Vai Embora, Tristeza") e seu filho Misael da Hora no teclado. Além de suas canções autorais como "Pimenta", "Cuidado Pra Não Dormir Demais" e "Peça Felicidade", Gabriela Melim faz releitura das músicas "Vai Embora Tristeza" (de Arlindo Cruz, Gegê do Cavaco e Julinho Santos, 2012) que já foi gravada por Arlindo Cruz e Karinah, "Sambou, Sambou" (de João Donato e João Melo, 1962) com a participação de João Donato e "Estardalhaço" (de Lisyas E. Oliveira e José Edmundo Guedes, 1975) gravada originalmente pelo cantor, compositor e multi-instrumentista Bebeto Castilho. As músicas do primeiro álbum solo de Gabriela Melim podem ser ouvidas  sua página no Youtube, no site do Instituto Memorial Música Brasileira (IMMuB) e no SoundCloud da própria cantora.






"Tipo Brasileiro"
Gabriela Melim
℗ 2013 Boulevax Musuc

FICHA TÉCNICA: 

Produzido por Boulevax Music Brasil
Direção Geral: Carlos Colla; Direção Executiva: Giselle de Paula; Direção Musical e Arranjos: Leandro Barros

MÚSICOS: Camilo Mariano (Bateria); Nene Brown, André Siqueira, Fabio Miudinho (Percussão); Humpry Scott (Contrabaixo); Misael da Hora, Valério Behir (Teclados); Márcio Hulk (Cavaco); Leandro Barros (Guitarra e violão 6 cordas); Carlinhos Sete Cordas (Violão 7 cordas); Sergio Galvão, Jesiel, Seabra, Bira Trombone, Lamir Teixeira, Márcio André (Sopros)  

Participações Especiais: Rildo Hora-Gaita (faixa 4); Marcelo D2-Voz (faixa 5); João Donato - Piano e Voz (faixa 9).

Gravação: Estúdio 3 por Léo Guimarães e Estúdio 94 por Guilherme Tettamanti (faixas 7 e 8); Mixagem: Ricardo Palmeira; Masterização: Ricardo Garcia; Direção de Arte: Giselle de Paula

Fotografia e projeto gráfico: Schumacher

FAIXAS:

1 Malandro (Káliman Chiappini)
2  Pimenta (Gabriela Melim)
3  Sim Senhora (Sérgio Kahó/Carlos Colla)
4  Vai Embora Tristeza (Arlindo Cruz/Gegê do Cavaco/Julinho Santos)
Participação: Rildo Hora (gaita)
5  Tipo Brasileiro (Alexandre Leão/Manuca Almeida/Sofia Laura/Carlos Colla)
Participação: Marcelo D2
Música Incidental: BR2 (Marcelo D2/Sain)
6  Figa de Osso (Káliman Chiappini/Carlos Colla)
7  Peça Felicidade (Gabriela Melim)
8 Cuidado Pra Não Dormir Demais (Gabriela Melim)
9  Sambou, Sambou (João Donato/João Mello)
Participação: João Donato
10  Na Lapa (Káliman Chiappini/Carlos Colla)
11 Cristo Redentor (Frank Daiello/Carlos Colla)
12 Como Diz o Poeta (Juninho Peralva)
13  Desassossego (Gilberto Gomes/Diógenes Tiê)
14  Estardalhaço (Lisyas E. Oliveira/José Edmundo Guedes)

domingo, 8 de janeiro de 2023

O Evangelho e a MPB #06 - "O Cio da Terra" - Milton Nascimento e Chico Buarque

Capa do compacto simples "Milton & Chico" (Philips / Phonogram - hoje Universal Music, 1977) no qual está o sucesso "O Cio da Terra".


"O Cio da Terra"
(de Chico Buarque e Milton Nascimento, 1977)

"O Cio da Terra". Apenas três estrofes, sem refrão, dão forma a esta obra-prima da MPB, composta por Milton Nascimento e Chico Buarque. Retrata a relação fecunda e íntima entre o ser humano e a natureza num ciclo virtuoso que se renova e gera vida. Fecundidade que produz o trigo e este, por sua vez, o pão. Jesus, ao apresentar o Reino de Deus, muitas vezes lança mão de figuras da natureza, como o solo, as plantas, os frutos e as sementes. O desejo do Mestre é revelar que toda a criação é fruto do mesmo plano de amor que nasce no coração de Deus. O cristão é chamado a deixar-se trabalhar pela graça de Deus e também fazer a sua parte para fecundar o solo do mundo com seu testemunho de partilha, respeito, compaixão e amor.

Frei Gustavo Wayand Medella, OFM gmedella@gmail.com

Verso da página do dia 27 de dezembro de 2022 da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus, Editora Vozes



Festa de Lançamento do "Clube do Samba" (Fantástico, 1979)

"Meninos da Mangueira" - Ataulpho Jr. e Diogo Nogueira no programa "Samba da Gamboa" na TV Brasil