A bela Jessica Lange como o "anjo atraente da morte" de Joe Gideon.
Joe Gideon (Roy Scheider) e Audrey Paris (Leland Palmer)
Kate Jagger (Ann Reinking)
Joe Gideon e a filha Michelle Gideon (Erzsébet Földi)
Curiosidades
*A personagem Audrey Paris, ex-esposa de Joe Gideon, reflete a dançarina, atriz e esposa de Bob Fosse Gwen Verdon (1925-2000) que continuou trabalhando com ele em peças musicais e filmes.
*A atitude grosseira de Joe Gideon com uma de suas amantes, a dançarina Victoria Porter (Deborah Geffner) durante os ensaios assemelha-se ao tratamento de Bob Fosse à Jennifer Nairn-Smith nos ensaios para o musical "Pippin". A própria Nairn-Smith que foi amante de Fosse participa do filme como Jennifer, uma das dançarinas da companhia NY/LA de Joe Gideon.
*A personagem "Angelique", o "anjo da morte" foi inspirada na falecida esposa de Bob Fosse, Joan McCracken, morta em 1959. McCracken foi uma grande influenciadora no início de carreira de Fosse.
*Ann Reinking foi uma das amantes de Bob Fosse e no filme estava interpretando uma personagem que quase lembra ela mesma. Não obstante, foi exigido para que Reinking participasse das audições para fazer o papel da namorada de Joe Gideon, Kate Jagger.
*Cliff Gorman (1936-2002) foi selecionado para fazer o papel de Davis Newman em "The Stand-Up" um filme dentro de "All That Jazz" e semelhante ao "Lenny". Gorman havia feito o papel do protagonista Lenny Bruce na produção teatral original pela qual recebeu o Tony Award, mas, para a versão cinematográfica de 1974, Lenny Bruce foi interpretado por Dustin Hoffman.
*O canal de TV por assinatura FX produziu e lançou em abril desse ano uma minissérie biográfica "Fosse/Verdon" que conta a história do conturbado relacionamento pessoal e profissional do casal Bob Fosse (vivido por Sam Rockwell) e Gwen Verdon (Michelle Williams). A série também conta com a participação de Margaret Qualley no papel de Ann Reinking. Ainda não há previsão de exibição no Brasil.
Vamos falar de música?
Capa do disco da trilha sonora de "All That Jazz - O Show Deve Continuar" em edição brasileira (foto: Mercado Livre)
Contracapa do LP. Esta é de uma edição relançada recentemente em CD pela Universal Music no Reino Unido (foto: site
Juno Records)
A trilha sonora do filme foi lançada originalmente em LP e K7 pela Casablanca Records, selo subsidiário da Phonogram/PolyGram/Universal Music inaugurado em 1973 e existente até hoje. O disco abre com "Main Title" (de Ralph Burns), a música de apresentação do título do filme que no Brasil foi usada com primeiro tema de abertura do telejornal "Bom Dia Brasil" da Rede Globo entre 1983 e 1987. Logo após Joe Gideon (Roy Scheider) anunciar que chegou a hora do show ("it's showtime, folks!" ) vem a música da audição dos dançarinos para uma peça do coreógrafo, a regravação de "On Broadway" (de Barry Mann, Cynthia Weil, Jerry Leiber and Mike Stoller, 1963) do cantor e guitarrista George Benson. "On Broadway" também é conhecida por ter servido de música para a cena clássica em que Sônia Braga e Paulette (1952-1993) se esbaldavam na pista de dança na novela "Dancin' Days" (Rede Globo, 1978). A tristonha instrumental "Michelle" (de Ralph Burns) foi o tema da personagem-título vivida pela garotinha Erzsébet Földi usado na cena em que ela ensaia a dança com o pai Joe Gideon e ao mesmo tempo o recomenda para que ele se case para deixar de ser mulherengo.
O personagem Paul (Anthony Holland), o pianista e compositor fictício de "Take Off With Us" (de Fred Tobias e Stan Lebowsky) que em português quer dizer "decole conosco" apresentou a canção ao Joe Gideon e aos colegas produtores, já que ele ainda não sabia o que fazer com a música. E a tal obra a princípio virou o simpático e inocente número de dança criado por Joe Gideon com os dançarinos do NY/LA vestidos com trajes de aeroporto que empolgou bastante o compositor e os produtores em uma apresentação restrita e experimental a eles. Porém vem o segundo ato intitulado "Airotica" (ótica aérea) que em inglês rima com a palavra "erótica" e é aí que o
jazz ingênuo vira dança contemporânea sensual com direito a
topless das dançarinas e o nome da música muda de sentido, já que o termo "take off" também significa "despir" ou "tirar a roupa", revelando o quanto Gideon só pensa "naquilo" quando não trabalha. O pequeno "público"
vip e conservador fica em choque com tanta saliência na apresentação. Até o Paul, o compositor, se desanima com a sua música em razão de ela ser usada para a performance agora libidinosa e, envergonhado, desdenha: "agora o Sinatra não vai mais gravá-la!". No final da apresentação um produtor que já sabia como Joe Gideon reagia às reprovações, cochicha ao colega ao lado: "eu odeio ferir seus sentimentos, mas não podemos levar isso aos palcos!".
"Concerto em Sol Maior" ou "Concerto Alla Rustica" de Antonio Lucio Vivaldi (1678-1741) com a regência de Ralph Burns é a trilha sonora do círculo vicioso de Joe Gideon: todo dia de manhã ao som da música, toma banho, põe o colírio nos olhos, ingere anfetaminas e aspirina efervescente e fica de frente ao espelho e diz sorrindo:"it's showtime, folks!" ("é hora do show, pessoal!").
"Ponte Vecchio" (de Ralph Burns) é aquele
jazz suave e agradável de ouvir que faz lembrar uma daquelas músicas da banda Sexteto do Jô do saudoso "Programa do Jô" da Rede Globo. Ainda falando na emissora, "Ponte Vecchio" serviu de tema geral para a novela global "Plumas e Paetês" (1980-1981), mas a música não foi incluída em nenhum LP da trilha sonora do folhetim brasileiro.
Antes do jantar entre Joe Gideon, Kate e Michelle, a amante e a filha fazem uma apresentação caseira em tributo ao coreógrafo com "Everything Old Is New Again" (de Carole Bayer Sager e Peter Allen, 1974) cantada por Peter Allen (1944-1992) em seu álbum "It's Time for Peter Allen" (A&M Records/ Universal Music, 1977) gravado ao vivo.
Ao virar o disco, o lado B é uma espécie de segundo ato: o hospital. "South Mt. Sinai Parade" (de Ralph Burns) é um
jazz alegre que embala as visitas animadas para
Mister Gideon no hospital e as imprudências cômicas do ilustre paciente.
"Everything Old Is New Again"
("Tudo que é antigo se renova")
A partir da segunda faixa do lado B do disco vem o número "Alucinação no Hospital" em que Joe Gideon sonha em que está gravando um musical mesmo deitado no leito. O número imaginário é dirigido pelo outro Joe Gideon (isso mesmo!) e coestrelado pela sua ex-mulher Audrey Paris, sua namorada Kate Jagger, sua filha Michelle e dançarinas do NY/LA. Os clássicos das décadas de 1910 e 1920 "After You've Gone" (de Henry Creamer e Turner Layton, 1918), "There'll Be Some Changes Made" (de Billy Higgins, Herbert Edwards e William Benton Overstreet, 1921), "Who's Sorry Now?" (de Bert Kalmar, Harry Ruby e Ted Snyder, 1923) e "Some Of These Days" (de Shelton Brooks, 1910) são convertidos brilhantemente em diálogos cantados das estrelas desta performance utópica que suplicam ao coreógrafo a descartar os maus hábitos e não se entregar à morte. Ou seja, é como se fosse uma guerra declarada das moças ao irresistível e atraente Angelique (Jessica Lange), o anjo da morte.
"Alucinação no Hospital".
"Going Home Now" (de Ralph Burns) é um tema para a preparação de Joe Gideon para o seu show de despedida (só que mais um imaginário!), sendo maquiado e vestido por Angelique. A melodia é executada por um teclado com timbre de caixinha de música. Outra faixa incluída na novela "Plumas e Paetês", cortando a parte final em que aparece a orquestra de metais.
A
country "Bye Bye Love" (1957) escrita pelo casal de compositores Felice (1925-2003) e Bouldleaux Bryant (1920-1987) e gravada originalmente por Everly Brothers ganhou uma releitura de quase dez minutos de duração, uma levada que mescla
jazz,
disco e
soul e arranjo deslumbrante para o tal mega show quimérico de Joe Gideon e O' Connor Flood (Ben Vereen), o apresentador de TV preferido do coreógrafo. Ao chamar algum artista em seu programa de TV, O'Connor sempre costuma usar o bordão "senhoras e senhoras, deixa eu apresentar a vocês um grande artista, um grande ser humano, meu queridíssimo amigo por tal anos". Ainda no hospital, Joe Gideon imagina como seria se O'Connor o convidasse para o seu programa: discursando o quanto o coreógrafo é mais idolatrado do que amado (e é como a música no LP começa) e que a sua vida é tão cheia de fantasias que a única realidade nela é a morte. E anuncia:"senhoras e senhores, deixa eu apresentar a vocês um artista mais ou menos, um não tão grande ser humano e esse cara nunca foi amigo de ninguém...". Depois de um final enganoso com aplausos calorosos, a canção repete a parte da execução do trompete e em seguida vem um coro cantando quatro vezes o verso "bye-bye, your life, goodbye" começando baixinho até aumentar a intensidade das vozes. E a música/disco/filme se encerra curiosamente com o ruído de um zíper de saco para corpos se fechando.

Joe Gideon (Roy Scheider) e O' Connor Flood (Ben Vereen)
As músicas que foram executadas no filme e não foram incluídas no disco são "Perfect Day" (de Harry Nilsson, 1977) na cena do encontro da imatura dançarina Victoria Porter (Deborah Geffner) com seu coreógrafo Joe Gideon no apartamento deste e "There's No Business Like Show Business" (de Irving Berlin, 1946) que ganhou várias regravações, inclusive da cantora e atriz Ethel Merman (1908-1984) tanto para o filme homônimo (no Brasil, "Mundo da Fantasia, 20th Century Fox, 1954) no qual ela participou quanto para os créditos finais do filme "All That Jazz".
"All That Jazz" - Trilha Sonora original do filme "All That Jazz - O Show Deve Continuar"
(P) 1979 Casablanca Records / PolyGram International (hoje Universal Music Group)
(P) 1980 PolyGram Discos (hoje Universal Music Brasil)
Produção, arranjo e regência de Ralph Burns
Coprodução de Glenn Berger
1- "Main Title (Instrumental)"
Escrita por Ralph Burns
"All That Jazz" Orchestra
2- "On Broadway"
Escrita por Barry Mann, Cynthia Weil, Jerry Leiber e Mike Stoller
Interpretada por George Benson
Produzido por Tommy LiPuma
(P) 1978 Warner Bros. Records, Inc. (Warner Music Group)
3- "Michelle" (Instrumental)
Escrita por Ralph Burns
"All That Jazz" Orchestra
4- Take Off With Us / Airotica
Escrita por Fred Tobias e Stan Lebowsky
Interpretada por Sandahl Bergman e coro (dançarinos do "NY/LA"): Deborah Geffner, Eileen Casey, Bruce Anthony Davis, Gary Flannery, Jennifer Nairn-Smith, Danny Ruvolo, Leland Schwantes, John Sowinski, Candace Tovar e Rima Vetter
5- "Concerto Alla Rustica" (Concert In G) (Concerto em Sol Maior - Instrumental)
Escrita por Antonio Vivaldi
Arranjo e adaptação: Ralph Burns
"All That Jazz" Orchestra
6- Ponte Vecchio (Instrumental)
Escrita por Ralph Burns
"All That Jazz" Orchestra
Saxofone solo: George Young
7- Everything Old Is New Again
Escrita por Carole Bayer Sager e Peter Allen
Interpretada por Peter Allen
Produzido por Joel Dorn
(P) 1977 A&M Records, Inc. (Universal Music Group)
8- South Mount Sinai Parade (Instrumental)
Escrita por Ralph Burns
"All That Jazz" Orchestra
Trombone solo: James Pugh
*"Alucinação no hospital" - com Ann Reinking, Leland Palmer e Erzsébet Földi
9- After You've Gone
Escrita por Henry Creamer e Turner Layton
Intérprete solo: Leland Palmer (Audrey Paris)
10- There'll Be Some Changes Made
Escrita por Billy Higgins, Herbert Edwards e William Benton Overstreet
Intérprete solo: Ann Reinking (Kate Jagger)
11- Who's Sorry Now
Escrita por Bert Kalmar, Harry Ruby e Ted Snyder
Interpretada pelo coro feminino ("NY/LA") com Ann Reinking, Leland Palmer e Erzsébet Földi
12- Some Of These Days
Escrita por Shelton Brooks
Intérpete solo: Erzsébet Földi
(Michelle)
*Hora do "show de despedida"
13- Going Home Now (Instrumental)
Escrita por Ralph Burns
"All That Jazz" Orchestra
14- Bye Bye Life ("Bye Bye Love")
Escrita por Bouldleaux Bryant e Felice Bryant
Interpretada por Ben Vereen (O'Connor Flood - apresentador) e Roy Scheider (Joe Gideon)
Trompete solo: Lou Soloff
Músicas não incluídas no disco:
"Perfect Day"
Escrita e interpretada por Harry Nilsson (1941-1994)
(P) 1977 RCA Records (hoje Sony Music Entertainment Group)
"Sweet Sue, Just You" (1928)
Escrita por Victor Young (1900-1956)
cena da apresentação de dança do Joe Gideon jovem (vivido por Keith Gordon)
"Pack Up Your Troubles in Your Old Kit-Bag" (1915)
Música de Felix Powell (1878-1942)
Letra de George Asaf (1880-1951)
cantado
acappella por Roy Scheider (Joe Gideon) e Tiger Haynes (Porter - zelador do hospital)
"There's No Business Like Show Business" (créditos finais)
escrita por Irving Berlin (1888 -1989)
interpretada por Ethel Merman
cortesia da London Records (Universal Music Group)