
Todo final de ano, muitos usuários de redes sociais fazem sua retrospectiva de momentos felizes em suas páginas através de fotos e vídeos como forma de gratidão. Lembra da trend* do ano passado "Como vou ser triste esse ano se..."? Um fenômeno internético que dividiu opiniões e com toda a razão. Enquanto para alguns é uma forma de celebrar e agradecer, para outros pode gerar comparações desconfortáveis e até certa negação da tristeza (Revista Capricho), fomentando a positividade tóxica, ou seja, a obrigação de ser feliz, bem alinhado ou motivado o tempo todo. Ficar triste se tornou proibido.
Ao olhar aquele rosário de momentos felizes e inalcançáveis registrados em fotos e vídeos em redes sociais, dá aquela impressão de que a vida do dono da página é só sucesso e felicidade plena. Sabe aquela frase que diz que "a grama do quintal do vizinho é sempre mais verde do que a nossa"? Exatamente isso. Quem assistiu ao filme "Ingrid Vai Para O Oeste" ("Ingrid Goes West", Star Thrower Entertainment, 141 Entertainment e Mighty Engine, 2017) sabe a referência. (clique aqui para ver a minha postagem sobre o longa-metragem).
Vale lembrar que isso não é julgamento e nem desmancha-prazeres, e sim uma reflexão. A felicidade faz parte da nossa vida, mas ser triste também. Tristeza e fraqueza não são e nunca foram crimes. Celebrar a vitória é tão importante quanto reconhecer a derrota. Vida perfeita não existe.
A jornalista e apresentadora Cris Guterres, em um vídeo de dezembro do ano passado para a sua coluna do Universa, a plataforma do canal UOL, só falou verdades sobre a famosa trend da "retrospectiva de gratiluz". Faço minhas as palavras dela e sua reflexão merece engajamentos. Vale a pena ver o vídeo.
*Trend: fenômeno cultural ou de conteúdo que viraliza rapidamente nas redes sociais
Desejo um 2026 com boa saúde mental e maturidade pra reconhecer que tristeza e felicidade são fundamentais na nossa vida.
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